Sunlight

7 Informações Importantes


Desde que chegou a Dorne, o Imperador De Moraq tinha que se controlar para ter um comportamento discreto.

Não era de bom tom dar seus olhares cobiçosos para a irmã de seu aliado.

Elia era linda de se ver e as informações que reunia mostravam que ela não era apenas uma princesa feita para ser um enfeite, mas uma rainha nascida para a grandeza.

Por que um homem rejeita uma mulher que é linda, inteligente, boa esposa, irmã e amiga e que lhe deu dois lindos filhos e cheios de saúde é uma coisa que Kerim não entendia de jeito nenhum.

Mas quando o Meistre que trouxe consigo o chamou de lado e disse informações valiosas e perigosas, ele chamou os três irmãos Martell para uma conversa séria com as portas da sala de Doran fechadas.

—Grande Imperador, o que o senhor tem para falar parece ser grave pelo seu tom.

—Sim Vossa Graça, preciso alertar a cada um de vocês sobre o perigo que sua irmã correu enquanto nas mãos dos Targaryen.

—Mais? — disse Oberyn surpreso.

Maldito seja o dia em que princesa Loreza aceitou o pedido de casamento para sua filha!

—Esse é além de meu Meistre em quem confio minha vida, um primo distante e um dos melhores amigos que tenho na vida. Poucos eu posso dizer que posso confiar como confio nele. Foi ele quem me alertou.

—O que fizeram com a nossa irmã? -Doran estava preocupado.

—Asher, você pode explicar melhor.

O homem tomou a palavra.Elia

—Como sabe, sou Asher al Bazirah, e fui eleito para Moraq pelo Conclave Dos Meistres. Eu estudei pessoalmente com Pycelle.

Os três irmãos Martell olharam uns para os outros, enquanto Elia empalidecia ao se dar conta da implicação.

—Eu me perguntei o que eles tinham na cabeça de sequer dar um elo aquele carniceiro maldito.

Kerim cogitou que os meistres estavam conspirando contra a dinastia dos dragões, era a única explicação.

—Pycelle é filho de uma Blackfyre.

Eles arregalaram os olhos.

—É o que?

—A mãe dele era Pya Mopatis, ela era filha de um Blackfyre. Você entende o perigo que correu Elia?

A princesa de Dorne tremia, inquieta.

—Eu acredito que ele envenenou você e a rainha Rhaella. É por isso que quero depois vou pedir permissão para examiná-la. Se eu for correto no meu diagnóstico, vou dar a cura, para que tenha uma gravidez mais tranquila.

Elia mal acreditava nisto. Se for correto então ela e seus filhos sofreram por nada?

—Meus senhores, preciso ser sincero. Eu acho que vão ouvir boatos errados sobre mim depois, tentando dizer que sou louco. Mas na verdade eu apenas estou certo das pesquisas que fiz sobre gravidez. Se fosse mentira eu já seria desmentido. É por isso que tenho uma certa propriedade para informar vocês, eu estudei por anos o assunto e posso afirmar que você foi envenenada, princesa.

Ela assentiu, assustada.

—Mas afinal, o que o senhor descobriu de tão polêmico que boatos foram espalhados?

Asher sabia que a explicação seria longa.

—Eu estudei casais e seus bebês, Vossas Graças. Também estudei sobre abortos, sobre natimortos e as mortes de mães e bebês.

—Não me parece algo polêmico.

—É polêmico, por que o que descobri abala as estruturas do mundo conhecido. Abala a cultura e o modo de vida.

Os Martell estavam curiosos.

—Descobri que as meninas não deviam se casar tão jovens.

Ele tirou alguns papéis do bolso.

—Aqui, essa é minha pesquisa, uma parte bem pequena dela na verdade.

Os três leram com interesse. Asher não era do tipo que usava termos difíceis, a sua linguagem era clara e direta.

—Dividindo os casais por idade, descobri que quando a mulher tem entre 20 e 30 anos a possibilidade de ter filhos saudáveis, sem nenhum aborto, ou natimorto, e com mãe e filho vivos é extremamente maior. Mulheres que estão entre os 30 e 35 anos estão em segundo lugar. Mulheres de 35 a 40 ficam em terceiro. De 40 em diante em quarto. E em último lugar... da puberdade até os 19 anos. Ênfase especial na mortalidade alta entre as de 15 anos para baixo.

