Suntuoso Passado:A história de Endymion e Serenity
17 Capítulo 17: O quente chalé.
Notas iniciais
–- Encontrou-a?
–- Não... – Venus retira o casaco de peles de raposa lunar, serve-se de um pouco de água e senta na poltrona próxima a mim – Falei com Lorde Kunzite momentos atrás... – ela ignora o olhar de repreensão de Mars – Eles também estão em busca do príncipe...
–- Sailor Venus, peço permissão para finalizar o relatório... Ou seria mais adequado repeti-lo?
–- Eu já o li, Mercury, não há necessidade de repeti o que falou na minha ausência...
–- Bom, a única parte na via láctea que minhas câmeras não alcançaram foi o sistema de Kinmoku...
–- Ouvi falar que estão em guerra...
–- Sim, estão – Luna entra na sala – O planeta Mau enviou reforços para ele e a Deusa está cogitando enviar reforços da lua também... Ela pediu para Sailor Venus organizar a tropa...
–- Farei isso...
–- Será bom se uma de nós formos junto, assim podemos verificar – falo com pouca convicção...
–- Não sei... – Mars olha para o fogo – Nossa prioridade é a princesa... Ajudar o planeta Kinmoku é somente uma cortesia, não podemos mobilizar...
–- Mars, imagino que esteja esquecendo quem tem a função de organizar as tropas... – Venus se eleva... Imagino que ela já está cansada das intervenções de Mars.
–- Imagino, Sailor Venus, que você que fica ocupada com namoricos ao invés de se preocupar com o futuro de nosso sistema...
–- A reunião acabou, meninas... Júpiter, vá para seu posto na joia azul... Mercury, se ocupe de monitorar as outras galáxias... E Mars, precisamos conversar!
–- Sim, líder – nada eu poderia fazer por nenhuma das duas... Esta conversa era necessária, vi tal convicção também presente no olhar de Mercury.
Seguimos sem nada falar até a porta do laboratório.
–- Boa sorte – Mercury sorriu – Se encontrar o General de cabelos ruivos, fale para ele que... – ela ficou vermelha e entrou no laboratório sem nada mais dizer.
Será que até Mercury...
Não, isso é impossível...
O ar da lua está cada vez mais frio...
Será por isso que Venus estava vestida com aquele casaco?
Abro meus braços e começo a flutuar levemente, logo a cúpula de cristal me envolve e a lua já é um ponto branco no universo estrelado. Ultimamente estou dividindo com Mars e Venus as rondas pela joia azul...
Mars não gosta muito de vir à Terra, mas segue a missão com destreza, enquanto Venus, todas as vezes que vem, sei, se encontra com o General Kunzite...
Parece que ela decidiu seguir em frente com o romance...
Isso é errado...
–-Droga!! – quando atravesso as nuvens terrestres me recordo do motivo de Venus estar trajando casaco de pele de raposa...
Simples... É inverno na terra e o clima está muito frio...
Preparo-me para retornar à Lua quando...
S2~s2~s2~s2
Onde estou?
Esfrego os olhos e abro-os devagar... Há uma fraca luz de lareira ao fundo e o calor me envolve. Quando me movo a dor nas minhas costas me faz recordar do que aconteceu...
Um grande urso polar me atacou no momento em que eu estava criando a cúpula para voltar à lua...
Depois disso...
Bom, depois...
Não tenho ideia do que aconteceu... Afasto a coberta que estava sobre mim e tento fazer com que meus olhos se acostumem com a luminosidade.
Estou em uma cabana, me elevo e espreguiço. Há mais alguém, noto constrangida, e pego a primeira peça de roupa que vejo. Um camisão grande demais para mim, mas melhor do que ficar despida na frente de um homem, mesmo que este esteja adormecido...
Melhor tentar voltar para a Lua... vou direto para a porta, tento abri-la, mas nada...
Quando tento ver através do vidro noto que estamos soterrados...
Droga!
Preciso pensar... Não tenho ideia de onde estamos... se eu usar qualquer de meus poderes posso ser soterrada com este cara...
Melhor tentar descobrir quem é ele...
Volto para próximo da lareira... é bom sentir o calor do fogo.
Sim, é um rapaz, noto.
Ele tem longos cabelos castanhos, queixo fino e lábios delicados.
–- Detesto admitir, mas você é bem bonito – sento no chão ao seu lado -- Mas como viemos parar aqui?
Sinto que ele começa a se mexer ao meu lado e escuto sua voz grossa e embaçada pelo sono.
–- Você já acordou?
–- Estava acordado? – impossível que ele... Ele não poderia está...
–- Você parece bem melhor -- ele sorrir de forma gentil e isso me acalma um pouco.
–- O que aconteceu ontem? – eu precisava saber...
–- Te encontrei desmaiada e lhe trouxe para a cabana...
–- Minhas roupas? – não acredito que ele retirou-as... um calor intenso sobe para minhas bochechas.
–- Fui obrigado a removê-las – O quê? Senti o sangue subir para as maçãs do meu rosto – As retirei, por baixo do cobertor...
–- Você não viu nada?
–- Prometo que quando estava retirando suas roupas molhadas nada vi. – ele parecia sincero -- Tanto que não pude te vestir com outra roupa... Fico feliz que tenha encontrado o camisão.
–- Obrigada... – olho para os trapos próximos à lareira que um dia foram vestido– Aquele urso me queria para o jantar...
–- Você teve sorte.
–- Sim... – realmente estava mais tranquila, agora que as coisas foram esclarecidas – Parece que houve uma avalanche... A porta está emperrada...
