Notas iniciais
Hey gente, espero que gostem!
Os meninos ainda demoram um pouco para aparecer, ok?

- Eu te detesto! – Gritou Rebeca Howre, olhando-se no espelho do closet. Como um furacão, pegou a toalha de praia da cama e jogou-a no espelho, observando sua imagem se distorcer nele.

- Bec, querida? – Ouviu o barulho de saltos no corredor e em seguida a tia, Mariah aparecer em sua porta, com a expressão curiosa. Sua tia era uma mulher elegante, de mais ou menos quarenta anos. Vestia-se muito bem, e parecia ter bem menos que a idade que carregava. – Que barulho foi esse? Estava falando com quem? – Rebeca pegou a escova e fingiu estar desembaraçando o longo cabelo preto.

- Com ninguém tia, só estava pensando alto. – Respondeu calma, tentando abafar o vulcão de lagrimas e emoções prestes a explodir.

- Porque não está na praia, meu bem? O dia está maravilhoso e você ai trancada nesse quarto falando sozinha? Por Deus, você está na Califórnia! Não trouxemos você lá do Wisconsin para ficar enfurnada ai, saia por ai, conheça pessoas, aprenda a surfar. Divirta-se! – A tia apontou a porta de modo teatral.

De repente, o vulcão interno explodiu, jorrando palavras e lagrimas para todos os lados.

- Eu tentei tá bem?! Tentei mesmo, me enturmar com a galera da praia, mas são todos uns esnobes! São mal-educados e maldosos, eles riram de mim! – Ela vociferava vermelha, apontando o dedo em direção à tia. A franja caia em seu rosto, e ela mexia no piercing da boca, rodando a argolinha sem parar. Sabia que mais tarde estaria machucado e ela se arrependeria do ato, no entanto, naquele momento ela não se importava.

- Oh, eu não imaginava. – Comentou a tia mudando o tom de voz, e conduzindo Bec a beira da cama. – Conte-me o que houve meu bem.

- Não tenho nada a ver com a galera daqui tia, eles me acham careta. – Disse torcendo o nariz em resposta.

- E você é? – Desafiou a mais velha.

- Sou o quê?

- Careta. – Bec parou por um segundo, e se olhou no espelho analisando a imagem. – E então? – Insistiu Mariah. – Bec deu um salto e se pôs de pé em frente à tia.

- Tia, olhe para mim! Eu sou branca como um picolé de coco e meu corpo é reto como uma tábua! Se isso não é uma baita caretice na praia de Huntington Beach, não sei o que mais pode ser.

- Oras Rebeca, um picolé de coco? – Repreendeu a mulher.

- Olhe para mim! – Insistiu a moça, esticando-se para mostrar o um metro e setenta de altura, com cinquenta e tres quilos de peso. O maiô inteiriço cobria o corpo de Olivia Palito como um esparadrapo verde-cheguei. – Diga se não pareço um picolé.

- Bec, você não parece um picolé, por Deus!

- Você só está falando isso para me consolar. – A garota sentou-se no chão, cruzando os braços e pernas.

- Ora, vamos lá Rebeca, você pode até demorar um pouco par se enturmar, mas é uma garota encantadora e contagiante!

- Ah é? Vá falar isso aos surfistas que riram de mim e disseram “E ai gatinha, comprou aonde essa vagem com alças, em um catalogo de compras?” – Mariah pareceu confusa.

- Isso que chateou você? Um comentário bobo sobre um maiô que parece vagem? – Bec balançou a cabeça desolada, a tia realmente não a entendia.

- Não, você não entendeu. Eu comprei mesmo em um catalogo de compras! – Rebeca cobriu o rosto com as mãos e deixou as lagrimas rolarem. Chorava aquele tipo de choro que vem do fundo do peito e traz consigo uma forte dor de cabeça, e que por mais que a pessoa se sinta idiota e queira parar, não consegue.

- Oh Bec, se acalme! Se esse for o problema, podemos hoje mesmo sair e comprar um novo maiô para você! – Mariah aproveitou a deixa, e reforçou a idéia que vinha defendendo. – Alias, foi exatamente isso que falei com sua mãe, quero lhe dar nesse verão, oportunidades que nem ela e nem eu tivemos na sua idade, quero lhe mostrar algumas das melhores coisas da vida, e quero ensinar você, Rebeca Howre, a ser mais autoconfiante. – Rebeca olhou confusa para a mulher. – Começaremos amanha. Marcarei um horario pela manhã com um especialista para que ele escolha suas cores, depois compraremos algumas roupas novas para vocês. – Rebeca ficou séria imediatamente.

- Tia, eu não trouxe quase nada de dinheiro.

- Não seja tola, é um presente meu. Não são umas roupinhas que vão me deixar pobre. E vamos cortar seu cabelo também, que tal passar a tesoura nessa cabeleira toda? Meu cabelereiro, Josh, fará um trabalho maravilhoso. Você vai parecer outra pessoa. – Ela disse isso com tanto convicção, que Rebeca quase acreditou. Um novo visual? Novo corte de cabelo? Como assim escolher suas cores? Rebeca estava confusa, mas se sentiu de repente confiante e animada. – Porque não toma um banho agora? Seu tio ainda não sabe, mas vai sair para jantar com você e depois vocês vão ao cinema. – Anunciou Mariah ao sair. Bec se aproximou do espelho e prendeu os longos cabelos, tentando imaginar um novo estilo. Mas parecia impossivel. Analisou seu rosto, as bochechas estavam muito coradas e os olhos denunciavam a choradeira. Os olhos pareciam tão sem graça observados daquela maneira. Eram uma especie de nada, não tinham cor alguma definida.

