Summer O'Connor - Whatever
1 Seja o que for
Dias mal acabados, noticias vagas, tempo ruim e mal iluminado, sol beirando as montanhas fazendo deles uns só, cobiçados pela sintonia e toda a sua harmonia, aquela cores estonteantes aonde no horizonte iam se despedaçando dando lugar ao entardecer perfeito, favorecendo a lua e seu brilho apaixonante.
Mais um dia monótono e eu querendo voltar ao sonho que tivera, não me lembro muito bem, mas eu estava com uma sensação tão boa, como se borboletas voassem dentro de mim, mas não da forma ruim, da mais boa que possa existir, aquele formigamento quando da antes do seu primeiro beijo ou antes de você se apresentar no palco para sua mãe no jardim de infância, como era boa aquela sensação, era tão reconfortante e nostálgica.
Logo em seguida levantei para me arrumar, seria o primeiro dia de escola, e meu aniversário. Mas não estava tão animada, nunca fiquei alegre por aniversários, são dias mais próximos da morte e cansativos com tantos sorrisos que você tem que ficar espalhando como se você estivesse realmente feliz. Olhei-me no espelho por um instante, o que eu via? Não era alguém feliz, não era alguém satisfeita com a vida que levava, era uma menina triste, mas com uma aparência irresistível ninguém poderia julgar que eu seria tão infeliz, cabelos pretos como a escuridão em uma noite chuvosa e sem luar, e meu olho verde esmeralda que qualquer pessoa ficaria encantada com a vasta beleza e pureza no olhar. Quem dera ser como as pessoas a julgavam.
Desci as escadas correndo, havia me perdido em meus pensamentos enquanto me arrumava, quando cheguei à entrada da cozinha minha mãe estava me esperando com uma chave.
– Bom dia minha querida – Disse com um sorriso enorme, mostrando todos os dentes.
– Bom dia mãe, que cara é essa? – olhei desconfiada – E a chave?
– Um presente. Do seu pai – Falou me entregando a chave.
– Ual, lembrou que tem filha – Disse num tom de desanimo – Pois, não vou aceitar. Diga a ele que não quero migalhas de ninguém.
Não que eu queira parecer ingrata, mas sinceramente, a ultima vez em que vi meu pai, foi a um ano atrás, em que eu estava doente, ele pagou o hospital, e me mandou flores com um cartão ao invés de ir se despedir. Criei um remorso quanto a ele. Quando eu tinha três anos, deixou minha mãe para ficar com outra mulher mais jovem, na qual não conheço e não pretendo também.
– Filha, foi dado com boa intenção, não faz isso com ele, você sabe que ele quer seu bem.
– Quer meu bem, mas nunca me liga ou vem me visitar.
Antes mesmo de ela falar algo sai pela porta às presas, não queria ter que conversar sobre isso novamente, me doía saber que meu pai não estava por perto, doía muito mesmo. Quando já estava na esquina de casa, escutei um buzina atrás de mim, dei um pulo devido ao susto que tomei, olhei pra trás e só pude identificar seios fartos e cabelos loiros, quem mais poderia ser.
– Dixie! – Disse entusiasmada andando em direção ao carro. Não vira ela desde o começo das férias, tinha ido para uma praia na qual não me lembrava do nome.
– Ah, quem é a mais gata a completar dezoito anos? – Falou cantarolando e saindo do carro, para um abraço.
Ela me abraçava tão forte, que me sufocava ao mesmo tempo, mas era bom, era maravilhoso estar com ela na verdade. Reconfortante e acolhedor.
– Sei que me ama, mas você esta me sufocando Dix. – Falei rindo.
– Oh céus, perdão – ela riu – mas estava com saudade poxa, tentei te ligar, mas sempre dava caixa postal.
– O Ash quebrou meu celular– fiz uma careta.
Entramos no carro, e Dix foi me contando o caminho inteiro da escola como fora sua viajem, me contou que havia um garoto maravilhoso lá, até chegou a falar com ele, e depois de alguns minutos da conversa pediu se ela podia passar o numero do garoto alto e musculoso que estava com ela, que seria o irmão dela, Alec. Ri muito com isso, ela sempre se dava bem com os meninos, todos na escola queriam ter uma chance pra sair com ela.
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