Sunflower

1 Capítulo único


Apolo, em sua total divindade, nunca pensou que encontraria uma alma tão graciosa e deslumbrante em um mortal. Afinal, o que seria os Deuses, se não a forma perfeita e superior dos rascunhos chamados humanos?

Os mesmos mortais, tão fracos e medrosos que esperavam que ele os salvasse, em suas rezas, pediam misericórdia pelos seus erros e sacrifícios para uma boa pesca no próximo dia. Eram brutais, se achavam no direito de mandar e desmandar, de decidir quem vivia e quem morria. Se achavam os próprios Deuses, quando não passavam de bárbaros inconsequentes.

Era por isso, que, ao conhecer a graciosidade e bondade de Ícaro, não conseguiu acreditar que um humano podia ser tão divino.

A primeira vez que viu o mortal, estava no final de sua viagem diária da carruagem Sol. Era a época da colheita, em que os mortais se juntavam e festejavam aos Deuses pela boa temporada. Em meio aos baldes de vinhos, as danças e a música, tanto velhos quanto crianças comemoravam o tempo de fartura para os meses seguintes.

De primeira, não o notou. Agora sabia que Ícaro não era o tipo de arte que poderia ser facilmente ignorada de primeira, mas após vista, era difícil não perceber a beleza dessa peça rara. Só notou o jovem arquiteto, quando ouviu uma prece silenciosa para si. Não era incomum ouvir preces durante sua longa jornada diária, como encarregado do Sol, ganhava agradecimentos e sacrifícios em uma grande quantia, mas não estava acostumado a ouvir:

— Ao Deus Apolo, por seu calor, capaz de crescer a mais morta das flores, iluminar a mais distante das terras. Que um dia, o Sol que me cegas, me abrace com toda sua vitalidade.

Longe de toda a festa, era foi fácil encontrar o jovem falador. Estava sentado ao meio de várias bugigangas. Não era difícil reconhecer as invenções de Dédalo, o maior arquiteto, o abençoado de Atena. Havia encontrado o inventor em grandes festas do passado, conhecia diversas de suas obras, e podia dizer que seu filho era uma das mais belas de suas invenções.

Dos cabelos dourados até os lábios vermelhos e delicados, Ícaro dava uma nova versão para a palavra “graciosidade”. Esbanjava uma delicadeza imprescindível em suas mais básicas ações, como manusear uma de suas estranhas ferramentas.

Havia ficado horas ouvindo suas palavras de apreço ao Deus, discutindo consigo mesmo planos para o futuro. Queria a liberdade, se aventurar pelo mundo e ver as belezas da natureza pelos seus próprios olhos, não por livros ou pelas grandes histórias de seu pai. Talvez este fosse o motivo de seguir o caminho de Dédalo.

Era um jovem sonhador, algo muito perceptível, já que era a cada dez palavras que saiam de sua boca, ao menos nove era obre seu sonho de conhecer a mais quente das estrelas. Apolo poderia concordar que alcançar o Sol era um grande sonho, e também muito impossível.

Ainda era muito ingênuo, mas podia culpar a sua pouca idade. O Deus não podia dizer que não se divertia, gostava dos mortais quando estavam nesta fase, planejando coisas sem se preocupar com sua própria fragilidade humana. Mas era só uma fase, logo cresciam e se tornavam abrutes irracionais como todos os adultos.

Quando era hora de sua irmã iniciar o seu domínio, olhou mais uma vez para o inventor noviço. Havia tido uma tarde divertida.

[...]

Com o passar dos anos, Apolo tinha o visto algumas poucas vezes. Havia crescido fisicamente, mas não podia dizer que havia amadurecido mentalmente. Continuava pensando e criando invenções para conseguir o leva-lo para os céus. Os testes, em sua maioria falhavam, deixando o garoto machucado ou, nos melhores dias, emburrado por mais uma tentativa falha.

Em uma das tentativas falhas, a frustração de Ícaro havia o levado a se humilhar pela ajuda do pai. Não pela falta de talento do menino, mas pela experiência e habilidade do pai. Dédalo havia se recusado em todas as vezes, é claro. Não poderia dar as chances de seu filho de se matar em busca de uma futilidade. Era a primeira vez que Apolo realmente esteve aliviado de ver um pai brigar com o filho.

