Super Hero
13 Thirteenth
Notas iniciais
Boa leitura! ♥
(Não leia as notas finais antes da fic, porque tem spoiler. q)
Os dedos de ambos se entrelaçaram, e mesmo que tivesse medo de algo errado acontecer, um sabia que tinha ao outro, e tiveram a certeza disso ao apertarem as mãos, um recebendo o sorriso de seu amante quando se entreolharam. A senhora Byun não aprovava aquele tipo de relacionamento, mas era impossível não sorrir ao ver seus filhos tão contentes; e o motivo era justamente aquilo ao qual ela era contra. Não tinha coragem de destruir o que fazia seus filhos felizes, aquele sentimento tão puro e tão verdadeiro no coração de cada um. Embora que não os apoiasse, ela os aceitaria, acabando por tornar o sorriso mais aberto quando Chanyeol virou o rosto para beijar o topo da cabeça de Baekhyun.
Então eles agiam daquela forma? Um tão carinhoso com o outro, aos beijos, abraços e mãos dadas na rua?
Porém, infelizmente tiveram que se desvencilhar do entrelaçar dos dedos, pois algumas pessoas os olhavam com curiosidade ali. Chanyeol agiu como um verdadeiro irmão para disfarçar, não querendo causar mais problemas ao seu namorado como antes causou. Tinha medo de algo ruim acontecer com Baekhyun.
– O que será que o levou a aceitar? – o mais velho entre os irmãos perguntou, torcendo os lábios em curiosidade.
– Não sei... – Chanyeol respondeu. – Mas espero que ele respeite nossa decisão.
– E o que farão daqui pra frente? – a senhora Byun estava realmente preocupada. Nem todo mundo aceitava o que os dois possuíam e, ainda que vivessem num "novo mundo", muita gente ainda era preconceituosa quando se tratava de opção sexual. Com a pergunta, Baek e Chan se entreolharam mais uma vez, abrindo um sorriso tão largo nos lábios a ponto de invadir positivamente o interior de cada um.
– Nós... – então começaram juntos, mas foi Chanyeol quem terminou de responder. – Queremos apenas ficar em paz. Juntos.
O protetor e o protegido. Era assim que eram vistos pela senhora de estatura tão baixa, tão semelhante à figura do filho mais velho, e de tanto caminharem, o caminho até a casa que pertencia a eles se tornou mais curto, e então a distância fora quebrada. Adentraram a residência, com Baek jogando sua mochila sobre o sofá e cada um voltando à sua rotina, também procurando pelo senhor Park.
– Onde está o nosso pai? – perguntou Baek.
Chanyeol simplesmente não soube responder, dando de ombros e fazendo um bico nos lábios. Então, subiu as escadas, dirigindo-se ao seu dormitório, encontrando o senhor Park ali, o que fez o sorriso do maior se tornar largo.
– Você está aí. – afirmou. – Te procurei por toda parte.
O homem estava sentado sobre a cama de Chanyeol, tapeando o espaço vazio ao lado para que ele se sentasse ali; e o filho o fez, se sentando ao lado do pai. Então, o senhor Park apanha uma caixa de papelão, se afastando um pouco do maior para colocar a caixa entre ambos, e logo retirou um álbum de fotos dentro dela, entregando-o para o mais novo. Chanyeol apanhou o álbum, abrindo-o e olhando cada fotografia com atenção; todas eram suas, as fotos de quando ele era apenas uma criancinha até as fotos de seus dezessete anos, em sua formatura no colegial.
Chanyeol sorriu ao vasculhar aquilo.
– Quando você nasceu, todos acharam que seria uma menina. – os dois riram baixo. – E você era bastante inquieto, sabia? Vivia chutando sua mãe. Eu tinha dó dela, mas ela adorava e dizia "Nossa, Dongyeol! Você precisa sentir isso!" e eu sorria...
– Minha mãe me falou isso quando eu era bem pequeno. Acho que não desapontei, huh? – o sorriso terno estampava os lábios carnudos e delicados de Chanyeol, assim como os de seu pai, tão iguais aos seus.
– Você era nosso orgulho. Todos sempre gostaram de você, sentiam-se atraídos pela sua aura positiva... Eu batia no peito e dizia com convicção que você era meu filho.
– Não sente mais orgulho de mim? – abaixou a cabeça, suspirando.
– Eu sinto. – o pai, então, colocou uma das mãos sobre o ombro alheio, apertando-o de leve. – Chanyeol, eu não aprovo. É errado dois homens se amarem, ainda mais quando são irmãos...
