Sun & Moon

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Oiie Cupcakes ♥!! Essa é a minha primeira fanfic Yoonseok, então espero que gostem. Boa Leitura...

SUN & MOON

JH ☼ MY

"O Sol diz à Lua que a abraçará nos dias mais quentes, enquanto vida houver. Que Ela não se entristeça, pois só assim viverão sempre juntos, mesmo sem íntima aproximação. Que venham os eclipses!"

Jardson Araújo Almeida

Quando criança, o meu maior sonho era me tornar um astronauta. Eu amava o espaço e todos os seus mistérios. Eu queria ser capaz de viajar para outros planetas, desbravar o infinito que é o universo, descobrir novas vidas e fazer uma grande descoberta. E por isso, quando ainda muito jovem, as minhas brincadeiras preferidas eram sobre viajar pelo espaço sideral. Meus livros preferidos eram sobre o universo. Minha matéria preferida na escola era ciências.

Eu nunca fui bom em interagir com pessoas. Por ser muito tímido e reservado, eu não tinha muitos amigos. No entanto, meu amor por astronomia era tão intenso, que eu até mesmo me transformava em uma pessoa comunicativa apenas para defender a ciência e a importância de se estudar o universo.

E foi por causa desse amor tão intenso que eu conheci Jung Hoseok. Ele era uma criança divertida e sorridente. Estava sempre acompanhado ao seu fiel bichinho de pelúcia em forma de foguete, que ele chamava de Apollo, em homenagem ao Apollo 11, a missão que permitiu que o homem pisasse na Lua pela primeira vez.

Ele era filho do professor de Literatura de nossa escola e, por seu pai ser o professor responsável pela minha turma, Hoseok vivia indo em minha turma para conversar com seus amigos mais velhos.

Apesar da minha timidez, não foi difícil nós nos tornamos amigos. Isso, porque ele amava astronomia tanto quanto eu. Com sete e oito anos, respectivamente, Hoseok e eu passávamos nossas tardes fingindo fazer parte de missões importantes no espaço e que éramos astronautas valiosos da NASA.

E conforme nós íamos crescendo, mais amigos nós nos tornávamos e isso fazia com que eu conhecesse cada vez mais sobre aquele garoto de sorriso tão brilhante. Nós éramos completamente diferentes e esse fato se tornou ainda mais evidente quando eu entrei no ensino médio.

Eu me lembro nitidamente das palavras de minha professora na minha primeira aula de biologia no primeiro ano. Era um dia claro e com temperatura amena. Eu estava animado com o fato de finalmente ter aula da minha matéria preferida e essa animação se tornou ainda maior quando descobri que o assunto era sobre Espaço Sideral.

Poeticamente, a jovem professora nos explicou a importância do Sol e da Lua, suas semelhanças e diferenças. Mesmo que tenha se passado tantos anos desde aquele dia, as lembranças continuam gravadas em minha mente como uma tatuagem. Em certo momento da aula, uma aluna afirmou que o Sol é muito mais importante que a Lua. Com um sorriso gentil, ela nos encarou com os olhos brilhantes e começou a descrever sua opinião.

Ela nos disse que ambas possuem grande importância para a Terra. No entanto, poucas pessoas entendem sobre o quão importante é a Lua para a vida terrestre. Ela é responsável pelo efeito chamado ‘tidal force’, que é o efeito de maré. Isso faz com que o material do interior da Terra se movimente ao acompanhar os movimentos da Lua. Esse movimento provoca atritos que tornam o centro da Terra mais aquecido, o que derrete o silicato, um composto químico muito importante para nós. É através dele que temos a formação do manto e da magma, conhecida como o material expelido pelos vulcões quando em erupção. Esse processo é responsável por manter o planeta vivo.

Além disso, a Lua exerce uma força sobre a Terra que estabiliza o movimento de rotação do planeta e impede que haja mudanças em seu eixo. O nosso lindo satélite natural permite que durante o ano, exista uma alternância entre os hemisférios terrestres que se voltam para o Sol e possa também ter as quatros estações climáticas do anos, algo essencial para a vida no planeta. E como todos sabem, ela é responsável pelas marés dos oceanos, algo crucial para o surgimento da vida na Terra.

