Notas iniciais
Leiam as notas do fim do capítulo assim que terminarem a fic, e obrigado por terem chegado até aqui!

Por volta das quatro da tarde, Twilight Sparkle se dirigia até o Consulado dos Dragões em Canterlot para buscar seu fiel escudeiro Spike, que constantemente visitava a dupla de dragões fêmea, Iejir e Silny. De longe ela podia ver os dois em frente ao prédio de três andares que se destacava dos demais. O telhado era substituído por uma área de pouso para dragões maiores e possuía boa iluminação à noite, as portas largas e altas suportavam a passagem de criaturas altas, e a decoração abusava do prateado e enfeites cujo as formas lembravam longas serpentes e joias preciosas.

Ao se aproximar, notou que a égua em questão era Iejir, que possuía a crina e cauda curtas da mesma cor do seu pelo, negro como o céu sem luar, os seus olhos prateados e manchas brancas em forma de pequenos círculos em seu focinho eram os únicos detalhes que lhe adicionavam algum tipo de luz. Mas ainda assim o que fez Twilight prestar tanta atenção nela era como agia, sendo muito mais aberta e espontânea do que sua irmã mais nova, o que ficava mais ainda em evidência com o modo que tratava Spike.

“Não não não.” Foi a primeira frase que o unicórnio púrpura conseguiu entender à distância, e logo entendeu o porquê do tom tão amigável e brincalhão, já que ela erguia algo além do alcance de Spike.

Jii-dask!” Spike pronunciou, e a palavra afundou na mente de Twilight, que tentava decifrá-la enquanto chegava mais perto. Silny vinha lhe dando algumas aulas de dracônico a pedido da Princesa Luna, não era uma criatura tão amável como sua irmã, mas o seu conhecimento e disciplina eram notáveis. Já o pequeno dragão havia passado muito mais tempo com a dupla de éguas que chegaram à cidade durante a festa do retorno do alicórnio da noite, e seu conhecimento na língua dos dragões já era bem avançado.

“Negativo, você não está acostumado a comer ouro, deveria continuar a comer gemas como os outros dragões daqui, isso não irá te fazer bem. Oh, olá Twilight!” Ela disse ao avistar o pequeno pônei, Spike se virou em sua direção e também chamou pelo seu nome, acenando com uma de suas patas.

Sparkle respondeu com um aceno, finalmente conectando as palavras em sua mente, jiilral era a palavra raiz para segundo, enquanto dask significava mãe, unindo os dois você tinha Jii-dask, uma expressão usada para se dirigir a uma fêmea que desempenhava o papel de mãe ou era muito querida e próxima. Era incrível como Spike havia se aproximado tanto dela em tão pouco tempo.

“Olá Spike, Iejir, como passaram a tarde?”

“Muito bem, Senhorita Sparkle.” Disse Iejir, Twilight notara como o seu tratamento também havia mudado, no começo era comum os dragões se referirem a ela como sililos, que significa púrpura, porém rapidamente adotaram o termo senhorita ou semelhantes. “Estive explicando para o seu amiguinho o por que os dragões daqui se alimentam basicamente de gemas e outras pedras preciosas, enquanto nós que viemos de fora de Equestria preferimos o ouro.”

“Eu só queria provar...” Protestou Spike, cruzando seus braços enquanto encarava Iejir à sua frente. “É só uma moedinha, não é como se isso fosse mudar algo.”.
“Com certeza iria, Spike. Se lhe dar ouro fizesse algum bem, eu iria me certificar que sua barriguinha estaria cheia de moedas.” A égua negra então se abaixou para fossar a face do dragão, que corou levemente enquanto desviava o olhar.

O unicórnio púrpura por sua vez sorria enquanto os dois continuavam o papo sobre ouro, até que desviou seu olhar para o céu, era fim da tarde e o Sol começava a se pôr. Fazia seis meses desde que a Princesa Luna havia viajado novamente para a periferia de Equestria, e se tudo desse certo, hoje seria o seu retorno. Havia passado o dia inteiro distraída, olhando para o céu na esperança de avistar uma carruagem voadora.

Enquanto isso, Celestia caminhava pelo castelo, vagando sem rumo por seus corredores, suas passadas eram irregulares, e sua cabeça pendia para um lado, e então para o outro, como se dançasse sozinha uma lenta música tocada por um piano em sua cabeça. Seus conselheiros estavam ficando preocupados com seu estado, pois constantemente aparecia para reuniões com olheiras e uma leve desatenção.

Ela parou de repente, virando sua cabeça para direita, encarando um espelho que estava pendurado na parede do corredor.

“Você está me vendo, não é mesmo? Oh, Nightmare por que não para de brincadeiras?” Sussurrava, prestando atenção aos seus arredores para ter certeza de que ninguém veria tal cena. “Não está cansada de me atormentar? Venha, vamos dançar essa bela música juntas antes de eu arrancar uma por uma todas as penas de suas asas, feias como a de um corvo raquítico.”

E soltou algumas risadinhas antes de continuar em frente, dessa vez com os passos mais firmes, prestando atenção nas sombras que lhe acompanhavam no corredor. Celestia tinha certeza que algo a estava perseguindo, tentando lhe apunhalar pelas costas, uma criatura negra e sem escrúpulos, que havia tomado conta do corpo de sua irmã. Seus conselheiros e seu escriba lhe mostravam o quanto Luna estava trabalhando nas pobres cidades da periferia, mas eles não sabiam como Nightmare poderia ser traiçoeira.

O alicórnio branco então se dirigiu até o ponto mais alto do castelo, um terraço aberto onde poderia observar qualquer coisa se aproximando de Canterlot. Hoje era o dia em que Luna iria retornar, tinha certeza de quanto mais ela ficava por perto, mais Nightmare Moon se fortalecia e atormentava os pôneis, não haviam indícios de que ela realmente estava por perto, porém Celestia ouvia um suave suspiro, um sussurro que debochava de sua cara e lhe assustava, pelo menos no começo, agora lhe trazia um sentimento adverso, uma irritação que fazia seu sangue ferver.

Celestia teria que agir, e rápido, pois no horizonte uma carruagem era puxada por dois pégasos, carregando consigo Luna e Whiter.

“Hey, Spike! Olhe, a Princesa Luna voltou.” Disse Twilight Sparkle animada, apontando aos céus. E então assim como apareceu, desapareceu em uma explosão que tomou conta dos céus. “Mas o que?!” Exclamou o pônei enquanto ia ao chão com seus cascos protegendo a cabeça, Spike por sua vez se posicionou embaixo de Iejir que não parecia muito alegre com a situação e se manteve em pé.

Uma voz altíssima anunciou para toda Canterlot. “Luna, desembarque agora mesmo, e não se atreva a chegar perto do castelo.” Celestia bradara com a Voz Real de Canterlot.

A carruagem emergiu da nuvem causada pela explosão e desceu em uma espiral controlada até aterrissar graças ao esforço e treino dos guardas, que se soltaram de suas amarras e se apressaram para checar Luna e Whiter.

Vários pôneis saíram de suas casas e estabelecimentos para ver o que estava acontecendo, um grande tumulto se instaurou no local.

“Mas o que está acontecendo...” Twilight balbuciou, tudo estava acontecendo rápido demais, primeiro a carruagem real havia apontado no céu, um minuto depois ela havia sido atacada por algo, e Celestia demandava que Luna não se aproximasse do castelo utilizando a Voz Real de Canterlot, que havia sido banida do reino por ela mesma. E quando olhou novamente para o céu, lá estava a Princesa Luna, flutuando a alguns metros do chão, enquanto Celestia se aproximava também pelo ar, mas de uma altura muito mais elevada.

“Celestia, o que está acontecendo?” Luna gritou, suas orelhas rentes à sua cabeça, destes cerrados e cauda levantada, aquela fora uma das magias de Celestia e não havia nenhuma dúvida nisso.

