Super 8

1 Alice no País das Maravilhas.


Notas iniciais
Prólogo.

[Luz, câmera, e... Ação!]

São cinco da manhã.

– Mãe?

– Diz. — responde desdobrando-se a cumprir as árduas tarefas de dona de casa: cozinhar, manter a casa em ordem, e essas coisas.

– Preciso de dez dólares.

– Pra que você precisa de dez dólares?

– Meu filme acabou.

Sra. Tochetto — mãe, fitou-me como quem mandasse o vagabundo de 18 anos procurar um emprego e disse:

– Sabe quantos filmes você gastou desde que achou a câmera do seu avô?

– Não.

– Seiscentos e sessenta e seis, todos o que teu vô tinha, sei pois eu tive de contar e guardar tudinho organizado, duas vezes.

– Duas? — ri. — E o que ele gravava pra bagunçar tanto?

– Não chegou a tanto, ele morreu antes das gravações, é por isso que todos os seus filmes estavam vazios.

– Sei... Vai me dar o dinheiro ou não? — insisti.

– Obviamente não, não vou jogar meu suor e lagrimas fora para que você filme até seu irmão tomando banho.

– Eu juro que dessa vez é diferente, mãe!

– Então?

– É para um projeto da faculdade, meu grupo e eu vamos fazer um filme caseiro, uma releitura de Alice no País nas Maravilhas. — respondo mostrando-lhe o panfleto. Ela pensou durante dois minutos até fazer a proposta:

– Me ajuda com a louça, e eu pago até vinte.

– Eu tenho alguma opção? — pergunto pois não gosto dessas atividades domésticas, na realidade detesto.

– Claro que tem: Procurar um emprego, pedir emprestado de agiotas, cancelar o projeto e perder pontos. As opções são muitas.

– Tudo bem, que seja... Tem luvas?

– Sem frescura, mete a mão nisso de uma vez.

[Corta!]

Após comprar o filme, fomos o grupo procurar um lugar para as gravações.

– Aqui tem muito mato... — reclama Catarina coçando as pernas.

– Cuidado, esse tipo de vegetação atrai cobras e insetos venenosos... — Marte provocou-a.

– Sério?!

– Marte, para de assustar ela. — disse.

– Foi mal, é brincadeira.

– Não teve graça, crianção! — bravejou Catarina.

– Catarina, nunca leu Alice? — perguntou Enzo.

– Já, mas isso não se parece muito com um "país das maravilhas".

– E não vai ser aqui, aqui vamos gravar o começo, onde a Alice, interpretada pela Catarina, irá perserguir o coelho, interpretado pelo Enzo. — expliquei. — Isso vai dar até a toca do coelho, aquele buraco deve servir como tal. — aponto para um buraco no meio do mato.

– Além disso, ninguém passa por aqui, ótimo lugar para uns sexos selvagem, digo, gravar sem problemas. — disse Marte.

– Cruzes, para com isso, Marte! Lucca, faça alguma coisa, tu é o diretor!

– Ei, eu sou o diretor nas filmagens, a equipe foi o professor quem montou, reclame com ele. — respondi.

– Parece que vamos ter de conviver, Catarininha. — provoca Marte.

– Argh!

– Enzo, pega a bolsa com os filmes e coloca um na câmera. — pedi.

Ligo a câmera para gravar o making off e reconhecimento do terreno:

– Enzo, traz uma lanterna, vou filmar dentro do buraco.

– Ta certo.

Com a lanterna ligada apontada para o buraco, fui aumentando o zoom da câmera.

– O que tem dentro? — perguntou-me Enzo.

– É fundo... Nem com o sol e lanterna consigo enxergar lá.

– Ei... Eu não vou ter de entrar aí, né? — perguntou Catarina, assustada.

– Caramba, como você é burra! — reclamou Marte. — Eles vão fazer isso com efeitos especiais!

– Exatamente. — confirmei.

De repente ao longe ouvimos um grito: "Ei! Moleques, saiam já daí!"; havia um senhor encarando-nos. Observamo-o de longe, até que sacou uma pistola e correu em nossa direção, Catarina foi a primeira a gritar.

– Ele tá armado! — gritou Catarina.

– Corram! — ordenei.

Todos corriam desesperados e sem entender muito o que acontecia, ao olhar para trás o velho tinha parado de nos perseguir, estava encarando o buraco, instigando-me a curiosidade. Eu também não pude deixar de reparar também que ele estava de terno.

[Tarde da noite no mesmo dia,

quarto de Lucca.]

– Caramba, o que foi aquilo? — perguntou-me Marte.

– Achei muito estranho, mas você viu o que ele fez quando parou de nos perseguir?

– Eu sequer olhei para trás, o cara tinha uma arma!

– Ele ficou encarando o buraco.

– Claro que encarou! Vai ver o terreno é dele e queria ter certeza de que não fizemos alguma merda no buraco dele.

– O que, por exemplo?

– Podíamos guardar drogas lá, dinheiro, explosivos...

– É, mas ainda acho esquisito.

– Lucca, você é esquisito...

– Sou?

– Vive com uma câmera, sempre sério e responsável, e... Desconfiado.

– E você não para de provocar a Catarina, não vem falar de mim. E não me chame de estranho na noite que vem dormir comigo. — rebati levantando-me.

O meu quarto é o típico quarto de adolescente com posteres de filmes, prateleiras com livros e mangas na parede e um beliche para mim e visitas. Marte dormirá comigo hoje para planejar sobre as gravações, mas antes disso, liguei meu projetor para assistir o que havia gravado na tarde de hoje; sentados no chão, assistimos.

"Enzo, traz a lanterna, quero filmar dentro do buraco."

"Ta certo."

...

– Lucca... Quando foi que você editou o filme?

– Eu juro que não editei... — respondi apavorado.

– Mas o que é isso...?!

Dentro do buraco, a câmera capturou a imagem de dois olhos brilhando em vermelho, olhos perfurantes e assombrosos. Eu não via nada disso enquanto gravava.

Mais uma coisa havia me chamado a atenção: Quando peguei a bolsa com os filmes, um deles não estava lá.

Notas finais
Espero que gostem da minha ficção, comentem e favoritem.Postarei novos capítulos semanalmente.Boa leitura!