Eu fiquei fascinado pela explicação apaixonada da professora da importância da Lua. Após as aulas daquele mesmo dia, contei a Hoseok o que havia descoberto naquela aula tão incrível de Biologia. E assim como eu, ele ficou admirado e deslumbrado.

Ao fim de minha narrativa, Hoseok sorriu docemente e encarou o céu com intensidade. Era fim de tarde e não demoraria muito para que a Lua cheia se tornasse a “estrela” mais brilhante do céu. Eu observava o garoto com atenção, querendo sua opinião sobre as falas da professora. Mas, o que veio a seguir não foi uma declaração que eu esperava. Estava longe de ser uma afirmação de como a Lua é incrível ou que deveríamos visitar logo a Lua, como era de se esperar de Jung Hoseok.

“Você é a minha Lua, Yoongi-hyung! Ainda que todos desconheçam a sua importância, eu sei como ninguém o quanto você é lindo e incrível!”

Ao ouvir aquelas palavras doces de Hoseok, meu coração disparou e minha mente entrou em curto-circuito. A partir daquele momento, eu me apaixonei por Jung Hoseok. Não. A partir daquele momento, eu finalmente me dei conta da intensidade de meus sentimentos por ele.

Hoseok nem mesmo percebeu o efeito que suas palavras inocentes haviam surtido em mim. Para ele, tudo não passava de palavras carinhosas dirigidas a um amigo que ele via como um irmão mais velho. Soube disso através de sua resposta a minha típica frase “Eu gosto de você”. Sua resposta? “Eu também gosto de você, hyung. Você é meu melhor amigo e o irmão mais velho que eu sempre sonhei em ter”.

Para meu azar — ou sorte, dependendo do ponto de vista -, Hoseok era ingênuo demais para perceber os sentimentos amorosos que as pessoas poderiam ter sobre ele. E foi assim que nossas vidas seguiram. Eu continuei sendo seu melhor amigo e confidente, enquanto eu o via se envolver com outras pessoas.

Nós terminamos o ensino médio, entramos na faculdade e passamos a dividir o apartamento, com a desculpa de que era mais barato para nós termos a ajuda um do outro para as dívidas. Enquanto eu cursava Astronomia, Hoseok optou pela Engenharia Aeroespacial. Amávamos nossos cursos e permanecemos com os nossos mesmos sonhos de criança. Eu presenciei suas desilusões amorosas, as noites que passou bebendo e chorando por ter o coração partido e celebrei com ele suas vitórias.

Nós nos formamos e entramos para a KARI, Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coreia. Começamos a percorrer nossos caminhos para realizar nossos sonhos de irmos para o espaço, sempre juntos. Ainda que não fosse uma tarefa fácil, lado a lado, nós dois lutamos muito para conquistar papéis importantes dentro da agência de aeronáutica e espaço da Coreia do Sul.

Era doloroso e torturante estar tão perto e tão longe dele ao mesmo tempo. Mesmo tentando ficar com outras pessoas, eu não era capaz de esquecer Jung Hoseok. Ao invés de meus sentimentos por ele diminuírem ao longo dos anos, meu coração continuava a amá-lo com afinco. Eu não era capaz de me afastar, tampouco revelava o que sentia, porque me assustava o medo de perdê-lo.

Hoseok era o meu Sol. Brilhante, intenso e de importância vital para a minha vida. Ainda que eu fosse sua Lua, eu continuava sendo apenas um satélite. Hoseok, ao contrário, é uma estrela. Grande, majestoso, soberano e a maior fonte de energia do planeta, o Sol é sem dúvida o astro que mais admiro no Universo e Hoseok é assim para mim.

E em minha mente, essa era a prova de que não estávamos destinados a ficarmos juntos. Como completos opostos, assim como o Sol e a Lua, que se encontram e se unem em raras ocasiões, como poderíamos ficar juntos? Meu amor por ele nunca seria o suficiente para acabar com a clara distância entre nós. Eu nunca seria bom o suficiente para ele. Era presunção demais achar que um mero satélite seria capaz de se apaixonar e permanecer para sempre ao lado de uma estrela tão importante para o sistema.

