Sunset
3 Capítulo 2
Notas iniciais
O elevador nos deixou exatamente dentro primeiro andar do triplex, como meu irmão me contou enquanto subíamos – e fez com que eu me sentisse a Blair Waldorf, em Gossip Girl, na versão loira e bem menos má, é claro. Mamãe e papai já me esperavam, bem no hall de entrada.
– Ai meu Deus, como eu senti sua falta! – eu corri para abraçar papai, que veio até mim com lágrimas nos olhos. – Mamãe, senti sua falta também! – eu a abracei – Que apartamento mais lindo vocês compraram... – eu elogiei, enquanto me esparramava no sofá da sala de estar – É grande... – observei a decoração romântica, com tons claros, tão a cara da minha mãe.
– Com certeza bem maior do que aquele cubículo que você vive em NY. Não sei como consegue sobreviver em um espaço tão pequeno – eu revirei os olhos, tentando evitar aquilo que, com certeza, viraria a discussão com o tema: “moro sozinha e não preciso de uma mansão”.
A enorme varanda com mesinhas simpáticas e enormes cadeiras de descanso era banhada pelo sol de final de tarde e o cheiro da maresia veio junto com uma leve brisa em meu rosto. Fui até o fim da varanda e encostei-me à grade. Respirei fundo, tentando absorver o máximo possível aquele sentimento perfeito que era estar em casa.
– Sabíamos que você ia gostar – mamãe pousou as mãos em meus ombros.
– Senti falta disso tudo – eu me virei para abraçar ela de novo.
– Nós também sentimos sua falta aqui! – papai sorriu, carinhoso e pegou em minha mão – Vem conhecer teu quarto! – ele me arrastou pela sala – É aqui no primeiro andar, depois te levo pra conhecer o resto.
O quarto ficava na última porta do longo corredor. Nos tons de preto e branco, tinha uma decoração linda e delicada, que era perfeita pra mim. O quarto era grande, os móveis planejados em tom de branco dava um ar clean. A escrivaninha já abrigava um notebook e o criado-mudo, um telefone.
Uma porta, do lado direito, dava acesso ao closet e ao banheiro, exclusivos para mim. Meu sonho, pensei, lembrando que no meu apartamento não havia closet, e que não cabia mais roupas no meu guarda-roupa. Teria que confessar para mim mesma que, por mais que eu amasse meu flat em NY, eu sentia falta de todo o luxo que tinha no Brasil.
– Tive que contratar uma decoradora – papai sorriu e apontou para onde havia uma foto minha, em preto e branco, estampada na parede toda – Foi o Sam quem escolheu essa foto, achei que ficou legal.
– Eu amo muito vocês, sério! – meus olhos marejaram.
Sim, eu parecia extremamente ridícula dizendo coisas como: ‘nossa!’, ‘uau!’, ‘que lindo’, ‘que gracinha’... Estava acostumada com a simplicidade do meu ‘cubículo’, como mamãe gostava de chamar. Sala de estar, sala de TV, piscina, ofurô, churrasqueira, salão de jogos... Era enorme! Impossível descrever a dimensão, e eu tentava não imaginar o preço.
– Tem uma festa pra gente ir hoje, aí se você quiser pode ir também!
– Ué Sam, pode ser... Vou tomar banho agora e deitar um pouco.
– Não vai querer comer?
– Não. Tô muito cansada agora.
– Ok, qualquer coisa é só me gritar – ele disse, entrando em seu quarto, que ficava bem ao lado do meu.
Voltei para o meu quarto, joguei minhas malas pra dentro do closet e entrei no banheiro, ignorando a banheira. Queria um banho rápido e bem quente, para poder dormir um pouco mais. Assim que sai do banho, coloquei meu pijama e me joguei na cama, com Fofa se aninhando perto do meu cabelo ainda molhado. Não consegui pensar em nada, como era costume antes de dormir.
Meu cochilo foi interrompido pelo carinho em meus cabelos, e sem precisar abrir os olhos já sabia quem estava me acordando. Desde que éramos crianças, Sam me acordava assim, fazendo carinho bem de leve, para me acordar devagar.
– Vamos sair daqui uma hora, vê se não se atrasa – ele disse, sorrindo, assim que abri os olhos – Sua dorminhoca! – ele beijou meu rosto e saiu.
Acessei meu email e havia uma mensagem de Mike na minha caixa de entrada, com o link de uma reportagem no Gossip.com para eu acessar. Eu nunca fui muito ligada na imprensa. Mike me mostrava todas as reportagens mais relevantes a meu respeito, então não me preocupava muito com isso, essa era sobre minha volta para o Brasil. Coloquei a chapinha pra esquentar enquanto a página abria.
Uma foto minha na sacada do apartamento, logo quando cheguei, estampava a reportagem.
