Notas iniciais
olá, então eu n estou feliz hoje pq esse cap >fodeu< com o meu emocional. pq enfim, eu acho que eu sempre acabo colocando um pouco de mim em cada cap, e eu fico me imaginando no lugar dos personagens, então slá, to emotiva. n sei se vcs costumam ler escutando música, mas eu costumo escrever escutando. eu escrevi esse escutando Atlas - Coldplay, que é a trilha sonora auxiliar de Em Chamas, não que isso venha ao caso rsrs então slá, se vcs quiserem escutar algo enquanto leem, eu sugiro essa.
boa leitura, nos vemos lá em baixo

6 anos atrás, NY

- Kiera!

Kiera está no seu quarto desenhando quando escuta a voz do pai lhe chamando. Ela sabe que está em apuros quando Charlie Haver usa esse tom de voz. Receosa, levanta-se da cama, deixando o caderno de desenhos sobre a mesma, e vai até o corredor. No topo das escadas, grita para o pai que está na sala procurando por algo.

- O que foi papai? – pergunta com a voz mais inocente que consegue fazer soar.

- Nem me venha com essa de “papai” e a voz inocente. Desça essa sua bunda encrencada para cá agora. – ele lhe responde, sem nem olhar em sua direção.

Kiera começa a pensar nas possíveis razões de estar encrencada dessa vez. Notas ruins na escola? Não, isso é com Kyle, Kiera tem notas boas. Desobedecer ao toque de recolher? Não, isso também é com Ky.. ok, talvez uma vez, mas ele não tem como saber disso.. não é? Tudo bem, talvez tenha sido o lixo? Não, seu pai não faria essa voz só por ter ela se esquecido de tirar os lixos. Então só sobra uma coisa...

- Onde estão os meus materiais? Os papéis do meu projeto de arquitetura da Sra. Hammilton? Lápis de carvão? Lapiseira? – questiona ele, dessa vez encarando-a.

Kiera tenta soar calma e tranquila quando responde.

- Como eu vou saber papai? As coisas são suas, e senhor deveria sab..

- Não se faça de desentendida, Kiera May Haver. Eu sei que você os pegou. Com os lápis de carvão eu nem me importo, mas eu preciso da minha lapiseira e dos meus papéis de volta. É o que eu uso para trabalhar. Agora arraste essa bunda preguiçosa até onde você os guardou, e traga-os para mim. – seu pai disse numa voz inflexível, fazendo Kiera perceber que era inútil tentar negociar.

Arrastando-se escada acima, pensou que na próxima vez, teria de ser mais cuidadosa. E se ela usa-se para fazer seus desenhos e depois colocasse onde pegou? Talvez seu pai nem percebesse. Hmm, soava como um bom plano para ela. Interrompendo seus pensamentos, seu pai falou novamente.

- Nem pense nisso! Eu sei que essa mente pequenina e diabólica já está formando um plano para pegá-los de volta.

Ainda na metade da escada, Kiera virou-se na direção do pai.

- Como você sabe o que eu estou pensando? Você é um arquiteto, não um vidente do além, instalado em NY.

Charlie riu com a escolha de palavras da filha.

- Eu posso não ser um – fez aspas com os dedos no ar para enfatizar – vidente do além, instalado em NY, mas eu sei como a mente da minha menina funciona e como você trabalha em seus planos diabólicos.

Kiera deu um sorrisinho para o pai, virou-se e continuou a subir. Chegando ao topo da escada, amaldiçoou por seu pai a conhecer tão bem.

*****

Agora, sentada na sala de espera do hospital, aguardando Kyle lidar com a recepcionista, Kiera ficava imaginando se o seu pai saberia, mesmo que inconscientemente, o estado em que a cabeça de Kiera estava.

Ela não podia parar os pensamentos que corriam soltos em sua mente. E se seus pais morressem? Ela não os visitava em casa fazia mais de uma semana. Ela também não se lembrava da última vez que tinha dito-lhes que os amava. Agora, a única coisa em que podia pensar era que não queria que eles morressem sem que eles ouvissem isso dela. Kiera também não podia suportar a ideia deles ficarem vivos, mas não lembrarem-se de quem eram, da vida antes do acidente, e até mesmo, dela e de Kyle.