E foi por isso que eu não interferi em seu relacionamento com Kim Taehyung, um astronauta que conheceu dentro da KARI e se apaixonou, mesmo que meu coração me dissesse que ele não era bom o suficiente para Hoseok. Foi por esse motivo que aceitei ser padrinho de casamento dos dois, ainda que soubesse que seria uma tortura presenciar o homem que amo se casando com outro. Foi por isso que concordei em ajudar Taehyung a preparar a cerimônia e todos os outros detalhes essenciais para que tudo saísse como os noivos desejavam.

Eu abdiquei de meus próprios sentimentos para a felicidade dele, porque acreditava não ser o certo para Hoseok. Sol e Lua. Nós éramos os opostos. Ele aparecia durante o dia, quando todos estão acordados e deslumbram de sua luz. E eu durante a noite, quando todos vão dormir e nem mesmo se lembram de sua importância para o planeta. Eu repetia isso todos os dias e a todo momento em que meu coração começava a vacilar e me dizia para revelar meus verdadeiros sentimentos a ele.

E depois de muitos meses de dedicação intensa a cerimônia que seria realizada na praia próxima ao KARI, durante um eclipse solar, o dia do casamento chegou. Seria uma cerimônia única assim como os noivos. Eu me concentrei ao máximo em arrumar os preparativos da festa e fazer minha mente ficar o mais cheia possível de tarefas, porque não queria pensar que perderia Hoseok para sempre.

Era tão complicado ter que organizar tudo, que no fim, eu estava grato por ter sido encarregado dessa tarefa. Somente o fato de querer realizar um casamento durante um dos eventos mais belos da natureza já tornava tudo ainda mais complexo. E eu me tornei tão ocupado que havia dois dias que eu não conversava direito com Hoseok. No entanto, quando entrei em seu quarto para conferir se ele estava pronto, vi que havia algo de errado com o rapaz.

Ele estava preocupado, pensativo. Não se assemelhava em nada ao Hoseok alegre e saltitante que eu conhecia. Mesmo o questionando, tudo que recebia em resposta foi um sorriso forçado e um falso “eu estou bem”. Tento me convencer de que tudo não passava de nervosismo. Era o dia de seu casamento, afinal. O dia em que ele começaria sua vida a dois com Taehyung.

Ainda que estivesse tão sério, ele não demorou a se arrumar e a seguir para o local onde seria realizado a cerimonia. Taehyung também parecia diferente e sua face não demonstrava qualquer emoção. Ele parecia angustiado e entristecido, como se estivesse indo a um velório e não ao seu próprio casamento. Eu não sabia o que havia acontecido com os dois, mas não havia tempo para questionamentos. Se eles quisessem se casar durante o eclipse solar, precisavam se apressar.

As famílias dos noivos e os amigos já esperavam ansiosos para o pontapé de um futuro brilhante para o jovem casal que andava pelo tapete vermelho ao som de uma marcha nupcial. Eles estavam lindos e sorriam fraco para aqueles que os cumprimentavam animados. Eu permanecia próximo ao juiz que iria realizar a cerimônia e me questionava se eu seria capaz de acompanhar tudo até o fim.

Nossos amigos que sabiam de meus sentimentos por Hoseok, encaravam-me preocupados. Eles sabiam o quanto eu estava sofrendo e o quanto eu havia aguentado durante esses três anos de relacionamento do casal. Enquanto eu mantinha meus olhos nos dois, meu coração e minha mente alimentavam dois tipos de esperança. Meu lado racional me dizia que essa era a oportunidade perfeita para desistir de meus sentimentos e seguir em frente. Hoseok jamais me veria como algo além de um amigo. Meu coração, por outro lado, mantinha acesa a chama de que eles não se casariam e Hoseok finalmente se tocaria que sempre me amou.

Era patético, eu sabia. Durante esses mais de vinte anos de amizade, ele nunca me viu assim, por que de uma hora para outra as coisas seriam diferentes? Ele estava prestes a se casar. Hoseok jamais iria tão longe assim se não amasse uma pessoa. No entanto, eu também não queria aceitar que estava sofrendo há mais de vinte anos por algo que nunca se tornaria real. Parecia algo melancólico e solitário demais.

