Sunlight

3 A Mulher Feita De Água


Seu coração disparou de tanta emoção.

Casa! Ela estava perto de casa! Ela iria ver de novo Oberyn e Doran!

O povo a olhava com carinho enquanto ela passava por eles.

Não esqueceram a princesa amada, que os encantava desde pequena.

Quando por fim viu seus irmãos, ela correu e abraçou a ambos com força.

—Bem vinda de volta, minha irmã. Você tem um lar em Dorne. Sempre terá.

Com lágrimas nos olhos, ela sorriu.

—Rhaenys meu amor, esses são seus tios, irmãos da mamãe.

—Como o Vissy? Mas eles são muito glandes.

—Depois te explico melhor querida.

—Seja bem vinda Rhaenys. Tenho certeza que vai gostar muito da sua priminha Arianne, ela está muito animada para te conhecer.

—Ela blinca de boneca comigo?

—Sim, ela gosta de bonecas.

—Eba! -comemorou, correndo para dentro animada.

—E esse pequeno também precisa de cuidados. A ama de Quentyn vai te ajudar, Elia.

—Eu agradeço irmão.

Entrando em seu antigo lar, Elia respirou fundo. Era bom sentir o ar de Dorne, longe do cheiro podre da capital.

E então, finalmente reencontrou sua cunhada Mellario, de Norvos, de quem sentia muito falta, ela era sua melhor amiga depois de Ashara Dayne.

Depois de um tempo de descanso em seu quarto, Doran a chamou para conversar com ela e Oberyn.

Uma audiência privada.

Ela sabia que alguma coisa grande estava para acontecer.

Quando chegou, percebeu que Doran se apoiava em uma bengala e fazia caretas de dor.

—Doran, sua gota...

—Está piorando, irmã. Não há nada que se possa fazer quanto a isso. Mas vamos sentar, pois eu tenho uma coisa séria a discutir com ambos.

Ela sabia que seria importante, o rosto do seu irmão tinha aquela expressão dura, usada quando planejava algo grande.

—Eu vou precisar da colaboração de ambos para o que pretendo fazer.

—Conte comigo! — disse Elia -Você lutou por mim mesmo quando não devia irmão. Eu devo a vida dos dorneses mortos a você.

—Ah, mas isso não. Quem deve é Rhaegar Targaryen, o maldito. Você mandou quem podia ir embora. Você disse que Dorne devia vir na frente. E os dorneses não esquecem. Eu vou cobrar a desonra, a humilhação e as mortes do rei idiota, da prostituta nortenha e do maldito renegado Arthur Sand.

—Sand? — ela ficou surpresa.

—Hoje mesmo Arel Dayne enviou a carta que o informa que ele não é mais um Dayne. Arel despreza as ações de Arthur, e sua inércia enquanto Dorne sangrava.

Elia pensava com dor em seu primo e amigo. Sua traição doía tanto quanto a de seu ex-marido. Rhaegar ela nunca amou, mas Arthur sim!

—Você sabe que Dorne não vai deixar por isso mesmo o insulto se depender de mim, não sabe?

—Sei. Em você e no Oberyn eu sei que posso confiar.

—Eu estou me livrando dos passarinhos do Varys antes que a grande notícia chegue a capital.

—Que notícia?

—Oberyn vai se casar. — disse Doran com o sorriso que usa para planejar a queda de seus inimigos.

—Com quem?

—Você logo saberá. Mas posso te dizer irmã, que ela vai trazer consigo muito poder como dote.

Oberyn sorriu com cumplicidade. Não voltou de Essos a toa.

—Eu estou louco para o dia de amanhã quando der o anúncio. Espere, é uma surpresa muito boa.

Ambos os irmãos, cada um com seu sorriso indicando perigo, mostrou que sua família planejava algo grande.

—Estou ansiosa!

—Saiba que vou precisar da colaboração dos dois mais do que nunca. Aguarde, por que tenho um plano.

Ela mal podia esperar.

(...)

