Summer Love
1 A ideia
Notas iniciais
“Por que ele fez isso?” De alguma forma, eu sentia como se estivesse perdendo um braço, perdendo algo extremamente essencial para mim. Posso estar exagerando, mas de alguma forma, essa é a verdade. Sem a minha estrutura eu perco o meu norte.
Realidade era essa. Meus pais estão em processo de separação. Mas essa não é toda a história, com certeza não. Para se manter no Brasil, fazendo sucesso em sua carreira, meu pai (britânico sem permissão para se mudar) casou com a namorada, minha mãe, e se estabeleceu aqui no Brasil por muito tempo. A última coisa que ele pensou foi que geraria uma família daquele pequeno "golpe". Ele não a amava, ele não a merecia, ele não a desejava mais.
O mesmo desgraçado, que sou obrigada a chamar de pai, abdicou a sua estadia no Brasil para voltar a Inglaterra. Consequentemente, eu e meu irmão mais novo seríamos obrigados a passar certo tempo com ele. Mas a vida não é um belo campo de flores... Esse ano, eu completo 18 e não sou mais obrigada a passar um tempo com ele, mas meu irmão de 15 anos é. Eu não posso deixá-lo sobre custódia daquele maldito, mas ainda não sei o que fazer. Eles nos separariam sem piedade, e meu irmão não merecia isso. Ele não é culpado!
Mas enfim, é apenas uma probabilidade. Quem decidira será o juiz. Agora eu tenho que me preocupar com a minha mãe em estado inconsolável. Ela não saia de casa, mas podia sentir em sua pele o que ela sofria a cada lágrima desperdiçada. Não poderia mante-la assim por muito tempo.
Agora eu tenho um plano para ajudá-lá. Lembro-me da primeira vez que decidimos explorar a cidade do Rio de Janeiro com meus pais, meu irmão não foi porque a última coisa que ele preferia fazer em um final de semana era acordar às 6:00 a.m e bater perna.
Depois de curtir o dia, acabamos brincando na praia e caindo na água. Sem condições de caminhar no sereno noturno, decidimos passar a noite em um hotel próximo: o renomado Copacabana Palace. Podia ser exagerado, mas meus pais eram pessoas influentes na sociedade carioca (minha mãe é atriz da globo e meu pai é um advogado conhecido) e tinham dinheiro para passar o mês naquele hotel. Reservas feitas, chaves do quarto em mãos, minha mãe decidiu correr até uma loja e comprar roupas secas para todos. Enquanto ela se arrastava para a loja, meu pai (no quarto) pediu para que eu conseguisse um novo quarto para mim mesma, já que queria aproveitar a noite com a minha mãe à sós. Não discordei, achava meu pai um homem romântico (como eu estava enganada...) e não queria atrapalhar os pombinhos. Sequei-me por mais alguns minutos e desci para a recepção. Não estava tão tarde, eram 19:40 p.m, então depois de conseguir as chaves do quarto (dois andares a cima do quarto de meus pais) e receber a roupa da minha mãe, eu quis jantar no restaurante do hotel. Tomei um banho e vesti a roupa (calça jeans, regata e um casaco florido lindo). No restaurante eu encontrei muitas celebridades simpáticas. Uma delas era Kristen Stewart, a garota que fazia o filme crepúsculo. Não era muito fã mas ela era realmente simpática então nós ficamos conversando em inglês. No dia seguinte eu passei o dia com a minha mãe no mesmo hotel, já que não havia absolutamente nada para fazer em casa. Tivemos nosso dia mãe e filha na piscina, no spa, pequenas compras no centro e praia.
Depois daquele dia, nós voltamos lá pelo menos umas 8 vezes contadas e esquecendo algumas. Éramos até conhecidas lá. Talvez pudéssemos repetir esses dia apenas de nós duas nesse mês o hotel.
Eu estava sentada em um espaço acolchoado que havia no batente da minha janela e me permitia uma visão privilegiada do quintal e da piscina, com cascatas e mais cascatas. Atrás dela havia uma portaria e nela havia um pequeno tumulto. Os nossos seguranças empurravam para fora um fotógrafo que, assim que me viu na janela, apontou a maquina e segurou o interruptor incessantemente. Pulei do assento e calcei os sapatos, finalizando a roupa com um chapéu para me disfarçar.
Antes que ela acordasse eu preparei a mala para uma semana no hotel, separei um dinheiro que meu pai havia deixado no cofre de casa (se ele sentisse falta, bem feito) e montei a mala pra minha mãe. Também liguei pro meu namorado (Sim, eu tenho um namorado! O nome dele é Anthony) e avisei que passaria a semana fora com a minha mãe. Ele entendeu porque sabia o estado que ela se encontrava. Meu irmão estava dormindo na casa de um colega,porque não suportava ver a mamãe chorando dia e noite.
Entrei em seu quarto e a encontrei deitada entre milhares de fotos com meu pai. Seus olhos inchados denunciavam mais uma noite masoquista e lágrimas infinitas.
– Mãe? Acorda, vamos sair daqui. — eu a cutuquei.
– Anita, o que você quer? — ela me perguntou. Ah sim, meu nome é Anita.
– Vamos passar a semana fora, pra você se animar.
– Me deixa sozinha filha.
– No Copacabana Palace...
– Já fez suas malas? — ela perguntou saindo da cama e quicando direto para o próprio closet. Ela pode não ter boas lembranças de meu pai lá, mas sempre foi obcecada pela vista maravilhosa dos quartos.
– Já, e as suas também!
– Eu vou só trocar de roupa, me espera no carro. — minha mãe separou uma roupa e já estava se trocando.
Sim! Eu tenho um carro. As malas já estavam no porta malas e eu já tinha ligado o carro. Agora só a esperava pacientemente. Adoro fazer esse tipo de passeio, observo as mais belas vistas durante o caminho. Pus meus óculos escuros já que esse era mais um dia de sol no Rio. Já com a mãe no carro, malas prontas, disposição, uma garrafa pequena de coca cola ao lado e músicas da Katy Perry tocando com tudo no rádio eu estou pronta para partir em direção à Copacabana.
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