E os noivos finalmente chegaram ao altar. A cerimônia se inicia. Todos ouviam com atenção as palavras do juiz. Eu permanecia ausente, relembrando todos os meus momentos ao lado de Hoseok. Talvez fosse um exagero. Não era como se ele estivesse morrendo e que eu nunca mais iria o encontrar novamente. Mas, eu sabia que as coisas seriam bem diferentes dali em diante.

Eu não acordaria mais com os gritos escandalosos de Hoseok. Eu não veria mais seu sorriso animado ao saborear mais uma de minhas refeições. Eu não me sentaria à mesa com uma garrafa de soju e o ouviria contar sobre o seu dia, ainda que trabalhássemos juntos e eu tivesse visto tudo acontecer. Eu não o veria chorar como uma criança por causa de um filme de drama qualquer ou ter que dormir com ele me abraçando fortemente por ter pesadelos após assistir a um filme de terror idiota que eu havia dito para não ver.

Ainda que viver ao seu lado fosse doloroso, era muito pior viver distante. Como eu poderia me acostumar a viver longe de suas manias irritantes depois de ter passado a amá-las? Meu peito doía ao ouvir o juiz falar sobre amor e a vida a dois. Em minha garganta havia um nó e eu sentia que poderia chorar a qualquer momento. Eu queria interromper a cerimônia, impedir que ele continuasse aquela loucura, mas sabia que eu não tinha esse direito. Casar-se com Taehyung havia sido uma escolha dele. Então, eu precisava aceitar e ponto final.

— Kim Taehyung, você aceita Jung Hoseok como seu legitimo esposo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, mantendo-se fiel a ele até que a morte os separe? — Pergunta o juiz, no momento em que o eclipse solar se inicia. Era algo quase surreal e incrivelmente bonito. Respiro fundo e mantenho meus olhos atentos a reação dos noivos.

Para a surpresa de todos, Taehyung permanece calado e pensativo. Hoseok o encara intensamente, mas não parecia surpreso. No entanto, ainda era evidente a sua preocupação. Era como se eles tivessem muito a falar, como uma conversa não acabada. O juiz chama a atenção de Taehyung, mas ele apenas se vira para Hoseok e o observa atentamente.

— Você tem certeza de que é isso que você quer fazer? — E sua pergunta faz todos encararem os noivos assustados. O que estava acontecendo, afinal? Taehyung me observa por alguns instantes e volta a sua atenção para o noivo. — Você tem certeza de que você quer se casar comigo?

— Tae, eu… — Hoseok tenta dizer alguma coisa, mas as palavras parecem se perder em sua garganta.

— Seja sincero comigo, Hoseok-hyung. Você quer mesmo, do fundo do seu coração, se casar comigo? — Repete Taehyung com seriedade.

— Eu sinto muito. — Sussurra Hoseok, fechando os olhos com força. O mais novo suspira e se vira para todos os convidados com um sorriso envergonhado e entristecido.

— Eu sinto muito, mas não teremos mais casamento. — Anuncia Taehyung.

— O que? Do que você está falando, Taehyung? — Pergunto, assustado. O eclipse estava quase em seu fim e os convidados pareciam não saber como reagir ao desfecho daquela cerimônia. — Por que está cancelando o casamento?

— Desculpa, hyung, mas isso não está certo. — Responde o Kim, sorrindo fraco. Ele vira sua atenção para o céu e deslumbra dos poucos instantes do magnífico fenômeno astronômico. — Eu acabei percebendo que eu sou o intruso nessa história. Me desculpe por ter levado isso tão longe.

— Do que você está falando? — Eu continuava sem entender o que estava acontecendo. — Do que ele está falando, Hoseok?

Hoseok me olhava desesperado. Eu não entendia nada, mas havia tantos sentimentos, palavras e emoções soltas naquele momento. Minha mente tentava decifrar os enigmas por detrás daquele olhar amedrontado de Hoseok, algo que jamais havia visto antes. Ele me encarava intensamente. Não parecia se importar com o fato de seu noivo ter cancelado o casamento.

