Notas iniciais
A ideia me surgiu a notar como a música Fine Line poderia ser encaixada com a história de Remus e Tonks, o que me fez escutar todas elas novamente e atribuir um casal ou personagem para cada. Sunflower me trouxe uma vibe que eu sempre atribui para scorily, então a escolha do casal para está música me pareceu óbvia. Vocês já devem ter notado que as fanfics não seguem uma linha do tempo e algumas usam fatos completamente headcanon, porém Sunflower é quase que uma ""continuação"" de She. Nela vocês vão poder ver um pouco de como os Malfoy ficaram após a morte de Astória. Link da música para quem gostaria de uma trilha sonora: https://open.spotify.com/track/6iYMfxznTBlcVOgRHab2W0?si=h_35AU1iSfO3rb19c0bz3w Sem mais delongas, boa leitura ;)

Sunflower
Sunflower, my eyes want you more than a melody
Let me inside, wish I could get to know you
Sunflowers sometimes keep it sweet in your memory
I was just tongue-tied

Scorpius Malfoy se lembrava perfeitamente do dia que a amizade de Albus Potter lhe trouxe algo mais do que uma companhia depois de anos sozinho. Eles haviam terminado seu primeiro ano ainda mais amigos do que quando começaram e parecia óbvio um ano inteiro dividindo o mesmo quanto não era o suficiente para os dois amigos. Foi difícil convencer os pais de ambos de que seria uma boa ideia que os dois revezassem algumas semanas das férias na casa um do outro.

A princípio a ideia o fazia pular de animação, mas ao se postar no portão da grande casa dos Potter enquanto seu pai segurava sua mão, o seu coração pulava de ansiedade e medo. Notando o desconforto do filho, Draco Malfoy se abaixou até conseguir a atenção dos olhos cinzentos como os seus.

— Não precisa ir em frente se não se sentir confortável. – Disse enquanto apoiava a mão livre no ombro tenso de Scorpius.

— Não quero decepcionar Albus. – Respondeu baixinho enquanto chutava para longe uma pedrinha.

— Tenho certeza que ele vai entender. – Draco se levantou, limpando a sujeira presente nos joelhos, e estendeu uma das mãos para o filho. – Se ainda quiser fazer isso, podemos ficar aqui até que se sinta seguro. Caso não queira, vamos comprar alguns sapos de chocolate e jogar quadribol.

Scorpius pensou por alguns minutos, ainda olhando para a mão estendida do pai.

— Vem me buscar caso eu sinta saudade? – Perguntou ainda inseguro.

— A qualquer momento. – Respondeu ainda o olhando. O menino suspirou e arrumou a alça da mochila nos ombros antes de juntar sua mão com a de Draco.

— Então estou pronto.

Seguiram o caminho de pedras até a porta vermelha que dava acesso a casa. Draco esperou que Scorpius confirmasse com a cabeça antes de bater os nós do dedo na madeira. Foi possível ouvir vozes agitadas dentro da casa antes da porta ser aberta. Uma garotinha ruiva e sardenta se pôs na frente da entrada lançando um olhar questionador para os Malfoys. Estava descalça, Scorpius notou, e usava uma antiga e grande camisa da Hollyhead Harpies.

— Oi. – Disse com a voz infantil desconfiada.

— Oi. – Respondeu Draco com um leve sorriso no rosto. Antes que a ruivinha pudesse responder, uma voz conhecida pelo homem veio de dentro.

— Lily, é seu pai?

— Não, é um homem muito branco. – Abriu espaço para a mãe ainda encarando as visitas. Ginny Weasley apareceu atrás da filha vestindo um avental florido e com as mãos sujas de farinha.

— Ah, vocês chegaram. – Saudou com um grande sorriso no rosto enquanto se apressava para limpar as mãos. – Entrem, por favor. – Indicou o interior da casa em incentivo. – Estava me perguntando se tiveram problemas em achar a casa.

— Não, na verdade eu tive alguns problemas no trabalho e acabei atrasando a nossa vinda. –Scorpius não prestava a atenção no que os adultos falavam, seus olhos ainda estavam na pequena ruiva em pé atrás da mãe. Ela tinha pasta de amendoim no nariz.

