Sunshines
31 Minha garota.
Notas iniciais
Pov Jake
Acordei com o balanço forte do ônibus que acabara de passar em um buraco. Cocei os olhos e soltei um bocejo, até que por ter dormido em um ônibus tive um bom sono. Olhei para o corredor e para as pessoas sentadas em seus assentos, a maioria dormia tranquilamente enquanto outros escutavam música em seus fones de ouvidos perdidos em seu próprio mundo.
Olhei para minha direta e pude sentir meu coração falhar por um segundo. Ela estava ali, olhava pela janela com seus fones de ouvido, o cabelo preso em um coque frouxo e com alguns fios loiros soltos caindo pela face. Peguei-me sorrindo e corei lembrando o que aconteceu na noite passada. O cheiro dela... Lavanda. Sim, um suave aroma de lavanda que ficou empreguinado em minhas narinas.
Ela virou o rosto e sorriu e me pegou corando. Droga O’brain fecha essa boca cara!
–Bom dia dorminhoco! -ela disse tirando os fones de ouvido-Dormiu bem?
–Bom dia.-consegui responder- Dormi, dormi muito bem e você?
–Digamos que maravilhosamente bem. -ela soltou um risinho baixo e ficou encarando a minha boca.
–Ahh eu acho que vou usar o banheiro, sabe escovar os dentes porque eu devo estar com um mau hálito do Hades e com uma cara de morto e...-comecei a tagarelar e ela me interrompeu.
–O.k Jake ,você tem que ir ao banheiro.Eu entendi.-Ela riu e eu me levantei pegando minha mochila e ainda quase cai no corredor.
Sim, eu disparo a falar quando eu estou nervoso. Se Ash me deixa nervoso? Sim ou claro? O problema é que com ela é diferente. É um sentimento muito intenso que aconteceu muito rápido, como duas almas que sempre se encontram. Então tento ir devagar, mas na verdade querendo ir rápido e então acontecem coisas como ontem à noite.
Fiz toda a minha higiene e voltei para o meu assento, sentei e abri a mochila novamente pegando um bolinho de café-da- manhã embora o sol ainda não tivesse saído.
–Aonde nós estamos exatamente?-perguntei para Ashley que estava com um mapa nas mãos.
–Pelos meus cálculos era pra estarmos entrando na divisa do condado de Carrol.-ela disse pensativa e olhou novamente pela janela.
–O condado de Carrol em Ohio?-perguntei- Essa não é a rota desse ônibus.
–Eu sei o pior não é isso.-ela disse franzindo o cenho-Ele desviou novamente a rota, nós acabamos de entrar no...
Ela não terminou ouve um estouro do lado de fora do ônibus. Provavelmente um pneu furado. O motorista apareceu em nosso campo de visão com uma cara nada feliz.
–Todos para fora,vou concertar esse maldito pneu.-ele disse entre dentes.
Ashley e eu nos encaramos achando tudo aquilo muito estranho,mas nos levantamos e saímos do ônibus com nossas mochilas.
O dia estava começando a nascer e nós já estávamos muito longe de Nova York. Olhei a placa fincada ao lado do acostamento: Condado de Stark, Ohio. Sim nós estávamos muito longe e muito fora de rota. Olhei ao redor várias fazendas se estendiam pelas colinas, algumas com plantações e outras apenas com uma enorme vastidão verde ao redor. Mas uma casa me chamava atenção. Era amarela com as telhas em um tom de cinza, o madeiramento era branco assim como as janelas e portas, possuía dois andares e pelo que pude perceber ao fundo um modesto celeiro. Ao lado oeste da casa uma pequena plantação que não pude identificar. O sol começava a sair por detrás da colina lançando uma luz gostosa sobre a casa.
–Eu conheço esse lugar. -Ashley disse olhando em volta.
–Estamos no condado de Stark.-respondi.
–É lógico!-ela disse sorrindo e começou olhar ao redor e apontou para a casa amarela- Aquela é a casa d...
