Supérstites
2 Capítulo I - Elite
Notas iniciais
A cor avermelhada era predominante no solo enquanto os primeiros raios solares tocavam o chão. Isso era algo do qual não me recordava nitidamente, por sempre estar em auto mar. O vento bagunçava meus cabelos, fazendo-me sentir leve como uma pena e livre como diziam eu ser. O cheiro de terra molhada ainda era sentido, por conta da longa chuva durante a madrugada. Aquele era o meu cheiro preferido, o encontro da água, que facilitou minha liberdade, e a terra, da qual sinto tanta falta de estar nela.
Há muitos anos, o planeta teve superlotação, não havia mais como abrigar mais tantas pessoas, até que um grupo de pessoas bem sucedidas viu como única solução, retirar essas pessoas do mundo, ou seja, exterminá-las. Dessas pessoas foram mortos pessoas com necessidades especiais, idosos, crianças e criminosos.
Anos depois, conseguiram normalizar o mundo novamente, porém de um jeito diferente. Os sucessores desse grupo de pessoas bem sucedidas implantaram um governo rigoroso na sociedade humana, tudo o que as pessoas faziam eram estudar para um dia trabalhar severamente para o governo dessas pessoas bem sucedidas. Todos passaram a ter uma vida de restrições.
Nos dias atuais, chamamos esse governo de Elite, eles têm controle total de nossas vidas, desde nossa comida até lugares onde habitar. Se alguém quebra as regras, é morto e a família automaticamente rebaixada socialmente, os que os faz irem viver em locais desprezíveis onde não há possibilidade de empregos, de cultivar alimentos por conta do solo impróprio e muito menos são considerados cidadãos. Resumindo, os matam de uma forma indireta e demorada.
Há oito anos, meu irmão quebrou as regras, seu nome era Max. Em sua morte, teve sua cabeça cortada e seus restos mortais queimados em seguida. Segundo minha mãe, Max sabia demais sobre a Elite. Eu e meus pais, fomos rebaixados socialmente, mas eu não cheguei a ir para aquele local desprezível. Fui salva pelos rebeldes não pacíficos e agora sou uma deles.
—Jane, vou colher as frutas. Enquanto isso coloca o resto dos suplementos no barco.
—Entendido, Cassie.
Conseguimos um acordo com os rebeldes pacíficos, eles nos forneciam suplementos e nós embarcações. Nesses últimos oito anos, Laura e Peter me treinaram. Ensinaram-me tudo o que acharam que eu deveria fazer e o resto eu aprendi sozinha.
Com o passar do tempo, consegui um cargo superior dentre os rebeldes. Depois da morte de Laura, assumi seu lugar como líder ao lado de Jim. Aquele sim era um cargo merecido. Eu faria pelo grupo o que Laura desejava. Os faria ser livres realmente.
Enquanto volto para o barco com os últimos suplementos, rebeldes pacíficos se aproximam. Eles estão indo pegar uma nova embarcação. Não é um navio grande como o nosso, mas lhes seria útil.
Um deles olha fixamente para mim.
—Olá Cassie.
— Como sabe meu nome?
— Não seria mais educado retribuir o olá?! Enfim, venho te observando todas às vezes que vem aqui e ouvi te chamarem de Cassie.
— Não preciso agir educadamente com você. E qual o motivo de me observar tanto? — Perguntei arqueando as sobrancelhas.
— Não preciso te dizer minhas intenções. — Ele retrucou.
— Não. — Concordei. — Mas tenho o direito de saber, já que é ao meu respeito.
— Se você tem direito ou não, isso não vem ao caso. Sou eu que não quero contar, simples. Por que não descobre por si mesma?
— Por que minha curiosidade não é tão extrema.
— Então, consegue ficar sem saber?!
— Claro que consigo, não é algo que mude minha vida.
— Não teria tanta certeza assim se fosse você. — Disse ele se afastando de mim em direção ao grupo.
— Ei! Não vai me dizer seu nome pelo menos?
—Gostaria de te deixar com essa cara de desentendida e ao mesmo tempo furiosa, mas te falo mesmo assim. Chamo-me Will. Will Downson.
E ele se foi, me dando a vantagem de saber seu nome e sobrenome. Mas também me dando a desvantagem de não saber mais nada sobre ele, enquanto ele parecia me conhecer a vida inteira.
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