Super-Heróis?
8 Traidor
Notas iniciais
Ficamos pasmos naquele momento e o silêncio tomou conta, até que ele falou.
– Olá amiguinhos, quanto tempo. Estavam com saudades de mim?
– Paulo? Mas como? — Alícia disse boquiaberta.
– Vocês devem estar perguntando o porquê de eu ter virado um criminoso, não é? Pois então vou responder todos, só não posso servir um café. Sempre quis compartilhar a minha história com meus queridos amigos de infância.
Maria Joaquina correu em minha direção e me abraçou com lágrimas nos olhos.
– Eu estava morrendo de medo deles te fazerem algum mal. Tá tudo bem agora. – sussurrei em seu ouvido.
– Obrigada por virem me salvar. – ela falou olhando pra cada um.
Voltei minha atenção para o Paulo. Ainda não conseguia entender como ele poderia ter feito aquilo. Nosso colega de turma.
– Bom, quando eu e minha família nos mudamos daqui, aconteceram muitas coisas. Meus pais morreram em um acidente e a Marcelina foi morar com uns tios lá nos Estados Unidos. Eu estava com dezesseis anos e preferi continuar a morar na comunidade de São Paulo onde eu vivia, sozinho. Larguei a escola e decidi viver sem fazer nada. Foi aí que eu entrei pro mundo do crime. Comecei traficando drogas e agora sou o capitão de uma gangue muito poderosa. Tenho essa quadrilha enorme, que seria maior se vocês não tivessem matado alguns dos meus companheiros. Roubamos nessas cidades pequenas e vivemos disso. É praticamente isso. Mas não se preocupem, não vou matar vocês em consideração aos bons tempos do passado. Adeus amigos, vocês são uns derrotados.
– Você vai ver quem é o derrotado agora. — falou Jaime.
– Para Jaime, você quer morrer é? — disse Carmen se metendo na frente dele.
A quadrilha saiu e dava para ouvir a risada do Paulo. O que importava é que conseguimos resgatar a Maria Joaquina e ela está bem. Voltamos pro apê e a conversa girava em torno dele, daquele traidor.
– Eu não acredito que o Paulo foi capaz de fazer tudo isso.
– Ele sempre foi um marginal Alícia. – Majo respondeu a Alícia.
– Ele só aprontava muito, mas daí a se tornar um ladrão, traficante e sabe-se lá o que Maria Joaquina, há uma grande diferença.
– E o que nós vamos fazer? Denunciar o Paulo?
– Você sabe que não iria adiantar nada, eu preciso falar com você Majo.
– Tá Valéria, vamos pro quarto.
Valéria e Maria Joaquina foram pro quarto, Mário pro laboratório, Jaime saiu e Carmen foi junto. Davi também saiu, Alícia ficou conversando com Jorge e eu liguei a televisão para ver um programa qualquer.
POV Valéria
– Pode falar Valéria.
– Fiquei tão preocupada contigo. – a abracei – Que susto amiga, ainda bem que não te fizeram nada. Mas não é só isso que eu quero falar, tenho uma ótima notícia.
– Para com esse suspense e conta logo vai.
– Eu não estou grávida.
– Mas... e o teste?
– Eu menstruei. Testes dão errado.
– E os enjoos?
– Deve ter sido alguma coisa que eu comi e me fez mal.
– É pra eu te dar parabéns?
– Não precisa. – eu ri — Eu vi que você logo que se soltou foi abraçar o Daniel. Tá acontecendo algo que eu não sei?
– Ai Valéria, ele é o meu melhor amigo, deixe de coisa.
– Vocês formariam um belo casal.
– E você e o Davi, já voltaram?
– Não, nós vamos nos separar. Eu cansei das brigas e tudo mais, chega. A partir de agora eu sou uma nova Valéria, mais solta e sem compromissos.
– Hum, cuidado hein soltinha. Da próxima vez você pode ficar grávida de verdade.
– Agora vai ficar me dando conselhos, é? E você, não pretende arranjar alguém?
– Eu tô bem solteira.
Ficamos conversando por alguns minutos, mas Majo disse que precisava tomar um banho e saiu do quarto.