– Pai, Baekhyun seria meu irmão por consideração. – insistiu. – Além disso, não há mais nada que nos ligue. O tipo sanguíneo dele é diferente do meu, até mesmo a família. O que nos impediria de amar?
– Vocês são homens.
– E seres humanos, também. – retrucou. – Somos iguais, pai. Ele é igual a mim, ao mesmo tempo em que é diferente, e eu o amo.
Foi a vez de Dongyeol suspirar.
Talvez Chanyeol estivesse certo por seu ponto de vista, e mesmo que não concorde com aquilo, não havia outra opção.
– Chanyeol, amo você e seu irmão, mas eu não apoio esse tipo de comportamento. – se levantou da cama. – Portanto, acho que vocês são adultos o suficiente para tomar suas próprias decisões, e devem contar comigo. – se colocou a frente do filho quando este se levantou, e colocou as duas mãos sobre seus ombros. – Eu sou impulsivo, tenho meus defeitos... Mas eu te amo, e não quero destruir todo esse tempo em que um apoiou o outro diante dos problemas.
Ah, Chanyeol era tão sensível... Ao ouvir o pai, seus olhos se encheram d'água, e os dois se abraçaram no quarto. Baekhyun ouvia e via tudo encostado no vão da porta, tão sorridente quanto os dois que estavam ali.
– Baekhyun-ah! – o pai chamou. – Estava aí o tempo todo? Por que não entrou?
– Eu só queria observar tudo em minha zona de conforto. – brincou. – Está tudo bem. Querem um lanche? Mamãe tá inventando qualquer desculpa pra fazer aquele bolo que ela adora!
– Não sou de recusar comida. – respondeu Chanyeol e seu pai concordou, com Baekhyun exclamando um "Ok" e se virando rapidamente, sem atenção alguma.
O quarto de Chanyeol era próximo à escada, e poderia ser um erro fatal virar-se ali sem olhar os degraus; a escada era grande e com espaço para uma pessoa, o que a tornava estreita. Baekhyun cometeu a falha gravíssima de virar-se sem olhar, sorrindo tão largo pela animação de tudo dar certo que tropeçou em um dos degraus, tendo o corpo praticamente lançado de maneira bruta sobre eles.
Com o barulho, Chanyeol e Dongyeol se retiraram rapidamente do quarto para olhar o que havia acontecido, e tudo aconteceu tão rápido que, quando deram por si, Baekhyun batia, involuntariamente, sua cabeça com força numa mesa de canto próxima das escadas, a qual colocavam contas e outros lembretes ali.
O desespero do dongsaeng era grande e seu coração estava à mil por hora. Uma queda daquelas com um choque tão intenso como aquele poderia render complicações na vida de Baek para sempre, e de tão forte que foi a queda, o menino desacordava. Chanyeol desceu as escadas correndo, assim como seu pai, e sua mãe tão ligeira saindo da cozinha para olhar o filho. Ela logo estava aos prantos e seu pai cobrindo a boca em tamanha preocupação, mas foi Chanyeol quem carregou o hyung em seus braços e logo correndo desesperadamente, procurando por ajuda.
– O que aconteceu? – Baekhyun abria os olhos lentamente, despertando a atenção de seu namorado e de seus pais. O menino coçava os olhos quando acordava, logo se sentando na cama, sem entender a situação.
Mesmo assim, Chanyeol se exaltava, colocando dois dedos diante do rosto de seu amante, fazendo um "v" com a mão.
– Quantos dedos eu tenho aqui? – perguntou.
– Chanyeol-ah... – sorriu. – Oito. – brincou.
Não evitaram rir com a brincadeira de Baekhyun, e o mesmo relaxou seu corpo contra a cabeceira da cama, olhando tudo ao seu redor com atenção.
Estava em seu quarto.
– O que houve? Minha cabeça dói e eu sinto sono...
– Não durma, Baekhyunnie, eu te imploro. Você caiu da escada e bateu a cabeça na mesinha, e então você desmaiou. Eu corri com você em meus braços, pedindo ajuda e Chen me ajudou.
– Chen? Ele está aqui?
– Estava, mas já foi embora. Pediu para eu avisá-lo quando você acordasse e logo eu o farei, porque ele teve um compromisso.
– Entendo. – Baekhyun sorriu, e logo fora abraçado por seus pais.
Explicou a eles que estava tudo bem, o que deixou os mais velhos aliviados. A senhora Byun se retirou do local, carregando seu filho mais novo consigo, o puxando pelo antebraço. O senhor Park estava a sós com Baekhyun, e o mais novo (agora entre os dois), apertava o tecido do lençol que o cobria, abaixando a cabeça.