Até agora, eles estavam entendendo.

—Também descobri que quanto maior o tempo de uma gravidez para a outra, maior é a possibilidade de vida de mãe e bebê. O corpo de uma mulher precisa de no mínimo dois anos para se recuperar de um parto. Se Rhaegar Targaryen tivesse esperado esse tempo seu segundo parto poderia ser bem menos arriscado para a sua vida. Muito menos.

Elia ficava triste com isso. Se soubesse disso antes...

—É por isso que defendo a ideia de uma mulher se casar com 20 anos. 18 é o mínimo que concedo, pelo bem dela, do corpo dela e do bebê, e esperar pelo menos dois anos depois de cada parto para tentar outro filho, poupando seu corpo desgastado. Seguindo todas essas minhas recomendações, um casal poderia ter uma média de uns dez filhos, com chances de sobrevida maiores, e menos possibilidades de um aborto ou um bebê que nasce morto.

—Mas isso... É uma descoberta e tanto!

—Sim. Mas para isso as pessoas teriam que parar de casar as filhas tão jovens. É aí que são contra a minha teoria. Preferem sacrificar meninas para a sua cultura do que dar a elas uma chance de bem estar, saúde e até mesmo vida melhores.

Doran já planejava pedir que Asher publicasse o mais rápido possível suas ideias, isso podia salvar vidas.

—Você pode estar salvando as vidas de várias dornesas, inclusive minha irmã. Serei muito grato, mais do que já sou.

Asher curvou levemente a cabeça.

—Seu bom senso ao me ouvir mostra que o seu povo está seguro nas mãos de um bom monarca Vossa Graça.

—Eu não me arrependo de deixar Selima aos cuidados da sua família. -completou Kerim.

Elia se levantou, pegando uma folha e uma pena.

—Tenho que escrever para Rhaella, ela e os filhos correm perigo.

—Oh sim, Rhaella Targaryen. Um caso que acho muito interessante. É um milagre ela ter três filhos, pelos fatores contra ela.

—Fatores?

—Sim. Ela era irmã de seu marido, do mesmo pai e da mesma mãe. Ambos também eram filhos do mesmo pai e da mesma mãe. Sua linhagem é muito incestuosa e isso já é uma maldição para o sangue. Ela foi envenenada, eu suspeito. Ela vivia sob estresse todos os dias durante mais de vinte anos. Seu marido era violento, danificando sua saúde e seu corpo. Ter três filhos vivos é um milagre para ela.

—Infelizmente muitos abortos, e perdas de outros bebês também aconteceram para ela. — disse Elia com tristeza.

—Pode ser uma má formação por causa do sangue, ou Morte Súbita De Lactantes.

—Hein? O que é isso?

—Quando bebês morrem de forma difícil de explicar. Pesquisando, descobri que quase todos esses bebês estavam dormindo de bruços ou de barriga para baixo.

—Hein? Só isso? Um bebê pode morrer se ficar nessas posições?

—Pode. Sempre vire o bebê de barriga para cima. É simples, mas pode ser a diferença entre a vida e a morte.

—O senhor precisa publicar isso! Agora, já, imediatamente! Isso salva vidas!

—Mas para isso é preciso que estejam disposto a colocar em prática. Vocês não sabem como um modo de pensar pode ser um fator que se coloca entre uma pessoa e um conhecimento importante.

Depois de muito conversarem, os cinco se despediram uns dos outros.

Elia se sentiu no jardim, e pôs a mão na barriga.

Como ela vai proteger essa criança? Ela precisava ficar atenta, se curar.

Ela só queria viver em paz e tranquila.

—Princesa, tudo bem?

—Ah, sim, Imperador Kerim. Obrigada.

—Eu queria perguntar se está se sentindo melhor. Asher já lhe deu antídoto?

—Sim. Estou me sentindo bem melhor. Faz tempo que não me sentia tão bem. Tremo só de pensar no perigo que corri.

—Eu entendo. Não é fácil.

—Eu quero ficar bem. Criar meus filhos e nunca mais correr perigo. Mas a cada dia parece que o perigo me persegue.

—Eu te protegeria.

—Como?

—Eu te protegeria. Estou pensando, depois que esse bebê nascer, você aceitaria ser minha Imperatriz Elia de Dorne?