“Silêncio!” O alicórnio branco ordenou, e com um reluzir amarelado de seu chifre, uma onda de choque se propagou e arrastou a Princesa Luna de volta para o chão, mas como dessa vez ela já esperava o ataque, conseguiu erguer uma barreira mágica em torno de si mesma, uma bolha púrpura que se dissipou assim que a onda passou. “Luna, você está destituída de seu cargo como Princesa de Equestria sob as acusações de corrupção e traição, eu, Princesa Celestia, como autoridade máxima do Reino de Equestria, te julgo culpada e te sentencio ao exílio pelo bem do meu povo!”

Luna que estava de pé no meio da rua como os demais pôneis, esses mantinham uma distância segura dela depois dos ataques de Celestia, mal podia acreditas nas palavras que sua irmã proferira. Traição e corrupção? Ela lançou um olhar à Whiter como quem pede explicações, porém ele deu de ombros, também não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo.

“Você enlouqueceu, irmã...” Luna disse, fechando seus olhos e dando suas costas à Celestia, seu chifre brilhou com uma vívida luz azul, reparando os danos sofridos pela carruagem em sua aterrisagem forçada. “Eu irei embora.”

“Luna!” Twilight exclamou de onde estava, sendo instantaneamente fuzilada pelos olhares de ambos alicórnios, deixando claro que aquele assunto era algo que deveria ficar de fora.

“Que bom ver que ainda lhe resta algum caráter.” Disse Celestia enquanto levitava para baixo, ficando apenas a alguns poucos metros do solo.

“Mas que fique claro, Celestia, eu não deixarei meu povo nos seus cascos enquanto você delira, eu voltarei.” Com firmeza em sua voz, o alicórnio azul se aproximou da carroça, olhando para os lados, sentindo pena dos pôneis ali presentes que assistiam ao bizarro espetáculo no coração da cidade.

Enquanto isso, Iejir colocou um de seus cascos no ombro de Twilight, lhe dando alguns tapinhas amigáveis antes de dizer de modo súbito com um pequeno sorriso em seus lábios. “Foi um prazer conhece-la, Twilight Sparkle, espero vê-la novamente.”

Twilight virou sua cabeça, questionando-se o por que Iejir estaria se despedindo, até que viu sua irmã mais nova sair da prédio da embaixada carregando alforjes que pareciam bem pesados e entulhados.

E poof! O prédio do consulado sumiu em um passe de mágica, deixando Twilight com os olhos arregalados de surpresa. Isso explicava como o local havia sido construído tão rápido, um feitiço havia criado a construção, sendo mantido com a magia dos dragões durante todo esse tempo, havia lido sobre tais coisas em livros, porém nunca tinha visto algo assim em prática.

Thurkear! Celestia!” Iejir rugiu, atraindo a atenção de todos para si, a sua falta de respeito com o alicórnio branco era óbvia já que chamava Luna por seu título dracônico, mas não reconhecia o da outra. “Nós, dragões, não ficaremos parados perante o que presenciamos! As ordens de nossa Senhora Tiamat são claras como um lago cristalino, devemos permanecer ao lado de Thurkear sob qualquer hipótese, pois é com ela que nossa senhora firmou nossa aliança.” Seus olhos prateados tinham um brilho misterioso, como se perfurassem fundo a alma de Celestia.

“Insolentes...” Celestia murmurou para si mesma, sentia-se muito mais desconfortável de repente, enquanto ambos os dragões se posicionavam em frente a carroça, vestindo as amarras necessárias para puxa-la pelos céus. “Os dragões pouco tem se importado com a situação de Equestria, seu apoio é desnecessário, sigam essa traidora, e torçam para que ela não deslize uma lâmina entre suas escamas.” Ela disparou, recebendo o silêncio como resposta.

Iejir e Silny estavam a postos, Luna montou na carruagem e estendeu seu casco, convidando Whiter a vir com ela.

“Essa não é a minha irmã que eu conheço, não é seguro ficar com ela.”

“Você nem precisava falar isso.” Repondeu Whiter enquanto era puxado para o veículo.

Twilight Sparkle sentiu algo roçando contra sua perna, e quando olhou para baixo, viu Spike com os olhos cheios de lágrimas.

“T-Twilight...” Ele choramingou.

Twilight mordeu seu lábio inferior enquanto suas orelhas se abaixaram, Spike havia ficado tão próximo delas, já haviam se passado seis meses desde que se conheceram, e isso era tempo o suficiente para algo profundo florescer, ele até mesmo já considerava Iejir como uma mãe.

“Calma Spike, você ainda irá velas outra hora...”

Suas palavras não foram o suficiente para acalmar o pequeno dragão que chorava e soluçava.

“Spike.” Disse iejir, atraindo a atenção de Twilight Sparkle e o dragão roxo. “Vamos, já é hora.”

As palavras demoraram a atingir o unicórnio, mas quando atingiram, ela sentiu o seu mundo começar a desmoronar. Spike se afastou, dando o melhor de si para conter seu choro, porém não tinha como esconder seus olhos vermelhos, castigados pelas lágrimas.

“Eu preciso ir... pelo seu bem...” Spike disse em meio a soluços, evitando olhar nos olhos de Twilight para que pudesse correr até a carroça, onde achou um canto para si.

Twilight olhou para Celestia, seu desespero e angústia transbordavam através de seus soluços e olhar, porém tudo o que o alicórnio fez foi desviar o olhar para a carruagem, que foi içada ao ar pelas éguas de olhos prateados, seus cascos trovejavam contra o vazio com sua magia, e assim elas levaram Luna, Whiter e o pequeno dragão para longe.

Sua mestra não era mais a mesma, seu novo amor havia sido exilado, seu melhor amigo havia fugido, seu mundo havia se estilhaçado, e sabia que os cacos não poderiam ser reunidos outra vez.

“No caso de emergência, fomos instruídas a te carregar até o Vale dos Dragões, Thurkear. Alguma objeção?” Disse Iejir vários minutos depois de terem decolado, finalmente quebrando o silêncio.

Luna demorou tanto para responder que o dragão achava que havia sido ignorado. “Iejir, se eu não quiser ir para o vale, quais são as suas ordens?”

“Garantir sua segurança e lhe auxiliar até que nossos serviços não sejam mais necessários.”

“Então mude o curso, vamos para onde o sol se põe, eu tenho um plano, mas preciso que vocês duas fiquem comigo.” Luna disse, desviando seu olhar para Whiter que acenou com a cabeça, os dois haviam passado muito tempo juntos, não seria exagero da parte do alicórnio dizer que o pégaso albino havia se tornado seu melhor amigo, frágil, porém esforçado. “Celestia não perde por esperar.”

E a carruagem riscou os céus, sumindo em direção a Stalliongrad.

No meio da noite, Twilight Sparkle e Celestia caminhavam juntas por um dos corredores do castelo, a tristeza na face do pônei ametista era perceptível a distância, estavam se dirigindo à uma sala onde ocorreria uma reunião importante.

“Celestia... o que está acontecendo?” Ela perguntou. Sentia-se confusa, perdida e solitária, mesmo cercada por pôneis, esses eram estranhos para ela agora, e todos pareciam tão distantes.

“Eu vou precisar de você ao meu lado, Twilight, você é minha fiel aluna, o pônei que eu mais confio. Sua inteligência e habilidade com magia, mesmo que jovem, faz de você alguém muito importante para todos nós.”

Twilight acenou com a cabeça e continuou andando, era bom ouvir tais palavras, ser elogiada e se sentir importante, porém adoraria que a situação não fosse tão sombria, se perguntava se conseguiria convencer Celestia de que tudo não passava de um mal entendido entre ela e sua irmã antes que a situação piorasse.

As portas se abriram diante das duas, era uma sala espaçosa, sem muitos detalhes com uma enorme mesa circular no centro, vários pôneis que pareciam ocupar altas patentes estavam presentes no local, suas atenções se voltaram para Twilight e Celestia imediatamente.

