Super Hero
7 Seventh
Notas iniciais
Os dedos entrelaçados, as respirações quentes e descompassadas juntas do suor de ambos ligando os corpos poderia ser, talvez, um sinal de que estavam juntos? De que havia um relacionamento? Um laço ligando os dois além de simples fraternidade? Ninguém pensava naquilo no momento, apenas se importavam sobre o fato de estarem juntos. Os beijos que Chanyeol depositava sobre a pele de Baekhyun o fazia estremecer sob o corpo tão bem feito de seu irmão, mesmo após acordar, e quando virou seu rosto, olhando a janela, notava a clareza do outro lado, enquanto o mais novo mordiscava e selava seu pescoço.
Já amanhecera.
– Chanyeol-ah... – o tom de voz era baixo e arrastado, mas acabou não resistindo em cerrar os olhos e ofegar com as carícias e beijos em si. – Nós nem dormimos direito...
– Eu sei. – simplesmente respondeu, mas afastou um pouco o rosto, podendo fitar o semelhante. Baekhyun, quando acordava, era perfeito aos olhos de seu irmão. – E mais tarde temos uma festa pra ir.
– Nós iremos? – as delicadas mãos de Baek tocaram o rosto alheio, mas uma delas atreveu-se a deslizar até a nuca. – Digo, deveríamos descansar um pouco...
– Kris é meu melhor amigo e a mãe dele é um amor. É o mínimo que a gente pode fazer. – voltou a abaixar o rosto, os lábios tocando, desta vez, a orelha do hyung.
Não iriam mesmo falar sobre eles? Talvez houvesse algo no qual os travasse, que impedissem de conversar sobre o que aconteceu ali. Baekhyun tinha medo de que Chanyeol não gostasse de tocar no assunto, e Chanyeol tinha medo de irritar seu irmão. Os dois possuíam medo, e talvez concordassem em silêncio sobre deixar que as coisas corressem naturalmente.
Não queriam se tratar de forma estranha, sentindo que algo não estava certo. Há doze anos o maior protegeu seu irmão mais velho, e aos poucos começara a nutrir algo mais profundo por ele, o que acabava sendo recíproco; mas como ninguém dizia nada, eles não ousavam a iniciar aquele assunto.
Um não queria se desgrudar do outro.
Porém, o celular do dongsaeng vibrava e tocava sobre o criado mudo, fazendo Baekhyun abrir os olhos e despertar do torpor tão delicioso ao qual se encontrava. Yeol apanhou o celular, desativando o alarme e o colocando de volta sobre o criado mudo. Quando tentaria beijar seu irmão mais uma vez, ele o impediu, colocando a ponta de seu indicador sobre os lábios carnudos do maior.
– Não. – sorriu. – Temos de levantar e tomar banho.
– Como quiser. – desviou a boca do dígito alheio, selando e mordendo sua bochecha sem força alguma para logo se sentar na beirada da cama. Chan sacudiu de leve sua cabeça, com os cabelos completamente bagunçados.
E Baek achava uma graça.
• • •
Baekhyun fora o primeiro a tomar banho, e em seguida, lavou os lençóis, para que a mãe de ambos não descobrisse. Mas nada substituía o que sentiu quando estava com seu irmão. Todos os toques, beijos... Tudo era tão caloroso... Aquilo era estar apaixonado? O suspiro que escapara dos lábios do mais baixo significava alguma coisa? Assim como o fato de que parava para pensar na noite que ambos tiveram, fazendo o menor sorrir sozinho e repentinamente.
Até ser invadido pela culpa de ter feito amor com o seu próprio irmão.
Para o menor, eles não haviam transado. O fato dos sentimentos virem à tona junto do orgasmo levava o hyung a pensar que os dois fizeram amor; pelo menos, ele mesmo. Torceu os lábios, esperando Chanyeol sair do banho, mesmo que ele tivesse acabado de entrar no chuveiro. Olhou o próprio celular, e começou a conversar com Chen, seu amigo desde o ensino médio. Não contou a ele sobre o que aconteceu, mas os dedos pareciam afoitos sobre os botões delicados do aparelho.
E então, teve uma ideia.
Após dois minutos, Kris ligava para o telefone fixo, e quem atendeu foi Byun. O loiro perguntou se todos iriam, e o menor confirmou, mas logo perguntou se poderia levar um amigo. O sorriso do menor se tornou largou quando a resposta foi positiva, e ao desligarem a ligação, Baek manda uma mensagem de texto para Chen, empolgado.
...
