Sunshine

3 Impulsos


Notas iniciais
Mais um capítulo fresquinho, aproveitem! ;)

Luísa nunca admitiria, mas ela tinha um medo muito profundo; perder sua sobrinha. Ela temia mais isso do que a falência. E foi por esse motivo que ela decidiu por não deixar ela estudar na Ruth Goulart.

Havia apenas uma pessoa que poderia fazer esse medo se tornar realidade. E ela fez de tudo para fazer com que ele nem sonhasse que Poliana estava com ela. Foi por isso que ouvir de Poliana que tinha visitado a padaria do bairro com Luigi durante a tarde a tinha deixado ela nervosa, ainda bem que a garota tinha o hábito de contar tudo a ela.

Ela não sabia o que tinha acontecido lá, não quis perguntar a Poliana e arriscar levantar suspeitas. Então ela decidiu ir lá pessoalmente, verificar se seu irmão não desconfiava de nada.

Era hora do lanche da manhã, momento perfeito para aparecer sem uma desculpa.

O cheiro de pão fresco e lanche alcançou seu nariz quando ela entrou na padaria, ela nunca admitiria isso para o irmão, mas ele era muito bom no que fazia. Estava começando a encher ela se sentou em uma mesa desocupada dentro da padaria.

Ela não via Durval em lugar algum, isso era preocupante ela queria falar com ele, saber se ele suspeitava de algo. Não queria ter que voltar aqui uma segunda vez.

— Desculpe a demora! Aqui está o cardápio.

Uma voz infantil disse atrás dela, logo seguida do som de algo caindo no chão. Ela se virou para ver uma menina loira abaixada enquanto pegava os cardápios que tinha deixado cair.

— Desculpa, um mome...

Lorena parou a frase no meio quando viu que era ela. Sua expressão passou de um sorriso para uma face surpresa.

— Tia Luísa?

Luísa pegou o cardápio da mão dela.

— Oi, Lorena.

— Oi – a menina parecia nervosa – você vai querer pedir agora?

Ela realmente não esperava pedir nada, só queria conversar com Durval, saber se ele suspeitava de algo. Era uma ideia estupida agora que ela parou para pensar, ela nunca visitava ele, chegar desse jeito fazendo perguntas iria deixar ele desconfiado.

Luísa pediu a primeira coisa que viu no cardápio e um suco. Lorena saiu para avisar sobre o pedido dela, parecia mais animada.

Ela olhou ao redor, Raquel estava de uniforme enquanto atendia uma mesa. Ela tinha crescido bastante, Lorena também, mas Raquel não era mais uma criança. Luísa sentiu uma dor no coração ao ver as duas.

Ela imaginava como ser responsável por uma adolescente poderia trazer dor de cabeça, ela queria que Poliana pudesse ser uma criança para sempre.

Durval não estava por perto.

O pedido dela chegou.

Ela comeu devagar, esperava que Durval aparecesse logo. Ele não o fez.

Ela esperou mais um pouco, olhando as Lorena e Raquel de vez em quando. Lorena estava levando os cardápios pelas mesas, toda animada. Raquel não compartilhava da mesma empolgação.

Depois de um tempo um dos funcionários perguntou se ela queria algo mais, ela disse que não. Já tinha perdido as esperanças de encontrar Durval.

Ela estava seguindo em direção a saída quando alguém a chamou.

— Tia Luísa – ela não precisava se virar para saber de quem era a voz – já vai? Fica mais um pouquinho. Come mais um lanche, você não precisa pagar nada.

Lorena dizia enquanto recolhia alguns cardápios.

— Eu não posso – Luísa respondeu – tenho muita coisa para fazer em casa e já demorei muito aqui.

— Entendi... — ela parecia um pouco triste – volte sempre que quiser, ok?

Ela seguiu sem responder. Sentiu a dor no peito ficar mais forte a cada passo que dava.

Foi quando ela fez, muito por impulso. Ela se virou e entrou novamente na padaria, Lorena entregava um cardápio em uma mesa enquanto Raquel atendia um cliente ao lado.

Luísa se aproximou, Lorena só notou sua presença quando ela estava bem perto.

Ela se abaixou na altura dela, pegando seu rosto entre suas mãos e depositando um beijo na bochecha dela.

— Aparece lá para jantar qualquer dia, tá?

Lorena só fez que sim com a cabeça.

Luísa foi embora, deixando as duas irmãs confusas.

—//-

Yasmin estava lá, mais um dia, olhando ele de longe. Era incomodo.

A noite do jantar tinha sido pior do que ela esperava. Luigi e aquela menina esquisita passaram o tempo todo conversando. Eles se deram muito bem.

Não que ela tivesse inveja, daqueles dois esquisitos? Nunca.

No dia seguinte eles estavam juntos de novo. Yasmin os viu várias vezes, na saída da escola, aquela garota tinha ido encontrar ele com um cachorro enorme, Eles passaram um tempão no parque passeando com o cachorro, ela viu quando estava passando de carro com Filipa, e também tinha visto os dois comerem juntos na padaria. Aquilo fazia uma sensação de queimação subir dos pés à cabeça.

Aquela menina era tão esquisita, a mãe dela tinha dito que os pais dela eram artistas. Ela se vestia igual uma hippie, ela falou várias e várias vezes sobre como costumava viajar pelo Brasil, metida. O quarto dela parecia mais um circo, era cheio de cores berrantes. Bizarra.

Luigi era um idiota por aceitar ser amigo dela, ele estava bem melhor sozinho, como antes. Ele sempre foi muito fechado com todos, mas só foi ela aparecer que ele se tornou um bobão alegre.

Ele tinha até deixado ela bagunçar o cabelo dele. Era muito intrometida. Se não fosse aquele cachorro gigante ela teria ido lá e dito algumas coisas aqueles dois.

Se Luigi fosse esperto seguiria seu conselho e não falaria mais com ela.

Filipa ainda não tinha chegado, isso era raro.

Os alunos começavam a entrar, talvez Filipa faltasse hoje.

Ela avistou o carro da mãe de Luigi parar na frente da escola, o irmão dele saltou, se despediu dos pais e disparou em direção a escola. Luigi seguiu o mesmo caminho, mais devagar.

Yasmin parou na frente dele.

— E então? – ela perguntou.

— E então o que? – ele respondeu confuso.

Yasmin revirou os olhos.

— Você vai continuar andando com aquela bizarra?

Luigi bufou e passou direto por ela, a essa hora não tinha mais nenhum aluno no pátio.

— Hey! – ela falou, mais alto do que o normal – Não me deixa falando aqui sozinha!

Luigi se virou para falar:

— Você é louca, garota. Me deixa em paz, eu sou amigo de quem eu quiser.

Yasmin se aproximou e colocou um dedo quase no rosto dele.

— Isso é um aviso – a voz dela saiu nervosa – aquela menina, é esquisita, fica longe dela.

Luigi ficou acuado. A raiva tinha feito ele esquecer que aquela era a segunda menina mais popular da escola. Ele estava a desafiando em seu domínio.

Yasmin achou que o recado estava dado. Agora era só ir embora.

Mas algo aconteceu, nem ela nem Luigi sabiam o que a levou a fazer isso.

Ela levou suas mãos ao cabelo dele, igual tinha visto Poliana fazer, ao invés de bagunça-lo ela passou a mão, entrelaçando os fios de cabelo entre seus dedos.

Ela saiu dali o mais rápido que pode.