Notas iniciais
essa é a minha primeira fic, então por favor, não sejam tão exigentes. espero que gostem! boa leitura ♥

M.

O trânsito estava insuportável.

Buzinas não paravam de soar e bicicletas invadiam as faixas dos automóveis. Kiera estava certa de que eles estavam bem cientes da ciclovia na lateral da rua, mas na verdade só não queriam “obedecer às regras”. Ela nunca entendeu bem esse conceito, realmente. Kyle sempre dissera que Kiera deveria ser mais cuidadosa e não desafiar tanto seus pais – ou o resto do mundo -, senão um dia acabaria com problemas. Dito e feito. Agora, naquela segunda-feira insuportavelmente quente de NY, Kiera estava no seu Chevy Camaro 68 preto – o qual carinhosamente chamava de Lecy – indo para a NYU* no meio de um engarrafamento só porque resolvera pegar um caminho mais “curto”. Kyle, o qual estava sentado ao seu lado reclamando a mais de 10 minutos, ficava lhe jogando na cara que tinha avisado sobre o “caminho mais curto” e que deveriam ter seguido pelo qual sempre usavam. Se ele não fosse seu irmão, provavelmente já teria deixado ele ali mesmo. Depois que saíra da casa dos pais, Kiera fora morar no centro, mas só porque estava lá, não significava que seu irmão largaria do seu pé. Kyle se mudou para um bloco de apartamentos a uma quadra de distância do de Kiera. Assim, ele poderia “ficar de olho nela”, como seu pai havia pedido ao filho. Esse não era bem o conceito de liberdade que ela estava buscando.

*New York University

– O que você espera Kyle? Que eu crie uma rotatória aqui e possa retornar ou que eu saia costurando no meio dos carros como os ciclistas estão fazendo?

– Eu não espero nada, pois não há realmente algo a ser feito. Estamos um pouco, e com pouco eu quero dizer muito, atrasados e ainda por cima presos no meio desse trânsito infernal. Eu te disse para pegar a 1st! A 3rd sempre tem engarrafamentos essa hora do dia.

– Bom, é um pouco tarde agora. O jeito é esperar, porque nem estacionamento tem aqui para que eu possa estacionar e irmos o resto do caminho a pé. E se você continuar reclamando, eu vou te deixar logo al..

Kiera estava prestes a falar sobre deixa-lo na companhia do senhor sem-terra que estava pedindo esmolas ali perto, quando uma moto cortou a frente do carro. Ok, estava se movimentando à, no máximo, uns 10km/h, mas mesmo assim, não estava parada na rua. Apertou a buzina com toda a força que tinha e pressionou o botão do vidro elétrico para falar umas poucas e boas para o motoqueiro abusado.

– Hey, idiota. Tem gente que respeita as normas de trânsito aqui. Que tal voltar pra autoescola e ficar bem longe da minha Lecy?

– Kiera, pare de gritar janela afora, pelo amor de Deus – exclamou Kyle.

– Ah, por favor, o cara é um imbecil, quase arranhou a Lecy! Ela já está com problemas suficientes, tenho que leva-la na quarta-feira para Joe dar uma olhadinha, não preciso de mais um empecilho.

Colocou a cabeça para fora da janela novamente a tempo de gritar mais umas palavras nada bonitas para o motoqueiro que não tinha nem se dado ao trabalho de olhar para trás.

Esse, que antes parecia não ter escutado, ou simplesmente ignorado os gritos de Kiera, começou a retornar para perto do carro de Kiera. Ok, por essa ela não esperava. E se o cara fosse um psicopata e tivesse ficado irritado com o que ela disse? E se quisesse mata-la só por ter xingado ele quando, obviamente, ele era o errado na história? Ok, Kiera, concentre-se! Não é como se ele pudesse cometer um homicídio no meio da 3rd, pensou. Enquanto as perguntas não paravam de martelar em sua cabeça, Kyle continuava a murmurar coisas do tipo: “Era só o que faltava”, ou “Lá vamos nós, para o segundo ato, cena um, no meio da rua”. Kiera resolveu ignorá-lo, afinal o cara da moto estava cada vez mais perto.

