Sunshine in the spring
1 O grande festival
Notas iniciais
Era mais um dia fresco de outono em Konoha, as folhas vermelhas e úmidas dos bordos voavam por toda a aldeia, tingindo-a de um vermelho quase laranja enquanto os raios de sol aqueciam a manhã depois de uma noite fria, típica do outono. Mesmo ainda cedo, a calma e a tranquilidade certamente não faziam parte da rotina da aldeia.
Comerciantes já haviam aberto suas lojas e em algumas, homens aos brados anunciavam promoções e faziam o possível para atrair clientes. Porém, havia algo fora da rotina acontecendo na aldeia.
Os cinco kages estão organizando uma grande celebração em memória do fim da quarta grande guerra, que completará três anos de término na próxima semana. A idéia foi proposta pela mizukage, que acreditava que a boa relação entre as nações, pudesse ser mantida através de algumas festas e celebrações.
A princípio, todos foram contra a idéia da mulher, pensando no alvoroço que uma festa em uma vila completamente distante causaria, mas, depois de pensada com cuidado, o kazekage sugeriu que realmente poderia reforçar a confiança entre as nações, além de que poderiam se encontrar para discutir assuntos políticos e sobre a aliança. E também, seria uma grande homenagem a todos que morreram na guerra, depositando sua fé, na mesma aliança da qual são líderes agora. Então, foi decidido que o festival da aliança, como foi chamado, seria celebrado no país do fogo.
Enquanto a aldeia corria com os preparativos, Sakura estava estirada sobre a cama, com dois travesseiros sobre a cabeça, aproveitando os últimos minutos de sono que lhe restavam, antes que seu despertador tocasse em um volume pavorosamente alto na cômoda ao lado, fazendo com que a kunoichi se levantasse em um salto.
— Ótimo. — Disse ela em completo desânimo, olhando para o chão, ainda sonolenta — Mais um dia começando.
Ela calçou suas pantufas deixadas ao lado da cama na noite anterior e seguiu arrastando os pés pelo quarto do apartamento que havia alugado a pouco mais de seis meses. Ela havia decidido que não poderia viver com os pais para sempre, então alugou o pequeno apartamento, que já ficava perto da clínica onde trabalha. Ele era pequeno, mas do tamanho ideal para que uma pessoa só vivesse tranquilamente nele. Possuía apenas um banheiro, um quarto, a cozinha e uma pequena sala de estar.
Assim que terminou de se arrumar, ouviu alguém bater na porta. Tinha certeza que era Ino, que pontualmente, a buscava todos os dias para irem aos devidos trabalhos juntas.
— Oe, Sakura? — gritou Ino, ainda esperando do lado de fora — Está pronta?
—Claro. — Sakura abriu a porta já saindo do apartamento, trancando–a — Vamos?
Enquanto caminhavam, não puderam deixar de notar a decoração tradicional presente nas ruas.
—Eeh, parece que foi ontem que essa guerra acabou — Comentou Ino, observando as ruas decoradas com lanternas e flores para o festival.
Sem querer, Sakura acabou se lembrando de quando despertou do genjutsu de Sasuke e seguiu para o vale do fim, onde o encontrou completamente ferido, assim como Naruto. Lembrou-se também, de quando ele foi embora da aldeia. Do toque, cujo motivo ela desconhecia, que lhe foi dado na testa, assim como as palavras proferidas por ele naquele dia. Será que Sasuke voltaria por ela algum dia?
—Ei, Sakura! — Falou Ino, já enraivecida por perceber que a amiga não estava prestando atenção no que ela estava dizendo — Está me ouvindo?
— Desculpe, eu estava um pouco distante.
— Eu percebi. — A loira apoiou as mãos sobre os quadris.
—Sobre o que estava falando? — Perguntou Sakura, desta vez, curiosa para saber o que deixava Ino tão ansiosa.
— Depois eu lhe conto — a loira verificou seu relógio de pulso e apressou o passo distanciando-se de Sakura — Tenho que correr ou minha mãe vai me matar.