‘Promessa das passarelas passa temporada no apartamento do irmão, no Rio de Janeiro’
A modelo Mellissa Revazzio está no Brasil, hospedada no apartamento da família – um triplex à beira mar avaliado em cerca de R$ 30.000.000,00 (isso mesmo, trinta milhões de reais) – para uns dias de férias. A acessoria de imprensa da modelo não confirmou quantos dias ela passará na cidade, mas ela já tem presença confirmada em alguns eventos no próximo final de semana.
Presença confirmada? Eventos? Que porcaria era essa? Mike, com certeza ia me pagar. Eu não queria ser presença V.I.P. em nenhum evento, afinal, eu estava de férias, não estava? Ligo para ele amanhã, pensei irritada com tudo aquilo.
Fui para o closet e sentei perto das minhas malas. Peguei o vestido que Steven – ex-namorado patético o qual eu pegara nojinho – me dera, pouco antes de largar de mim pela atriz mexicana ridícula, enfim... Aquele sapato e acessórios lindos que comprei em uma das minhas viagens ao Egito. Não muito chique, mas bonito e era exatamente disso que eu precisava. Passei chapinha para ajeitar meus fios, já lisos naturalmente e uma maquiagem leve. Perfeito, eu sussurrei ao me olhar no espelho.
– Te vejo mais tarde bebê! – eu disse, mandando um beijinho para Snow que resmungava, ainda deitada na cama.
Reunidos na sala estavam 5 amigos do meu irmão – que muito provavelmente deveriam ser atletas lindos, gostosos e perfeitos. Estavam tão vidrados na escalação de algum time qualquer que consegui passar pela sala de TV despercebida. Fui até a cozinha pegar um copo de água, mas um pedaço de bolo me chamou mais atenção.
– Mell? – uma voz masculina me chamou e pulei, assustada.
– Inferno! – eu gritei, derrubando a faca no chão e me arrependendo pelo grito logo depois. Quando vi quem era, quase cai de costas.
Ai, que saudade que eu sentia todos os dias daqueles olhos verdes e daquele cabelo quase branco de tão loiro e daquele corpo perfeito. Quanto tempo sem encontrar com ele, e meu coração ainda batia feito louco só de olhar nos olhos dele.
– Desculpa se te assustei, não era a intenção. Só vim trazer a lata de cerveja – ele riu e abriu os braços, esperando um abraço.
– Phi! – eu gritei, me aproximando – Que saudades de você! – eu o abracei.
– Que saudades que eu tava de você. Você ta muito diferente. Cresceu, ta gata demais! – ele não me largava.
– Ai, droga. Você também vai começar com essa história? Tá parecendo meu irmão! – eu disse, com certeza vermelha de vergonha.
– Você sabe que sou seu irmão de coração né? – porque ele fazia tanta questão de ser meu irmão, eu realmente não sei.
– To falando a verdade! Olha, você ta quase do meu tamanho.
– Tô de salto Phi – mostrei para ele meus pés, me soltando do seu abraço de urso.
– Você vai sair com a gente? – ele perguntou, ficando sério.
– Vou, meu irmão disse que podia.
– Mas você não acha que essa saia ta muito curta não? Você sabe que seu irmão vai falar a mesma coisa que eu né... – ele foi interrompido.
– Tive que vir ver como estava a fabricação da cerveja que você veio buscar. Que porra de demora é essa? – meu irmão parou de rir assim que me viu – Vai já tirar esse vestido Mellissa. Ta muito justo e muito curto – olhei para o Phi que me olhava com uma cara extremamente irritante de eu te avisei.
– Me erra Samuel. Não enche – eu dei um soco em seu braço enquanto íamos para a sala.
– Pessoal, essa é Mellissa Revazzio. Minha irmã! – Sam feio para os rapazes, tentando evitar qualquer tipo de olhar indiscreto para mim, e os meninos responderam apenas com “Oi” e “Olá” e “E aí”, mas rindo da cara de mau que meu irmão tentava fazer – Agora desliguem isso aí e vamos.
Um negro extremamente forte e muito, muito estiloso levantou do sofá e desligou a televisão. Todos os outros se levantaram xingaram, algo como “seu viado”, “estraga prazer” e “bem na hora da escalação do Barcelona, sua bixa” e seguiram para a saída resmungando. Eu tranquei a porta do apartamento e coloquei a chave na minha bolsa, pois com certeza seria a primeira a voltar para casa.
Notas finais
Deixem reviews para eu poder postar o próximo! (:
Lembrando que críticas, elogios e sugestões são sempre bem vindos...
Beijos =*
ps. tem link pra roupa da Mell heim! *.*
ps.. o link não muda a palavra de cor --' Mas, lá no texto, é só procurar essa frase aqui: 'Perfeito, eu sussurrei ao me olhar no espelho.' e clicar na palavra 'perfeito'
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