I don't wanna make you feel bad
But I've been trying hard not to talk to you
My sunflower
(Sunflower, sunflower)

Nos anos que se seguiram, era comum ver um Malfoy em meio aos Potters ou um Potter em meio aos Malfoys. Sendo assim, Scorpius já era uma presença constante nos jantares na casa do amigo. Estando perto dos Potter, ele foi capaz de ver Lily Luna crescer e desabrochar como uma pequena flor. Mesmo que ainda jovem, a garota parecia ter o dom de deixar o Malfoy sem palavras e mais atrapalhado que o normal. A decisão de evitar o contato com a irmã caçula do melhor amigo veio logo após o segundo encontro dos dois, onde Scorpius tentou lhe lançar um sorriso com a boca cheia de café quente. A relação dos dois, com o passar dos anos, se restringia a um leve aceno com a cabeça.

Antes que pudesse partir para o seu terceiro ano, Scorpius viu sua mãe falecer. Nada nem ninguém no mundo parecia tirar o rapaz daquela melancolia. Passava boa parte do seu tempo livre sentado na beira do lado, nos terrenos da escola, mesmo quando anoitecia e o vento frio causava arrepios em sua pele pálida. Foi em uma dessas noite que Lily Luna resolveu quebrar a barreira invisível que ele havia colocado entre os dois.

— Oi. – Uma voz doce e fina soou atrás dele. Lily estava de pé, ainda vestindo seu uniforme da Corvinal, com os cabelos presos em uma trança e com as mãos ocupadas por um prato coberto por uma toalha. Scorpius apenas acenou com a cabeça, como de costume, e voltou seu olhar para as ondulações nas águas do lago. – Você não foi jantar. – Falou ainda parada atrás dele. – Albus ficou preocupado, então eu trouxe alguma coisa para você beliscar e...

— Não sinto fome. – Disse ainda sem olhá-la. Se seu pai estivesse ali, provavelmente estaria se dobrando em gargalhadas pela tentativa inútil do filho de afastar uma figura tão persistente quando Lily. Mas Scorpius sabia que no momento que encarasse seus olhos, não teria mais volta para ele.

Lily se calou sentindo suas bochechas esquentarem com a resposta inesperada do menino.

— Sinto muito. – Scorpius falou depois de ver o constrangimento silencioso da menina. – Não quis ser rude, obrigado pela comida, mas não sinto fome.

— Tudo bem. – Respondeu lançando um sorriso. Ele esperou que ela se levantasse e fosse embora como todos vinham fazendo desde a morte de sua mãe, mas se surpreendeu ao vê-la descobrir o prato e pegar uma das tortinhas de abóboras. – É lindo, não é? – O loiro a olhou
interrogativo enquanto ela terminava de devorar a tortinha olhando para o lago. – O jeito que a luz reflete sobre as águas dançantes do lago.

— É realmente lindo. – Respondeu com os olhos presos na figura ruiva sentada ao seu lado, o queixo sujo de chantili da torta que acabara de comer. Suspirou antes de pegar uma torta do prato que ela tinha no colo e se voltar para o lago. Seu estômago doía de fome. Lily soltou uma leve risadinha e se serviu de mais uma torta enquanto Scorpius se virava para ela. – O que faz aqui Lily?

A garota demorou para responder e o garoto já havia desistido da resposta quando ela veio baixinho.

— Não gosto da ideia de você ficar sozinho depois de perder a pessoa mais importante na sua vida. – Abraçou os joelhos e apoiou o queixo neles. – Você é importante para o Albus, o que te faz ser importante pra mim. Gosto de você, Scorpius.

A torta foi deixada de lado assim como sua boca aberta. Seu coração estava batendo acelerado e seus olhos vidrados no rosto sardento de Lily banhado pela luz do luar.

— Gosta? – Perguntou tolamente, se aproximando dela.

— É claro que gosto. – Riu voltando a se sentar normalmente e o empurrou levemente com o ombro. – Você é o melhor amigo do meu irmão e meu amigo também, certo?

Scorpius murchou enquanto mordia com força a pequena torta que tinha nas mãos.

— É, certo. – Respondeu amargurado. Lily o olhou com o cenho franzido de preocupação. – Acho melhor você entrar, está ficando frio.

— Posso te fazer companhia se quiser...

— Não precisa. – Sorriu olhando para o rosto preocupado dela. – Já vou entrar, só quero ficar mais um pouco aqui.

Lily demorou alguns minutos para fazer o que lhe foi pedido. Se levantou limpando a grama das vestes e já estava pronta para partir quando se abaixou novamente e, surpreendendo o garoto e a ela mesma, o abraçou forte pelos ombros.