— Hoseok-hyung te ama, Yoongi-hyung. No fim, você sempre foi o dono do coração dele e eu apenas fui idiota o bastante para achar que poderia mudar o destino de vocês. — Revela Taehyung, sorrindo forçado. Algumas lágrimas se formam em seus olhos, mas ele parecia determinado a não as deixar cair. — Eu sinto muito se me mantive por tanto tempo entre vocês.

— Taehyung! — Hoseok o repreende, desesperado.

— Ele precisa saber a verdade, hyung. — Afirma Taehyung, suspirando em seguida.

— Isso não é… Não pode ser… Hoseok não… — Eu continuava a balbuciar, perplexo demais para aceitar que suas palavras eram verdadeiras. Não podia ser verdade. Hoseok me via como um amigo. Taehyung estava errado. — Hoseok só me ver como um amigo. Ele não de mim dessa forma, Taehyung.

Taehyung abre um sorriso compreensivo e finalmente vejo algumas tímidas lágrimas caírem pelo bonito rosto. Seu irmão mais velho, Kim SeokJin, corre em direção ao rapaz e o abraça com força. Ao contrário do que pensei, SeokJin não parecia com raiva e tampouco surpreso.

— Acredito que já passou da hora de vocês declararem seus sentimentos. — Murmura Taehyung, recompondo o suficiente para me encarar. — Cuide bem dele e o faça feliz. Seja feliz, Yoongi-hyung.

— Vamos, Tae. — Pede o irmão de Taehyung, compadecido pela situação em que o irmão se encontrava. Ele se vira para nós e suspira. — Apesar de tudo, também desejo a felicidade de vocês. Boa sorte.

Após isso, os irmãos Kim vão embora. Eu estava atordoado demais. O que estava acontecendo? Isso era real? Quer dizer, Hoseok não vai mesmo se casar e ainda havia possibilidade dele gostar de mim como algo além de seu melhor amigo. O Jung parecia perdido, envergonhado e encarava os próprios pés, pensativo. Vejo o olhar questionador de seu pai, mãe e irmã, além dos outros convidados que continuavam sentados a espera de um novo acontecimento ou uma explicação mais clara para o que estava acontecendo.

— Vem comigo. — Puxo Hoseok pela mão, guiando-o até onde meu carro estava estacionado.

Assim que entramos em meu carro, saio sem nenhum destino específico. Nós precisávamos conversar, mas antes disso, eu precisava esvaziar a minha mente e colocar meus pensamentos em ordem, por isso, fizemos o percurso inteiro em silêncio. Hoseok também parecia não saber o que dizer e pela primeira vez na vida, o vi ficar tanto tempo sem dizer nada.

Quando chego uma parte mais afastada da praia, onde parecia estar deserta, estaciono o carro e saio. A brisa marinha bate em meu rosto, suavemente, e eu observo o movimento de vai e vem do mar. Sento-me na areia e não demora muito para que Hoseok se sentasse ao meu lado. Por mais alguns instantes, permaneço em silêncio, procurando as palavras certas para começar aquela conversa.

— Isso é verdade? O que o Taehyung disse é verdade? — Resolvo ir direto ao ponto. Não adiantaria nada ficar enrolando e temendo questionar o que eu realmente queria saber. No fim, eu precisava mesmo pôr um ponto final nessa história.

— Eu… — Hoseok suspira ao ver que eu não queria mais nenhuma desculpa. Encaro-o com intensidade. — Sim.

— Há quanto tempo você gosta de mim? — Pergunto, fazendo um grande esforço para me manter calmo. — Por que não me disse antes?

— Eu não sei. É só que… você sempre esteve ao meu lado. Desde que eu me lembre, fomos sempre você e eu. E quando eu dei por mim, já não conseguia mais esconder de mim mesmo que gostava de você. Mas, ao mesmo tempo, eu achava errado esse sentimento. Você sempre cuidou de mim e me tratou como um irmão mais novo. E se você não gostasse de mim? E se eu estragasse tudo e acabasse perdendo você, hyung? Eu jamais conseguiria lidar com isso. — Hoseok revela, parecendo colocar para fora tudo que estava preso em sua garganta. — Eu disse a verdade quando declarei que você é a minha Lua. Mas, mais do que isso, você é alguém que eu jamais poderia ter, hyung. Taehyung me ajudou a lidar com esse sentimento. Ele é incrível e eu apenas pensei que pudesse aprender a amá-lo. Eu sou horrível, hyung! Eu usei alguém que me amava de maneira egoísta e me apaixonei por quem não devia amar.