–Ashley e Jake venham me ajudar aqui!- O motorista sibilou e interrompeu o que quer que seja que Ashley ia dizer. Encaramo-nos assustados. Como aquele motorista sabia nossos nomes? Trocamos outro olhar e eu entendi muito bem o que ela queria dizer: Cuidado.
Demos a volta em torno do ônibus e o motorista estava abaixado olhando o pneu, que na verdade estava intacto.
–Vocês estão dando muito trabalho. -ele grunhiu- Principalmente você O’brian.
–Eu sei, eu sou meio levado mesmo. — disse ficando um pouco mais a frente na intenção de proteger Ash. Com toda a certeza aquele cara era um monstro eu só precisava descobrir qual.
–Jake que Hades você está fazendo?- Ashley sussurrou mas não tirava os olhos do motorista como se analisasse cada movimento dele e seus dedos estavam muito próximos á sua pulseira.
Coloquei a mão no bolso da calça e alcancei meu chaveiro em forma de caduceu. Era só eu pensar e BUM lá estava minha espada.
–Então... Vamos bater um papinho, adoro fazer amizades. -falei e era impressão minha ou esse cara tava crescendo e ficando musculoso pra caramba?
–Chega você não vai atrapalhar meus planos, meu senhor está por aqui com vocês e com aquele maldito filho de Ares! –ele urrou e arremessou o pneu do ônibus em nossa direção.
Jogamos-nos no chão e não fomos atingidos por pouco, quando nos levantamos vimos o pneu pegando fogo á alguns poucos metros. O motorista já havia se transformado no monstro que realmente era. Quase três metros de altura, os braços musculosos e peludos cheios de tatuagens, os dentes afiados se projetavam para fora da boca que estava espumando.
–O que é essa coisa?- Ashley perguntou já mirando uma flecha no monstro a nossa frente.
–Eu acho que é um lestrigão.- respondi sem muita certeza e com minha espada já em mãos.
–Você acha?-ela gritou desesperada.
–Eu não sei nunca li muito sobre eles!-disse desesperado também.
–Calados!-o lestrigão gritou- Rezem para os deuses que quiserem, pois irão morrer agora!
–Cala a boca você!-Ashley gritou e atirou três flechas seguidas na perna do monstro que urrou de dor.
–Ahhh semideusa maldita! Você me paga!- O monstro enfiou as mãos na lataria do ônibus e arrancou grande parte dela fazendo uma bola de metal arremessando em nossa direção novamente.
–Você não é de nada cara!-disse me aproximando com a espada.
–Jake Não! –Ashley gritou, mas era tarde demais eu já estava muito perto.Desferi um golpe com a espada cortando o abdome do lestrigão que urrou novamente de dor,mas conseguiu me empurrar para longe,bem longe.
Levantei a tempo de ver Ashley atirando uma saraivada de flechas, em direção ao lestrigão. Mas seus ataques não surtiam efeitos. O monstro agachou tentando pega-la, mas ela deslizou com um jogador de beisebol entre suas pernas, parando em sua costa pronta para disparar mais flechas. O lestrigão de recuperou a tempo de segurar as flechas com a mão e parti-las ao meio.
–Merda!-Ashley disse com os olhos arregalados.
O lestrigão pegou-a pelos pés e arremessou-a em direção ao ônibus. O corpo de Ashley bateu com brusquidão na lataria fazendo um estrondo e caindo inerte no chão. Isso foi o bastante para ativar minha raiva. Sai correndo em direção ao monstro que ria alegremente até me ver chegando com a espada em um punho.
Ele só teve tempo de dizer um “Ow Ow”, quando desferi a espada com toda força em seu abdome novamente. O lestrigão começou a cambalear para trás com as mãos no corte:
–Maldito filho de Hermes! Você vai me pagar...
–Nunca mais toque na minha garota!-gritei e em segundos a cabeça do lestrigão estava rolando no chão até que se transformou em pó e foi levado pelo vento para o tártaro.