— Você não precisa ficar sozinho, Scorp. – Sorriu e se afastou para deixar um beijo no rosto pálido do garoto. – Sinto muito pela sua mãe, ela parecia ser uma mulher incrível.

Dizendo isso Lily Luna se afastou rapidamente, deixando Scorpius de boca aberta e bochecha quente, com o pensamento de como o apelido que odiava soava bem na voz melodiosa da menina.

I couldn't want you any more
Kiss in the kitchen, like it's a dance floor
I couldn't want you any more
Tonight (tonight, tonight, tonight)

Quando mais tempo passava na companhia dos Potter, mais ficava impossível não se apaixonar pela figura cativante que era Lily Luna. A maneira como ela ria alto jogando sua cabeça para trás sem se importar com os olhares tortos que recebia deixa a todos os bons apreciadores da beleza vidrados. Ela era tão diferente de todos os outros da família e ao mesmo tempo tão parecida com cada um. A mania que colocar a varinha atrás da orelha enquanto estudava na biblioteca se assemelhava com a de Albus e o jeito de andar com a cabeça erguida pelos corredores, como se o mundo fosse seu, era exatamente igual ao de James.

Algo que fascinava Scorpius e deixava Lily mais encantadora aos seus olhos era a maneira como ela, duas vezes ao mês, saia cedo do dormitório indo em direção aos jardins para colher girassóis na companhia de Hagrid. Ainda suja de terra, ela entrava sorridente no Salão Principal carregando as flores em um dos braços e os jornais do dia no outro. Caminhava por entre as mesas e entregava um jornal e uma flor para cada amigo ou membro da família. Depois da conversa que tiveram no terceiro ano, Scorpius também passou a receber duas flores a cada mês.

Quando questionava sobre o hábito que tinha desde o primeiro ano, Lily respondeu que a flor, além de ser sua favorita, representava felicidade e as cores de suas pétalas poderia simbolizar calor, vitalidade, lealdade e entusiasmo, além de refletir a energia positiva do sol. Segundo ela, todos precisavam desses sentimentos para começar o dia bem e o jornal era apenas uma maneira de fazê-los entender o que acontecia no mundo ao seu redor.

— Faz as pessoas começarem o dia sorrindo e bem informadas, Scorp.

Era em uma das manhãs que a via deslizando por entre as mesas distribuindo simpatia e alegria que pensou, com o coração apertado, em como sentiria falta dela no próximo ano. Chega um momento na vida dos estudantes em que tudo o que eles pensam é a formatura e o futuro longe da escola. Scorpius costumava ficar entusiasmado com a possibilidade de começar seu curso de medibruxo e auxiliar nas pesquisas medicinais ao lado do pai, mas agora que lembrava que isso implicava em ficar longe da ruiva ele pensava se não valia a pena repetir o ano.

Sua cabeça parecia prestes a explodir com tantos estudos extras que seu pai lhe mandava. As cartas entre os dois ficaram cada vez mais frequentes e as visitas de Draco também e, por mais que às vezes o pai implorasse por mais informações sobre a vida de formando do filho, Scorpius continuava cem por cento focado na pesquisa que poderia ter salvo sua mãe. A ideia surgiu muito antes dele saber falar, mas os anos só haviam dado a Draco falsas esperanças até que ele perdesse seu grande amor.

Quando, no quinto ano, o filho contou sobre o interesse de seguir os mesmos passos do pai o mesmo propôs que trabalhassem lado a lado na pesquisa da cura para a doença que levou sua mãe.

Em uma das noites que passava virado na frente da lareira com centenas de livros e pergaminhos que Draco mandava se misturando com matérias para os NIEMs , ele notou que havia perdido o jantar pela terceira vez na semana. Com a barriga roncando e os braços cheiro de livros ele caminhou despreocupado em direção a cozinha.

Se sentou em uma das mesas onde continuou a leitura de onde havia parado. Seus olhos corriam rapidamente pelas linhas rabiscadas dos antigos livros do pai quando notou algo que o jovem e desesperado Draco talvez tenha perdido. Caçou uma pena e pergaminho por entre os livros e se pôs a escrever.