— Você não é horrível! — Exclamo, virando-me bruscamente para Hoseok. — Não diga que não deveria ter se apaixonado por mim. Durante esses vinte anos de amizade, eu tenho dito a mim mesmo que não sou bom o suficiente para você, Hoseok. Você é o Sol. É a pessoa mais brilhante e bonita que eu conheço. Eu me martirizei por anos, crendo que meus sentimentos eram errados, porque você me via apenas como um amigo, um irmão mais velho. Eu amei você durante todos esses anos, Hoseok. Então, não diga que é errado me amar, quando isso foi tudo que eu mais desejei desde que entendi que queria que você me visse como um homem e não como um irmão.

E em um gesto inesperado, Hoseok me beija. Essa era a primeira vez que eu sentia os lábios carnudos e macios do rapaz. Suas mãos seguravam minha nuca com firmeza e sua respiração estava tão pesada quanto a minha. Meu coração bate ainda mais acelerado. Minhas mãos agarram em seu terno e se eu tivesse em pé, com certeza, minhas pernas falhariam.

Naquele momento, eu sentia que estar com Hoseok parecia a coisa mais certa a se fazer. Sentir o calor de seus lábios sobre o meu era a melhor sensação que eu já havia experimentado até o momento. De repente, todos os meus receios e repreensões por amá-lo já não pareciam mais fazer sentido. Hoseok e eu deveríamos ficar juntos. Minha mente ecoava esse pensamento com intensidade e meu corpo parecia reagir por instinto ao seus toques.

— Uau. — Sussurra Hoseok com sua testa encostada na minha. Nossos olhos se encontram e é como se eu fosse capaz de ver o universo na imensidão escuro que eles são. Acaricio seu rosto e ele coloca sua mão por cima da minha. — Eu te amo. — Declara como se fosse seu segredo mais valioso.

— Eu te amo. — Respondo, abraçando-o. Coloco meu rosto na curvatura de seu pescoço e inspiro o perfume amadeirado tão adorado por Hoseok. Ele corresponde ao abraço com intensidade.

— Nós fomos tão idiotas. — Comenta Hoseok com divertimento em sua voz. Eu me afasto para encarar seu rosto e ele abre um largo sorriso. — Sério! Se tivéssemos tido um pouquinho mais de coragem para revelar nossos sentimentos, poderíamos ter evitado tanto sofrimento para nós e para outras pessoas.

— Como Taehyung descobriu a verdade? — Pergunto preocupado. Apesar de não querer vê-lo com Hoseok, eu gosto muito dele e não queria que ele tivesse sofrido tanto.

— Você quer mesmo saber a verdade? — Questiona Hoseok, envergonhado.

— Claro que sim. Se eu não quisesse, não teria perguntado. — Respondo revirando os olhos diante da estúpida pergunta.

Hoseok hesita. Ele se afasta um pouco mais e parece pensar nas palavras certas para explicar o que tinha acontecido. Tento criar teorias que o fizesse ficar tão relutante em revelar a verdade, mas nada parecia tão ruim assim. Observo com atenção o seu desconforto. Por fim, ele respira fundo e me encara com o rosto incrivelmente vermelho.

— Vamos dizer que ontem eu falei o seu nome no pior momento possível. — Revela Hoseok e eu preciso de alguns segundos para assimilar o que ele havia acabado de revelar. Quando enfim compreendo, sinto meu rosto esquentar e começo a ri, nervoso.

— Você chamou o meu nome enquanto transava com o Taehyung? — Exponho o que estava em minha mente e, surpreendentemente, ele consegue ficar ainda mais vermelho do que já estava.

— Não foi por querer. Simplesmente saiu. — Hoseok tenta se justificar, mas isso só torna a situação ainda mais hilária. No entanto, ainda que eu não quisesse admitir, saber disso com certeza serviu para inflar um pouco o meu ego.