“Boa noite senhoras e senhores, me desculpem por fazer com que vocês tenham que deixar os seus confortáveis lares para discutir sobre alto tão incerto.” Celestia falava, ocupando a cadeira com o seu nome, sinalizando para Twilight ocupar a cadeira ao seu lado, que era a única sem nome. Seria essa a cadeira de Luna? Ela se perguntou enquanto sentava, era maior que as outras assim como a de Celestia, então provavelmente. “Nightmare Moon havia sido banida mil anos atrás, e agora ela retornou, eu tenho provas concretas de que ela ainda está com minha irmã. Porém bani-la para a Lua está fora de questão, ela inutilizou um dos elementos, e sem ele, os outros não funcionarão. Quando ela deixou Canterlot, deixou bem claro que iria retornar e tomar o lugar, como eu ainda não sei, mas ela é vingativa, e eu penso que logo irá tramar algo.”

Os pôneis na sala trocaram olhares até que um dos mais velhos tossiu, chamando a atenção para ele.

“Você tem a nossa atenção, General pode falar.”

“Vossa Alteza, nós recebemos uma correspondência urgente de Stalliongrad enquanto você se dirigia até essa sala. Deixe-me lê-la para todos.” General Quartz era um pônei velho, porém muito bem conservado, seu pelo marrom parecia jovem, e seus olhos verde escuros brilhavam em batalha. “Celestia, eu, Vlad Mirovitch, prefeito de Stalliongrad, declaro o rompimento permanente com o Reino de Equestria, a partir de agora Stalliongrad será a capital do Novo Reinado Lunar. Serviremos apenas a Rainha Luna, através dela nossa terra prosperou, e através dela seremos vitoriosos.” Ele pausou, observando os olhares espantados ao seu redor antes de continuar a última parte. “O atentado à nossa rainha essa tarde não será levado de modo leviano. Declaramos através dessa carta também que o Novo Reinado Lunar está em guerra com Equestria. Luna Nobis Providet.” As palavras em latim foram pronunciadas lentamente e de forma amarga, o conteúdo da carta certamente surpreendera todos da sala.

Celestia sabia que Luna não iria demorar a responder, mas isso foi rápido demais, e não como ela esperava.

“Mas como isso aconteceu? Não faz seis meses desde que Luna retornou, e ela conquistou uma de nossas cidades?” Um outro pônei comentou, ele era jovem e aparentava ter uma patente baixa.

“Eu acho que ninguém melhor do que Celestia para explicar como isso aconteceu, não é mesmo, Vossa Alteza?” Disse o General de modo sucinto.

“Ela viu um momento de fraqueza em nosso povo e se aproveitou dele, lhes deu o que eles queriam já pensando em se aproveitar deles depois.” Twilight ouvia atentamente, porém não havia nada para dizer, apenas não conseguia acreditar que a doce Luna que conhecera havia ajudados os outros pensando em tomar Equestria para si. “Mas ela está isolada, em uma cidade pobre e sem recursos.”

“Vossa Alteza, sinto lhe informar, mas Stalliongrad cresceu de modo acelerado nos últimos meses, eles tem exportado muitos materiais de aço e ferro para os reinos vizinhos, principalmente para os grifos e cães.”

“Então nesse caso devemos assumir que eles possuem armas...” Murmurou Celestia.

“Sim, mas eles não têm pôneis o suficiente, nem terreno, podemos evacuar as cidades antes dos ataques, e assim que eles estiverem fundo o suficiente em nosso território, atacaremos pelos flancos, em duas frontes, cortaremos seus suprimentos e dividiremos suas forças.” Disse um dos coronéis ali presente.

Celestia acenou com a cabeça, havia algo fora do lugar, Luna podia ser uma traidora, porém também era uma ótima estrategista, por que declarar uma guerra que não poderia vencer em tais condições? Sua visão flutuou para Twilight Sparkle, sua pobre aluna, havia perdido tanto em tão pouco tempo, tão pequena, tão jovem, porém tão forte, se tudo desse errado, Twilight estaria lá para resolver as coisas, esse era seu dom e seu destino.

Um pônei entrou na sala e se dirigiu até o General, lhe entregou uma folha de papel e se retirou. O pônei que ocupava o maior cargo militar no reino ergueu a carta para que pudesse lê-la, não era extensa, porém ele a leu, uma, duas, três vezes, e não conseguia acreditar em seu conteúdo. Largou a carta em cima da mesa, e a passou para o lado.

“Passe isso para Celestia... foi escrito por Luna.” Comandou o General, e assim a carta rodou a mesa, passando de casco em casco até chegar na grande monarca, que a leu em voz alta.

“Princesa Celestia, por meio dessa carta venho declarar que as cidades a seguir deixaram de pertencer a Equestria, e foram integradas ao Novo Império Lunar, o seu reconhecimento perante outras nações é negligenciável, pois logo iremos tomar Canterlot.”

“As cidades são: Salt Lick City, Los Angeneighs, Moore Forest, Seaddle, Pegasea, Newcolt, Equineburgh, Clydesdale, Buckpool…” E ela continuou falando cidade após cidade, a lista era imensa, porém todas as cidades tinham algo em comum, eram em sua grande maioria cidades pobres da periferia do reino. Ao comparar as cidades anunciadas e o mapa, notou algo que lhe incomodava muito, e tinha certeza que os pôneis na sala pensavam o mesmo. As cidades formavam um grande anel em vonta de Equestria, cercando Canterlot, um ataque poderia vir de qualquer lugar, e eles não teriam como atacar alguma cidade sem se expor.

“E agora, o que faremos?” Um dos pôneis questionou, e Celestia respondeu antes que qualquer tumulto fosse criado.

“Iremos esperar e nos defender, Canterlot está em um ponto de difícil acesso, as montanhas nos protegem, Luna deixou bem claro que quer tomar o reino através de Canterlot, ela irá nos atacar diretamente. No final da carta ela diz que tomará a cidade em três dias, insolente...” O alicórnio bufou e se ergueu, ainda sem deixar seu posto. “Eu quero os Wonderbolts vasculhando os arredores, devemos ser rápidos, preparem os guardas, quero um batalhão guardando a cidade, e dois a postos para defender a fronteira em caso sejamos atacados de repente, todos fiquem atentos, estamos em guerra, nosso inimigo é mais fraco, porém não devemos subestima-lo. Quero relatórios sobre a nossa situação amanhã pela manhã, com urgência. Uma boa noite a todos.”

Celestia se virou e fez um sinal para que Twilight Sparkle lhe seguisse, e assim ela o fez. Ao saírem da sala, o pônei ametista olhou para sua tutora e perguntou.

“Princesa Celestia, Luna é sua irmã, vocês duas se amam, por que isso está acontecendo?”

O alicórnio parou de imediato, virando seu rosto para encarar a outra égua, a essa altura era difícil discernir quais eram as emoções em sua face, mas ela ainda mantinha sua serenidade.

“Luna morreu mil anos atrás quando Nightmare a levou, essa não é minha irmã.” E imediatamente seguiu seu rumo, Twilight abaixou sua cabeça e orelhas e a seguiu, se sentindo açoitada por tais palavras e o modo como Celestia as disparara. “Descanse bem, Twilight, você será mais necessária para nós do que você imagina” Ela completou quando pararam na porta do quarto do unicórnio.

“Princesa, você continua repetindo isso, mas eu não tenho nenhum treinamento de combate, eu não sou uma guerreira.” O pequeno unicórnio sentia-se pressionado, e a princesa sabia disso, adoraria que a situação fosse diferente, porém Twilight possuía um poder além do que ela imaginava, e tinha certeza de que ela desempenharia um papel importantíssimo.