Pai, tenho lido e relido os livros que me trouxe na última visita e achei algo que
talvez o senhor tenha deixado passar na última vez que o leu. Um dos livros diz qu

Antes que tivesse a chance de terminar a frase, ouviu o barulho de uma porta abrir ao mesmo tempo que um dos elfos pousava um prato cheio de comida na sua frente. Lily se encontrava parada na entrada da cozinha tão surpresa quanto Scorpius. Vestida com um pijama de inverno preto repletos de pomos de ouro.

— Oi. – Ela diz sorrindo enquanto se encaminha até a mesa onde ele estava acomodado.

— Oi. – Respondeu simplesmente enquanto afastava os livros e puxava o prato para perto.

— Você perdeu o jantar, — falou depois de pedir um copo de leite para um dos elfos parado ao seu lado – está tudo bem?

— Sim, só tenho estado meio ocupado com os estudos. – Apontou para a cadeira posta a sua frente num pedido silencioso para que ela se sentasse com ele.

— Al me contou que você tem trabalhado em uma pesquisa com seu pai.

— Ele tem dedicado parte de sua vida para essa pesquisa – Contou enquanto encarava o prato cheio de comida sentindo seu estômago embrulhar – e, apesar de ter perdido a razão pela qual ele começou, ainda tem esperança de que vai ser o responsável pela cura. – Levou seu olhos para a menina que o encarava por cima de um grande copo de leite. – Ele acha que uma mente jovem poderia ajudá-lo mais do que os velhos medibruxos que já se envolveram; então aqui estou eu.

— Já conseguiram algo? – Perguntou interessada, apoiando a cabeça nas
mãos.

— Descobrimos algumas coisas, mas nada muito significativo.

— Tenho certeza que logo vão conseguir algo. – Sorriu do jeito que fazia o coração do menino acelerar. Ele ficou alguns segundos admirando a beleza e a energia que emanava da figura sentada na sua frente. Os cabelos presos em um rabo de cavalo bagunçado quase se desmanchando e a boca rosada suja de leite. Os olhos castanhos observando o trabalho dos elfos e passando por cada canto do lugar, como se não o conhecesse, se voltou para o rosto dele. Lily ficou corada antes de abrir um sorriso e voltar para seu copo de leite.

— Por que está acordada? – Quis saber depois de dar a primeira garfada
na comida. – Está um pouco tarde para estar de pé.

— Os NOMs estão tirando meu sono, — Respondeu suspirando e apoiando
a cabeça na mesa – toda vez que eu fecho os olhos para dormir me sinto culpada de não estar estudando.

Ao escutar a frase, Scorpius nota as olheiras marcando sua pele branca e seus olhos pareciam ameaçar fechar a qualquer instante.

— Você deveria esquecer essa culpa e dormir mais, Potter.

— Você também, Malfoy. – Falou levantando as sobrancelhas e sorrindo. Scorpius se viu preso no sorriso dela mais uma vez.

— Enfim.

— Enfim.

Eles se encararam mais uma vez na noite e ela se perguntou se algum dia teve a oportunidade de conversar e olhar para ele tanto quanto nessa noite.

— Tenho certeza que vai se sair bem nos NOMs, é muito inteligente.

— Obrigada. – Agradeceu envergonhada olhando para outra direção.

— Já tem ideia do que quer fazer? – Perguntou, voltando a comer apenas
quando seu estômago protestou.

— Professor Longbottom acha que tenho grandes chances de conseguir os NOMs necessários para ser auror, como papai e Teddy. – Ela responde desanimada, passando o dedo pelo copo.

— E é isso que quer fazer? – Questionou se abaixando levemente buscando seus olhos.
— Era meu sonho desde que me entendo por gente. – Fala coçando a nuca.

— Era?

— Agora, quando me imagino fora de Hogwarts, tudo o que consigo sentir é vontade de viajar pelo mundo. Tio Charles até me convidou para integrar a equipe de pesquisa e resgate dele quando eu finalizar meus estudos. – Sua voz é animada e seus olhos brilham ao falar da oportunidade. – Posso escrever sobre isso. – Suspirou ao voltar a encarar o copo vazio e falou baixinho. – A ideia de ser pesquisadora me parece bem mais tentadora do que ficar presa no treinamento para auror.

— Você deve seguir o caminho que faz seus olhos brilharem Lily, — ele falou sorrindo para ela e alcançando sua mão sobre a mesa – não o que sonhou quando tinha seis anos. Suas ideias mudaram.

— As pessoas esperam que eu...