De qualquer forma, Sakura já estava na porta da clínica onde trabalhava pronta para mais um dia organizando papéis e sentada em uma cadeira.
Chegou a sentir-se até mesmo enferrujada, afinal, já tinha bastante tempo em que não ia a uma missão. Sentia falta dos velhos tempos. Naruto e Sasuke competindo por coisas fúteis, os atrasos exageradamente demorados do Kakashi–sensei. Havia tantas coisas que ela gostaria que nunca tivessem mudado, mas agora, seguiam em tempos de paz. Naruto estava feliz ao lado de Hinata, Kakasahi tem sido um respeitável hokage desde que assumiu o posto e Sasuke estava em sua jornada de redenção, que ela ansiava desesperadamente para estar no fim.
Ao fim da tarde, Sakura espreguiçou–se na cadeira em que ficara sentada o dia todo e se levantou. Guardou alguns papéis em uma gaveta, deu instruções para outros funcionários que continuariam na clínica e saiu apressada para voltar para casa, onde se encontraria com Hinata, Tenten, Ino e até mesmo Temari, que havia vindo do país do vento para resolver com o hokage quem seriam os forasteiros dispostos a virem para o festival, e precisava de um lugar para ficar. Seria uma noite das garotas.
Por volta das vinte horas, todas as meninas já se encontravam no quarto de Sakura, vestidas com pijamas e abusando de doces e salgadinhos.
—Ei, Ino — Sakura chamou a atenção da loira, atirando uma bolinha de plástico feita com a embalagem de um bombom — O que pretendia me contar mais cedo?
—Bem… — A loira corou e deu um pequeno sorrisinho envergonhado — Acho que todo mundo aqui sabe que eu tenho uma quedinha pelo Sai. Correto?
—”quedinha”? — Tenten fez o sinal de aspas com os dedos — É notável que o que você sente por ele é bem mais que uma quedinha. É um precipício na verdade.
—Tudo bem, Tudo bem — Ino riu, assim como as demais garotas — Eu planejo me confessar para ele no festival, já que ele aceitou ir comigo.
—Eh! — disse Temari, impressionada — Eu queria ter sua coragem.
—Como assim, Temari–san? — Perguntou Hinata, pensando na possibilidade de que ela estivesse interessada em alguém.
—Oh, está gostando de algum rapaz, Temari–san? — Sakura falou, em um tom provocativo e um sorriso no rosto — Por acaso, não seria o Shika…
— D–Do que você está falando? — interrompeu Temari, que fitou o chão, com o rosto corado.
—Não se faça de boba. — Riu Ino, abraçada com Sakura, como se conspirassem contra Temari — Sabemos que quando o país do vento precisa tratar de assuntos aqui, você é a primeira a se oferecer para vir. Não se preocupe, adoraria ter você como cunhada.
Após jogar muita conversa fora, as kunoichis enfim, caíram no sono.
Uma semana de trabalho sem descanso se foi, e o dia do festival finalmente chegou. A segurança na aldeia fora dobrada, e, assim como no exame chunnin, os forasteiros só entrariam na aldeia com um pequeno cartão de identificação.
Apesar de todo o alvoroço, Sakura se sentiu péssima com a chegada do festival. Era apenas mais uma data, que ela sabia que iria comemorar sozinha como todas as outras nos últimos anos.
Ainda sim, ela se vestiu com um yukata cor de rosa, estampado com ramos de cerejeira em flor, prendeu o cabelo com acessórios que imitavam pedras preciosas e flores, como margaridas. Ficara incrivelmente bela sem fazer muito esforço. A pele alva se destacava entre a chuva de rosa que encobrira seu corpo. Uma beleza delicada e estonteante.
Cinco minutos depois de ficar pronta, ouviu uma batida na porta, acreditando ser Ino, correu para abri–la, mas parou imediatamente quando tocou na maçaneta. Sentiu um chakra diferente e completamente familiar.
Surpresa, abriu a porta com velocidade e seu coração palpitou quando viu quem estava a sua espera.
—S–Sasuke–kun?!
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