“A partir de agora você é, minha aluna, não brandirás uma lança no campo de batalha, porém com sua magia irá proteger aqueles que você ama do perigo. Algo queima dentro de você, Twilight, essa chama irá te guiar nos momentos mais sombrios, quando tudo parecer perdido. Agora durma, amanhã teremos um longo dia de preparações. Boa noite minha queria.” Ela se aproximou da égua púrpura e abaixou seu pescoço contra o dela, e ela retribuiu, ficaram assim durante alguns longos minutos, até que Celestia se afastou a beijou-lhe a testa, sussurrando logo em seguida. “Boa noite.”

E com um sorriso cansado no rosto, ela seguiu pelo corredor e deixou Twilight para trás. O unicórnio por sua vez encheu seus pulmões de ar, e deixou escapar lentamente por sua boca, virou-se e entrou em seu quarto, sentindo uma pontada no coração quando não foi recebida pelo seu companheiro que havia a deixado. Todos ao seu redor estavam tomando decisões difíceis, enquanto ela sentia inútil, estava presente em tudo o que acontecera, mas a única sem nenhum tipo de controle, até mesmo Spike decidiu seguir o que acreditava.

E então se perguntou no que ela mesma acreditava? Princesa Celestia sempre fora sua mestra, a guiou durante os momentos mais difíceis e lhe ensinou como controlar sua magia, porém Luna, apesar de ter entrado tarde em sua vida, tomara seu coração, sentia um conforto imenso por estar com ela, e admirava seus conhecimentos e poderes, que divergiam dos de sua irmã.

Ela se atirou em sua cama, rolou nela por algum tempo até abraçar seu travesseiro e encarar o branco do teto, ela amava ambos alicórnios, e daria um jeito de concertar tudo, não podia acreditar que a Princesa da Noite era um pônei ruim, nem iria contra sua tutora, lutaria para unir ambas. Sim, era isso o que faria, custe o que custar.

Twilight Sparkle então dormiu, confortada por suas próprias palavras e embalada pelas recordações de noites melhores.

No outro dia ao meio dia, Celestia se reunia com os oficiais de seu exército novamente, os anos de paz haviam reduzido seus números, e enfraquecido sua moral, porém ainda era uma força formidável o suficiente para manter seus vizinhos afastados de suas terras.

“Princesa.” Chamou um dos oficiais. “Uma grande tempestade se aproxima, os céus estão escurecendo, provavelmente teremos muita chuva e até mesmo raios no fim da tarde.”

O alicórnio refletiu por um breve momento e comentou. “Isso não me parece natural, Luna quer tirar a nossa vantagem aérea, já que não há em Equestria um grupo que rivalize com os Wonderbolts e os pégasos de Cloudsdale. Mas isso também quer dizer que não teremos surpresas, pois eles também não poderão voar. Eu quero os pégasos no chão ou voando baixo, eles não possuem a mesma tecnologia e magia que nós. Mantenha todos calmos, e tragam-me minha armadura. Chegou o dia em que lutarei novamente pelo meu povo.”

“Mais notícias, Vossa Alteza.” Um unicórnio que recém recebera uma carta falou. “A tempestade é real, não é nenhum tipo de disfarce. E dois batalhões inimigos se movem por terra com Destino a Canterlot, de algum modo as cidades no caminho não os notaram passar, eles parecem usar o brasão de Stalliongrad e o de Luna, suas armaduras parecem leves e frágeis, o tempo estimado de chegada até a fronteira de Canterlot é as cinco horas da tarde, não há mais nenhuma cidade em seu caminho pela rota que marcham, trazem consigo vários instrumentos e fazem muito barulho com eles.” Um exército movido por moral e sua irmã, pensou Celestia. “Os dois grupos estão a uma distância considerável um do outro, e parece que irão se unir em torno de uma hora antes de sua chegada à cidade, prevista para sete horas da noite. Um dos batalhões é liderado por Luna, o outro pelo ex-prefeito de Stalliongrad, que tudo indica ser seu general. Parecem ter dividido seus soldados para facilitar a passagem sem serem notados.”

“Fronteiras, cinco da tarde, união, seis da noite, invasão, sete da noite, todo entenderam isso?” Celestia perguntou na sala em voz alta, e todos responderam em uníssono.

“Sim senhora!”

“Não deixaremos que unam suas forças, temos vantagem numérica e de terreno, nenhum deles irá subir até Canterlot, ouviram? Não vai subir ninguém! Se eles chegarem até a base da montanha Luna poderá trazê-los até aqui em cima facilmente com magia, acabamos com todos antes disso, e nossas famílias ficarão a salvo. Enviaremos um pelotão com nossa arma secreta até Luna, enquanto isso nós atacaremos a outra divisão pela frente, segurando-os até que nosso terceiro batalhão irá entrar pelo flanco. Não é necessário fazer reféns, são todos traidores.”

Algumas horas separavam Equestria da batalha que iria decidir seu destino, os dois alicórnios que trouxeram tantas glórias iriam se enfrentar pela última vez, porém dessa vez não estavam sozinhas, seus comandados se moviam como peças em um enorme tabuleiro de xadrez sem reis, peões ou bispos, apenas cavalos, torres e rainhas.

Twilight Sparkle ouviu algo batendo na porta de seu quarto que foi logo aberta com magia, atrás dela, estava Celestia vestindo um capacete dourado, sua crina que agora era rosa vazava majestosamente atrás dele, peito coberto por uma armadura com um brasão no formato de sua marca e leves proteções laterais que cobriam alguns pontos fracos das asas que poderiam ser atingidos de modo frontal, como a base.

“Twilight, chegou a hora.” Ela disse com serenidade, a princesa havia passado os últimos dias sofrendo de fortes dores de cabeça e sempre parecia cansada, agora a guerra parecia ter lhe trazido paz, seu pelo era vívido novamente, e sua crina ondulava no ar, seus olhos brilhavam como nunca.

Twilight acenou com a cabeça e terminou de vestir a armadura que um dos guardas havia lhe trazido, não era pintada, nem possuía muitos detalhes já que soldados do tamanho dela eram raros. Essa armadura era geralmente usada por entregadores nos tempos de guerra, era leve pra que não atrapalhasse os movimentos, porém resistente o suficiente para resistir alguns golpes, em elmo era aberto embaixo e carregava consigo o emblema de Equestria.

“Tudo irá acabar logo, quando isso terminar, iremos viajar para o topo das montanhas e veremos as estrelas de perto, estamos combinadas?” Ela perguntou com um sorriso, acariciando o queixo de sua aluna que sorria.

“Sim, Vossa Alteza.”

E então pequeno unicórnio ametista marchou para a guerra, apenas pensando em lutar para a paz.

Twilight marchava pelo campo junto com seus companheiros, o céu havia escurecido prematuramente com a tempestade que se aproximava, lá no alto as aves fugiam do mal tempo que se aproximava, porém ela não pode deixar de notar que vários corvos e outras aves de rapinas saltitavam pela grama, rodeando exército que se movia. Sabia que esse era o curso da natureza, mas se enchia de nojo ao ver os carniceiros, eles teimavam em lhe lembrar que hoje a terra seria embebida em sangue se não parasse Luna.

O barulho hipnótico das armaduras, a fricção das placas de metal, ao seu redor só foi rompido quando um dos pôneis, provavelmente o general, bradou.

“Alto!”

E do topo de uma colina logo à frente ela surgiu, alta e imponente, a rainha do Novo Reino Lunar, Luna, vê-la usando a mesma armadura que Nightmare Moon fez com que Twilight sentisse um arrepio na espinha, com sua mágica, ela levitava perto de si uma foice, sua lâmina certamente lembrava a todos a forma de uma lua crescente, pronta para cortar e perfurar aqueles que aparecessem em seu caminho.

Atrás dela vinham os pôneis de Stalliongrad e aliados, tremulando seus estandartes e tocando seus tambores, o grande número de pôneis e o barulho que faziam era intimidador, mas com um segundo olhar, notara que Equestria ainda possuía mais guerreiros, e suas armas e armaduras pareciam muito melhores. Isso seria perfeito, se tivesse uma chance de conversar com o alicórnio, certamente poderia convencê-la de que as coisas não precisariam terminar desse jeito. Elas haviam um vínculo especial no final de contas, não haviam?

