Sunville

1 Capítulo 1 - O início


Sunville 12 de Fevereiro

10:35

"Quem são eles?" ; "Ela é da minha classe de Anatomia, muito quieta" ; "Que garoto gostoso" ; "Pegável" ; "Essa menina é linda" ; "Não exagera só é arrumadinha" ; "Que genética ein" ;

E esses eram só alguns dos comentários que surgiam a medida que eu e Bryce, meu irmão, passávamos pelo refeitorio. Encontramos uma mesa vazia e nos sentamos. Apesar de toda a pressão que existe no primeiro dia de aula em uma escola nova eu pelo menos tinha meu irmão, podíamos fazer companhia um para o outro enquanto as pessoas ao nosso redor especulavam nossa vida.

7 dias antes ( Segunda)

— Papai por que temos que nos mudar? Meus amigos estão aqui, minha casa e minha escola, não é justo tirar tudo isso

Estava em meu quarto quando meu pai veio conversar comigo sobre mudarmos de cidade

—Hayle querida, reconheço tudo isso mas você tem que entender que as coisas mudam, são novas experiências, além de que é uma ótima oportunidade pra família

— Acho que você quis dizer pros negócios da família não é?

— Não seja tão mimada, trará benefícios a todos

— Ah sério? Porque pelo que eu me lembre o herdeiro de tudo isso é o Bryce, justificando-se que será bom pra ele, não precisa me levar junto.

— Já chega! Compramos a casa, e te matriculamos em uma escola. Nos mudamos na sexta faça sua mala até lá. E ah, já que está tão preocupada em deixar suas amigas, vão ao clube!

Ele saiu me deixando sozinha com um turbilhão de pensamentos. Minha família, os Vixens, são responsáveis por inúmeras empresas pelo mundo. Por grande investimento em várias indústrias e grande implantação das mesmas de vários tipos e lugares acumulamos um imenso capital somente durante uma década. Moramos em Nova York, mas nasci em Boston, onde fui criada por 4 anos, e morei em Washington depois disso, aos 10 vim pra cá. E agora com 16 estou sendo forçada a mudar porque meus pais resolveram acompanhar de perto a instalação de uma empresa nossa em Sunville, cidade que meu pai nasceu e foi criado. Por ser um lugar pequeno e subdesenvolvido, a intenção é investir para crescer, os dois lados.

Para ser sincera, gosto da ideia de mudança, acho importante, mas não agora. Estou no ápice da minha adolescência: festas, garotos, popularidade, e isso é bem mais legal em NY. Mas o que me resta é aceitar. Sou o braço direito do papai, apesar de meu irmão mais velho ser o herdeiro, não quero decepcioná-lo. Se eu mostrar que consigo me sobressair em uma cidade pequena com pessoas novas, posso me dar muito bem.

Na noite seguinte (Terça)

Desci as escadas em direção a sala de jantar. A melancolia de mudança me fez reparar na casa em que vivemos. Era como seu tivesse 10 anos, quando cheguei aqui, um olhar tão curioso, atento. Na época, não tínhamos tudo que temos hoje. Era uma empresa quase recém formada, com poucas indústrias acopladas. Com o dinheiro recebido após a instalação de uma indústria automobilística, meus pais realizaram o sonho de comprar uma casa maior, quase uma mansão. E foi assim que saímos de Washington e fomos rumo a NY onde estamos até sexta. Os dois andares foram muito bem decorados a dedo por minha mãe que criou ambientes certos para cada ocasião sem necessário uma alteração.

A sala de jantar, local a qual eu estava indo, é o espaço em que nós, família Vixers, nos reunimos para compartilhar o dia de cada um, apesar de isso não ser feito constantemente. Muitas das vezes, Carol e Justin(meus pais) utilizam o jantar para falar dos seus feitos magníficos no ramo dos negócios e discutem propostas futuras.

A noite de hoje não vai ser tão diferente. Quando cheguei a sala, todos já estavam e eu tomei meu lugar ao lado esquerdo do meu pai (apesar de ser o direito). Os lugares não costumavam ser assim, Bryce se sentava do lado esquerdo e minha mãe ao direito, eu, por minha vez, revezava entre eles dois. Mas sempre que meu irmão discutia com o papai, ia se sentar o lado da mamãe. A discussão da vez, foi pela mudança.