Depois de horas, os irmãos já estavam prontos, e um deles somente terminava de amarrar os cadarços de seu tênis, e um estava sentado ao lado do outro no sofá.
Os pais dos meninos não iriam, pois decidiram comemorar a noite juntos indo ao motel, e só de imaginar o fato de que seus pais eram sexualmente ativos (até demais), fez Chanyeol choramingar no estilo "Que nojo, eles são meus pais..." junto de Baekhyun. Eles não voltariam no mesmo dia, então deixou a casa e as responsabilidades sobre os garotos, principalmente Baekhyun, que era o mais velho e o mais responsável.
E com Chanyeol para cuidar dele.
Ao trancarem a porta de casa, desligando as luzes, decidiram seguir caminho até a casa da mãe de Yifan. Dava para ir a pé sem problemas, mesmo que dessa forma o caminho fosse um pouco longe. Como estavam adiantados, decidiram andar devagar. O mais engraçado é que a rua estava um pouco deserta, e no geral era um pouco movimentada. Chan levou suas mãos aos bolsos de sua calça jeans, enquanto Baek segurava os dedos das próprias mãos, entrelaçando-os.
Parecia existir um estranho bloqueio entre ambos. Não gostavam daquilo e queriam quebrar o silêncio, mas não sabiam como fazer.
Permaneceram quietos, sem dizer uma palavra sequer. O mais baixo relaxou os braços, e caminhou um pouco mais depressa que o outro. Com isso, o dongsaeng tentava acompanhar o ritmo, mas levou a mão à semelhante, e mais uma vez os dedos eram entrançados, um ao outro. Sorriram com aquilo, mantendo as mãos firmes, para que nada pudesse separá-los naquele momento.
Caminhavam sobre a calçada em pleno anoitecer, com a rua estranhamente deserta e as mãos dadas durante o trajeto.
Pareciam namorados.
O coração de Chanyeol ao sentir a mão gélida e delicada de seu irmão acelerava num ritmo inimaginável, e nunca sentira aquilo com outra pessoa. Baekhyun não estava tão diferente, já que a mão comprida e aquecida do dongsaeng o fazia suspirar, com o peito juntamente aquecido da mão alheia.
O sentimento de fraternidade se transformou em paixão entre dois homens? Não eram dois irmãos ali; eram dois namorados, dois amantes, duas pessoas que estavam apaixonadas uma pela outra.
Todavia, infelizmente, as falanges aos quais adorava tocar abandonavam as próprias, e o maior ficara confuso com o que estava a sua frente: Baekhyun se afastando de si e começando a correr até outra pessoa, que caminhava em direção oposta aos dois, na mesma calçada.
Quem era aquele cara? Era o mesmo do shopping, no outro dia.
– Chen! – o menor gritava, indo ao encontro do outro e o abraçando.
Yeol arqueou uma das sobrancelhas.
– Hyunnie! – o abraço fora correspondido, e Chanyeol se aproximou dos dois, com o ciúme à flor da pele. Lógico que não deixaria tão óbvio.
– Chen, este é o meu irmão mais novo. – agora era irmão mais novo? Há minutos pareciam namorados.
E antes do maior se apresentar, estendendo a mão para o tal Chen, o mesmo já adivinhava quem era, e cumprimentou o mais novo.
– Park Chanyeol. – sorriu. – Você era bem popular no colégio! Sou Kim Jongdae.
– Pois é, eu era. – o mais alto entre todos sorria de forma estranha. Um sorriso amarelo na boca tão admirada por muitos. – Prazer em conhecê-lo. – olá, sarcasmo.
Baekhyun parecia ter se esquecido de seu irmão quando puxou a mão do outro e começou a correr até a casa da mãe de Yifan, que não estava tão distante assim, conforme caminhavam. Chanyeol ficava atrás, sozinho, bufando por ter sido abandonado tão rapidamente pelo outro.
Talvez estivesse certo sobre não contar nada a ele, até porque os dois eram somente irmãos.
E quando chegaram ao destino, cumprimentaram todos por lá, principalmente a aniversariante. Chanyeol a abraçou fortemente, já que, para a mulher, ele era como um filho (além de ser a terceira mãe do garoto, por consideração). Yifan não havia chegado, e como ordem da própria aniversariante, todos deveriam se divertir.
A música era brega e os convidados possuíam o dobro da idade dos meninos (senão o triplo), mas a comida era demasiadamente gostosa. Num canto, Baekhyun ria e se divertia com Jongdae, e no outro, Chanyeol tentando engolir corações de galinha no espeto e vendo a cena com rispidez.
Ciúmes, no caso.