POV Daniel
Majo saiu do quarto e eu disse que queria conversar. Ela me disse que tomaria um banho e depois conversaríamos. Esperei uns minutos, muitos minutos. Ela demorou pra caralho nesse banho e quando a vi saindo do banheiro, apenas com uma toalha, nossa... Eu fiquei louco.
– Que susto hein. – disse quando ela se sentou ao meu lado no sofá, já vestida.
– Pois é, eu não desejo isso pra ninguém.
– Eles te fizeram alguma coisa?
– Não, eles só me deixaram sem comer e sem beber por horas.
– Eu sofri muito sem você.
– Na verdade você sofre muito até comigo né.
– Não me zoa, estou tentando fazer uma coisa e não é fácil.
– Okay.
– Posso te fazer uma pergunta?
– Claro Daniel, o que é?
– Você vai achar ruim se eu te der um selinho?
– Vou achar estranho, ruim não.
Nós ficamos rindo por uns segundos, até que me aproximei dela e a beijei. Não foi só um selinho como eu havia pedido, foi um beijo quente e delicado ao mesmo tempo. Valéria, Alícia e Jorge estavam nos olhando e só percebemos quando nos afastamos.
– Vocês estão juntos? — perguntou Alícia.
– Eu sabia. — disse Valéria.
– Nós só estávamos... Cumprindo uma aposta. — falou Maria Joaquina.
– Que aposta? — perguntou Jorge.
– É que eu e o Daniel apostamos que se ele risse das caretas que eu fazia, ele me beijaria.
– Que aposta mais louca, vamos apostar Alícia.
– Sai pra lá Jorge.
Convidei a Maria Joaquina pra sair quando os três nos deixaram a sós. Ela aceitou, então a levei nun parque na cidade vizinha, sem se importar com qualquer missão que poderia surgir.
– Quer maçã do amor?
– Quero sim, obrigada.
– Moço, duas maçãs do amor, por favor.
– Duas maçãs do amor para o casal mais lindo desse parque. – ele entregou as maçãs e eu o dinheiro.
A situação foi um pouco constrangedora, mas eu gostei do fato de parecermos um casal. Começamos a discutir em qual brinquedo ir primeiro. Majo queria ir na montanha russa e eu na roda-gigante. Como as mulheres sempre ganham fomos primeiro na montanha russa e depois na roda-gigante.
– Quando eu era pequena eu tinha medo da roda-gigante.
– Por que?
– Sei lá, eu achava que se eu entrasse, iria cair lá de cima.
– Você beija bem.
– Você está fugindo do assunto.
– Aceitaria namorar comigo?
– Por que está me fazendo uma pergunta dessas agora?
– Porque se você cair de lá de cima, pelo menos terei uma namorada, nem que seja por uns segundos.
– Idiota. – nós rimos.
– Estou falando sério, você aceita?
– Eu posso pensar?
– Claro.
– Eu tenho medo de dar errado e acabar com a nossa amizade.
– Olha, eu posso te garantir que vou te encher de mimos. Posso ser um bom namorado, não duvide da minha capacidade.
– Não é de se jogar fora. — ela riu.
Quando saímos da roda-gigante, fomos no trem fantasma. Ficamos abraçados o tempo inteiro. Foi uma longa noite. Voltamos pra apartamento. Eu fiquei no das meninas por um tempo. Davi chegou bêbado e foi falar com a Valéria.
– Va-Valéria cadê você? Apareça.
– O que é cão?
– Vem cá, me dá um beijo.
– Eu não seu bêbado nojento.
Davi puxou ela pelo braço e lhe arrancou um beijo. Ela deu um tapa na cara dele e saiu correndo pra fora do apê.
– Davi você tá doido é? Deixa a Valéria em paz, tá ridículo isso, para.
– Cala a boca Ma-Maria Joaquina. — disse Davi saindo também.
– Eu tô com fome, vê o que tem na geladeira Daniel. — disse Maria Joaquina.
– Ok. — disse e dei um beijo em sua bochecha. — Você quer salgadinhos?
– Pode ser.
– Galera, vem ver isso. — disse Jorge.
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