Summer Nights
20 Bônus: James e Dominique
Notas iniciais

Somebody else round everyone else
You're watching your back like you can't relax
You're tryin' to be cool you look like a fool to me
Tell me
~ Dois anos atrás ~
POV — Dominique Weasley
Minha visão estava fixa na lareira a minha frente. Mal conseguia ouvir as vozes ao meu redor, então estava agradecida por elas não estarem falando comigo.
Sou Dominique Weasley e estou apaixonado pelo meu primo James Potter.
Grande coisa. O primeiro pensamento que deve ter rodeado a sua cabeça nesse momento: e quem te perguntou? Pois, bem, seria o que eu pensaria.
Os adultos tem essa mania idiota de acharem que pessoas com menos de vinte anos não sabem o que é o amor, apenas sabem o que é uma quedinha passageira, e também fazem questão de deixar isso bem claro para pessoas com catorze anos, vulgo eu.
Mas se algum deles soubessem como era a sensação que eu sentia sempre que via James do outro lado do corredor, sorrindo e vindo na minha direção, eles entenderiam o que eu estava dizendo. Sabe aquelas malditas e tão famosas borboletas no estômago? Então, nunca acreditei muito nessa história, até cerca de um ano atrás.
Era o aniversário de James, e todos nós estávamos comemorando na Toca, Rose e ele riam sem parar sobre qualquer coisa que ninguém mais parecia entender, mas ninguém nunca parece entender esses dois de qualquer maneira.
O que importa é que num determinado momento decidimos sair para o Jardim e deixar os adultos sozinhos, então lá fomos nós com uma brilhante ideia de Lílian de brincarmos de pique-esconde, o que só para deixar claro eu sou péssima. Mas James sempre ficava mole quando ela fazia um beicinho – e quem não ficava? – e acabou cedendo, com a condição de que ela seria a primeira a contar. Ela fez um pouco de birra mais acabou por aceitar. Então lá estávamos nós, correndo de um lado para o outro para nos escondermos antes que ela contasse até cinquenta.
– Domi! – chama ele e eu olho por cima do ombro – Vem logo!
– Eu não sei me esconder! – reclamo no mesmo tom baixo que ele que dá uma risadinha.
– Vamos lá – ele estende a mão e eu olho de um lado para o outro antes de correr na direção dele que me ajuda a subir em uma árvore para subir em seguida.
– Boa ideia.
– Você nunca foi boa nesse jogo – ele debocha e eu reviro os olhos enquanto me debruço para o lado para ver uma Lílian correndo de um lado para o outro procurando por alguém.
– Só não te jogo daqui de cima porque é seu aniversário – digo emburrada e ele ri.
– Até parece que teria coragem – ele diz e eu arqueio uma sobrancelha.
– É mesmo?
– É.
– Você vai ver só – digo e me viro de frente para ele para provar que era capaz sim de jogá-lo dali, o que obviamente foi uma péssima ideia porque por pouco não fui eu a parar lá embaixo ao me desequilibrar. Se não fosse por James ter me puxado antes eu estaria estirada na grama da Toca agora mesmo e o idiota nem fingiu não achar graça disso – Para de rir!
– O feitiço virou contra o feiticeiro – ele diz e faço menção de lhe dar um tapa mais ele agarra meu pulso antes e o puxa para perto rindo, mas assim que eu bato contra o seu peito o sorriso some de seu rosto e ele engole em seco, a tensão no ar fez com que minha respiração acelerasse tanto que eu estava quase arfando. Eu teria morrido de vergonha, se ele não estivesse igual. Mordo o lábio para tentar disfarçar minha respiração, mas provavelmente foi uma má ideia pois os olhos dele descem para minha boca instintivamente e seu rosto se aproxima do meu – O que você faria se eu te beijasse agora?
– Eu não sei como beijar – digo envergonhada e ele balança a cabeça negativamente.
– Aposto que você sabe – diz e cola os lábios nos meus, e eu tenho plena certeza de que se não tivesse presa a ele teria despencado dali.