— Não deve escrever sua história a partir do que as pessoas esperam de
você. O que você espera de você, Lily?

A menina encara suas mãos juntas com um sorriso nos lábios.

— Vou sentir sua falta ano que vem. – Revela ainda olhando para as mãos unidas com o rosto vermelho.

— Vou sentir falta dos seus girassóis. – Confessa rindo enquanto solta as
mãos e se levanta. Puxa a cadeira onde estava acomodado para o lado da ruiva e se senta virado para ela. Conecta suas mãos de maneira calma e a olha no fundo de seus olhos. – Vou sentir sua falta por inteiro.

Lily o olha admirada por alguns minutos antes de repousar sua mão livre no rosto pálido dele. Scorpius a puxa para mais perto e conecta seus lábios de
maneira calma e gentil. Seus peitos explodem em alegria durante todo o beijo e suas peles se arrepiam a cada toque. A menina se separa lentamente em busca de ar quando o relógio bate indicando que já passava da uma da manhã. Sorrindo ela o beija rapidamente e se levanta.

— Guarde como um lembrete meu. – Diz sorrindo enquanto anda em direção a saída, deixando Scorpius com a respiração pesada e um sorriso bobo no rosto.

Ele fica encarando a saída por um tempo até afastar o prato de comida e pegar seus livros e pergaminhos. Guardou a carta que havia começado a escrever para o pai, eles teriam bastante tempo para falar sobre aquilo. Molhou a pena na tinta e começou a escrever em outro pergaminho.

Pai, estou perdidamente apaixonado por Lily Luna Potter.

Wondering, headshake
Tired eyes are the death of me
Mouthful of toothpaste, before I got to know you

Ainda dedicados em alcançar seus objetivos acadêmicos, Scorpius e Lily passaram pouquíssimo tempo juntos naquele ano. Ainda que escapassem de uma aula ou duas ou se encontrassem durante as rondas que faziam de madrugada, suas vidas começavam a seguir rumos diferentes antes mesmo de
se separarem.

Após completar seus NIEMs, tudo o que faltava para ele dar tchau para a escola, era a formatura. Enquanto a família do melhor amigo ocupava quase três fileiras de cadeira, a sua se resumia a quatro pessoas. Seu pai sorria orgulhoso do seu lugar e as avós e tia acenava, friamente ao seu lado. Sentada do outro lado do salão e olhando com curiosidade a família Malfoy, se
encontrava Lily com os cabelos presos em um coque e um vestido preto brilhante. Ao notar o olhar do formando sobre si, ela sorriu e lhe mandou um beijo.

A cerimônia passou voando e parte dele se sentiu culpado por não ter prestado atenção em nenhuma palavra que Albus disse em seu discurso, mas seus olhos viajavam de Lily para o seu pai. Seu nome foi chamada e sua família levantou aplaudindo respeitosamente enquanto um grito de comemoração vinha do outro lado do salão. Draco segurava a risada ao olhar a pequena ruiva pulando e batendo palmas enquanto o filho recebia o diploma, aquela era definitivamente Lily Potter.

A noite seguiu com palmadinhas no ombro e abraço dos amigos. Dançou uma valsa com a avó paterna e a tia, para depois dar início a festa com os amigos. Conseguiu identificar os cabelos ruivos de Lily, em meio aos tantos outros de sua família, vindo em sua direção quando uma música lenta começou.

— Me daria a honra? – Perguntou fazendo uma pequena reverência. O loiro riu e aceitou a mão estendida. – Como está se sentindo?

— Aliviado, — Respondeu descansando a cabeça sobre a dela, o cheiro de
morangos que saia de seu cabelo o fizeram sorrir minimamente – a loucura das provas passou e agora eu só tenho um estudo pra cuidar.

Eles passaram alguns minutos dançando lentamente, em sua própria bolha, com as cabeças juntas e aproveitando seus últimos momentos como moradores da mesma escola. Quando a música acabou e uma agitado a substituiu os dois se olharam, mantendo os corpos o mais próximo que conseguiram.

— Vou sentir sua falta. – Lily foi a primeira a quebrar o silêncio, Scorpius a apertou em seus braços na esperança manter cada detalhe dela em sua memória.

— Eu também vou sentir, ruiva.

Eles ficaram juntos durante toda a última noite do garoto no castelo e no dia seguinte se despediram na estação. As férias de ambos foram cheias de atrativos e viagens familiares que os impediram de se encontrarem. Mas no primeiro mês de pesquisa com seu pai, Scorpius recebeu um girassol junto de seu jornal.

