Summer Love

9 Everyone I love...


Notas iniciais
Demorei? Um pouco, o tablet só voltou agora. Espero que curtam

“Você sempre estava lá, você estava em toda parte
Mas agora eu queria que você estivesse aqui”

Annabeth:

Mais tarde, nós fomos dormir.

Admito que estou pensando no Cabeça de Alga, enquanto aperto o colar que havia ganhado dele (sim, eu dormia com o colar). CADÊ VOCÊ, PERSEU?, penso. Eu sei que minha avó tinha morreu, mas eu PRECISO do Percy para me apoiar.

Começo a chorar. O vento entra forte pela janela, me fazendo arrepiar. Aperto o cobertor mais forte contra meu corpo, com preguiça e sem forças para ir fechar a janela.

“Nesse dia estávamos indo até a casa da vovó, porque meu pai queria apresentar a Sarah à ela. Na época, eu já odiava a Sarah. Minha avó não a conhecia porque não pôde ir ao casamento, já que estava internada, por causa do câncer.

Assim que entramos, eu fui abraçar a vovó. Estava com saudades dela e de seu cheiro de jasmim e livro novo. Ela tinha uma biblioteca em sua casa, um paraíso. Eu adorava ir lá, mas depois que a mamãe morreu, meu pai não saia de casa... até chegar a Sarah, que, aliás, estava com oito meses de gestação.

— Annabeth, querida.

— Vovó. — a abracei, quando senti algo se esfregar nas minhas pernas. — Lyna! — disse quando olhei para baixo. Lyna era a gatinha malhada de minha avó, que me adorava.

— Amor, acho que não deveria deixar essa gata — falou Sarah, como se a palavra gata fosse algum palavrão — encostar na Annabeth. As roupas dela vão ficar imundas com essa nojenta esfregando o pelo nela.

Escancarei a boca. Sarah estava encostada no meu pai, a cabeça estava no ombro dele, que estava acariciando os cabelos dela. Eca! Minha avó também não gostou nem um pouco.

— Vó, posso ir para a biblioteca?

— Pode. — ela sorriu para mim.

Eu saí correndo até o local, não sem antes ouvir:

— O Frederick fala muito da senhora, Trista.”

Eu chorei mais ainda, tanto que cansei. Estava quase dormindo quando ouço leves batidinhas na porta. Me levanto, descalça mesmo, e aproveito pra fechar a janela.

Quando abro a porta, encontro um garotinho com o rosto e olhos vermelhos. Esfrego os meus olhos.

— Tobias?

— Vovó morreu. — ele disse. Então Sarah ou papai contaram a eles.

— Vem cá. — o abracei — E a Tris?

— Ela tomou um remédio para dormir. Porque estava chorando muito.

Assenti e deitei na cama. Ele dormiu ao meu lado.

ψ

No outro dia, acordei bem cedo, tipo umas seis horas e levei Tobias aos quarto dele. Aproveitei a hora e fiquei um tempão no banho.

O velório da vovó seria às 10hrs, mas me arrumei mesmo assim. Coloquei uma regata, um jeans e uma sapatilha, todos na cor preta, e o colar e o anel que ganhei do Percy.

Sentei na cama e liguei a tevê, suspirando. Havia um motivo para eu ter que estar "mais arrumada": a imprensa. No noticiário matinal, estava passando sobre o "luto da família Chase". Mudei de canal e comecei a ver Scooby-Doo.

Quando me dei conta, estava acordando novamente. Minha cara estava um pouco amassada. Passei água no rosto e refiz a maquiagem.

Alguém bateu na minha porta, assim que voltei a sentar na cama, e comecei a ler:

— Acorde, Annabeth. Não quero pessoas atrasadas. — era a Sarah. Continuei calada e esperei ela tentar abrir a porta (eu sempre tranco). Ri um pouco. — Abre essa merda. Sei que está acordada, ouvi seu riso.

Bufei e abri a porta:

— O que foi, Sarah?

Ela deu um sorrisinho cínico, com os lábios vermelhos chamativos até demais.

