Esperei até que ela saísse mais isso não aconteceu, quando fui até a porta Renesmee me recebeu docemente.

— Olá — ela disse com educação — Só um minuto que vou chamar Liz.

—Posso antes falar com a senhora? — Perguntei.

— Claro.

— Ambos sabemos que se ela quisesse falar comigo já estaria aqui, só o que eu quero saber é se a senhora sabe o que está causando tudo isso, sei que a causa sou eu, mas tudo que eu gostaria de saber é se eu fiz algo errado ou ela está simplesmente desistindo de mim.

— Não acho que seja isso.

— Eu simplesmente não entendo, se ela não me ama mais, ou sei lá o quê, ela nem quer falar comigo.

— Apesar de tudo tenho que admitir que ela ama você, eu não sei porque ela está toda triste esses dias, juro.

— Não duvido disso, o que eu não entendo é porque ela está me evitando.

— Acho que ela só quer um pouco de tempo sozinha, ficar perdida deve ter sido traumatizante, mas não a leve a mal, ela está um pouco confusa.

— Eu sei, o que me confunde é que desde que nós chegamos ao aeroporto ela está assim.

—Oh! Vejo que a situação está realmente crítica, ela não parece estar se sentindo bem, ainda assim sinto que precisam conversar.

Ouvi ainda uma pequena discussão lá em cima.

— Liz? — Liz meu amor, venha aqui, por favor— Disse Renesmee educadamente.

— Eu não me sinto bem para falar com ele agora — Ela acrescentou secamente, então eu fui até lá, antes que pudesse ser impedido.

— Eu vou dar licença a vocês dois.

— Não! — Ela disse segurando o braço da mãe e encarando a ela com olhos suplicantes, prendendo lágrimas que agora apareciam no brilho molhado de seu olhar.

— Lisie! Eu preciso falar com você!

— Mas eu não quero falar com você, não agora.

— E o que eu fiz para isso?

— Não importa! Por favor, agora não é a melhor hora.

— Por quê? Só me responda isso!

— Eu preciso de um tempo para pensar!

— Então é isso, você quer um tempo, tudo bem, mais eu nunca pensei que você fosse esse tipo de garota que simplesmente enjoa de alguém.

— Não é isso — ela disse enquanto tentava controlar as lágrimas para que não fugissem de seus olhos brilhantes. E logo Renesmee não estava mais lá.

— Entendo se não gostar mais de mim, se quiser que eu vá embora, se não me achar bom o suficiente para você, o que não entendo é que, desde que você foi, eu não tive sequer um abraço sincero seu, não parece que quem voltou foi a minha Lisie.

— Você não pode entender...— Disse ela querendo fugir do assunto.

— Poderia se você me contasse...

— Não, isso já seria demais, não existem palavras.

— Ou, poderia me mostrar, essa sempre foi sua maneira de fazer todo mundo te entender Liz.

—Tem certeza? — Ela disse enxugando algumas lágrimas.

— É claro, nada poderá me abalar tanto quanto te ver triste.

Assim que eu disse isso ela fechou os olhos se concentrando e de repente todas as cenas que eu nunca queria que ela imaginasse passaram na minha frente.

—Oh! — Eu disse voltando a realidade.

— Agora você entende por que te ver me causava tanto mal? Fazia-me lembrar o que eu estou tentando esquecer.

— Desculpe-me, eu estou atônito.

— Não mais do que eu.

— Eu jamais pensei que você soubesse disso, eu sinto muito, mas quero dizer que isso é totalmente o passado que eu me arrependo, a única forma de vida que eu conhecia, juro que desde que vi você, jamais pensei nesse assunto nem uma vez sequer.

— Talvez seja por isso mesmo Henry, você nunca a impediu, mas comigo isso nunca pode acontecer, sinto que você poderia ter sido feliz com ela, muito mais do que comigo.

— Não, com você é diferente porque eu te amo e me preocupo com você — Eu disse abraçando-a.

— Agora isso nem importa mais... Ela disse tentando em vão se desvencilhar do meu abraço.

— Então é isso que você pensa? O que você tem na cabeça? Eu já te disse milhares de vezes que eu te amo e sempre vou te amar, não importa o que tenha acontecido já passou, temos que viver o agora.

— Esse não é o ponto, a verdade é que agora, depois de tudo, mesmo eu te amando sei que não seria a mesma coisa, nunca será normal, principalmente pra você, eu sempre vou ter minha parte humana idiota, que me impede de ser incrivel como um vampiro, de ser como você merece.

— Isso é idiotice, pare de falar tantas bobagens Lisie.

— Não, você sabe que é verdade, isso é o pior, eu vi como você gostava dela, vi coisas e sei que nós nunca seremos assim, é como se você trocasse a eternidade por alguns anos.

— E não é isso que me faz te amar menos e você sabe disso, eu prefiro viver um dia

— Eu prefiro viver um dia com você do que para sempre com qualquer outra, eu te amo de verdade, nunca senti nada sequer parecido por alguém, você poderia ouvir a voz da razão.

— Sei de todas essas verdades, por isso eu quero pensar, você sabe que o que vi foi demais para mim, foi dificil e eu sei que você a desejava.

— Eo que é que você pensa agora?Que eu nuca te desejei? Você deveria saber o quanto luto para controlar meus pensamentos enquanto estou aqui! — Eu falei soltando-a do abraço e pegando seu rosto com as mãos, para que ela olhasse nos meus olhos.

Ela abaixou a cabeça corando e em partes ali eu sabia que estava perdoado.

— E agora? Resolve me desculpar?

Ela balançou a cabeça, com um sim e eu a surpreendi mais uma vez me jogando suavemente em sua cama e a surpreendendo com um beijo enlouquecedor.

— Eu te amo — eu disse.

— Não mais do que eu — ela afirmou.

— Nem tanto, eu te amo muito mais do que você pensa e agora que tudo passou, percebi algo que eu não sabia.

— O quê?

— Que você tem ciúmes de mim.

— Eu? — Disse ela fingindo indiferença.

— E eu gosto disso, também tenho ciúmes de você, mas apesar disso confio em você e quero que confie em mim.

Ouvi bochichos ao longe, era Renesmee conversando com Alice, com certeza Lisie não podia ouvi-las.

— Jacob chegará em menos de meia hora, você deveria apressá-los — dizia Alice.

— Ainda não, estão fazendo as pazes.

Levantei puxando-a para o meu abraço.

— Jacob chegará em menos de meia hora, devo fugir pela janela?

— Não — ela disse rindo e limpando o rosto que antes estava com lágrimas — vai parecer muito mais suspeito.

— Então venha comigo pela porta — eu disse ajudando-a a se levantar.

— Nessa situação? — Ela disse apontando para suas roupas de dormir.

— Pare de ser tão vaidosa, você é linda de todo jeito.

— Eu já disse que não vou sair assim! — ela disse batendo o pé.

— Garotinha mimada — resmunguei.

— O que você disse?

— Que é claro que posso esperar — eu disse rindo e me sentando em uma cadeira no quarto dela.

— Ainda não — ela sussurrou.

— Pode começar, estou esperando — eu disse rindo.

— Espere na sala — ela retrucou.

— Por quê?

— Porque eu estou mandando — ela disse com um sorriso malicioso.

— Sim senhora — eu disse irônico saindo de lá.