Elia estava... dentro da água? Era um sonho?

As águas fluía através dela.

Eram frias, mas de um frio agradável.

E então a água tomou forma, se tornando aos poucos a figura de uma mulher.

—Preciso falar com você, minha filha.

Elia arregalou os olhos ao perceber quem era.

—Mãe Roine?

A mulher assentiu com a cabeça.

—Oh mãe Roine, como eu lhe agradeço por estar viva!

—Eu quase não consegui, minha querida. Você estava muito longe da minha proteção. Um fim terrível aguardava a ti e aos seus filhos se você não tivesse orado mais fervorosa do que nunca, permitindo minha ação em sua vida.

Elia sabia que estava perdendo sua fé aos poucos com os maus tratos em Porto Real. O péssimo casamento e a loucura de Aerys a fizeram entrar na margem do desespero.

—Lembre-se, Elia de Dorne. Nós só agimos quando vocês nos deixam agir. Nós os amamos, por isso lhes demos livre arbítrio. Se vocês resolvem nos ignorar, a nossa reação é ignorar de volta. Mas se resolvem nos ofender, só podemos retaliar.

—O que quer dizer com isso, mãe Roine?

—Estou avisando que eu estou furiosa. O Deus De Sete Faces está furioso. E os Antigos Deuses estão furiosos. A ofensa que Rhaegar da Casa Targaryen e Lyanna da Casa Stark cometeram foi muito grande. Ofenderam a mim, pois és minha filha. Ofenderam aos Sete, pois ele proíbe tomar outra esposa com uma mulher ainda viva, tendo vocês dois se casado de forma legítima diante dele, portanto não podia ser anulado. E acima de tudo, a pior ira é dos Antigos. Eles também não aceitam um casamento novo, com a esposa ainda viva. Eles se casaram diante de um represeiro, como se os deuses antigos fossem abençoar uma união que acham profana. Foi uma ofensa sem igual, como nunca houve diante deles.

Elia entendia. A fúria dos deuses uma vez que é despertada não pode ser contida.

—Não se esqueça, que sempre iremos cobrar minha criança.

E então, ela acordou.

(...)

Finalmente chegou a hora, o anúncio que todos esperavam.

Os dorneses se amontoavam, desde o nobre ao plebeu, para ouvir Doran.

—Caro povo de Dorne. Venho lhes anunciar um feliz evento que irá acontecer em alguns dias. Meu irmão, príncipe Oberyn de Dorne vai se casar!

O povo achou curioso anunciar dessa maneira um casamento, tão perto de outro que foi rompido.

—Oberyn se casará... Com Selima al Nazir, Princesa Imperial de Moraq!

O choque e espanto foi imenso.

Sussurros se perguntando como os Martell conseguiram tal aliança eram ouvidos em voz baixa.

—Minha esposa, Mellario, é sobrinha da Primeira Concubina do Imperador Ahmed II. E portanto, prima de Selima. Graças a algumas negociações, nós conseguimos essa união entre Dorne e o império de Moraq. E portanto, Dorne está mais poderosa do que nunca!

Gritos de comemoração foram ouvidos, mas Doran levantou a mão para pedir silêncio a todos.

—Meus irmãos. Eu sou dornês. Vocês são dorneses também. Cada um de nós é dornês antes de ser súdito do Trono De Ferro. Por que devíamos nos curvar ao dragão tolo que jogou fora uma esposa e dois filhos depois de usar a todos nós para travar uma guerra para que ele pudesse coroar sua loba no cio? O acordo que fizemos com os Targaryen foi rompido, então digo hoje. Não devemos mais nada aos dragões. Não nos curvaremos ao Rei Burro e sua Puta Nortenha. A partir de agora DORNE É LIVRE!

Pedregosos, rochosos ou arenosos, não importa, um dornês é um dornês. E a partir dali, ninguém mais se rebaixaria para a dinastia dos dragões, principalmente ao homem que os fez sangrar em uma guerra pela noiva de outro homem.

—DORNE É LIVRE!