Summer Paradise
38 Capítulo 37
Notas iniciais
Char
Eu não podia negar, estava completamente apaixonada. Antes de chegar a Londres eu estava com o coração despedaçado, com os lábios duros para não dizer sequer uma palavra. Fora igual na sétima serie, no primeiro mês em que nós conhecemos. Eu me sentia a pessoa mais feliz de todo o mundo e achava que amar era aquele sofrimento que eu vivia sentindo por ele, achava que seus olhos eram os meus olhos, mas estava completamente enganada. Eu havia sido deixada em frente a uma antiga igreja com os olhos borrados, com o coração nas mãos e com uma única certeza; eu nunca amaria novamente. Mas então hoje acordei me sentindo assim, feliz e contente com o sol. Era como se toda aquela dor que eu jurei ser amor houvesse se dissipado em milhares de partículas inexistentes em meio a tantos tambores. Os tambores que se chocavam contra o barulho alto do meu coração. Abri os olhos lentamente deixando a luz me cegar por alguns instantes, fazendo com que minha cabeça doesse e meus olhos ardessem, mas isso não mudava o fato de que eu estava apaixonada. Eu, Charlotte Padovani, estou completamente, irrevogavelmente, incondicionalmente apaixonada por Niall James Horan. Levantei cambaleando com o cheiro embriagante do remédio de dormir. Juliet havia deixado um bilhete preso na porta do banheiro “estamos na praia, acorde, coma e venha para cá agora sua preguiçosa”.
— Praia? — resmunguei sozinha. Pisei desorientada até o banheiro, jogando as roupas sujas para fora da banheira e ligando a ducha. A água quente esfregou-se nos dedos dos meus pés me causando arrepios.
Los Angeles estava um frio àquela hora da manhã. Está bem, eram umas 15h e mesmo assim estava muito frio. Afundei o corpo na água e fechei os olhos. Eu conseguia ouvir tudo, não corretamente, mas ouvia. O meu coração acelerado, o vento tentando arrancar o telhado, o bip irritante do relógio na parede. Terminei o banho, coloquei um jeans, minha camisa favorita dos Beatles, um allstar preto, jaqueta e uma touca que havia ganhado do Louis. Caminhei pela areia fazendo com que todas aquelas pessoas me olhassem torto. Só porque eu sou a única pessoa normal o suficiente para andar na praia de jeans e tênis? Enfiei as mãos nos bolsos da jaqueta e caminhei. Aqueles nove idiotas estavam jogando água para cima, correndo em volta da areia — só porque Zayn não sabe nadar — e rindo. Há muito tempo eu não via as meninas daquele jeito tão alegres. Sentei-me na beira, alguns metros distantes de onde algumas roupas estavam.
— I'm not half the man I used to be, there's a shadow hanging over me. Oh, yesterday... — a voz rouca atrás de mim me fez virar sorrateiramente.
— Como é que é? — eu o encarei. Era um garoto, no máximo uns 19 anos, olhos castanhos e lábios rosados presos na guimba do cigarro. Ele apontou para a blusa que eu vestia e eu sorri estúpida.
— Esses caras? Eram demais! — seus olhos pareciam voar para longe. Afirmei com a cabeça tentando não dar mais bola para ele, mas parecia impossível. Eu o encarei sabendo que ele não iria embora tão cedo. Suspirei estendendo a mão para um cumprimento. Senti a fumaça invadir meu nariz com tanta força que meu pulmão doeu. — Scott.
— Lola. — mordi o lábio. Eu nunca dizia o nome completo para estranhos, muito menos para um que parecia muito comigo. Cigarro, blusa de banda, calça desbotada e cabelos bagunçados. Como eu disse; uma versão masculina minha não era nada legal.
— Charlotte? — ouvi a voz de Sophie me gritando de longe.
— Não era Lola? — Scott sorriu debochado. Dei de ombros. Corri para longe, até onde os outros estavam e Niall correu da água até mim, agarrando-me pela cintura e me tirando do chão. Gargalhei batendo em seus ombros, segurando seu rosto e beijando-o cuidadosamente. Eu não era muito boa com essa coisa de namoro. Zayn resmungou que eu deveria ter colocado um biquíni e Juliet concordou como sempre. Louis o empurrou dizendo que eu podia usar o que eu quisesse, e Niall estava encarando o estanho garoto que ainda me encarava.
— Quem é ele? — sussurrou, passando os dedos sobre minha nuca. Dei de ombros.
— Um maluco, eu acho. — sorri largo. — Só um desses malucos.
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