I've got your face hung up high in the gallery

Out of this shade, sunflower, sunflower
Your flowers just died, plant new seeds in the melody
Let me inside, I wanna get to know you

Os dois anos seguintes foram corridos e conturbados para os dois, mas ambos sempre achavam algum para enviar cartas contando sobre o momento que viviam em suas vidas. Perto de maio, Scorpius recebeu o convite para a formatura de Lily e, por mais que tenha prometido comparecer, no dia da festa
ele estava preso na China com seu pai em uma importante fase de sua pesquisa.

Lily Luna se formou com uma incrível festa e como já tinha dito para o loiro em uma de suas cartas, havia adiado o antigo sonho de se tornar auror e partiu em uma viagem com seu tio Charlie. A despedida não aconteceu e a saudade que ia tinha se acumulado durante o tempo separados teve que ser deixado de lado. Quanto mais distante de casa ela ficava, menos cartas e girassóis ele recebia.

Mesmo com a falta de contato, Lily sempre fazia o possível para se manter por dentro de cada avanço que o trabalho dos Malfoys em cada pedaço de jornal que encontrava.

— Não vai encontrar nada aí. — Charlie começou a interrompendo de sua leitura apressada pelo jornal amassado que havia encontrado perto da entrada da barraca. – Eu já li.

—Bom, eu estou em busca de informações sobre o nosso mundo. – Respondeu aceitando a caneca de chá fumegante que o tio lhe oferecia.

— Está em busca de informações sobre o seu Malfoy. – Debochou e se sentou ao seu lado observando a paisagem a sua frente, eles estavam longe de casa. Filadélfia tinha sido uma parada fora da rota que planejaram no início da viagem e só aconteceu por uma carta enviada para Charlie por um antigo colega lhe falando sobre um dragão sobrevoando sua cidade. Eles acamparam no quintal da grande casa na colina de seu amigo. – Sabe, mandar uma carta não vai te matar.

Lily fechou o jornal e encarou o homem com uma expressão incrédula.

— Eu não acredito que estou recebendo conselhos românticos de você.

— Você nunca viu um dos meus dragões aborrecidos. – Deu de ombros,
sorrindo por cima da xícara. Lily o empurrou levemente.

A um oceano de distância Scorpius encarava o recorte de jornal que o pai
havia deixado em sua mesa. Lily se encontrava em pé ao lado do tio, com os longos e flamejantes voavam graciosamente atrás de si. Ela tinha a expressão séria como todos da equipe mas depois de alguns segundos ele pode notar um pequeno sorriso nascendo no canto dos seus lábios. A matéria falava sobre a captura de uma criatura mágica solta pela América e citava tanto seu nome quanto o do tio.

Ele sorriu orgulhoso e ainda encarando aquele encantador sorriso ele pregou o recorte em seu quadro de anotações como se fosse uma obra de arte na parede de uma galeria.

I don't wanna make you feel bad
But I've been trying hard not to act a fool
My sunflower
(Sunflower, sunflower)

Quanto mais ela via o nome e a foto dele nos jornais por todo o mundo, menos ele via a dela. Os anos que se passaram sem ter notícias descentes um do outro, foi o bastante para que suas aparências e personalidades mudassem
tanto que quem os conheceu em Hogwarts teria dificuldade de acreditar que eram as mesmas pessoas. Seus pensamentos estavam cada vez mais focados na cura que estavam trabalhando que mal sobrava tempo para pensar ou falar sobre ela com seu pai, mas a foto que agora carregava na contracapa de seu diário de bordo não o deixava esquece-la.

Scorpius saia do consultório de seu pai com alguns papéis sobre os avanços da pesquisa em mãos quando encontrou uma figura perdida olhando para os nomes dispostos nas portas.

— Posso ajudar? – perguntou enquanto se aproximava. A mulher se virou e com ela toda a saudade que sentia. Lily ainda tinha os olhos mais lindos e expressivos que ele já havia visto e seu rosto continuava o mesmo, tirando a pequena cicatriz no queixo, seus cabelos antes longos hoje batiam nos ombros e traziam uma pequena mecha branca na frente. – Lily?

Ela sorriu, e como Scorpius sentiu falta daquele sorriso.

— Olha só você, tem seu próprio jaleco.