Luna sinalizou para que seus garanhões parassem, e assim eles o fizeram, mergulhando o campo em silêncio. Com passos lentos, ela caminhou sozinha para frente e bradou.

“Twilight Sparkle está ai? Se sim, eu exijo falar com ela.” A voz familiar escorreu para dentro dos tímpanos de Twilight como um hino de salvação, era exatamente por essa chance que estava esperando.

“Twilight Sparkle! Se apresente.” Bradou o General. “Abram caminho!” E assim a tropa se abriu um corredor para que o frágil pônei ametista caminhasse para a linha da frente, onde o General sussurrou em seu ouvido antes que se aproximasse mais de Luna. “Tome cuidado pequenina, se ela fizer algum movimento brusco, corra que nós iremos avançar. Apenas tente nos proteger com magia, Celestia confia em você, e todos nós também.” Ele fez o seu melhor para lhe dar um sorriso raso, e ela entendeu seu esforço.

“Sim senhor, general.” E ela seguiu seu caminho adiante, sabia que não poderia se aproximar muito de Luna, porém apenas vê-la em boas confortava seu coração.

“Você não precisa se aproximar mais, Twilight, seu superior ficaria desconfortável com isso.” Luna falava em alto e bom som de modo que a outra égua pudesse lhe ouvir sem muitas dificuldades. “Fico feliz de ver que está bem, como sua amiga, eu sugiro convencer o seu general a render-se, se não, você será poupada e todos os outros perecerão. Essas são as ordens que recebi.”

Os olhos de Luna reluziram com um brilho prateado e Twilight sentiu seu coração bater mais forte, assustada enquanto o exército ao redor do alicórnio desaparecia no ar, ouvia a comoção de seus próprios companheiros que se perguntavam o que estava acontecendo. Porém logo ela entendeu, o exército inimigo era uma ilusão, porém apenas uma criatura milenar poderia criar algo tão grande.

A armadura do corpo da égua azul lentamente sumiu de seu corpo, seu pelo escureceu e se tornou negro, sua crina também se transformou, encolhendo até o fim chegar apenas um pouco acima da metade de seu pescoço, pintas brancas apareceram em seu flanco e focinho, seu chifre encolheu, porém ainda parecia maior do que o da maioria dos unicórnios.

“Iejir...” Twilight sussurrou para si mesma, havia tentado falar alto, porém a maior parte de sua voz morreu em sua garganta.

“Esse será o último aviso, rendam-se!” Ela bradou, e junto com sua voz, um relâmpago iluminou o céu escuro em um flash, seguido por um trovão ensurdecedor, e as nuvens negras choraram pelas vidas que hoje seriam levadas. Twilight fechou seus olhos e se lembrou de seus últimos momentos de felicidade na chuva, as coisas não deveriam ser assim. Luna havia enganado a todos, a guerra era cruel.

“Por Equestria!” O General bradou e fez o sinal de que deveriam avançar, Twilight Sparkle estava falhando miseravelmente na negociação, e agora que o inimigo se revelou ser apenas um, por mais poderoso que fosse, era óbvio que iriam vencê-la, não haviam truques nesse mundo que salvariam um pônei de uma carga armada dessa magnitude.

Porém aquele não era um pônei, seu corpo negro reluzia enquanto a égua desfazia a magia de transformação que a mantinha como um equino. E com um rugido poderoso, o dragão vermelho enorme que se erguia no campo de batalha deixou todos paralisados de medo. Ela era enorme, e sua aparência feroz era algo que não poderia ser observado em outros dragões de Equestria, o próprio general já tivera lutado com um dragão antes, mas algo nesse parecia muito diferente, sua presença era aterrorizadora, e seu corpo exalava o cheiro da morte.

Iejir era um dragão vermelho adulto, seu corpo era largo e comprido, coberto por rígidas escamas rubras, enquanto a parte interna de seu pescoço e barriga eram revestidos por escamas mais maleáveis, permitindo que manobrasse seu corpo com maior liberdade. Seus olhos nessa forma eram amarelos, dois grandes chifres de cor marfim brotavam do topo de sua cabeça e apontavam para trás, atrás deles, uma segunda e terceira fileira de chifres formavam uma linha, cada um menor que o anterior.

O unicórnio recuou o quanto podia, virou-se novamente e gritou. “Iejir! Não faça isso!”

“Isso é uma guerra, Twilight, muito mais antiga do que você imagina, agora fique parada, eu não quero te machucar.” As palavras ecoaram dentro da mente de Sparkle, Iejir estava usando magia para se comunicar, durante todo esse tempo, sua boca apenas se mexera para mostrar aos pôneis as chamas que eram mantidas dentro dela. “O fogo não irá te queimar, fique tranquila.”

Twilight cerrou seus dentes, não teria como mudar o dragão de ideia, apenas poderia enfrenta-la enquanto os outros se retiravam.

“Corram! General, nós precisamos de Celestia!” Reunindo suas forças, o chifre do unicórnio se encheu de magia, uma bela aura púrpura flutuava em torno de seu corno, apenas para disparar uma rajada mágica contra o dragão que uma vez fora sua amiga.

“E ainda nos chamam de brutos...” Murmurou Iejir, enquanto o raio de Sparkle vinha em sua direção, apenas para ser neutralizado por uma contra magia pouco antes que lhe atingisse. “Quando vocês pôneis que só sabem usar magia para disparar raios. Terra em Lama.”

O batalhão de Equestria estava atordoado, a grande maioria tentava recuar enquanto Twilight lançava sua magia contra o dragão, porém todo e qualquer esforço por sua parte foi em vão quando o chão em baixo de seus cascos cedeu e transformou-se em lama funda, deixando todos menos o pônei ametista cobertos de lama até embaixo dos ombros.

Twilight sentiu o seu mundo ficar sombrio, precisava de um truque, e rápido, ver todo o exército preso de modo tão patético era desesperador, porém quando seu olhar retornou ao dragão, sentiu suas pernas vacilarem, Iejir havia empinado, deixando apenas suas patas traseiras no chão, as gotas da chuva evaporavam antes mesmo de encostarem e seu corpo. Desceu suas patas dianteiras e seu pescoço de volta ao chão, e junto com eles, chamas foram assopradas de sua boca, transformando a campina em um verdadeiro inferno, seu sopro cobria algumas centenas de metros.

A égua não podia fazer nada, a não ser fechar os olhos e ouvir seus companheiros sendo queimados vivos, o chão que virou lama, agora se solidificava novamente com o as chamas, enquanto os pôneis ficavam presos, ardendo em chamas.

Logo o dragão cessou seu sopro, e o vento levou consigo os últimos gritos de angústia e terror. No campo de batalha agora restavam apenas o dragão, as chamas e os corvos.

Iejir ergueu novamente sua cabeça e esperou, Luna lhe instruíra para fazer o possível para poupar a vida de sua querida, e que as chamas não iriam machuca-la, mas ela achava isso pouco provável, já haviam se passado cinco minutos e nada, o inferno flamejante continuava a arder, e o cheiro de corpos carbonizados enchia suas narinas. Hora de continuar, pensou, alongando suas asas colossais, pronta para levantar voo.

“Isso é imperdoável...”

O dragão fêmea que estava prestes a voar foi surpreendida quando um pônei com crina flamejante caminhou para fora das chamas, seu pelo possuía uma cor bege claro e seus olhos eram rubros como as escamas do dragão, carregava consigo uma expressão de raiva e ódio, Twilight Sparkle era irreconhecível agora.

“Eles também eram meus amigos, Iejir, eles apenas queriam defender suas famílias... eu não vou deixar você continuar até Canterlot. Você terá que passar por cima de mim!”

As chamas em sua crina e rabo aumentaram, e em contra partida o fogo atrás de si diminuía.