Sai correndo em direção á Ashley que continuava caída no chão. Ela respirava sofregamente, o rosto estava ralado, com um corte no supercílio e cheio de fuligem. Baixei o olhar e vi que suas roupas estavam rasgadas e com gotas de sangue, o braço direito se encontrava em um ângulo estranho e inchado “quebrado” pensei.
–Jake... -Ashley falou em um murmúrio.
–Ash,você está bem?-Falei sem pensar. Claro que ela não estava O’brain!
–Jake...Ajuda...Casa amarela...Rose – Ashley começou a gaguejar e me olhava com os olhos semi-cerrados.
–O que? –perguntei.
–Casa amarela...Ajuda...Louis.-ela desmaiou.
–Ashley acorda!-gritei, mas ela não deu nenhum sinal. Peguei-a no colo e sai correndo em direção a casa amarela que tanto me chamou atenção. Os mortais que estavam no ônibus estavam sentados no acostamento esperando um ônibus que nunca seria concertado. Perguntei-me como eles não perceberam o que havia acontecido então me lembrei da névoa.
Corri por toda a extensão verde das campinas que beiravam a estrada com Ashley nos braços e com nossas mochilas na costa pedindo aos deuses para ela continuar viva. Passei pela cerca branca que circundava a grande casa amarela. Segui o caminho de pedras brancas que levavam até a varanda da casa,subi as escadas e comecei a tocar a companhia incessantemente até que uma senhora de cabelos brancos abriu a porta:
–Que diabos está acontecendo... Ashley?- ela arregalou os olhos e então olhou para mim pela primeira vez.
–Por favor, nos ajude. –pedi desesperado.
–O que aconteceu com a minha neta?-ela perguntou ainda mais aflita mas dando passagem para eu entrar na casa.
–Sua neta?-perguntei-A senhora não iria acreditar.
–Outro monstro?-ela perguntou e fez um sinal para eu segui-la e começou a subir as escadas.
–A senhora sabe?-perguntei novamente.
–Sim,eu sempre soube.Agora vai me explicar o que aconteceu ou não?-ela me encarou enquanto eu colocava Ashley sob a cama.
–É uma história longa. -disse passando a mão no cabelo.
–Nós temos bastante tempo. Agora vamos me conte tudo desde o começo. -ela respondeu e começou a cuidar de Ashley.
Comecei a contar a história e a avó de Ashley só respondia com alguns acenos, pedindo para eu prosseguir e só me interrompeu para perguntar se havia medicamentos em nossas mochilas.
Passado algum tempo, ela me olhou novamente e deu um sorriso.
–Ela está bem agora, vamos deixá-la dormir.
–Como a senhora sabia do néctar e da ambrosia?-perguntei
–Vamos dizer que eu sei um pouco demais sobre o seu mundo-ela deu uma risadinha e afagou meu cabelo- Agora querido vá tomar um banho e desça para comer alguma coisa ok?
–Ok.-respondi.
Peguei minhas roupas e fui em direção ao banheiro do quarto. Tomei um banho demorado deixando a água morna levar toda a tensão e dor do meu corpo. Agora tudo estava bem. Ashley estava bem. Minha garota estava bem. Era errado chamá-la de minha garota sendo que nem namorados somos? Não, pois se depender de mim essa situação não iria ficar assim por muito tempo.
Sai do banho e me vesti com uma roupa confortável. Adentrei o quarto, e fui olhar Ashley que dormia tranquilamente com o braço em uma tipóia resultado de um braço quebrado, o rosto com um corte no supercílio esquerdo e outro sobre o lábio superior. Afaguei seu cabelo e dei um beijo em sua testa, depois um em sua bochecha e até que enfim em sua boca.
Afastei-me com medo de acordá-la e pude vê-la sorrindo dormindo. Lá estava ela, dormindo tranqüila com o braço quebrado e o rosto arranhado. A garota que enfrentou um lestrigão, com toda sua coragem. Estava lá inquebrável (ou quase isso tirando o braço direito). Sim, ela é a MINHA garota!
Notas finais
Beijos.
Sam.
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