Quando a vida se tornou muito agitada e ocupada pela construção do Labirinto, o jovem não havia tentado mudar a cabeça do pai, mas sabia que a vida precisava de outras prioridades. Durante anos, Apolo olhava pelo o mortal. Sentia a diferença que havia sofrido. E não podia dizer o quão aliviado se sentia pelo amadurecimento do rapaz. Agora, Ícaro se concentrava em criar armadilhas e pensava em formas de engrandecer o trabalho do pai. A busca pela jornada até o Sol já não era mais um plano para o futuro.

Já o Deus, nunca havia ficado tão feliz por ter sido esquecido. Não era mais uma preocupação ver o mortal trabalhando em uma invenção, pois já não era algo que poderia o colocar em perigo ou até mesmo tirar a sua vida.

Por isso, havia ficado mais relaxado, não tinha mais nada a se preocupar. Então, não notou quando o tempo passou. Anos e décadas passavam rápido demais na contagem divina.

Ouviu primeiramente os rumores pelo o Olimpo, ninfas e deuses menores fofocavam como velhas. Era a nova invenção de Dédalo.

— Voar como os próprios deuses, é isso que eu ouvi.

— Não seja maluca! Mortais não voam!

Entre os sussurros e a curiosidade, Apolo se viu visitando Ícaro mais uma vez. Só não esperava encontra-lo voando.

A ironia do destino era horrorosa. Dédalo, que havia jurado não criar nenhuma invenção que pudesse realizar o sonho de seu filho, não teve outra escolha se não criar asas para tira-los de seu próprio Labirinto, a arma mais perigosa que criara.

Pensava que o menino havia superado o seu fascínio. Fazia anos que o moleque parara de falar sobre aquelas baboseiras.

Apolo, por um momento, também pensava que tudo estava bem. Os dois voavam em altura média por cima do mar, não havia nada para dar de errado.

Até o momento que Ícaro começou a subir.

— Não faça isso, menino! Quanto mais perto do Sol, mais rápido as velas das asas derretem! Desça já! — suplicou o pai.

Para o horror de Apolo, o filho apenas ignorou. Ele estava tão perto, parecia estar pronto para alcançar...

O Deus quase sentia o toque do inventor. Quase pensou que Dédalo estivesse errado. Talvez não houvesse nenhum problema.

Quando aproximou sua mão para tocar os cabelos do rapaz, para poder dizer que havia finalmente conseguido realizar o sonho, foi quando a primeira asa caiu. Segundos depois, Ícaro fazia companhia para a asa em uma queda livre até a morte.

Apolo tentou alcançá-lo, mas era difícil acompanhá-lo em uma carruagem que parecia ficar mais e mais lenta cada centímetro próximo do chão.

Só conseguiu ver o corpo de Ícaro sendo engolido pelos mares violentos de Poseidon. Sabia que havia perdido, o mar não era um de seus domínios. Só pode ver os últimos momentos do homem, morrendo afogado em meio as ondas e as asas que atrapalhavam qualquer chance de nadar para longe e o choro de Dédalo, ainda nos céus, amaldiçoando suas invenções podia ter matado seu filho.

Apolo também não acreditava.

Notas finais
MULHER

Não sabes o parto que foi esse mês. Mal chego na Liga e recebo um AS na minha cara. Fui ver quem eu tinha sorteado e pá, a rainha do BDSM. Logo eu, que só tenho seis anos.

Eu queria ter feito Kakashi x Yamato, ou qualquer casal que estivesse mais acima da sua lista de prioridade, mas não conseguia, não era algo que eu sabia escrever ou estava confortável escrevendo.

Então quando eu li que querias um angst pesadão com a parte mitológica, me senti em casa, já que o sofrimento é a minha especialidade.

Não teve tanto romance assim, mas é um tema que não é minha especialidade, então tive medo de cagar tudo.
Enfim, estou me tremendo na base, mas segue o baile e espero que goste ♥

E perdoa qualquer erro. Revisei como doida, mas estou surtada e posso ter deixado algo passar.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!