— São 9hrs. Vejo que já está pronta. — ela mudou a expressão para séria e olhou nos meus olhos — Seus amigos, sua responsabilidade. Se não estiverem prontos em meia hora, eu os deixo aqui. — então saiu.

Fui até os quartos, mas não encontrei ninguém, então fui ao quarto de hóspedes no fim do corredor. No qual Silena estava com Charles, e encontrei todas as garotas, já arrumadas.

— Ué! Cadê os garotos? Já se arrumaram?

— A Tris nos acordou com travesseiradas. Aliás, ela estava meio abatida. — disse Silena, passando batom. — Os garotos? Expulsamos eles e ficamos com o quarto.

Ri.

— Bom, espero que eles estejam prontos, porque senão a Sarah não perdoa.

Silena usava um vestido comum enfeite rendado e uma sapatilha. Rachel estava quase como eu, só que de all star e Thalia foi a que menos teve problema com roupa preta: usava uma calça rasgada, regata e coturnos, com cabelos numa trança, lábios vermelhos e delineador.

Decidimos descer. Encontro os gêmeos lá em baixo, falando com a Sarah, que estava brava. Sarah, minha vacadrasta parecia que ia para uma festa (o que poderia ser, ela nunca gostou da vovó). Usava um vestido com renda, saltos e estava com o cabelo bem arrumado, além do batom chamativo de mais cedo. Cheguei mais perto:

— Mas eu quero ver a vovó, mamãe. — disse Tris.

— Já disse para me chamar de Sarah, Beatrice. E, além disso, cemitérios e velórios não é lugar para você dois pirralhos.

Tris ficou com os olhos cheios de lágrima e Tobias também.

— Não chorem, beleza? — eu cheguei perto deles, e encarei Sarah, fuzilando-a. — Vocês não podem ir, porque não é apropriado. Não pode, mas não fique tristes. A babá que vocês gostam vão ficar aqui hoje. — e abracei eles.


ψ

Chegando lá, eu quis voltar. Nunca pensei que veria minha avó numa atmosfera tão triste, além do hospital. Pude ver, mesmo sem estar tão perto, que o rosto dela estava pálido, e os olhos castanho-escuro estavam fechados. É claro que estavam. Suspirei. Seus cabelos tinha mechas brancas, e, por incrível que pareça, minha avó não era gorda. Na verdade, ela era mais nova do que uma avó normal.

O caixão tinha rosas brancas espalhadas e o local estava mesmo cheio de repórteres, já que além das empresas do meu pai, a Sarah é aspirantes de atriz, e "amiga" de umas atrizes famosas. Aposto que contratou os repórteres. Até ficou dando entrevista enquanto fingia chorar. Pelo menos, ao caírem em cima da Sarah, os repórteres esqueceram de mim.

Fui pra perto do caixão, com uma gardênia vermelha na mão. Ninguém veio junto, preferiram me dar privacidade e eu agradeci mentalmente por isso.

— Vó — comecei a falar — admito que me decepcionei com a senhora. Você disse que viveria mais, me disse quando eu era criança. Mas eu te amo. Vá em paz, vovó. Os gêmeos mandaram melhoras. — ri e saí de perto, jogando a gardênia, que se destacou das rosas brancas. Sarah organizou o velório, e ela gostava de rosas, já minha avó gostava de gardênias.

Fui respirar ar "puro" fora do lugar onde a vovó estava sendo velada. O Sol estava alto e bem quente no Céu, nuvens brancas como algodão espalhadas e as pessoas passavam por ali, absortas em seus compromissos.

Tive a impressão de ter visto Bianca de costas, quando fui entrar novamente. Só impressão. Pensei no Percy, estava com saudades dele, ele rondava minha mente o tempo todo, eu associava ele a, basicamente, cada coisa que via. Ele estava por toda parte, mas eu queria que ele estivesse aqui para, para me apoiar. Porém, como o Gus disse, o mundo não é uma máquina de realização de desejos. Triste, não?