— Que bom que chegou estávamos te esperando para começar — falou mamãe

— O que você estava fazendo que demorou? — Meu pai quis saber enquanto o jantar era servido.

—Arrumando minhas malas

— Hm, já está na metade — quis saber minha mãe

— O que você acha mamãe? — Ironizou Bryce

Olhei com cara de reprovação a piadinha feita e prossegui:

— Só comecei, nunca imaginei que iria precisar de tantas coisas

— Bryce, creio que seja errado rir da sua irmã, sendo que até você mesmo faz muitas malas levando suas tralhas

— Papai, seria incoerente falar das minhas "tralhas", sendo o senhor capaz de levar jogos de xadrez, criando grandes bagagens assim como eu

— Devem reconhecer, todos, que está nos genes dessa família a mania de levar muitas coisas. Vamos comer — mamãe concluiu a "discussão", ela sempre adorou fazer isso

— Bryce não contrarie seu pai — a ouvi conchichar para o mesmo

O assunto da noite era a indústria que iriam instalar em Sunville. Minha nova cidade. Era difícil chama-lá assim.

...

— Então, e sobre a escola? O senhor comentou que já fez a matrícula

— Sim, sua mãe fez. O que quer saber?

— Como ela é?

— Tem time de futebol? — Pergunta do Bryce

— É grande. Tem uma ótima reputação. Sim, tem time de futebol.

— Ah e o uniforme?

— Não tem

— Mas não é uma escola particular?

— Não, é pública. A cidade não tem escolas privadas. Eu e sua mãe achamos que seria melhor assim, para as pessoas confiarem mais na gente. A escola é ótima, você vai amar, tem a minha promessa.

— Por que tudo nessa família resume a somente vocês dois? Nós aqui (apontando para o Bryce) também possuímos opiniões, pontas a serem consultadas — Ao falar isso, coloquei o guardanapo na mesa, e a abandonei seguindo para o meu quarto.

Naquele momento eu só precisa conversar com alguém que me entendesse mesmo por uma fração de segundo perguntasse o que eu queria.

Abri a janela, liguei meu iPod e passei a olhar para o céu escuro da noite. Um vento, uma música e uma paisagem tranquila me deixaram mais calma, aliviada. Isso sempre funcionava. Não tinha raiva da nova cidade, nem do meu pai... Era nisso que estava pensando quando minha mãe entrou me desconectado do meu mundinho.

— Como você está? — Disse se sentando na cama fazendo eu sentar também

— Bem na medida do possível

— Me refiro a mudança, como você está se sentindo?

— Ansiosa e chateada

— Filha, só queria que reconhece-se o esforço meu e de seu pai em fazer você e seu irmão felizes

— Eu entendo isso

— Então, o que a deixa chateada? — Ao falar isso, se aproximou mais de mim e pegou minha mão

— O que me chateia é o fato de tudo ter sido feito sem pedir minha opinião desde o começo. Estou adorando, mas compraram uma casa sem mim, me colocaram em uma escola e só contaram-me faltando 4 dias para a mudança. Isso não se faz. Como vocês querem que eu cresce na vida sem me deixar exercer minha opinião?

— Não pedimos, para fazer surpresa. A casa é bem melhor que essa. O problema da escola é por ser pública? Desculpa filha, mas é a mais qualificada da cidade. E sobre te contarmos tarde, porque você é muito ansiosa, iria ficar preocupada e querer fazer tudo no nosso lugar, igual está acontecendo agora.

— Não não, eu sempre quis estudar em escola pública

— Sério? Que bom, você me lembra eu quando tinha sua idade, sempre aberta a muitas possibilidades

— E tá admito que fico ansiosa, é porque gosto de participar de todas as etapas. Não me culpe, puxei a senhora

— Então não fique empurrada quando eu e seu pai planejamos algo sem lhe consultar, pois ficar sem graça fazer uma coisa para você com você

— Tá — Nos abraçamos e ela voltou a falar — E sobre suas malas, já sabe o que vai levar?

— Pensei nessas roupas aqui...

E a conversar continuou até ficar explícito meu cansaço. Me deitei na cama, e ela ajudar a por os lençóis.

— Boa noite — Beijou minha testa e saiu

Eu amo a minha mãe, apesar que nossas conversas como a de hoje tem se tornado cada vez mais raras