A caminho do hospital, Kyle tentou da forma mais calma possível, explicar para Kiera o que havia acontecido. Seus pais estavam voltando do Central Park, aparentemente de um piquenique que resolveram fazer nesta manhã, quando seu pai foi desviar o carro de um cachorro que estava na rua. Só que o cachorro estava em um cruzamento, e assim que eles desviaram do cachorro, bateram de frente com um caminhão de carga que vinha por uma rua lateral. O impacto fez com que Charlie batesse a cabeça no volante, e Beth contra o vidro. Agora, Kiera tinha medo que a batida pudesse ter causado algo mais grave, fazendo-os perder a memória ou até a vida.

Apesar da tristeza que a afundava, Kiera não conseguia chorar. Era difícil para ela, depois de tanto tempo. Assim que voltara de Miami, quatro anos atrás, prometera a si mesma não mostrar sinais de fraqueza. Depois de tanto tempo sem chorar, a única ocasião em que quase quebrou sua promessa, foi quando contara a Joe sobre Dylan estar em NY. Nem quando ela lhe contara o que Dylan fizera no verão, Kiera foi capaz de chorar. A última vez que tinha chorado, fora na frente de Dylan, em Miami.

Agora, entretanto, era diferente. Neste momento, ela queria que lágrimas caíssem. Queria buscar o alívio da dor que estava sentindo. Mesmo sabendo que talvez as lágrimas não mudassem o que estava sentindo, ainda seria uma forma de liberar a angústia dentro de si.

Kyle ainda estava no balcão, agora resolvendo as papeladas da internação dos pais, enquanto Kiera só conseguia ficar imóvel na cadeira da sala de espera. Não prestando atenção em nada a sua volta, nem percebeu que alguém tinha sentado ao seu lado, até que colocou a mão em sem ombro. Ela olhou para o lado, receosa de quem poderia estar ali.

Assim que viu os olhos castanho mel que esbanjavam compaixão, Kiera sentiu um salto no coração.

- Billie Joe.. – começou com a voz rouca, sem motivo, aparentemente, pois nem chorar ela conseguia.

- Shh. – ele disse com ternura, já puxando-a para um abraço – Tudo vai ficar bem, pequena K. – murmurou contra os cabelos dela.

Agarrando-se a ele, Kiera sente um pouco mais de paz. BJ sempre teve esse efeito nela, como se sempre que ela fosse desmoronar, ele estaria esperando de braços abertos para segura-la. Kiera ficou agarrada a ele por alguns minutos, talvez muitos, ela não sabia dizer. Afrouxou um pouco o aperto do abraço e afastou-se o bastante para olhar em seus olhos.

- E se eles não ficarem bem, BJ? – perguntou, quase sussurrando.

- Tudo vai dar certo, pequena K. Tudo vai dar certo. – puxou-a novamente para um abraço.

*****

Kiera só percebeu que tinha dormido nos braços de BJ, em uma cadeira na sala de espera, quando foi acordada por Kyle, chamando seu nome.

- Hey, Kie, vamos lá, eles nos liberaram para vê-los. – disse ternamente.

Kiera levantou rapidamente, já ansiosa para saber como eles estavam. Joe seguiu ao lado de Kiera, fornecendo-lhe uma força que ela não possuía. Kyle estava do seu outro lado, parecendo mais calmo do que realmente estava. Ele sempre foi bom em esconder o que está sentindo, Kiera refletiu. Chegando ao final do corredor, entraram no elevador que já estava esperando-os, e apertaram o botão do quarto andar.

Quando chegaram ao andar, Kiera sentiu o ar mais pesado. Como se só coisas ruins passassem por ali, o que fazia total sentido, considerando que estavam em um hospital. Mesmo sabendo que isso não era verdade, que em hospitais também se dava a vida às crianças e felicidade às famílias, Kiera não conseguiu afastar a negatividade dos seus pensamentos. Não depois do que passou neste dia, depois do pânico que a atolou desde que Kyle falou sobre o acidente.

Chegando à porta do quarto 422, Kiera prendeu a respiração. Desde que chegara ao hospital, a única coisa que queria fazer era ver os pais. Agora, na frente da porta que a separava deles, não sabia se ainda queria fazer isso. Respirando fundo, levantou a mão para girar a maçaneta da porta. Assim que a porta abriu, Kiera congelou no lugar.

