Notas iniciais
decididamente esse é um shipper que vem me encantando ja algum tempo...

As ondas do mar passavam tranqüilas, sendo desviadas pelo objeto que deslizava sobre as águas azuis da baía japonesa. Apesar do céu não estar tão límpido quanto o panfleto da agência mostrava, o tempo ameno era mais que bem vindo.

Não que fosse a primeira vez em estivera em um, mas as lembranças da infância em um barco eram vagas e raramente pareciam reais, se não tivesse a prova concreta de algumas fotos ilustrando o presente momento.

Miya desviou os olhos do mar para o banco ao lado, vendo Tatsurou tagarelando sem parar com um — já muito acostumado — Yukke, enquanto Satochi conversava, sobre algum assunto que mal lhe chegava aos ouvidos, com alguns staffs.

Qual era a razão do passeio se não eram capazes de interromper um pouco o papo furado e observar as pequenas ilhas, um e outro povoado isolado e as belezas naturais que o passeio propunha?

Miya observou Tatsurou mais uma vez. Os cabelos cresceram mais do que realmente apreciava no homem mais alto, mas quando o seu próprio cabelo não lhe parecia melhor, era incapaz de realmente falar sobre o assunto.

Viu um sorriso perverso se abrir nos lábios dele, e já poderia prever que o baixista não iria gostar do que estava por vir. Apesar do que, talvez, se poderia imaginar, o vocalista não perturbava o outro apenas na frente das câmeras. Era seu hobby particular poder infernizá-lo até que ficasse realmente zangado.Tatsurou se congratulava por ser o único a deixar o loiro com aquela tenebrosa expressão facial.

Sorrindo divertido quando Yukke levantou-se, caminhando com passos indignados dirigindo-se ao banheiro, o rapaz mais alto virou seu sorridente rosto ao moreno a seu lado. Era impossível permanecer indiferente, mesmo que tentasse disfarçar a diversão estampada em sua face.

“Ele estava parecendo querer se vingar.”

“Pra isso, ele precisa crescer mais uns 20 centímetros.”

O olhar zombeteiro tornou-se suplicante.

“Rida-sama, podemos parar pra almoçar?”

Não que fosse obrigação sua, enxergava mais como um hábito adquirido ao longo dos anos, estar presente e participar do processo de pagamentos e despesas extras, conversar junto a Maeda sobre o que poderiam fazer no próximo momento de lazer entre um live e outro.

Um luxo que apenas algumas turnês mais longas permitiam.

Apesar da naturalidade e conhecimento do fato, ele não foi o suficiente para impedir o vocalista de carregar o líder pela mão, praticamente forçando-o a ter participação ativa nas memórias fotográficas do grupo.

Seja atrás ou na frente das câmeras.

Um sorriso consternado no rosto, e podia-se perceber claramente o embaraço do guia do museu, quando o baixista, muito gentilmente pedia-lhe que tirasse outra foto deles junto de algum outro objeto antigo, que pertencera a pescadores mais antigos ainda, cujo valor patrimonial nenhum deles seria capaz de saber precisamente.

Com pena do pobre homem, e afim de terminar de vez a turnê interminável ao museu, o homem de cabelos longos puxou o loiro de canto, determinando a ele a função de manter o blog da banda atualizado, ordenando que ele registrasse e escrevesse no telefone celular tudo o que estava acontecendo, para assim que tivessem acesso a internet, pudessem enviar o material.

Assim, momentaneamente entretido, o baixista não foi capaz de ver o alivio estampado nas faces de metade dos presentes.

O sol abria passo ao iminente entardecer, colorindo a paisagem com um misto de tons alaranjados e avermelhados, deixando o mar num azul mais escuro, predizendo o fim do passeio.

Tatsurou parecia mais entretido, no que acreditava ser, um jogo no telefone que na paisagem em si, ao contrario dos outros, que observavam quietos, cansados pelas novidades do dia.

Disfarçadamente, Miya tirou o telefone celular do bolso, posicionou a câmera no ângulo certo, e apertou o botão. O vocalista permaneceu indiferente, concentrado no jogo, não percebendo a expressão divertida no rosto do guitarrista.

Variou os ângulos, mudou os personagens, tirou de si mesmo, porém a maior parte das fotos tiradas, continuava sendo do homem mais alto.

Até ser pego no flagra, no momento em que apertava o botão, conseguindo a melhor foto de até então, de um Tatsurou fitando-o curioso, coberto pelos raios vermelhos ainda remanescentes do sol que se punha no horizonte. Uma pequena ilha ao fundo, e um, pouco nítido arco de algum templo xintoísta completando o quadro.

Mal teve tempo de segurar o aparelho na mão, antes do vocalista puxá-lo para ver a fotografia. Também não teve outra alternativa que não enviá-la ao -modelo-.

A despedida no trapiche da agência de turismo foi rápida. Não deveria levar mais que vinte minutos, se todos se reunissem em suas respectivas vans, agilizando o processo de embarque e o retorno ao hotel deveria levar no máximo 40 minutos, se as estradas e o movimento estivessem bons.

No entanto, um Miya quase perdendo a paciência, ainda tentava convencer um teimoso Yukke a postar as atualizações do blog no hotel, até ser socorrido por um vocalista ameaçando jogar o aparelho no mar se ele não entrasse logo na van.

As vezes, Tatsurou poderia ser mais assustador que o líder, se alguém lhe tivesse perguntado.

A cabeça do guitarrista girava, e não se devia a dose de uísque que faz pouco recebera.O cansaço e o sono deixavam a cabeça pesada, e apesar do esforço, era incapaz de compreender perfeitamente o que Maeda-san falava.

Pedindo licença, foi ao banheiro lavar o rosto, sendo seguido por um curioso par de olhos.

Sentindo um braço forte em seus ombros, não precisou de muito mais para perceber que estava praticamente dormindo no bar do hotel.

Desculpando-se com os amigos da mesa, levantou-se com alguma preguiça, acompanhando o vocalista em seus passos largos em direção ao elevador.

No hall, ainda ouviu o companheiro falar algo sobre bêbados à elegante recepcionista, entretanto, quando dirigiu seus olhos aos do amigo, recebeu um sorriso amarelo, de desculpas.

Miya não precisou mais que 5 minutos para retirar a roupa, jogá-la em um canto qualquer, e cair na cama, dando um último sorriso cansado ao homem mais alto, e um boa noite resmungado.

Tatsurou ainda permaneceu encostado no batente da porta, fitando o mais velho por alguns segundos antes de, finalmente fechá-la e descer, novamente, ao bar do hotel.

FIM

05 de janeiro de 2011.

Notas finais
primeira fic escrita e postada do ano...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!