Era um momento delicado. O homem se ajeitava sobre o colchão, se assentando nele assim que Chanyeol deixou o lugar. Ambos sabiam que deveriam conversar à respeito do que aconteceria dali pra frente; e mesmo que o assunto estivesse voltado especialmente ao casal, não queriam o desgosto de Dongyeol, já que ele sempre apoiou Chanyeol e Baekhyun ao longo dos anos.
O senhor suspirou pesadamente, e Baek permanecia quieto. O medo visível na face do filho era justamente por não querer dizer algo que enfurecesse o homem. O olhar de Dongyeol se fixou ao rosto tão angelical do outro, e quando o garoto ergueu o olhar, o pai esboçou um sorriso nos lábios, levando uma das mãos ao ombro alheio.
– Baekhyun-ah... – começou dizendo. – Cuide bem de Chanyeol. Ele não é tão perfeito quanto parece ser, tampouco inquebrável. Por dentro da casca firme e tão bela há um Chanyeol sensível e tão chorão quanto sua falecida mãe. Um dia, vocês enfrentarão problemas e ele sorrirá, dizendo que estaria tudo bem, mas é nesse momento que ele precisará de um abraço, um beijo, e um "eu estou contigo". Não o abandone, não o deixe só. Estou indo contra todos os meus princípios pela felicidade de vocês, então... Não me decepcione.
Os meninos tiveram sorte. Alguns são expulsos de casa ao se assumirem aos pais, e outros são "a vergonha", segundo seus parentes; e muitos apanham por ignorância alheia. Mas Baekhyun e Chanyeol precisaram se distanciar por algumas horas de um de seus laços mais fortes para perceberem que, a melhor maneira seria deixar o casal em paz, se amando como deveria ser, mesmo que muitos fossem contra aquilo.
Dongyeol lutou com seu interior para, ao menos, aceitar. Passou a noite inteira pensando naquilo, e não houve um segundo que não refletisse no que era melhor para a família. Amava sua mulher, amava seus filhos e as vendas em sua lojinha iam bem. O que poderia dar errado? Ter dois filhos que se amam? Onde o amor era um erro?
Ignorou o fato de que seus filhos eram do mesmo sexo quando refletiu, e há o fato de que não são irmãos de sangue, ligados apenas por uma grande consideração quando se olharam por outra forma. Eles eram adultos, e Dongyeol não podia mais se intrometer em suas respectivas decisões.
Então, deixaria que ambos decidissem, tomando o rumo de suas próprias vidas.
E, mesmo assim, ele nunca deixaria de ser o pai presente e querido pelos meninos.
Baekhyun retribuiu o sorriso ao ouvir seu pai, levando uma das mãos à dele, que estava em seu ombro.
– Cuidarei dele, pai. – respondeu. – Confie em mim.
Abraçaram-se, com a sensação gostosa no peito de ambos.
Felicidade.
Dois anos se passaram desde então.
Antes desses anos, Baekhyun ajudava Chanyeol a estudar. Os dois tinham planos de morar no outro lado do mundo, estudando e trabalhando, morando juntos. Porém, mudaram de ideia conforme o tempo se passava, agora morando juntos num apartamento de classe média em Seul, estudando na universidade de lá. Visitariam seus pais nas férias como sempre fizeram desde a mudança, arrumando suas malas naquele exato momento.
Não faltava muito para as férias chegarem. Chanyeol sofria com as provas, e Baekhyun o ajudava mais uma vez, embora fosse aliciado pelo mais novo e uma simples equação terminasse em sexo. O dongsaeng não aprendia, sempre provocando aquele que, agora, era seu namorado. Eles não deixavam o relacionamento tão exposto ao mundo, pois ainda havia preconceito ali; para os outros, Baek e Chan eram apenas amigos dividindo o mesmo teto.
Para eles, eram praticamente casados. Quatorze anos.
E Baekhyun terminava sua mala. Chanyeol havia ido ao banheiro para apanhar as escovas de dente, e quando o hyung puxou a mala de seu namorado para abrir, praticamente fora sugado por uma bagunça dentro daquele suporte.
– Chanyeol-ah! – exclamou, jogando as roupas sobre a cama, começando a dobrá-las uma por uma. Quando pegou o boné tão amado de Chanyeol, o mais baixo sorriu, sendo surpreendido pelo dongsaeng quando o mesmo o abraçou por trás. – Você me assustou.