Ela olhava atônita para dentro do quarto, onde duas camas estavam dispostas, com os corpos de seus pais em cima. Seus olhos viajam para cada equipamento hospitalar ligado à seus pais. Kyle colocou a mão em seu ombro.

- Vamos lá, Kie. Está na hora de enfrentar isso. – falou baixinho.

Kiera apenas assentiu, dando um passo em direção ao quarto e, assim, liberando a entrada para Kyle e Joe. Caminhando a passos lentos, finalmente chegou perto da cama da mãe. Kiera não conseguia tirar os olhos da faixa que tinha em sua testa. Caninhos ligados às narinas, para fornecer-lhe oxigênio, dividiam seu rosto em duas metades. Analisando o rosto da mulher que conhecia a vida inteira, Kiera notou apenas alguns cortes em seu rosto, nada que afetasse a beleza da mãe. Os bips dos corações dos dois ecoavam no quarto, cada um em sua passada.

Conseguindo desviar os olhos da mãe, olhou na direção de seu pai. Kiera segurou novamente a respiração ao perceber o seu estado. Foi na sua direção, mesmo não sabendo como suas pernas estavam se movimentando no momento. Analisando os cortes no rosto do pai, teve vontade de chorar, mas, novamente, nenhuma lágrima foi derramada. O rosto de Charlie, apesar de não ter uma faixa na testa, estava mutilado. Não só em função dos cortes. Mas ali, deitado na cama hospitalar, o homem parecia ter envelhecido dez anos.

Kyle abraçou a irmã de lado, e Kiera agradeceu silenciosamente por isso. Mesmo não tendo nenhuma lágrima escorrendo em seu rosto, Kyle podia ver que sua irmã caçula estava prestes a desmoronar ali mesmo. Com a voz mais calma que pôde, Kyle começou:

- Vamos sentar no sofá, Kie. Você precisa descansar um pouco. Já é noite, e você não vai conseguir aguentar amanhã se não dormir um pouco.

- Eu já dormi antes, Ky. – respondeu baixo.

- Eu sei, mas não é o suficiente. Descanse um pouco, eu vou ficar acordado cuidando deles. – ela começou a protestar, mas Kyle a interrompeu – Não, está tudo bem. Depois eu também vou dormir. Agora, me empreste seu celular, vou pedir para Lizzy passar no seu apartamento e trazer umas roupas para você. – ela lhe entregou o celular, sem importar-se com nada.

- E você? – pediu – Quem vai trazer as suas?

Ele sorriu fraco, os olhos com tristeza pelo ocorrido do dia.

- Dylan vai trazer, mas ele não vai poder ficar. O máximo de companhias em quartos duplos é três pessoas, e estou supondo que precisamos de Joe aqui.

Kiera nem se incomoda com o fato de que Dylan apareça. Ela está tão esgotada, que terroristas poderiam aparecer agora, e ela nem se importaria. A não ser, é claro, que eles ameaçassem colocar bombas no hospital.

- Não, — falou Kiera – Billie Joe tem de ficar. Se ele for embora, não sei se consigo lidar com isso.

Kyle assente e sai do quarto para fazer a ligação. Kiera olha na direção do sofá de dois lugares onde BJ está sentado. Ele acena para que ela vá até ele. Sentando-se ao seu lado, encosta a cabeça em seu ombro e suspira.

- Me diga que vai ficar tudo bem, Billie Joe. Eu não posso perder eles. Eu.. eu.. – gagueja, impossibilitada de falar tudo de uma vez – eu não sei se seria capaz de me levantar novamente se mais alguma coisa de ruim acontecesse.

- Shh, pequena K – diz BJ – Vai ficar tudo bem. Não pense no pior. Você sabe que seus pais nunca foram de ir para uma guerra sem lutar. Esse é só mais um desafio, querida. – termina, beijando a testa de Kiera.

Ela assente fracamente, sentindo o sono chegar a ela. Seus olhos se fecham e ela começa a deslizar para o silêncio da mente vazia. Um pouco antes de cair em sono profundo, escuta BJ murmurar:

- Tudo vai ficar bem, pequena K. Eu prometo.

E então, ela foi engolida pela escuridão.

Notas finais
e aí, o que acharam? me contem, preciso saber como vcs se sentiram lendo esse, pq sinceramente, esse foi o mais difícil de escrever pra mim; não sei quando sai próximo cap, mas vou tentar n demorar pra n deixá-los nessa agonia. bjus