Sunny Dreyar
1 Um Raio... de Sol
Notas iniciais
E lá estavam elas, mãe e filha, na entrada do cemitério da guilda, como todos os anos naquele mesmo dia. Diferente do clima que se espera para ir a um lugar assim, a manhã de verão estava bem fresca e agradável.
Mirajane não tinha mudado muito na estatura, mas os traços de seu rosto haviam amadurecido naqueles últimos quinze anos; seus cabelos também continuavam os mesmos. À sua frente estava uma garotinha de seis anos, muitíssimo parecida com ela, exceto pelo formato dos olhos. Tinha os mesmos cabelos brancos, amarrando a franja numa chuquinha como ela, porém curtos; a pele era extremamente branca; e os olhos lindamente azuis. Em suas pequenas mãos, ela carregava um simples buquê de magnólias brancas.
As duas pararam em frente a um túmulo e Mirajane, com pesar no coração, leu as escritas na lápide.
Aqui jaz Makarov Dreyar,
Amado amigo, mestre e avô;
Jamais o esqueceremos.
A Strauss mordeu o lábio inferior, tentando ser forte. Não importava quantas vezes fosse até ali, nunca se acostumaria com a morte do mestre, seu pai de consideração e (pode-se chamar assim) sogro.
– Nee, okaa-san. – Ouviu a pequena menina lhe chamar, agachada, enquanto ajeitava as flores em um recipiente perto do túmulo, feito especialmente para isso. – Você acha que o vovô vai ficar feliz pelas flores?
– É claro que vai. – Mirajane sorriu, docemente como sempre. Não conseguia ficar triste com seu raio de alegria por perto. – Afinal seu avô gostava muito dessa cidade e o nome dela é justamente em homenagem a essas flores.
– Hm... – A garotinha murmurou. Encarou o túmulo por mais uns poucos segundos antes de virar-se para a mãe. – E de mim? Você acha que ele teria gostado de mim se tivesse me conhecido?
Mirajane não respondeu de imediato, parecia perdida em lembranças. E realmente estava, numa que secaria completamente as duvidas da filha sobre aquela questão:
Flashback on (seis anos atrás):
– Aí, seu bando de malucos. Escutem!! – O grito de Laxus chamou a atenção da guilda inteira. Todas as cabeças viraram-se para ele e Mira, que estavam no segundo andar com a intenção de serem bem vistos e ouvidos. – Podem deixar de moleza e prepararem esse lugar para a maior festa já feita! Precisamos comemorar a chegada do mais novo membro e futuro mestre da Fairy Tail!
– Fala sério, Laxus! – Um grito brincalhão de Natsu interrompeu o discurso do loiro. – Futuro mestre tudo bem, mas eu já estou na guilda há um tempão!
Ninguém pôde deixar de rir, até mesmo Laxus (com seu temperamento um pouco mais amansado) deu um sorriso de canto. Natsu sempre seria o Natsu, mesmo estando com vinte e sete anos, casado e com dois filhos; nem o tempo o mudaria.
– Eu não estava falando de você, sua anta cor-de-rosa! – O mago dos raios provocou, gerando mais uma sessão de risos antes de todos se calarem novamente. – O futuro mestre será sangue do meu sangue, e esse somente a minha Mira irá trazer para o mundo, daqui a sete meses!
Não foi preciso falar mais nada, e nem daria com o estardalhaço que todos começaram a fazer. Quase todas as mulheres subiram ao segundo andar para cumprimentar Mirajane e enchê-la de perguntas, enquanto Laxus apenas ouvia o deboche dos homens.
– Até que enfim! – Gray comentava, com uma garota de nove anos ao seu lado; uma mistura perfeita dele e Juvia. – Você tá bem atrasado, heim, Laxus?
– Vai precisar compensar beeem o tempo perdido! Enquanto você ainda está no primeiro, alguns de nós já estamos indo para o terceiro! – Natsu era de longe o que mais falava (A: novidade), enquanto uma garotinha de três anos e cabelos róseos se agitava em seus braços. A sua esquerda, havia um garoto loiro de seis anos e a sua direita estava Lucy com uma barriga de oito meses.
– Finalmente vou poder dizer que minha irmã casou com um HOMEM! – Bradou Erfman, sem se importar com as três misturas dele com Evergreen escalando-o por diversão.