Parando com a moto a uns três metros de distância de Lecy, o cara, que agora Kiera percebia ser bem, mas beeem alto desceu da moto e começou a andar em sua direção. Tentando mascarar ao máximo seu nervosismo, lançou-o um olhar confiante enquanto se aproximava. Conforme chegava mais perto, Kiera pôde perceber que ele era bonito. Não, bonito não, ele era lindo. Com cabelos negros bagunçados e olhos que pareciam competir com a sua roupa para ver qual eram mais escuros, ele a olhava que com um pouco de curiosidade e ceticismo. Analisando-o, Kiera pensou que aqueles olhos lhe eram familiar, porém deixou esse pensamento de lado quando ele parou um meio metro de distância da janela.

– Voltar para a autoescola não é? – disse com um sorrisinho arrogante – E você, não precisa voltar para lá? Porque pelo que pude ver, você perdeu tanto tempo me secando com os olhos que se esqueceu de prestar atenção no trânsito e ver que está parada no meio da rua.

Filho da mãe, pensou Kiera. Ele estava certo, ela estava parada no meio da rua, e ok, estivera encarando ele, mas ela não iria admitir isso. Nem morta!

– Oh, além de não saber dirigir, ainda se acha engraçadinho, não é?! Escute aqui, motoboy, se você não tivesse cortado a minha frente, eu não teria gritado com você e também não teria parado no meio da rua. Agora, faça um favor a nós dois e suma da minha frente, porque eu e Kyle já estamos atrasados.

A menção de seu nome, Kyle decidiu que já era hora de parar de ignorar o que a irmã e o estranho falavam, e virou em direção à bagunça que estava acontecendo bem ao seu lado. Seus olhos se arregalaram de surpresa.

– Dylan?

Esse, que fuzilava Kiera com um olhar silencioso, direcionou sua atenção para o lado da garota. Imitando a expressão surpresa de Kyle, porém com um sorriso já lhe escapando dos lábios, analisou o amigo.

– Só pode ser brincadeira – disse Dylan, mal acreditando.

– Quando você voltou de Miami? Achei que fosse ficar morando lá. E a Mary, como ela tá? – Kyle questionou sem respirar, já saindo do carro para abraçar o amigo.

– Cheguei hoje. Vovó praticamente me expulsou de lá depois que briguei com o filho dos McGarry – disse rindo –. A Mary tá bem, só maior. E morrendo de saudades de você.

Kiera, que não estava entendendo nada, pigarreou para chamar a atenção dos mais novos melhores amigos.

Eles viraram na sua direção, o tal de Dylan parecendo que nem lembrava mais de sua existência. Com a maior cara de pau, olhou novamente para Kyle e disse:

– Cara, a sua garota é meio estressada – e começou a rir.

No momento que suas palavras saíram, era impossível dizer quem estava mais horrorizado: Kiera ou Kyle.

Os dois se entreolharam com descrença e começaram a fazer caretas de nojo, reclamando a cada inspiração de ar.

– Urgh, que horror – Kyle se esforçou para não cair na gargalhada.

– O QUÊ??? Da onde você tirou isso? Credo!!! – Kiera praticamente gritou.

Dylan sem entender nada, ficou olhando entre eles.

– Vocês não estão saindo juntos? – perguntou por fim.

Kiera estava preste a gritar algo como “eu tenho cara de quem quer azarar o próprio irmão, babaca?”, porém Kyle foi mais rápido.

– Não cara, eu estou bem sem ter que sair com a minha própria irmã.

Dylan arregalou os olhos com a compreensão.

– Essa é a Kiera? – questionou.

– Até onde eu sei, sim – Kyle respondeu rindo.

– Cara, isso tá cada vez ficando mais louco – concordou rindo.

Kiera, cansada de assistir o showzinho sem entender o que se passava ali, interferiu.

– Ok, a conversa está ótima, mas que tal um dos maricas me explicar o que está acontecendo aqui?! – olhou-os com ar de superioridade, o que não combinava muito com ela, já que ali no meio, ela era a mais nova.

Kyle e Dylan resolveram ignorar o insulto e esclarecer os fatos. Antes que Dylan pudesse falar, Kyle olhou para a irmã com certo divertimento no olhar.

– Irmãzinha, esse cara aqui, é o meu amigo de Miami, Dylan Husty.

Kiera arregalou os olhos quando a compreensão chegou a ela. Dylan. Miami. Amigo de Kyle. Férias de verão.

Ela estava ferrada.

Notas finais
vou demorar um pouco para escrever o segundo capítulo porque uma semana cheia de provas está chegando. por favor, tenham paciência e deixem comentários, eles são m-u-i-t-o importantes pra mim. mesmo! se gostarem, não desistam da fic ainda, isso é só um começo
beijoss