Sunlight
15 O Príncipe Que Foi Prometido

Era ainda mais desesperador do que Elia pensava.
As coisas estavam preocupantes, as criaturas cada vez mais perto, e o medo de cada um praticamente exalava pelo ambiente.
Um soldado morto era um cadáver reanimado que os colocaria em perigo.
Kerim e Elia olhavam para os três filhos com preocupação.
Eles sabiam que seria inevitável ter mortes, mas havia o medo de perder Rhaenys, Aegon e Dyanna.
Quando Kerim se afastou, e Elia o olhava ao longe passar comandos para os soldados que trouxeram, Rhaegar aproveitou a chance para se aproximar dela.
—Elia.
Ela o olhou, curiosa com o que ele queria depois de tanto tempo.
Eles não se despediram nos melhores termos a anos atrás.
—Eu queria te dizer algo.
—Diga, Rhaegar.
O homem a sua frente parecia mais envelhecido, menos focado em si mesmo e sem as ilusões que o fizeram perseguir Lyanna e a abandonar a própria sorte.
—Eu sinto que vou morrer hoje. Que cumpri tudo o que tinha que fazer. Mas eu queria te dizer algo. Eu estava errado. Muito errado. Eu fiz tudo errado com você, com nossos filhos, com o resto da minha família, com os Sete Reinos... Você talvez nunca me perdoe e eu mereço nunca ser perdoado. Mas eu quero quero que saiba de uma coisa. Eu me arrependo. Me arrependo de verdade. Devia ter sido um marido melhor, um pai melhor, um príncipe melhor, um rei melhor. Mas acima de tudo, eu devia ter sido um homem que realmente merecesse ter uma mulher como você do lado. Eu sinto muito por ter falhado tão miseravelmente com você, Elia.
Elia refletiu sobre tudo o que passou, sobre a sua vida desde que deixou de ser a esposa de Rhaegar até ser a Imperatriz de Kerim. Sim, ele errou, mas sua vida só melhorou depois de todas as coisas ruins que passou nas mãos de Rhaegar e Aerys.
Por muito tempo ela sentiu ódio, raiva, mágoa e depois indiferença.
Mas era a hora de deixar tudo para trás e se focar no futuro bom que estava construindo com as pessoas que ela amava.
—Eu te perdoo.
E ela deixou sinceramente o ódio ir de uma vez por todas.
—Obrigado Elia.
E essa foi a última vez que ela falou com Rhaegar da Casa Targaryen.
(...)
A luta estava feroz e violenta. Cada vez mais soldados morriam e reanimavam, atacando seus antigos aliados.
O Rei Da Noite se deleitava no desespero e impotência dos que tentavam lutar contra o seu poder.
Um dos primeiros a morrer foi Jon.
Ele reanimou e atacou aquele que um dia foi seu pai pelas costas.
Rhaegar caiu morto, mas logo também se levantou como um dos mortos vivos que um dia tão desesperamente tentou combater.
A moral do exército caiu, mas os gritos para continuar lutando os incitavam a não desistir.
O Rei Da Noite andava de forma tranquila entre os mortos, os trazendo de volta como um dos seus.
Seus olhos pararam em Dyanna, que lutava furiosamente e conseguiu acertar vários dos mortos vivos.
Aegon e Rhaenys, vendo ele ir em direção a Dyanna, correram.
Tudo se passou rápido, mas cada segundo ficaria gravado na memória.
A espada do Rei Da Noite se chocou contra a espada de Dyanna.
Os dois se encararam.
Mais um choque entre as lâminas.
Uma luta furiosa.
Por fim, Aegon e Rhaenys se lançaram contra ele.
Ele se distraiu vendo os dois se jogando contra ele e Dyanna o atingiu bem no coração se aproveitando do segundo de falta de atenção.
Ele olhou para o peito, sem acreditar que foi atingido.
As lâminas de Rhaenys e Aegon logo o atravessaram também.
De repente, ele explodiu em milhares de pedaço de gelo, jogando os três irmãos para longe com o impacto.
Ouviram os mortos explodindo a sua volta.
Dyanna, Aegon e Rhaenys se levantam e pegam cada um suas espadas caídas.
Feridos, e tomados pela emoção, os filhos de Elia se abraçam.
Os soldados gritam e batem palmas.
(...)
—Mas como assim, a corôa é sua por direito Aegon.
—Não, não é. Eu não sou um Targaryen. Eu fui bastardizado.
—Ele se arrependeu de fazer isso, eu te disse.
—Do que isso adianta, tio Viserys? O que está feito, feito está. Eu pertenço a Moraq. O passado não pode ser apagado. Rhaegar morreu, Jon morreu. Você é o rei agora.
Viserys percebia que a decisão do sobrinho era definitiva.
Ele suspirou profundamente.
—Não acredito que vou ter que assumir esse trono maldito que trouxe tantas desgraças para tantas gerações da minha família.
—Seja melhor, tio Viserys. Os nobres e os plebeus precisam urgente de um bom rei, que coloque o bem estar deles em primeiro lugar.
—Não vai ser fácil. -disse Rhaenys -O reino acaba de perder muitos soldados e a fome e miséria estão acenando no horizonte. Será um trabalho muito duro e muito longo. Você vai precisar ser resiliente.
Um guarda chegou com más notícias, sem saber como contar para Viserys o que aconteceu.
—Senhores... Aconteceu uma tragédia.
O rosto do homem estava pálido.
—A rainha Lyanna... Não aguentou a notícia da perda do rei e do príncipe.
—O que ela fez?
—Ela de jogou da torre mais alta do castelo.
Eles ficaram estarrecidos.
Começou com uma torre, terminou com uma torre.
(...)
—Vida Longa a Viserys, Terceiro De Seu Nome, Rei Dos Seis Reinos.
As coisas estavam se encaminhando aos poucos em Westeros.
Viserys casaria-se com Margaery Tyrell e Daenerys com Edmure Tully. Tyrion Lannister (Tywin morreu de uma febre e diarréia que apareceu de repente) o agora senhor das Terras Ocidentais, era o Mão Do Rei.
Dorne não foi muito afetada, pois já tinha se separado muito tempo atrás e sofreu poucas perdas. Moraq também não perdeu muitos soldados, o que Kerim achou uma benção.
O mundo estava a salvo e a vida continuava.
Ficaram alguns dias em Lançassolar e depois Elia e sua família estavam de partida para Moraq.
—Ainda nem acredito que acabou. Que estamos aqui e que salvamos o mundo.
—Não é? Muito louco.
Elia abriu os braços para apertar os três filhos ao mesmo tempo.
—Meus bebês heróis!
—Ah não mãe, bebês não! -reclamou Dyanna.
—São os meus bebês sim! -ela disse, apertando as bochechas da filha.
Dyanna revirou os olhos.
Kerim se juntou a eles na proa do navio, e abraçou Elia por trás.
—Como está a minha Imperatriz Sol?
—Melhor agora que todos que eu amo estão bem.
Se aconchegou em seu marido e os cinco, juntos, observavam o sol se pôr.
Ela estava bem. Ela estava feliz.
Ela tinha um marido que a amava e valorizava e seus filhos com ela, em segurança, sem a sombra do passado para atrapalhar suas vidas.
Ela era o Sol De Dorne, e finalmente podia brilhar em toda a plenitude.
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