– AI MEUS MERLIN! JAY E DOMI ESTÃO SE BEIJANDO NA ÁRVORE! JAY E DOMI ESTÃO SE BEIJANDO NA ÁRVORE! – berra Lílian debaixo da árvore e James e eu nos afastamos rindo.
– OI? – Rose aparece ao lado dela em questão de segundos e sorri como uma idiota – MEEEEU DEEEUS! Alvo venha ver isso! – e sai correndo dali assim como Lílian.
– Acho que está na hora de descermos – digo e ele sorri.
– Eu disse que você sabia o que fazer.
Essa lembrança era ao mesmo tempo reconfortante e dolorosa. Depois daquele dia, nós éramos inseparáveis, não como ele e Rose, e sim como duas crianças apaixonadas. Mas assim que ele completou quinze anos começaram a surgir os problemas, os amigos o zoavam bastante por ter qualquer tipo de relacionamento comigo, e nós dois achamos que isso iria acabar em dois meses quando eu completasse catorze anos e não passasse a impressão de ser dois anos mais nova que ele. Mas não pararam, pelo contrário, ficaram cada vez mais constantes, e por mais que James tentasse lidar com isso foi aos poucos se distanciando de mim na presença dos amigos, não como um babaca que finge que não me vê ou me humilha para se sentir melhor, só passou a me evitar mesmo, e quando percebi isso tornei seu trabalho mais fácil para que ele não se sentisse mal.
– No que está pensando? – pergunta o próprio se sentando ao meu lado e me tirando de meus devaneios.
– Nada.
– Tudo bem? – pergunta num tom um tanto preocupado e eu me obrigo a sorrir e acenar.
– Claro, como foi o treino?
– Ah, foi muito bom na verdade. Pela primeira vez na temporada sinto que temos chances de ganhar a Taça – diz entusiasmado e eu assinto, ele franze as sobrancelhas e me encara – Tem certeza de que está tudo bem?
Não, não está. Queria que as coisas fossem tão simples como eram antes. Sinto tanto a sua falta que dói.
– Está.
– Você sabe que pode me contar qualquer coisa, não sabe? – pergunta segurando meu rosto e eu suspiro.
Vá em frente e diga o que está acontecendo.
– Eu só estava pensando que, não fique chateado okay? Eu estava lembrando do seu aniversário de catorze anos e daquele momento na árvore e como do nada isso começou a mudar de três meses para cá – digo e ele suspira concordando com a cabeça – E eu estava pensando se...
– Ei, James! Largue a pirralha e venha jogar xadrez conosco – diz Zeck e o resto de time entrando so Salão Comunal e eu abaixo a cabeça com um suspiro derrotado.
– Eu não posso agora – ele diz e os meninos riem.
– Qual é, não seja idiota!
– Ele disse que não pode agora! – diz uma Rose irritada descendo as escadas e Zeck revira os olhos.
– Cala boca, rata de biblioteca! – diz ele e James se levanta do sofá.
– Peça desculpas.
– Eu não vou pedir desculpas – ele diz rindo e James cerra os punhos.
– Peça desculpas, agora – diz sério e Zeck engole em seco olhando dele para Rose.
– É, Zeck, peça desculpas – ela debocha e ele gira os olhos e murmura um desculpa – Eu não ouvi.
– Desculpa!
– Obrigada, agora peça a Domi também – diz apontando para mim e eu sinto vontade de sumir dali.
– Desculpa Dominique – diz de má vontade e Rose sorri.
– Muito bem, agora deixem meu primo em paz – diz e se senta em uma poltrona com um livro no colo.
– Podemos conversar em outro lugar se você quiser – ele diz voltando a se sentar.
– Ah é? E por que nós não podemos continuar conversando aqui?
– Domi...