Precisava de alguém pra desabafar e expressar sua raiva. Então, apanhou seu celular, discando o número de seu melhor amigo; e o mesmo atendeu.
– Alô?
– Kris, sou eu. – bufou.
– Eu quem? – ele não reconhecia mesmo sua voz?
– Chanyeol, porra. Você tá chegando?
– Em cinco minutos eu estou aí.
– Ok.
Desligaram, e Chanyeol voltou a trucidar os pobres corações naquele espeto tão... Solitário. Estava bastante profundo e filosófico, já que o cara por quem descobriu estar apaixonado estava arrastando asas para outro em questão de minutos. Jogou o palito fora ao terminar de comer, indo à parte interna da casa para lavar as mãos, e ao terminar de fazê-lo, encontrou-se com o loiro. E isso após um longo tempo de atraso...
– Porra, cara, uma hora de atraso!
– Me desculpe, eu tive um compromisso. Eles estão no quintal?
– Sim. Corra, porque dá tempo de você falar com ela.
Kris seguiu até lá, e Chanyeol se encostou contra a parede do corredor, que ligava o banheiro e mais um cômodo da casa. Suspirou, erguendo a cabeça e fitando o teto.
Como uma pessoa poderia sentir tanto ciúme de algo que não deveria? Acima de tudo, os dois eram irmãos e um passo em falso levaria tudo a perder. Aceitaria viver com Baekhyun sendo tocado por outra pessoa, mesmo que aquilo o doesse, mas não queria viver sem ele.
Fora que o hyung inventou de fazer intercâmbio no outro lado do mundo.
Ele queria mesmo viver longe de Chanyeol?
– Channie... – repentinamente, aquele garoto tão animado pelo outro mudava o tom e se lembrava que o outro existia. O maior abaixou a cabeça e a virou, podendo olhar o corpo menor próximo ao seu. – Está bravo comigo? – aproximou-se do mais novo, que fingia não se importar com seu hyung.
– Eu? – riu baixo, e ele disfarçava muito mal. – Que nada, estou tranquilo.
– Chanyeollie, eu sei que você ficou com ciúme.
O dongsaeng começara a gargalhar, mas sabia que o outro tinha razão.
– E-eu? Q-que nada! Tá t-tudo bem.
– Você gagueja quando mente descaradamente, Channie. – o menor se aproximava cada vez mais, quebrando a distância que existia entre ambos. Só o fato de Baek tomar a iniciativa fazia o maior engolir saliva a seco, principalmente ao sentir o corpo alheio contra o próprio. – Ele é meu amigo, só isso.
– E eu sou seu irmão mais novo. Qual a diferença nisso? Nada. – Chanyeol tentou se virar para se afastar o outro, mas dessa vez, Baekhyun o prensou contra a parede mais uma vez, subindo na ponta dos pés e então colando os lábios dos dois.
O menor calara a boca de seu dongsaeng, mas aquilo não era o suficiente. Sentia-se ameaçado e trocado quando Jongdae estava por perto, como se o pequeno não precisasse de seus cuidados na presença do outro. Era como se Chanyeol fosse um substituto de Chen, e quando o mesmo aparece, Baekhyun não precisasse mais dele.
Fora apresentado como irmão e era isso o que eram, embora o mais novo pudesse considerar algo a mais que simples fraternidade...
O ciúme não era fraternal.
A língua quente do pequeno invadia, sem pudor algum, a boca de Yeol, e não havia como rejeitá-lo (e nem queria). As mãos de Baekhyun tocavam os ombros alheios, logo descendo até o tórax do mesmo, e aquele simples ato fez com que o dongsaeng levasse as mãos aos quadris de seu irmão mais velho, subindo um pouco até sua cintura para envolvê-la com os braços.
Não rejeitaria um beijo de Baek. Era como se rejeitasse a própria vida, assim dizendo, mesmo sendo algo simples, sem malícia, somente suas pessoas que estavam apaixonadas declarando aquilo silenciosamente, outra vez.
Afastaram os lábios, com um Chanyeol recebendo vários beijos de Baekhyun por seu rosto, e mais uma vez, não disseram nada.
Mas continuaram abraçados por um tempo.
Notas finais
O que acharam? Eu sei que tem uns erros boladões aí (???????) mas prometo consertar depois. Andei com pouco tempo no pc, e o cap estava pronto desde quinta-feira, mas só fui ler agora. ;A;
Espero que tenham gostado. ♥33 E bom, para os sensíveis... No próximo cap já começa drama. *spoiler* q
Obrigada por lerem e acompanharem! ♥
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