“E por que antes não podia?” – Questionou-se Laxus, sem se dar ao trabalho de proferir em voz alta. Ali todos eram doidos mesmo.
– LAXUS!! – E por falar em doidos...
– Ahh! Parabéns, parabéns, parabéns! – Era tudo o que Evergreen conseguia repetir, tamanha era sua empolgação.
– Hehe, eu nunca pensei que viveria para te ver sendo pai. – Bickslow fazia graça.
– Eu juro que serei o melhor padrinho para seu filho. Cuidarei dele como se fosse minha própria cria! – Freed só faltava se ajoelhar, como se fizesse uma promessa sagrada a um rei.
– Er... Valeu, gente. – Foi tudo que o loiro respondeu.
A baderna na guilda só aumentava e o povo já estava começando a encher os canecos para brindar, quando um grito se sobrepôs a todos os outros:
– MIRAJANE, LAXUS!!! – Não teve um que não voltou os olhos para Makarov, de pé em uma mesa e com o cenho franzido. Acho que todos ficaram meio apreensivos com a expressão séria do antigo mestre. – Isso... é verdade mesmo?
– Acha que eu brincaria com uma coisa dessas, velho? – Laxus fez questão de rebater.
E de repente, Makarov começou a rir. Rir não, gargalhar! Ele até se dobrava com as mãos na barriga, deixando a todos sem entender nada.
– E eu pensando que morreria antes de saber que teria um bisneto! – Agarrou um dos canecos já cheios e o ergueu. – Vamos brindar a essa notícia! E que a criança que virá puxe totalmente a Mirajane!
E antes que qualquer um notasse a festa já voltava a acontecer. Enquanto os adultos se enxiam de álcool, as crianças se entupiam de chocolate. Mira deixou ambas as coisas de lado; se não bebia antes agora é que não iria mesmo, e já bastava os quilos que ia ganhar com a gravidez, não precisava acrescentar mais as calorias do chocolate.
– Mirajane. – Uma voz embriagada a chamou, e ela se deparou com o velho mestre, o rosto vermelho por conta da bebida. – Ora, não me olhe assim, eu não estou tão bêbado quanto pareço. – Ele reclamou. – Eu só queria te agradecer por ter entrado na vida do Laxus. Desde que começou a sair com você ele virou uma pessoa muito melhor e digna de se tornar o mestre que é hoje. – Olhou rapidamente para o neto que brindava juntamente a Cana e Bickslow, coisa que nunca faria antigamente. – E agora tudo se completou com a chegada dessa criança. – Sorriu. – Sei que nem preciso pedir isso, pois você é a mãe e com certeza o fará, mas... cuide bem dessa criança. Ela pode ser parte de um grande futuro.
– Claro, farei o meu melhor e até mais. – Mira garantiu.
– Que bom. – Concordou o velho. Relaxou os músculos e olhou para cima, vendo o céu pela claraboia no teto. – O sol é uma coisa incrível, não é? – Perguntou de repente, pegando a albina de surpresa. – Sentir os raios do sol ou apenas vê-lo brilhar... pode fazer uma pessoa recuperar sua força ou entusiasmo, fazer alguém sorrir e esquecer a dor. Espero que o sol esteja brilhando no dia em que meu bisneto nascer.
Flashback off:
E brilhou. No dia em que a pequena Dreyar nasceu, o sol raiou como nunca. Mas infelizmente, Makarov não pôde confirmar isso com os próprios olhos. Isso porque, um mês após essa lembrança tão boa, ele veio a falecer.
“Mas está tudo bem!” – Mirajane pensou. Realmente, estava tudo bem, e isso porque ela, Laxus e todos os outros tinham aquele pequeno raio de sol com eles. Pois como o próprio Makarov disse, apenas ver o sol brilhar pode fazer alguém sorrir e esquecer a dor.
– Okaa-san. – A menininha chamou-a de novo, parecendo ficar preocupada com sua demora em responder. Para tranquilizar a filha, Mira deu mais um de seus sorrisos doces e respondeu:
– Ele iria te amar, Sunny.
A pequena albina devolveu o sorriso. Se levantou, bateu a terra do vestido e seguiu a mãe até a saída do cemitério. Depois dali, continuaram caminhando em direção à guilda.
– Espero que o otou-san chegue ainda hoje, assim ele pode visitar o vovô Makarov também. – Sunny comentou em um momento qualquer, enquanto elas passavam pela área comercial de Magnólia.