– Jay – dou de ombros e ele suspira. O encaro por alguns segundos até ter coragem o suficiente para segurar seu rosto e lhe beijar, seu corpo fica tenso no mesmo instante e ele não dá passagem para minha língua, mas me da um selinho e tenta sorrir quando me afasto – Por que você não me beija como antes?
– Eu beijo.
– Okay, reformulando a pergunta, por que você não me beija como antes na frente das pessoas? – pergunto e ele passa a mão no cabelo de forma nervosa – Deixa para lá – digo e me levanto. Rose olha de um para o outro completamente desesperada por em que lado ficar – Quero ficar sozinho, amor.
– Tem certeza? – pergunta e eu assinto – Okay...
– Domi! – chama James quando já estou na metade da escadaria e eu me viro.
– O que?
– Eu sinto muito – ele diz abaixando a cabeça e eu assinto.
– Eu também.
POV – James Potter
Duas semanas se passam sem que nos falemos direito. Tinha plena certeza de que a culpa era minha e de que eu era idiota, e Rose fez questão de deixar isso bem claro caso eu ainda não tivesse cem por cento de certeza nisso.
Os treinos de quadribol estavam cada vez mais cansativos, não fisicamente. Mas andar com aqueles meninos estava cada vez pior, e ouvi-los falando sobre Dominique me fazia querer esmurrá-los.
A questão é que, desde que completou catorze anos, seu corpo começou a passar por uma mudança drástica, não sei se pela metade veela ou pela idade, mas os meninos babavam cada vez mais por ela e Zeck achava que era engraçado falar sobre a sua bunda, quase tiveram que nos separar dois dias atrás por causa disso, mas desde então ele parou de comentar.
Estava indo meio sem rumo para o Salão Principal, sem vontade alguma de jantar e completamente perdido em pensamentos, tanto que esbarrei em alguém.
– Desculpa.
– Sem problemas.
– Domi – digo surpreso e ela se abaixa para pegar os livros espalhados pelo chão, abaixo para ajudá-la e ela suspira – Podemos conversar?
– Sobre o que?
– Tudo.
– Eu não sei – ela diz abraçando os livros com força contra o peito.
– Por favor, Domi, a última vez, eu juro – peço suplicante e ela respira fundo olhando de um lado para o outro no corredor deserto.
– Certo.
– Mesmo?
– Eu só tenho que deixar esses livros na biblioteca – diz e eu sorrio como um idiota.
– Eu posso ir com você.
– Eu iria preferir se você contrabandeasse alguma comida e me encontrasse na sala de Poções – diz e eu assinto rapidamente.
– Vou achar o melhor bolo de chocolate da Grifiniória – prometo e ela sorri se virando para ir embora, mas seguro seu pulso e a puxo para mim encostando-a numa parede e colando meus lábios nos seus. Ela demora alguns segundos para abrir os lábios e deixar minha língua deslizar para dentro da sua boca, provavelmente querendo me castigar, mas assim que nossas línguas se encontram ela solta os livros no chão e enlaça meu pescoço me puxando para mais perto – Eu definitivamente vou achar o melhor bolo de chocolate.
– Acho bom mesmo – diz rindo e eu me abaixo para pegar os livros e entregá-los a ela – Até daqui a pouco.
– Até – digo e fico vendo-a se afastar como um idiota até que vire o corredor.
– Lindo – diz alguém atrás de mim e eu me viro para dar de cara com Zeck.
– Agora não.
– O que? Estou falando que foi um momento lindo, todas aquelas promessas e os livros caindo no chão enquanto se beijavam tão apaixonadamente.
– Me deixe em paz, Zeck – digo e passo por ele, cansado de toda aquela merda.
– Agora! – ele diz e alguém me agarra por trás e me empurra com a ajuda dele até o fim do corredor.
– Mas que merda é essa! – berro e eles riem.
– Calma ai, garanhão, só estamos te levando para o seu encontro mais rápido – diz e me puxa para sala de Poções e então me solta.
– Qual o problema de vocês? – pergunto irritado e eles se entreolham rindo.