Ele se eleva e vai verificar e eu o acompanho, enquanto olhávamos a porta broqueada o estômago dele ronca.
Admito, achei fofo...
–- Bom... – ele estava muito vermelho – Acho melhor procurarmos algo para comer...
–- Na dispensa há comida para pelo menos uma semana... – ele falou sem me olhar nos olhos
–- Então prepararei algo para nós...
É mais educado sair e deixar que ele se recomponha, né?
Ele me salvou...
Retorno para próximo da lareira portando conservas de frutas e legumes além de um pouco de carne seca, macarrão, pão e condimentos – Achei ingredientes para uma sopa.
–- Que bom – ele estava sentado no sofá que foi minha cama e não parecia mais tão constrangido, isso era bom – Não sei cozinhar, mas acho que poderia te ajudar cortando os ingredientes...
–- Claro...
Enquanto ele preparava a tábua de legumes, fiquei um pouco envergonhada com a semelhança que notei entre nós e um casal recém-casado...
–- Lady – a voz dele me tirou de minhas divagações – Não nos apresentamos, qual o seu nome?
–- Ah, é mesmo, não fomos apresentados... Sou Jupiter...
–- Jupiter? – não deixo de perceber que a voz dele treme – Uma guerreira da lua?
–- Sim...
–- Veio em busca de sua princesa? – havia notas de tristeza na voz dele, não consegui compreender...
–- Foi...
–- Meu nome é Nephrite... General Shitennou Nephrite...
Um dos generais? Não consigo acreditar... meus olhos se arregalam.
Aquele general...
Algo pesado cai em meu estômago e ficamos em silêncio enquanto a sopa era preparada... Quando a panela já estava no fogo, fomos para o sofá... Eu não sabia o que falar... Lembrei-me de onde conheci Neprite... Ele era o arrogante, aquele cara que atacou Serenity em Júpiter...
–- Está sendo difícil encontrá-los, né? – ele falou tranquilamente.
–- Pois é...
–- Você é uma daquelas sailors, né? – ele também se lembrava.
–- Sim...
–- Sinto muito.
–- Você estava protegendo o seu príncipe...
–- Sim... Meu príncipe está em primeiro lugar... – não entendi bem, mas neste momento o senti mais próximo de mim... Recordei aquele dia, aquele dia memorável em que abandonei Io, meu reino em júpiter, para me alistar como guardiã da princesa da lua...
–- Entendo... – sorri para ele, e notei que as bochechas dele voltaram a ter a tonalidade vermelha.
–- Você é guardiã da princesa da lua há muito tempo?
–- Desde quando era criança e você?
–- Também... – ele sorriu aquele sorriso de menino, um sorriso tão quente e agradável – Nasci em um dos reinos da terra, no continente que chamam de América (NA: ok, na época não era chamado assim, mas que seja...). Sou rei deste reino... Mas minha prioridade é o príncipe de Elysion.
–- Puxa, nossas histórias são parecidas... – fico vermelha pelo olhar de espanto que ele me enviou – Sou princesa do planeta Júpiter... Fu.. Fui enviada para a lua quando jovem...
Ficamos um momento nos olhando, era estranho quão confortável me sentia com este estranho. De uma hora para outra ele se eleva e temo que esteja rejeitando nossas semelhanças, mas ele corre para próximo do fogão e.
–- A sopa está queimando...
Saio correndo para ajudá-lo, enquanto ele serve em duas tigelas a sopa que fizemos.
Vamos para a mesa de carvalho toscamente moldada.
–- Está muito boa – ele fala sorrindo.
–- Uhum – corto um pouco de pão para ele e para mim.
Depois disso falamos sobre muitas coisas, ele era um astrônomo terrestre, conhecia muito sobre o espaço, porém raras vezes o visitou... Eu era o contrário, já havia visitado os confins do espaço, mas pouco sabia sobre teorias...
Quando terminamos nossa sopa, nos sentamos próximos à lareira cada um com uma taça de vinho – O que faremos para sair daqui? – eu perguntei, mais por curiosidade do que por real desejo de privar-me de sua agradável companhia.
–- O sol vai derreter a neve... A camada que nos prende aqui não é muito densa... Mas não é seguro usarmos poderes... – ele olha para o teto da cabana – sem falar que meus servos já devem estar me procurando...
–- Entendo... – eu tinha certeza que meus servos não deveriam estar me procurando... Era comum nas missões nos demorarmos cada vez mais na joia azul. Então eles podem estar pensando que nada me aconteceu...
–- Enquanto isso, precisamos passar o tempo aqui... – ele fala sorrindo para mim.
–- Sim – sorrio também para ele e, percebo que meu coração está batendo em excesso, me elevo -- vou lavar a louça, precisamos deixar tudo como encontramos. Não precisa me ajudar – me adianto – Você passou a noite cuidando de mim, precisa descansar...
Saio correndo para a cozinha enquanto ele me olha com um quê de descontentamento.
Quando termino de lavar a louça volto para próximo da lareira com uma tigela de mangas em conserva – Aceita...
Não pude completar a frase, ele, o meu salvador, sucumbiu ao sono. Deitado próximo à lareira. Aproximei-me lentamente para não perturbar o seu sono. As pálpebras pesadas cobriam aquelas íris cor-de-floresta que tanto me impressionaram.
Fiz com que o cobertor, que somente lhe cobria as pernas, envolvesse todo o seu corpo. Então, me sentei ao seu lado e também me entreguei ao mundo dos sonhos até quando o socorro vir.
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