“Formidável, quando Luna disse que você iria sobreviver, não imaginava que as coisas chegariam a esse ponto, minhas ordens são para poupá-la, mas se você me atacar mais uma vez, eu irei ignorá-las.”

“Ignore isto!” Twilight bradou, uma luz rubra foi emanada de seu chifre e um raio amarelo concentrado foi disparado, acertando o peito do dragão em cheio, empurrando-o alguns metros para trás com o impacto. Um sorriso orgulhoso e confiante apareceu no rosto dela. “Parece que raios poderosos machucam, não é mesmo?”

Iejir rugiu, o que não impressionou o pônei nem um pouco, e sacudiu sua cabeça. “Me desculpe, Twilight, Teleporte.”

E em um piscar de olhos, o corpo imenso dragão estava atrás dela, sua pata vermelha cruzou o ar em um movimento ágil de cima para baixo, porém o unicórnio se virou a tempo e ergueu seus cascos dianteiros, aparando o golpe, seu chifre reluzia enquanto lutava para não ser esmagada.

“Só isso?!” Ela provocou, seu chifre brilhou mais e a pata que antes estava quase lhe esmagando começou a ser empurrada de volta. “Me impressione, dragão!” Não era apenas seu corpo que havia mudado, junto com sua crina, sua personalidade também ardia.

Esfera Anti-Magia.” Iejir sussurrou, e o mundo se tornou púrpura para as duas. Quem olhasse de fora, veria um dragão e um unicórnio lutando dentro de uma esfera roxa que englobava ambos completamente, a luz que antes reluzia no corno de Twiliht agora se apagara, toda sua magia se fora e de repente se sentiu vazia. A pata se tornara pesada outra vez, e lentamente vencia suas novas forças, ela fechou seus olhos e tentou lutar de volta com tudo o que lhe restava. “Seu orgulho e imprudência irão lhe custar a vida.”

Iejir cerrou seus olhos e dentes enquanto sentia a desconfortável sensação de ossos quebrando e carne rasgando embaixo das escamas de sua pata, o calor que antes era emanado da crina e cauda do pônei havia se extinguido, junto com seu último suspiro.

Celestia trotava pelo centro de Canterlot como se fizesse uma patrulha, estava inquieta, seus conselheiros lhe diziam para ficar dentro da segurança de seu castelo, mas ela bem sabia que o perigo iria lhe perseguir onde quer que fosse, estando lá, as vidas de seus súditos estariam em risco, mais do que já estavam agora. Algo martelava no fundo de sua cabeça, como se houvesse esquecido um detalhe importantíssimo, mas agora isso não importava, com um ataque direto desses de sua irmã, logo tudo estaria acabado, e se fosse necessário, iria fazer isso sozinha.

O que o alicórnio não havia notado era que tais detalhes, pois eram dois e não apenas um único detalhe, eles haviam a enfeitiçado para serem esquecidos um dia atrás. Tais detalhes possuíam a altura de prédios, escamas reluzentes e rígidas, e uma magia formidável o suficiente para fazer com que os deuses pensassem duas vezes antes de brincar com eles.

Dragões são criaturas independentes e astutas, Luna sempre os admirou e fez questão de oferecer tributos generosos à sua rainha, enquanto Celestia possuía uma visão diferente, respeitava as criaturas, mas não achava tais tributos necessários, ao invés do precioso ouro, os dragões que vieram para Equestria encontraram em seus banquetes gemas, viciantes como o açúcar e encontradas em abundância no território equino.

As doces gemas deixam os dragões mais dóceis, porém limita suas capacidades de crescimento, uma prática criminosa para aqueles que são estranhos aos costumes de Equestria, incluindo a Rainha dos Dragões, Tiamat. Sempre tivera na Princesa da Noite sua favorita, vê-la sendo banida para a Lua foi algo que a aborreceu muito, os tributos cessaram e mais dragões eram feitos de criados, poderia ter interferido, mas não era assim que gostava de agir. Munidos de longevidade e intelecto superior, as criaturas que sopram fogo gostam da arte da manipulação, e nenhuma delas tem tanto apreço por tal arte quanto a sua rainha.

Tiamat sabia que logo seu pônei favorito iria voltar, então apareceu para todas as suas crianças, e lhes mandou uma mensagem, deveriam lhe informar imediatamente se soubessem algo sobre o retorno de Thurkear, a Princesa da Noite, e logo de Spike recebera uma resposta. Assim enviou suas filhas para cuidarem de seus negócios. E agora era hora de colher os frutos de seu trabalho, veria os orgulhosos pôneis lutando entre si, e no fim, esperava que sua favorita saísse vitoriosa.

O alicórnio alvo sacudiu sua cabeça, se sentia mais desconfortável que o de costume, Equestria esteve em paz por tantos anos, pensar que agora pôneis estariam lutando entre si deixava um gosto ruim em sua boca, como Luna havia agido tão rápido? Seu pensamento foi interrompido pelo rugido de um trovão, e poucos segundo depois a água que caia dos céus atingia seu pelo e crina flutuante, ela podia sentir que as batalhas haviam começado, que a sorte estivesse do seu lado.

“Celestia.”

Ouvindo seu nome ser chamado, Celestia se virou para encarar a voz familiar, e parada no meio da rua atrás dela, estava uma guarda em traje real, seu pelo era branco e sua crina azul e longa, parecia ser uma das novatas, mas estava fora de posição, não havia se dirigido a ela como princesa, e possuía um cheiro peculiar.

“Luna, então você veio diretamente até mim. Resolveu deixar seus pôneis sozinhos?” Disse Celestia com um sorriso irônico em sua face, mantinha sua pose ereta, olhando a égua de cima para baixo.

Luna sabia o suficiente do castelo para enganar os outros guardas, e sabia muito sobre magias de disfarces, porém sabia também que enganar Celestia seria muito difícil para tornar tal opção válida. Logo deixou a chuva lavar seu disfarce, levando-o embora como se fosse tinta.

“Eu não trago pôneis comigo, Celestia. Essa guerra é nossa, eu não envolveria nosso povo nela.” O alicórnio azul respondeu o sorriso na mesma moeda, ela virou seu corpo de lado e começou a caminhar em volta de Celestia. Sua irmã fez o mesmo. “Você achou mesmo que eu passaria meses ajudando Equestria, apenas para mergulha-la em guerra no outro dia? Não, foi tudo um truque.”

A expressão na face de Celestia ficou mais séria enquanto ela ouvia atentamente as palavras de sua irmã, suas vozes ecoavam na rua vazia, sendo atrapalhadas apenas pela chuva e as poças de água que se formavam.

“Quando você me expulsou de Canterlot, eu não fui longe, nós apenas nos escondemos. Então Whiter escreveu as cartas que você recebeu copiando as assinaturas e marcas das cidades que visitamos, o garoto é muito bom no que faz, então nós apenas tivemos que interceptar as cartas que você enviava de volta, com três dragões e estando tão perto foi fácil.”

“E quanto aos exércitos que marchavam até Canterlot? Nós os vimos.” Celestia rebateu, ainda estudando sua rival.

“Ilusões, vocês não se atreveriam chegar muito perto com medo de mim. Como nós criamos ilusões tão grandes? Dragões.”

Os olhos de Celestia se arregalaram quando Luna falou a palavra dragões, finalmente ela havia conseguido se libertar do feitiço que Iejir havia lançado naquela tarde. Ficara pálida ao pensar que havia enviado seus exércitos enfrentarem aquelas duas criaturas sem nenhum tipo de instrução, ainda confiava que Twilight Sparkle conseguiria sair vitoriosa, essa era sua magia, porém seu coração se enchia de fúria ao pensar em seus amigos e soldados perecendo sob rajadas de chamas e ácido.

“Você se vendeu!” Celestia bradou, tomando uma postura agressiva, afastando suas patas dianteiras uma da outra, seu chifre cintilou com uma luz amarela, e um raio de luz foi disparado contra Luna, que saltou para trás em um instante, também se preparando para o combate.