— Você chamou o meu nome enquanto transava com o seu noivo um dia antes do seu casamento. — Digo e ele ri, envergonhado. — Estou surpreso que ainda esteja vivo. Taehyung não quis te matar?

— A sua primeira reação foi me empurrar e me encarar confuso, como se duvidasse do que tinha ouvido. O problema é que você sabe como eu fico quando estou nervoso. Comecei a tentar consertar o meu erro, mas só me compliquei ainda mais. Ele começou a me dar vários tapas, revoltado, e questionou se eu estava o traindo com você. Confesso que foi bem complicado conseguir acalmá-lo e explicar que não era nada disso. Sem saída, eu tive que revelar meus verdadeiros sentimentos. Taehyung ficou chateado e permaneceu em silêncio por mais de uma hora, apenas me encarando. Meu cu trancou na mesma hora. Sabe o que é ter uma pessoa que tem todos os motivos do mundo para te matar, te encarando fixamente por mais de uma hora em silêncio? Eu sentia como se ele estivesse planejando a minha morte e a forma como ia esconder o meu corpo. — Rio de sua declaração. Ele ri e continua: — Mas, quando ele finalmente deixou algumas lágrimas caírem, soube que pelo menos vivo eu sairia.

— O que ele disse? — Pergunto, sentindo-me culpado pela dor que ele deve ter sentido. Em seu lugar, eu também me sentiria traído.

— Ele disse que já desconfiava. Seu irmão mais velho também havia o alertado. Não que SeokJin me detestasse, ele apenas via que eu não amava seu irmão mais novo da mesma forma que Taehyung me amava. No fim, ele deixou a decisão em minhas mãos. Como eu acreditava firmemente que você nunca me amaria, eu escolhi continuar o casamento. E bom, o resto você já sabe. — Termina, sorrindo culpado. — Eu me sinto muito mal pelo que fiz com ele. Taehyung não merecia isso e ainda que eu soubesse, eu agi de maneira egoísta.

Abraço Hoseok com força, tentando diminuir um pouco da dor que ele sentia. De certa forma, eu me sentia da mesma forma que ele. Mesmo que indiretamente, eu atrapalhei o relacionamento dos dois e fiz sofrer uma pessoa que não merecia. No entanto, eu também já estava cansado de sempre colocar meus sentimentos em segundo plano. Ao menos essa noite, eu quero aproveitar o fato de meu amor ser correspondido. Queria poder divulgar para o mundo inteiro que eu sou o dono do coração de Jung Hoseok.

— Amanhã, quando ele já tiver mais calmo, nós conversamos com ele. Mas, essa noite, eu quero que você se concentre em mim. — Pego no rosto de Hoseok e o obrigo a me encarar. Seus olhos brilhavam intensos. Amor, desejo, luxúria, confiança. Todos os sentimentos que sempre desejei ter direcionado para mim, finalmente estão expostos em seus olhos enquanto ele me olha. São meus e somente para mim. — Essa noite, vamos tentar recuperar todo o tempo perdido. Mostre-me o que sente por mim com algo muito além de palavras. Faça-me sentir que você realmente me ama e que não estou errado em te amar mais do que qualquer pessoa nesse mundo.

E assim como o Sol e a Lua que se encontram em raras ocasiões e se tornam um dos eventos mais bonitos da natureza, o eclipse, Hoseok e eu nos tornamos um só. Tendo a Lua e as estrelas como testemunhas, nós nos amamos e experimentamos emoções que jamais tivemos a chance de sentir antes. E seria assim até os últimos dias de nossas vidas. Como o Sol e a Lua, continuaríamos a lutar todos os dias para que o encontro de nosso amor se tornasse sempre o mais belo dos fenômenos da natureza.


FIM

Notas finais
O que acharam meus amores? Não me deixem no vácuo!! Algum erro, sugestão ou crítica? Estou aberta a opiniões. E se você gostou da história, eu tenho inúmeras outras postada. Deem uma conferida e depois me digam o que acharam. Obrigada por ter lido até aqui. E se você quiser entrar no meu grupo de leitores, o link está logo abaixo. Beijocas ♥

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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!