— Eu...uau...o que faz aqui? – Questionou abobalhado enquanto caminhava até ela para lhe prender em um abraço forte. – Você está bem? Quando voltou?

— Algumas horas. – Sorriu se soltando do abraço. – Estou procurando sua sala faz uns vinte minutos.

— Ah, — Coçou a cabeça constrangido por saber que ela estava ali especialmente para vê-lo – eu não tenho uma sala ainda. Fico com meu pai, é mais fácil.

— Tenho certeza que logo terá. – Deu um soquinho em seu braço e lhe lançou uma piscadela. Seu coração parecia tentar não explodir de saudade. – E como vai a pesquisa?

— Temos tido altos e baixos, mas partimos para a primeira fase dos testes.

— Isso é incrível. – Respondeu se deixando levar pela mão grande na base de sua coluna. Scorpius estava a levando para um dos bancos dispostos no corredor. – Não consigo nem imaginar a sua felicidade.

Ele sorriu ao olhar para a sinceridade e felicidade que transbordava daqueles olhos.

— Mas e você? – voltou a falar empolgado, a sacudindo de leve pelos ombros. — Como foi sua viagem? Voltou pro treinamento de auror?

— Na verdade não. – Disse respirando fundo e olhando para baixo. O cabelo curto não foi capaz de cobrir seu rosto e Scorpius amou isso. – A viagem foi incrível, Scorp. – Seus olhos brilharam quando ela começou a falar e o apelido antigo fez a pele do loiro se arrepiar. – Eu conheci tantos lugares e estive em contato com todos os tipos de animais. – Sua fala foi caindo gradualmente, mas ele ainda podia ver a alegria em seus olhos. – Mas não voltei para ser auror. Na verdade, eu mudei meus planos na viagem.

— E? – Perguntou empolgado esperando um desfecho.

— Comecei a estudar magizoologia e estou escrevendo um livro, — deu de
ombros como se não fosse nada — sobre meus anos em campo com o tio Charlie.

— Lily, isso é incrível. – Segurou seu entre as mãos e olhou de perto para o grande e encantador sorriso da Potter. – É fantástico.

Eles ficaram alguns minutos naquela posição, aproveitando a proximidade que lhes foi privado pelos caminhos que escolheram. Sem jeito, eles quebraram a posição e voltaram a se sentar um pouco distante.

— Tinha me esquecido. – Ela disse de repente, batendo em sua testa. – Trouxe algo para você.

Scorpius observou boquiaberto ela tirar da pequena bolsa um buque de girassóis.

— Estão meio quebrados. – Disse sem jeito enquanto as estendia para o loiro. – Mas aí estão os 20 girassóis que fiquei te devendo...

— Lily.

— ...alguns lugares não tinham esse tipo de flor...

— Lily.

— ...e com o tempo elas foram parando de chegar e eu fiquei com receio de mandar e...

— Lily! – Chamou alto e rindo.

— Oi.

— Você não existe. – A abraçou sorrindo, sentindo as borboletas em seu estômago voarem loucamente.

— Então essa é a famosa Lily Luna Potter? – Uma voz fria e carregada de
sotaque falou em suas costas. Scorpius fechou os olhos e praguejou baixinho.

— Oi pai, — Disse se afastando do abraço e coçando a nuca timidamente – achei que ia chegar mais tarde.

— Então você é a Lily que ele tanto fala? – Draco ignorou o filho e se adiantou, estendendo a mão para a mulher a sua frente. – Draco Malfoy, prazer.

— O prazer é todo meu, Senhor Malfoy.

— Está diferente do que me lembro. – Cruzou as mãos atrás do corpo e a
olhou de cima a baixo.

— O senhor...me conhecia? – Perguntou sem graça, olhando do pai para o filho.

— A vi vagamente na formatura de Hyperion e quando era criança.– Disse lhe oferecendo um sorriso simpático e Scorpius agradeceu mentalmente por ele ter se comportado. – Mas também está diferente da sua foto que ele guarda no diário.

Os olhos azuis do loiro cresceram significativamente enquanto xingava o mais velho baixinho e tentava esconder o rosto rosado na mão.

— Um diário? – Ela riu cutucando o loiro.

— Não é esse tipo de diário. – Esfregou o rosto arriscando olhar para a ruiva, e pode ver o pai rindo em pé na frente dos dois. – É um diário de avanços e anotações sobre a pesquisa e a fase teste.