– Oi Jay – diz alguém entrando na sala e eu me viro para trás para ver a pessoa.
– Lysander?
– Você quer que procuremos pelo melhor bolo de chocolate da Grifinória? – pergunta rindo e eu travo a mandíbula.
– Me deixem em paz, e a Dominique também.
– Como queira – diz dando de ombros e se virando – Vamos embora, cara.
– Até mais, Jay. Te vejo no treino – diz o outro garoto, Louis, saindo atrás de Zeck.
– Que inferno – reviro os olhos.
– Ei, James – diz Lysander atrás de mim e me lembro da presença dela.
– Ah, oi... Olha, Dominique está vindo para cá, seria muito rude da minha parte te pedir para sair? – pergunto e ela dá uma risadinha e se aproxima de mim, num primeiro momento penso que é apenas para ir em direção a porta, mas ela para a minha frente e dá de ombros.
– Claro que não, mas antes tenho que fazer o que me pediram – e então puxa a gola da minha camisa e me beija.
– Ele está aqui dentro te esperando – diz Zeck e eu empurro Lysander para o lado.
– James? – pergunta Dominique olhando de mim para Lysander e então para mim de novo, para em seguida fechar os olhos com força e respirar fundo antes de dar meia volta e sair dali.
– DOMI!
– Esquece! – ela grita de volta e eu faço uma careta ao perceber que agora o corredor estava movimentado com as pessoas voltando para seus Salões Comunais.
– Por favor, me escuta!
– Escutar o que Potter?! – ela grita irritada e eu me aproximo dela segurando seu rosto, mas ela torce o nariz enojada e se afasta – Tem batom dela na sua boca.
– Não é o que parece, okay? Ela que apareceu do nado e me beijou! – digo esfregando minha boca com as costas da mão.
– Sério, James? Sério mesmo? – pergunto ironicamente e eu reviro os olhos.
– Confia em mim, caramba! Pelo menos uma vez na vida! Eles armaram para mim! Que razão você tem para confiar neles e não em mim?!
– Ter entrado lá e ter visto você beijando aquela vadia loira! – diz e aponta para além de mim onde provavelmente eles estavam assistindo o show.
– Domi, eu sei que é difícil, mas você tem que acreditar em mim!
– Eu não tenho que fazer coisa nenhuma! Me deixe em paz! – diz irritada.
– Ótimo, acredite neles e não em mim!
– Eu vi com meus próprios olhos, James, não foi um boato idiota que eles me disseram!
– Eles armaram para mim, caramba!
– Quer saber?! Eu não to nem ai! Se você quer se atracar com essa vadia de baixo escalão que com quinze anos já deu para metade do colégio que o faça!
– Para com isso!
– Não, para você de tentar arrumar desculpas! Assuma o que você fez, pelo menos! Ou nem para isso você é homem o suficiente?! – pergunta e eu travo a mandíbula sentindo a raiva tomar conta de mim.
– Quer saber de uma coisa? Eu não estou nem ai! Não quer acreditar em mim, não acredita! Não vou ficar chorando por você quando tenho qualquer garota de Hogwarts embaixo de mim quando eu quiser – digo e os “Aeee” preenchem o corredor me apoiando e zombando da garota a minha frente. Percebo tarde demais as lágrimas que brilham nos olhos dela – Domi...
– Faça bom proveito – diz e se vira saindo dali a passos rápidos.
– Bom trabalho – diz Zeck me dando tapinhas do ombro e eu me viro para ele e soco sua cara com tanta força que ele caia no chão com o nariz sangrando.
– Sim, ótimo trabalho – cuspo e me afasto da aglomeração de pessoas para ir para o meu dormitório.
E naquela noite, chorei como nunca chorei antes.
Why'd you have to go and make things so complicated?
See the way you're acting like you're somebody else gets me frustrated
Life's like this you
You fall and you crawl and you break
And you take what you get and you turn it into
Honesty you promise me I'm never gonna find you fake it
No no no
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