Summertime
1 Único
Tuas feições são plural.
Teu olhar é a própria ipseidade.
Doce criança, o que a vida lhe fez?
Inefável Hostilidade. O desgrenhar áureo tão felino, conheço tua fome da carne. Sei na pele o gume das tuas palavras. Pirrônicas, nocivas, calculadas, desfreadas. Grande ilusão. O poder nunca esteve no léxico, sempre na entonação.
Teu sorriso ainda cintila no mais obscuro. Diga-me porque toda aquela maldade.
Nepente renascimento,
Ensaio para a eternidade.
Vi de perto a transcendência dos teus limites, chorei junto. Nada a ver com lágrimas, mas um doloroso sangrar do que há de mais etéreo na alma. Precisa de um abraço, doce criança?
Gesto tão ínfimo em tua tempestade. As nuvens continuam vindas dos hiatos. Por que não conseguimos pará-las? Não me abandone, a essência de petrichor ainda assusta.
Tua insegurança é fruto da constante rejeição.
Teu medo exagerado tem explicação.
A máscara custa.
Não permita a primavera passar.
Não permita o jardim murchar. O veludo das pétalas que agora distribuis pode quebrar as pedras que rodeiam teu coração. Eu sei que ele voltou a bater, posso escutar a melodia daqui.
Me dê sua mão, conheço um lugar ensolarado.
Toco a superfície gélida. O prata ondula até tornar-se espelho outra vez.
Tuas feições são amargas.
Teu olhar é a própria cicatriz.
Doce criança, ainda sou você.
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