— É um diário. – Afirmou Draco que, mesmo que ainda mantivesse a postura séria, piscou para Lily.

— Pai, você não tinha que trabalhar? – Questionou se levantando desesperado e ainda muito vermelho.

— Nós dois temos. – Respondeu pousando uma das mãos no ombro do filho. – Foi um prazer, Lily.

— Todo meu, Senhor Malfoy.

— Por que não vem jantar conosco hoje? – Draco pergunta calmamente,
ignorando o protesto de Scorpius ao escutar a próxima sentença. – Posso te contar onde mais ele tem fotos suas.

— Eu adoraria, mas tenho que ver meus pais hoje. – Falou constrangida. –Mas talvez amanhã?

— Seria perfeito.

Eles sorriram e Scorpius não pode deixar de se sentir extremamente feliz por ver as duas pessoas que mais amava se dando bem. Porque Lily poderia estar com o cabelo mais curto e bagunçado, poderia ter mais piercings na orelha do que ele conseguia contar, ter trocado os vestidos floridos por jeans rasgados e jaquetas de coura, mas ainda era a mesma menina que ele amou desde os 11 anos.

I couldn't want you any more
Kiss in the kitchen, like it's a dance floor
I couldn't want you any more
Tonight (tonight, tonight, tonight)

Lily e Scorpius começaram a namorar algum tempo depois de reencontro e ele a pediu em casamento um ano depois, no meio de uma visita ao santuário de criaturas mágicas do qual ela era voluntária. Ambos seguiram sua vida profissional com muito êxito e sucesso. Eles se casaram no meio do outono, com flores na cabeça e os pés descalços e compraram uma casa em uma colina, afastada de todo o estresse da cidade.

O melhor dia de suas vidas veio dois anos depois do casamento, quando Scorpius correu porta adentro no mesmo momento em que Lily descia as escadas correndo.

— Tenho uma novidade! – Gritaram ao mesmo tempo, seus rostos brilhavam de felicidade.

— No três? – Propôs Scorpius, segurando suas mãos juntas.

— No três. – Ela concordou, sem conseguir parar de sorrir.

— Um...

— Dois...

— Três!

— Eu estou grávida!

— Achamos a cura!

Gritaram ao mesmo, as expressões chocadas e os olhos cheios de lágrimas.

— Scor...

— Vamos ter um filho. – Disse com a voz quebrada e as lágrimas escorrendo livremente pelo rosto pálido.

— Vocês acharam a cura! – Ela falou alegre, pulando em seu colo.

Os dois passaram o dia rindo e comemorando. Se amaram na sala da forma mais apaixonada que poderiam. Dançaram em sua cozinha como se fosse um pista de dança. E nove meses depois, Lily deu à luz a pequena Astória Aurora Potter-Malfoy.

Sunflower, my eyes want you more than a melody
Let me inside, wish I could get to know you
Sunflowers just die, keep it sweet in your memory
I'm still tongue-tied
Sunflower, sunflower
Sunflower, sunflower
Sunflower, sunflower

Suas vidas não poderiam ter tomado um rumo melhor. Lily era uma renomada magizoologista com centenas de livros lançados e conhecidos pelos quatro cantos do mundo. Scorpius se tornou um importante medibruxo na área de pesquisas sobre doenças incuráveis, abrindo o seu próprio centro de pesquisa.

Juntos eles tiveram mais um filho, o pequeno Charlie Heitor Potter-Malfoy, que carregava a personalidade caótica da família da mãe. A junção dessas duas famílias foi uma grande notícia e confusão para o mundo bruxo, e Lily e Scorpius decidiram por esconder o rosto dos filhos até que eles tivessem idade o suficiente para se exporem por decisão própria. Ambos sabiam os resultados, positivos ou negativos, de ter uma família famosa.

E mesmo quando os filhos saíram de casa para começar a vida deles e Scorpius usava a antiga bengala da família como auxílio para andar, não apenas por charme, Lily ainda o entregava o jornal acompanhado de um girassol. Por que não importa onde estejam, eles sempre vão se seguir como um girassol segue o sol.

Notas finais
E ai? O que acharam? Vale lembrar que a doença que matou Astória não tem um verdadeira cura, mas eu achei que daria um significado maior para a historia dos Malfoy. Comentem para que eu saiba que vocês estão gostando. Até a próxima ;) Love always, BB.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.