“Me vendi? Você enlouqueceu irmã! Tomou o reino para si mesma e nem tens um bom motivo!” Luna bradou, cerrando seus dentes, seu chifre emanava uma aura azul, pronta para se defender.

“Você estava pronta para me apunhalar pelas costas! Eu consigo ver Luna, eu vejo que esse demônio não saiu de dentro de você! Tinha esperanças de que a minha irmãzinha voltaria algum dia, mas você não é ela!”

“Tem razão.” Disse Luna, seus olhos se fecharam por um momento, e ao reabri-los, suas pupilas haviam se estreitado. “Eu não sou a mesma, Celestia, você me mandou para a Lua ao invés de me ajudar, lá eu cresci e refleti por muitos anos. Aprendi muito com meus pesadelos, inclusive a como controla-los, o que você via não era Nightmare Moon, ela não existe mais, o que você via era seu próprio pesadelo, Celestia.”

“Mentira atrás de mentira! Você diz que Nightmare Moon não existe, mas esses são os olhos dela!” Outro raio foi disparado, e dessa vez Luna respondeu com um próprio, fazendo com que ambos os feixes colidissem no ar e se anulassem.

“Sim, não apenas os olhos dela, você ainda não entendeu? Ela é parte de mim agora, mas sou eu quem dá as regras.” Ela sorriu, mostrando para Celestia um par de presas afiadas, seu pelo lentamente se tornava um tom mais escuro de azul.

“Eu não acredito em uma palavra que sai dessa boca, ela fede com tantas mentiras!” O alicórnio branco avançou com a cabeça baixa, mirando o seu corno contra a sua rival que abriu suas asas e levantou voo.

“Voltei para guiar o nosso povo! Mas vejo que a sanidade já não lhe acompanha mais, irmã. Se quiser me fazer de vilã, faça isso! Eu irei te derrotar aqui e hoje, e concertarei tudo o que você fez de errado. Vamos continuar essa guerra que começamos mil anos atrás!”

Luna batia suas largas asas no ar, seu corpo havia ficado maior e seu pelo se tornou negro como a escuridão mais profunda. O que Celestia via à sua frente era a mesma imagem de mil anos atrás, seu coração disparou, sua memória lhe enviando flashes do que acontecera naquele dia fatídico. Era assim que as coisas iriam terminar de novo? Ela pensou, uma voz no fundo de sua cabeça sussurrava para ela. “Eu te avisei...” A voz era familiar, porém não o suficiente para se lembrar de quem era, deixaria isso para outra hora, agora tinha que salvar o seu reino.

“Da última vez eu hesitei por amor à minha irmã, mas agora eu aceito que ela se foi, dessa vez você não irá voltar de lá nunca mais, criatura vil.”

O chifre do alicórnio branco reluziu, e seis esferas apareceram no ar, flutuando ao seu redor, os Elementos da Harmonia.

“Adeus.”

Os elementos começaram a brilhar um por um, lealdade, amizade, riso, gentileza, generosidade e magia, esse último explodiu em vários fragmentos rosados que caíram pelo chão e logo foram levados pela chuva, enquanto as outras esferas perdiam o seu brilho e caiam na rua, inúteis.

“Twilight...” Uma lágrima escorreu do rosto de Celestia, e no outro instante um vulto negro havia mergulhado à sua frente, sentiu um peso contra seu peito, e ai olhar para baixo viu Luna, a própria imagem de Nightmare Moon, perfurando seu peito com o seu chifre pontiagudo.

“Me perdoe, irmã...” Luna ergueu sua cabeça e com ela alavancou o grande corpo de Celestia para cima, e com um sacode violento, a arremessou para o lado. “Dessa vez, você perdeu a guerra.” Ela disse, enquanto sua crina balançava com o vento da tempestade, seu pelo ébano sendo continuamente encharcado pela chuva.

“Twilight...” Celestia repetiu enquanto estava caída. Ver o Elemento da Magia se despedaçar em sua frente havia doído muito mais que o chifre que perfurou seu peito e a arremessou longe. A ponta de sua cauda rosada foi embebida em chamas em um instante, e lentamente a chama se espalhou.

Luna nunca havia visto isso acontecer antes, observava assustada enquanto a cauda e a crina de sua irmã entravam em combustão e o ferimento de seu peito se fechava em uma velocidade assombrosa. Em pouco tempo Celestia estava no meio de uma nuvem de vapor, o chão embaixo dela havia secado e a chuva evaporava metros acima dela.

“Nightmare Moon, eu vou acabar com você.” Celestia declarou enquanto se levantava, a expressão em seu rosto era de confiança e ódio. “Assim como você acabou com tudo o que eu amava.” Sua cauda tremulou no ar e as chamas dela e de sua crina se tornaram azuis, o calor que irradiavam era tão grande que o pelo de sua rival ressecou, as suas gotas de suor mal molhavam suas testas e já eram evaporadas.

“Eu entendo.” Luna disse dando um passo para trás, um sorriso debochado apareceu em seus lábios. “Você se tornou seu pesadelo, não é mesmo, Celestia?”

“Solar.” Ela respondeu enquanto uma pequena orbe de luz se formava na ponta de seu chifre. “Me chame de Solar Flare!” E com um brado a esfera de energia foi disparada, acertando Luna em seu peito antes mesmo que pudesse dar alguma resposta, destruindo um pedaço de sua armadura, e empurrando seu copo pra trás alguns metros com o impacto.

“Isso não vai te salvar!” Recuperando-se do impacto e empinando em suas patas traseiras, Luna preparava-se para lançar mais uma magia enquanto sua adversária continuava parada, apenas as chamas conectadas ao seu corpo ondulavam no ar. Com toda sua força, ela trouxe suas patas dianteiras de volta ao chão, e dele brotaram várias correntes feitas de energia negra que investiram como serpentes contra sua inimiga, imobilizando suas asas, pernas e pescoço.

O alicórnio branco não pareceu se importar, as correntes que haviam entrado em contato com seu corpo logo perderam o brilho, e derreteram formando uma poça negra embaixo de suas patas.

Com uma gargalhada, Solar Flare avançou até Luna, mirando o seu chifre contra a égua negra que teve tempo o suficiente para bater suas asas e escapar para o lado, porém a manobra foi custosa já que sua inimiga recuperou-se rapidamente da investida e disparou uma esfera de luz, rápida demais para ser desviada no ar.

O globo acertou novamente contra o seu peito, que agora estava desprotegido, ela urrou com a dor que sentira, caindo e rolando de mau jeito contra o chão, sentiu um de seus ossos sair do lugar durante a queda, e sua perna esquerda dianteira passou a doer, muito, enquanto o chão era pintado com seu sangue, que secava rapidamente graças ao calor infernal.

Solar Flare foi rápida e investiu contra Luna novamente, dessa vez pressionando o pescoço da inimiga contra o chão usando seu casco. O alicórnio negro se debateu, tentando usar o a outra pata para se soltar, porém em vão.

“Você perdeu de novo, Nightmare, agora, vamos ouvir esse seu pescoço estralar um pouco.” Com um sorriso sádico em sua face, Solar pressionou mais, e não iria parar até que trespassasse a carne dela com seu casco.

“Você... perdeu...” Luna disse com dificuldade, os cantos de seus lábios esboçaram um sorriso.

Ignorando-a, Solar Flare a pressionou com toda sua força, e sem muitas dificuldades sentiu seu casco vencer a resistência da pele, perfurando-a, destruindo a garganta daquela que uma vez fora a sua irmã, filetes de sangue escorriam de suas narinas, boca e olhos. Ela fechou seus próprios olhos e suspirou, isso havia ido longe, mas agora estava acabado.

“Você ainda pode me ouvir, não é Celestia?” Os olhos de Solar Flare se arregalaram, embaixo dela ainda estava o criatura de pelo ébano, seu pescoço atravessado por um casco, mas ainda sorria e falava. “Você ainda não percebe?”

