Super-Heróis?
5 Complicações
Notas iniciais
POV Daniel
Eu estou vermelho até agora. E rindo também, porque por mais constrangedor que tenha sido, foi engraçado. Mas eu tinha outra coisa pra pensar. Aquela carta em anônimo. Eu perguntei pros seguranças quem havia entregado a carta pra eles e me disseram que foi uma jovem que aparentava ter a mesma idade que a gente.
Ela estava de boné e evitou olhar para eles. Mandei o Jorge checar as câmeras e ela estava com uma blusa que deixava a barriga a mostra e um short curto. Mesmo aproximando a imagem, não conseguimos ver seu rosto, porque além do boné ela usava óculos escuros.
Ela não foi nada boba e não deixou nenhum rastro aparente. Meus pensamentos foram interrompidos pelo Mário avisando que todos estavam me esperando na sala. Eles estavam reunidos, então perguntei:
– Novo caso?
– Roubo novamente. — respondeu Jaime.
– Vamos logo gente. — disse Alícia.
Nos encaminhamos para os carros e diferente das outras vezes, o Davi não foi na frente com a Valéria e sim no outro carro. Jorge, Mário e Jaime ainda não sabiam da briga. Chegamos logo ao local, um outro banco.
Pegamos nossas armas e entramos. Começaram a atirar e fizemos o mesmo. Davi acertou dois. Ele parecia mesmo que tava com vontade de atirar, ferir, matar alguém. Maria Joaquina tirou uma bomba de gás lacrimogênio de sua bolsa e jogou na direção de três bandidos. Cirilo lançou um raio que deteve mais outro.
Alícia era rápida e mesmo dois atirando para acertá-la, ela soube fazer com que as balas deles acabassem e quando eles foram recarregar ela acertou uma bala em cada um. Dessa vez eram vários. Carmen viu que estavam atirando em minha direção e mesmo eu calculando todos os movimentos, foi preciso ela me empurrar para eu não ser atingido.
Um deles apontou pra cabeça do Jaime que virou rapidamente e se começou a socar o cara. Mário fez com que um gato que estava na rua fosse ao encontro de outro criminoso e o gato o "azunhou".
Mesmo com vários bandidos no chão jorrando sangue, ainda restava um. Cirilo pegou a arma de um dos bandidos caídos e apontou na direção dele.
– Vai Cirilo, você consegue. — Maria Joaquina falou.
– Atira logo Cirilo. — disse Jaime e Cirilo apertou o gatilho.
– Até que não foi tão ruim. – ele respondeu.
– Mandou ver hein Cirilo. — falou Alícia.
A polícia chegou, ou melhor, a incompetente da delegada Olívia e seus fiéis companheiros, Matilde e Jurandir com uns poucos reforços.
– Precisava de tanto sangue assim? — perguntou Matilde com cara de pavor.
– Quando atira em uma pessoa, sai sangue. — respondeu Alícia irônica.
– Mas se vocês matarem todo mundo, quem eu vou prender? — perguntou a delegada histérica, como sempre.
– É melhor ter criminosos mortos do que a Patrulha Salvadora morta. — resmunguei.
– Podemos ir? — perguntou Valéria entrando no banco.
– Vamos. — responderam todos.
– Mas onde está a Maria Joaquina? — perguntou Carmen.
– É mesmo, depois que ela me encorajou a atirar, não a vi mais. — disse Cirilo.
Saímos a procura da Maria Joaquina e eu já estava desesperado. Reviramos todo o local e nada. Nos espalhamos por toda a cidade e nada também. O celular dela estava desligado. Nos reunimos no apê das meninas e chegamos a conclusão de que ela tinha sido sequestrada. Deixamos os seguranças que estavam na porta do apê atentos a qualquer pessoa que passasse.
Esperamos notícias e o desespero tinha tomado conta de mim. Nunca tinha sentido isso antes. Era como se eu nunca mais fosse vê-la. Eu não aguentava ficar esperando notícias dela, saber se ela estava bem. Fiquei batendo na parede e andando de um lado para o outro, enquanto Jorge tentava ver as câmeras da cidade.
Parece que eles deram um jeito de desligar as câmeras durante um tepo. Um carro parou na frente do apê quando eu estava olhando a rua pela janela.
– Tem um carro lá em baixo. Vamos. – falei e saí correndo.
Quando chegamos lá em baixo, o carro já havia saído. Alícia seguiu o veículo enquanto nós olhamos a carta que haviam jogado pela janela. O carro sumiu da vista da Alícia e ela voltou pro apê frustrada.
Eu comecei a ler a carta em voz alta para que todos ouvissem.
Vocês me desafiaram, mas eu sou muito mais inteligente que todos vocês juntos, e sabe... eu tô adorando ficar com a coleguinha de vocês. Ela é tão lindinha que acho que vou... Se quiserem ela de volta vão ter que fazer o que eu quiser e sem gracinhas, depois eu mando as instruções.
Quem seria esse desgraçado? Quem? A dúvida martelava minha cabeça e só conseguia pensar na Maria Joaquina. Será que fizeram algum mal a ela? Por que não mandaram logo essas instruções?
Jorge checou as câmeras para acompanhar o trajeto do carro. Saíram um homem e uma mulher de dentro do veículo, eles entraram num apartamento não muito longe. A mulher devia ser a mesma que entregou a carta anterior. Depois eles saíram e as câmeras ficaram fora do ar. Fomos até o tal apartamento e descobrimos o informações sobre eles. O cômodo que eles alugaram estava no nome de Renata Sintese. Jorge procurou esse nome entre os registros da cidade e não encontrou nada. Com certeza era um nome falso.
Fomos para o cômodo e a porta estava trancada.
– Arrombe a porta. – falei pro Jaime.
– Pode deixar. — respondeu.
E assim foi, vasculhamos o local e não encontramos nada. Isso deveria ser um plano do tal criminoso para perdermos tempo e ficarmos mais desesperados. Voltamos pro apê e Davi tentava falar com a Valéria.
– Será que dá pra você me perdoar?
– Você me dá um tapa e acha que eu vou te perdoar? Vai sonhando.
– É? Vamos ver se você não vai. — Davi puxou Valéria para mais perto e roubou um beijo.
– IDIOTA. — gritou Valéria dando um tapa na cara dele.
– Você está mesmo grávida?
– Isso não importa.
– Claro que importa. Se você estiver, eu sou o pai.
– Você não foi homem suficiente pra lidar com a situação e me deu um tapa na cara e agora acha que vai ser o melhor pai do mundo? Eu odeio você.
– Você ainda me ama que eu sei. Mas não vou insistir.
Enquanto eles brigavam na frente de todos, eu fui para o quarto e tomei um banho. Um dos meus pontos fracos foi afetado e eu não tinha reação. Talvez eu fosse muito fraco, mesmo sendo um super-herói.
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