Quando entrei novamente, várias pessoas, algumas conhecidas, outras não, me desejaram os pêsames. Eu acho isso muito falso, mas ok, a vida é assim.

Eu não chorei mais. Minha expressão estava dura. Eu não queria chorar. Fiquei olhando o caixão sendo fechado, quando senti alguém me cutucando. Olhei para trás e vi a Bianca, que usava blusa, saia e jaqueta, obviamente pretos. A abracei de imediato.

— Annie, está melhor?

— Não estou bem, mas sei que ela queria que não ficássemos tristes. Lembra de como ela falava?

— Que queria que fizessem uma festa, para comemorar o tempo em que ela viveu. Sua mãe prometeu... — seu rosto estava inchado e vermelho, mas a maquiagem não estava borrada, provavelmente ela retocou. Bianca era apegada a vovó, e vice-versa.

— Mas ela se foi, Bianca. Todos que eu amo parece que se vão.

— O povo tá aqui. Vamos chamá-los e ir até algum lugar? Quero me animar.

— Vamos. Eu não quero presenciar o enterro e ver terra sendo jogada na Trista. — respondeu Bianca. Ela havia mudado, não só na aparência, mas sua atitude. Ela parecia mais decidida, mais forte, só que, sendo amiga dela, eu via uma chama de insegurança e culpa — por motivos desconhecidos — em seus olhos.

ψ

Saímos escondidos do lugar, e fomos a um "bar" na praia. Nem todos tinham 18 anos, mas forçamos o Will — que tinha essa idade — a pedir bebidas alcoólicas. A gente saiu para um canto deserto da praia e começamos a beber. Eu estava meio tonta e comecei a chorar. Pelo que vi, Bianca era a única que recusou bebida, dizendo: "bêbados revelam segredos". Estranhei, mas ignorei.

— Então, Bia — começou Will, se aproximando e ganhando um tapa de Rachel — Ai. Bom, Silena disse que você estava viajando.

— Estava, mas voltei. Pela Annie. — sorri

— E os cabelos rosas? — perguntou Silena, eu estava curiosa também.

— Eu achei que ele gostaria... — ela suspirou passando as mãos pelos cabelos — Digo, eu quis renovar.

— Você tá com um peguete, Bianca? — zooei.

— Esqueçam isso. — ela disse emburrada.

A gente ficou conversando mais um pouco, até que meu estômago embrulhou e eu vomitei na lixeira.

— Preciso ir pra casa. — disse eu — Bianca, você tá aonde?

— Uma casa de um primo aqui perto.

Frazi a testa.

— Nunca me contou desse primo que mora aqui.

— Ele se mudou recentemente.

ψ

Voltamos para minha casa — que era a meia hora da praia — a pé. Eu estava enjoada, então me apoiei o caminho inteiro na Bianca. Um pouco antes, ela virou a esquina e disse que era por ali. Perguntamos se ela queria que a deixássemos ali, mas disse para eu ir, já que eu estava passando mal

Quando entramos, encontramos os gêmeos dormindo no sofá, a babá com eles. Ela era legal.

Cada um esperou sua vez — mas me deixaram ir primeiro — para tomar banho. Eu o fiz e vesti uma roupa leve.

— Si, eu vou dormir. Tudo bem? — ela assentiu e entrou no banho.

Assim que cheguei no quarto, peguei a bolsinha que havia levado e liguei p celular, que eu tinha esquecido que estava lá. Na tela estava "1 nova mensagem chegou". Eu apertei e "ler" e vi: “Sabidinha, desculpe por não poder ir. Aconteceu um imprevisto na empresa e eu tive que pegar outro voo, mas ele atrasou. Beijos na boca. – Percy.”

O destino não conspira a nosso favor, definitivamente. Eu ia responder a mensagem, mas minhas mãos fraquejaram e eu adormeci quase instantaneamente. Quase. Por que até macarrão instantâneo demora três minutos para ficar pronto.

Notas finais
Curtiram? E o que acham que está havendo com Bianca?