“Que tipo de demônio é você...” Cerrando seus dentes, ela tentou puxar seu casco de volta, porém ele se recusava a deixar o corpo em que estava cravado.

“Você perdeu seus amigos.”

Celestia, ou Solar Flare, a essa altura era difícil dizer, lembrou-se de Spike virando suas costas e seguindo Nightmare, sua cabeça latejou.

“Você perdeu sua sanidade.”

Sua cabeça latejava cada vez mais, seu coração pulsava rápido, sentia o calor de seu corpo desaparecer, o mundo ao seu redor parecia girar, estava mesmo ficando insana? Questionava-se se as sombras que as perseguira eram fruto de sua imaginação, ou obra de sua irmã.

“Você perdeu sua fiel aprendiz.”

Lágrimas escorriam de seus olhos ao lembrar da esfera se partindo, e estas agora não evaporavam com o calor, pois o calor não estava mais lá, por mais que as chamas azuis em sua cauda e crina ainda estivessem.

“Você perdeu seu reino.”

Isso era mentira, pensara, mas a criatura embaixo dela, que antes parecia estar a um passo da morte, agora destruía sua mente e lhe trazia uma dor que nunca havia sentido antes, sentia-se como se algo estivesse devorando seu corpo de dentro, lentamente para que sofresse o máximo possível.

“Você perdeu a sua irmã, você se transformou naquilo que tanto odeia, isso ao seu redor, Celestia, é seu pesadelo.”

Celestia gritou, toda a dor, toda a angústia, toda a raiva que tinha em seu coração, todos esses sentimentos se tornaram um único berro desesperado que partiria a alma de qualquer criatura que a ouvisse. Embaixo dela, Luna soltou um último sussurro. “Acorde.”

O alicórnio níveo acordou com um longo guincho estridente e farfalhar de asas, Philomena estava em seu pedestal, batendo suas asas enquanto Luna estava sentada em sua cama, acariciando a crina da monarca que abriu os olhos, sua testa coberta com suor.

“Que bom que acordou Celestia, Philomena foi até meu quarto me chamar, estava assustada por que você não acordava.”

Lágrimas escorriam pelas bochechas de Celestia, que se levantou como podia para sentar e abraçar sua irmã, ela soluçava desesperada, apertando e afagando sua queria irmã, sentia seu pelo macio contra seus cascos, cheirava o delicioso perfume de sua crina, como era bom ter sua irmã de volta.

“Luna, minha Luna querida.” Ela disse bem baixinho. “Eu tive, um sonho terrível.”

O alicórnio azul sorriu levemente, seu chifre emanava um fraco brilho azul enquanto abraçava sua irmã de volta, acariciando seu pescoço e costas. “Celestia, não seja boba, você não sonha, se lembra?” O alicórnio branco travou por um momento, tentando se soltar do abraço da irmã, porém agora ela a agarrava firmemente, sussurrando em seu ouvido. “Isso foi um pesadelo, Celestia, um pesadelo bem real, você viu do que você é capaz? Trair sua irmã, enviar sua amada aprendiz para uma guerra, mergulhar seu reino em caos, e ainda corremos o risco de que você se torne Solar Flare.”

A voz de Luna era suave e calma, o que deixava Celestia ainda mais apreensiva e assustada, se perguntava o que havia acontecido, se perguntou se teria dormido sem ativar o feitiço de descanso que preveniria ela mesma de sonhar, sim, ela tinha certeza de que isso havia ocorrido, mas se perguntou como, se questionava agora o que era sonho e o que era real.

“Me desculpe, Celestia, mas nós não podemos deixar que Solar Flare arruíne tudo o que amamos.” Ela disse friamente, Celestia se contorceu em seus braços até que pode se desvencilhar de Luna, suas orelhas ficaram rentes ao topo de sua cabeça e suas pernas fraquejaram quando viu que sua irmã estava de posse dos Elementos da Harmonia. “Você começou essa guerra mil anos atrás, irmãzinha, espero que em mil anos ela tenha terminado.” Ela disse, ainda sentada em cima dos cobertores.

Os elementos reluziram e um feixe de raios de diferentes cores envolveu Celestia que tentou gritar, porém a voz lhe escapou quanto sentiu o poder que as pedras emanavam lhe prender, e apagou. Quando acordou, tudo ao seu redor brilhava e queimava, e a sua única amiga seria a solidão, por mil anos.

Epílogo

A Princesa da Noite levantou-se da cama e andou até o meio do quarto, olhou de canto de olho para Philomena que continuava a encarar seu reflexo no espelho encantado que havia colocado outro dia no quarto de Celestia, a última coisa que precisava nesse momento seria um pássaro imortal querendo vingar sua dona.

Luna deixou as esferas que segurava no ar com magia escaparem, algumas caíram em cima da cama enquanto outras rolaram pelo chão. Então parada no meio do quarto, usou um pouco de magia para fazer vários pequenos cortes em volta de seu corpo, os outros não entenderiam se saísse do quarto e falasse que Celestia estava prestes a se tornar uma ameaça para o mundo, e que deveria ser banida assim como ela mesma havia sido antes. Mas se estivesse coberta de sangue e ferimentos a história seria bem diferente. Odiava fazer esse tipo de sujeira, mas agora era necessário.

Então caminhou até a porta e a abriu, do outro lado, Whiter estava esperando, surpreso ao ver Luna coberta de sangue ele deu um passo para frente, nervoso, sem ideia de como reagir, queria ajudar, mas não tinha a mínima ideia como.

“Vossa Alteza, o que aconteceu?” Ele finalmente perguntou, apenas para ver Luna responder colocando seu casco contra seus próprios lábios, pedindo silêncio.

“Eu irei te contar tudo o que aconteceu, precisaremos registrar isso de qualquer modo.” Ela pausou, e algumas lágrimas escorreram pelo seu rosto. “Celestia, eu não queria, mas eu tive que fazer isso, Whiter, ela estava ficando insana.”

“Princesa, o que faremos agora?”

“Venha.” Disse Luna levantando uma de suas pernas dianteiras. “Me ajude chegar até meu quarto, eu preciso tomar um banho e descansar.”

“Mas e esses ferimentos?”

“Whiter, eu consigo tomar conta deles, vamos antes que eu pinte todo o castelo de vermelho, por favor.”

E ela sorriu, aquele mesmo sorriso que havia conquistado seu coração, adornado pelo belo par de presas que ele adorava.

“E onde está Twilight Sparkle?” Luna perguntou, e recebeu a resposta de imediato.

“Ela está na biblioteca real, nós havíamos até conversado lá antes. Acho que estava estudando um dos seus livros.”

“Bem, sabe que dia é hoje, Whiter?”

“Solstício de inverno?” Perguntou enquanto eles se aproximavam do quarto da monarca.

“Isso mesmo, a noite mais longa de todo o sempre.” Ela sorria com várias manchas de sangue pelo seu corpo, enquanto sua cauda, um pedacinho da noite, tremulava pelo corredor.

Whiter Penmanship estava curioso, se perguntava o que havia acontecido, mas sabia que sua curiosidade seria satisfeita mais cedo ou mais tarde, pois como escriba real, era seu trabalho relatar tudo o que ocorria dentro do castelo. Vira o quarto desarrumado, as esferas esparramadas pelo chão, o sangue, tinha suas suposições, mas escreveria o que sua monarca lhe ordenasse.

Afinal, a história é escrita pelos vencedores.

Notas finais
Se vocês possuem alguma dúvida sobre a fic, fiquem à vontade para questionar. Dúvidas sobre o que acontecerá na última noite da fic? Vamos juntar todos os títulos dos capítulos e descobrir. The Amethyst Pony Night, Day and Dusk Shall We Dance? Last Minutes Before Midnight Forever Sunshine. The Night Shall Last Forever
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!