- Posso entrar? – Ouviu a voz do tio, Tom, diante da porta entreaberta. Se afastou rapidamente do espelho, envergonhada por ter sido pega em meio a um exame aborrecido dela mesma. – Parece que vamos ao cinema hoje. Sua tia não gosta muito, se importa se formos apenas nós dois? – Bec balançou a cabeça sorrindo. Gostava de passar algum tempo com o tio, ele era moderno e gostava das mesmas musicas que ela, isso era legal! Passavam horas discutindo sobre qual era o melhor album do Iron Maiden, ou qual foi o melhor clipe do Guns N’ Roses. Fitou bem o mais velho, e reparou nas marcas de suor na camisa azul, e a julgar pelo quepe que ele carregava, ela imaginou que ele estivesse jogando golf. – Quer ver algo em especial? Não estou por dentro do que está em cartaz, mas ouvi dizer que tem alguns filmes de terror muito bons atualmente.

- Pode apostar. Vá em frente tio, escolha nosso filme, confio em seu bom gosto. – Fizeram um high-five, e Bec riu, sentando na cama.

- Alias, não disse ainda que estou muito feliz por você estar aqui, não é? É minha sobrinha predileta.

- Sou a única, tio! – Ele riu, e acenou saindo do quarto.

- Detalhe de minima importancia minha cara. Saimos em uma hora.

- Você manda! – A garota pegou o notebook no criado mudo, presente de boas vindas dos tios, e se sentou na cama. Abriu seu e-mail na esperança de que Jéssica tivesse enviado algum e-mail para ela, mas a melhor amiga não havia se comunicado ainda. Pensou em escrever para ela, e perguntar o que ela achava de um novo visual e tudo mais. No entanto, a amiga também tinha falhas, afinal, fora ela quem ajudara Bec a escolher a “vagem com alças”.

Decidiu não escrever para a amiga, e colocou o computador de lado, deitando na cama. Se deu conta então de como estava cansada. Resolveu fechar os olhos e descansar só um pouco, mas adormeceu quase imediatamente.

- Jogos Mortais? Tem certeza tio? Disseram-me que é assustador e nojento!

- Oras, quem é você e o que fez com Rebeca Howre? O que aconteceu com a viciada em filmes de terror? – Bec riu, e acenou se rendendo. O tio queria ver o tal do Jogos mortais, mas ela achava que era forte demais para se ver depois de um jantar como o deles. E se vomitasse tudo na sala de cinema? Tinha a leve impressão de que aquele filme era nojento demais. – Você quem sabe, Bec. Tem alguns filmes de ação bons também, mas para ser sincero, eu não estou com saco nenhum para cinema. – “ótimo” a garota pensou, ela também não estava.

- Ótimo, não quero ver filmes também. Podemos dar uma volta no pier, que tal? E eu não negaria um sundae gigante, está calor! – Tom riu, e assentiu concordando com a sobrinha. Mariah não precisava saber que eles haviam mudado os planos.

- Hey, fiquei sabendo que esse ano terão alguns shows muitos bons aqui na califórnia. Se dermos sorte, poderemos ir em algum durante sua estadia aqui. Que tal um show do Ozzy com seu tio preferido?

- Ozzy? Nada mal, já tem uns dois anos do último show dele em que eu fui. E sozinha, ninguem quis me acompanhar. – Disse dramatica. Bec não se achava nada sortuda. O mais perto de Rock que a melhor amiga gostava era Jonas Brothers, e o pai, que tinha tanto bom gosto, estava viajando na época. Aquilo era desanimador.

- Mas que absurdo não? Quem não quis acompanhar uma moça encantadora como você ao show de um de seus artistas preferidos?

- Tio, minhas amigas ouvem Jonas Brothers, você acha mesmo que Jéss iria a um show do Ozzy? – O tio balançou a cabeça rindo, e acenou concordando com ela.

- Certo. – Disse apenas, sentando-se nas pedras perto da agua. – Sabe, esse lugar é muito bonito antes do por do sol. – Bec balançou a cabeça, em sinal de que concordava com o tio, afinal, já tinha visto a cena algumas vezes desde que chegara. – Já fez amigos? – Bec balançou a cabeça desanimada.

- Se eu for considerar amigos os que zombaram de mim, fiz muitos! – O tio riu sem humor.

- Normal Bec, você é uma turista e nova por aqui, garotos da praia são em maioria assim. Você vai ver, Mariah me contou da sua tal transformação, quando chegar aqui, completamente diferente, vai arrasar corações. – Tom piscou para a sobrinha, fazendo-a rir.

- Acha mesmo que eu devo cortar o cabelo?

- Olha Bec, eu gosto do seu cabelo e de você como é, mas pense bem se você acha que ficaria bom, se você gostaria de fazer isso. Sabe, sua tia tem uma compulsão enorme por comprar, e agora o que ela mais quer é te ajudar e tudo mais. As intenções dela são boas, você sabe. Seja sincera com você mesma sobre essa transformação, pense bem no que quer, e se achar que não está na hora fale com sua tia. Ela vai te entender e não vai ficar chateada. Ela só quer seu bem.

- Obrigada tio!

- Me agradeça com uma partida de guitar hero. Pronta para perder, Howre?

- Já nasci pronta, mas para ganhar. – Disse superior, gargalhando em seguida.

- Vamos lá então. – Ela bateu continencia e seguiu o tio até o carro, animados para chegarem em casa e fazer o que eles sabiam de melhor. Gastar horas em frente ao video-game, discutindo sobre quem era o melhor.

Notas finais
Reviews?