– Assustei? – um beijo fora deixado sobre o pescoço alvo do menor, e o abraço era mais apertado. – Me desculpe. Fui só pegar as escovas. – Abriu uma das mãos, a erguendo um pouco para mostrar as escovas ao mais velho, sem se desvencilhar do abraço. Baekhyun apanhou as escovas, brincando com elas, batendo uma a outra.
– Somos nós. – comentou, rindo baixo pela brincadeira, sendo beijado mais uma vez por Chanyeol. – Aliás, Kris te ligou.
– Ah, é? E o que ele queria comigo?
– Eu falei quando voltaríamos para a China, e ele está ansioso esperando por nós. Deve nos esperar no aeroporto, porque prometi avisar a ele e ao Tao quando estivermos prontos para viajar. – ficaram quietos por um tempo; momento perfeito para Chanyeol voltar a atacar o pescoço do menor. – Você sente falta de Kris, não é amor? Eram melhores amigos...
– "Eram" não. Ainda somos. – sorriu. – Falo com esse cara todos os dias.
– Mas pessoalmente é diferente.
– Eu sei. – desvencilhou-se de Baekhyun. – Por isso estou empolgado. Kris falou que a amiga dele, Taeyeon, o deixa brincar com as algemas, só que ela não libera a chave.
Baekhyun riu.
Seu namorado era mesmo uma criancinha.
Os dedos estavam entrelaçados e os olhares apaixonados eram trocados, mantendo firme a promessa de que ficariam juntos para sempre. Quase quinze anos juntos em meio a discussões, lágrimas e um "eu te amo" perdido no escuro após uma noite longa e quente de sexo lhes dava a certeza de que o sentimento era verdadeiro, de que o amor era real.
Do outro lado da janela, nuvens em meio a um céu límpido e claro pelo sol tão radiante ali, enquanto as mãos eram dadas e apertadas, a respiração funda e em breve os suspiros mais relaxados. Aquilo era sincero, nunca sentiram algo tão semelhante por outra pessoa.
Um pertencia ao outro.
Chanyeol, no momento em que sentiu seu coração bater mais forte por Baekhyun, soube que estava apaixonado, mesmo negando tanto para si mesmo. Baek ainda teve medo, pois seu irmão era tão amado por todos que o hyung pensava ser apenas "mais um" na vida de seu dongsaeng, quando na verdade era o único.
O que poderia ser mais verdadeiro que o amor de Chanyeol por Baekhyun?
Baekhyun fechou a janela ao seu lado, fechando os olhos em seguida, mas fora surpreendido por um beijo calmo e lento de seu namorado. Quando os lábios se afastaram minimamente, Chanyeol abriu os olhos, assim como o mais baixo, e se entreolharam pela última vez antes de adormecerem.
– Eu te amo, Byun Baekhyun.
– E eu te amo, Park Chanyeol.
Fecharam os olhos, sem soltar suas mãos, esperando o momento em que aterrissariam e encontrar seus parentes e amigos tão amados.
Viveriam felizes até o fim de suas vidas.
– O voo da Coréia do Sul para a China sofreu uma queda brusca em meio ao caminho, atingindo uma ilha, na tarde desta quinta-feira. Os especialistas foram investigar o caso e buscar por sobreviventes, mas a pequena explosão atingindo somente o avião não deixou sobreviventes no local. A perícia foi investigar o motivo da explosão, mas até agora foi informado apenas que dois homens, um sentado ao lado do outro, estavam com os dedos entrelaçados e o restante do corpo completamente queimado. Aqui quem fala é Choi Soomin, da TV de Seul.
Notas finais
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144 reviews, 74 leitores cadastrados no Nyah, 28 vezes favoritada e 2 recomendações lindas. Vocês são os melhores leitores do mundo. ;^; A fic foi bem recebida, surtaram por ela e isso me deixou feliz, e hoje eu posto o último capítulo dela.
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Me desculpe se o final desapontou alguns de vocês e obrigada de verdade quem amou. Não posso agradar todo mundo, mas dei meu máximo para isso... Espero quer deixado todos contentes. ;;
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Ou surtando pelo final, não sei. qq
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Obrigada por me acompanharem até aqui. Decidi continuar com a KaiSoo com Kai cobrador de ônibus, porque vocês também me deram apoio para isso. E Coagulation será postada em breve, então, para quem acompanha as fics... Podem ficar relaxados! ♥
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E o que acharam? ♥
Obrigada por acompanharem Super Hero! ♥
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