– Com certeza ele irá chegar. Seu pai é o homem mais rápido do mundo.
– É, mas um dia eu supero ele! – Ela fez uma pose de “sou a maior” tão incrível e seu sorriso foi tão debochado que até mesmo Layla, filha de Natsu, iria querer enfiar a cara no chão depois de ver. E aí estava a prova máxima do parentesco de Sunny com Laxus: a personalidade.
– Certo, certo. – Mirajane apenas concordou logo para acalmar os ânimos da filha.
Porém, um arrepio repentino lhe tomou a espinha; e se não fosse por já saber o que aquilo significava, ela teria parado imediatamente. Sem que fizesse alarde para Sunny, pegou na mão da menina e a puxou um pouco mais para si.
De rabo de olho, temerosa e ao mesmo tempo arisca, ela viu mais uma daquelas coisas. Era um pequeno lacrima, quase minúsculo e totalmente preto, podendo se passar por um grão de sujeira. Mas Mirajane sabia que não era isso, era muito pior, e algo que um pano úmido não podia resolver.
Seu coração só parou de parecer uma escola de samba ensaiando quando avistou Freed, que rapidamente aprisionou a lacrima em uma de suas runas. Por enquanto, tudo voltou a ficar bem.
– Seu padrinho Freed também é uma grande pessoa, não acha? – Ela puxou esse assunto de repente. De algum modo, direto ou indireto, tinha de agradecer ao esverdeado.
– Sim! O tio Freed é muito legal, e é sempre bonzinho comigo.
Mirajane apenas sorriu do jeito inocente de sua filha. Se ela soubesse quantas vezes Freed e todos os outros do Raijinshuu já lhe tinham salvado a vida... Mas não seria agora que iria descobrir também.
*-*-*-*-*-*-*-*-*
– Alô, Laxus? Encontramos outro. – Freed declarou assim que o loiro atendeu o celular.
– Esse é o décimo quinto só nessa semana. – Laxus suspirou no outro lado da linha. – Eu já estou na entrada da cidade, me espere aí um segundo.
E literalmente, um segundo de passou e o Dragon Slayer estava ao lado de Freed, no beco para onde tinha levado a lacrima.
– Alguém viu? – Fez a pergunta de sempre.
– Como sempre, apenas a Mirajane. – Freed respondeu. – Evergreen e Bickslow não acharam nenhum outro pela cidade, mas mesmo assim... – Fez uma pausa, engolindo em seco, sem saber como continuar. Gostava muito de Sunny, se importava com ela, e aquela situação estava começando a ficar tensa. Quanto tempo mais eles aguentariam sem que mais ninguém desconfiasse de nada? – Eles estão investindo com mais força ultimamente.
– Eu não ligo. – Laxus declarou com seu tom apático e grave de sempre. – Eles podem vir com um exército se quiserem, porque para botarem as mãos na minha filha, só passando por cima do meu cadáver. – Ele se virou para o lacrima e se aproximou, até ficar cara a cara com o “grão de sujeira”. Sabia que ele estaria vendo, por isso acrescentou: — Ouviu bem, velhote maldito? Essas são as palavras de um pai que realmente se importa com seu filho. Então temos duas opções: Ou você deixa a minha família em paz ou eu pessoalmente vou acabar com você e com toda essa sua maldita guilda anti-fadas!
E sem esperar mais um momento, esmagou o frágil lacrima em sua mão.
Ivan, o líder da Raiven Tail, que apenas assistia a tudo que seu pequeno espião registrava, deu uma sonora gargalhada. Durante seis anos, aquele jogo de espionagem tinha sido divertido; ser “acidentalmente” descoberto foi divertido; mandar aqueles magos fajutos e dispensáveis para tentar sequestrar Sunny foi divertido. Mas seu tolo filho estava muito enganado se achava que ele iria entrar numa batalha, sendo que tudo o que precisava fazer para ganhar era convencer uma das peças a mudar de lado.
– Você sempre foi um bruto, Laxus. – Falou consigo mesmo, ainda rindo um pouco. – Por que perder tempo lutando se algum dia sua preciosa filha virá de bom grado até mim? Ela quer apenas te superar, Laxus, e que jeito melhor para fazer isso do que se tornando a próxima mestra da Raven Tail?
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