Summer Love

20 Capítulo 20


Notas iniciais
Tá chatinho, mas é só uma ponte!

Megan

Antes de qualquer coisa, eu quero deixar bem claro que a roupa que eu vou usar na janta, é diferente da roupa da festa. Primeiro porque eu não vou usar um vestido justo, curto e preto em uma janta que eu não faço a mínima ideia de onde vai ser. Segundo porque eu já combinei de me arrumar com a Lia para a festa.

Então, eu ponho uma calça com a minha blusa estilo navy e um cardigã branco por cima, tudo solto. Vou praticamente sem maquiagem, só (óbvio) base e um rímel.

Fico pronta com um bom tempo de sobra para dar uma aliviada no nervosismo. Eu não sei aonde vamos ou como vamos, então seja o que Deus quiser.

Como de costume, ponho algumas músicas e fico dançando descalça na frente do espelho, já que fiquei pronta meia hora antes. Um milagre, tenho que dizer. Talvez seja ansiedade. Não que vá acontecer alguma coisa, mas eu costumo ficar nervosa em qualquer situação. Minha psicóloga disse que isso pode se tornar um grande problema.

O interfone toca e o porteiro avisa que Chase está lá na frente. Desço as escadas e caminho devagar pela rua e, para aliviar a tensão, fico cantarolando uma música um pouco... Psicodélica. Minhas mãos estão suadas e meu coração aparentemente vai sair pela minha boca a qualquer segundo. Pelo visto minhas táticas não estão funcionando.

Assim que saio pelo portão e vejo Chase encostado na porta do carro usando uma camiseta branca, um blazer e jeans. Ao ver ele daquele jeito, sinto como se tempo parasse. É como se eu estivesse no lugar certo, na hora certa. Pela primeira vez, trilhões de emoções ficaram embrulhadas no meu estômago e eu não sei muito bem o que fazer.

A medida que me aproximo, sorrio cada vez mais e ele faz o mesmo. Praticamente morro ao ficar na ponta dos pés para cumprimentá-lo, Chase é muito alto perto de mim. Ele me espera entrar no carro para fazer o mesmo. E assim que se senta, pergunto:

–Então, aonde vamos? – Ele sorri para mim e não responde. – Chase! – Insisto.

–Não é nada de mais, Meg. Não te preocupa. – Ele fala rindo.

–Não estou preocupada, mas eu quero saber aonde vamos! Sei lá, vai que tu me sequestra.

–Vontade não me falta. – Ele diz e sorri para mim. Sorrio de volta e sinto meu rosto queimando. – “Não estou preocupada”. – Ele repete rindo com uma voz finíssima.

–Eu não falo assim, ok? – Implico. Chase não dá bola e liga o rádio. Ele sabe provocar melhor que eu. – Você tem certeza que não vai ser muita mão me levar para casa da Lia e me buscar lá depois? – Tento então uma conversa normal e civilizada.

–Você acha mesmo que eu vou de blazer para a festa? – Ele olha para mim. – E outra, vou precisar escovar os dentes. Não sei se você sabe, mas eu não carrego uma escova na bolsa. Ah, não. Eu não carrego uma bolsa. – O sinal abre e ele arranca, o que faz os pneus cantarem.

Realmente, o lugar que nós vamos não é um restaurante cinco estrelas, como aquelas cenas de filmes. É um restaurante italiano bem caseiro. Chase caminha com as mãos no bolso um pouco à frente e abre a porta para mim. O restaurante tem toalhas de mesa de um xadrez vermelho e as paredes de tijolos. Por incrível que pareça, as pessoas falam baixo e é possível ouvir perfeitamente a música que toca, que por sinal é muito boa. Um garçom nos guia até uma mesa no centro do restaurante e nos entrega o cardápio. Nos pergunta o que gostaríamos de beber e ambos respondemos em sintonia “um suco de laranja”. Rimos e então ele abre o cardápio para ver o que poderíamos comer. O garçom pede licença e nos deixa a sós.

Fico quieta e apenas observo suas sobrancelhas franzidas enquanto olha o cardápio. Ele de repente larga o caderno num baque e me faz pular da cadeira. Chase ri e então fala:

–O que você acha de um Spagetti à Bolonhesa? – E sorri. Concordo envergonhada sabendo que ele percebeu que eu o observava. Chase chama o garçom e faz o nosso pedido. — Meio clichê, mas tudo bem. — Ele diz enquanto dá de ombros.

–Então, o que te fez pensar em me trazer aqui? – Pergunto apoiando minha cabeça em minhas mãos.

–Você disse que comida italiana era a sua favorita. – Ele responde como se isso fosse obvio.

–Ah. Me desculpa se eu não decoro tudo que as pessoas falam. – Respondo no mesmo tom.

–Eu não decoro tudo que as pessoas falam. – Ele diz sacudindo a cabeça. – Eu decoro tudo que tu fala. É diferente.

O garçom larga nossos copos na mesa e instantaneamente o celular de Chase toca. Ele pede licença e vai para a entrada do restaurante atender a ligação. Meio que impaciente, apoio minha cabeça na mão esquerda e batuco na mesa com a direita, mexendo em qualquer coisa que esteja ao meu alcance.

Assim que Chase volta (mostrando cada dente da boca, por sinal) faz um convite:

–Semana que vem eu vou com a minha família pra fazenda que temos no interior... Vai ser o aniversário de 18 do meu primo, tem mais um lugar no carro se tu estiver a fim... – Sorrio e balanço a cabeça afirmando.

–Seria interessante.

Notas finais
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