– Mas onde é a merda de acampamento? — murmurei.

– É, mãe, onde é a merda do acampamento? — resmungou Piper, babando em seu travesseiro.

– Piper, olha a boca!

– Qual é, mãe, é como qualquer outra palavra, e a Julia pode falar!

– Ela não é minha filha, agora, fiquem quietas.

– Mas quando vamos chegar? — repeti, impaciente, observando com tédio as ovelhas no pastos do lado de fora.

– Deixem de serem ansiosas.

– Mãe, mas que merda, quando vamos chegar? — reclamou Alice.

– Alice, controle essa boca!

– ALGUÉM ME DIZ QUANDO A GENTE VAI CHEGAR? — gritamos eu e Piper.

– CALEM A BOCA AS DUAS! Puta merda, em dez minutos a gente chega lá.

– Que boca suja, mamãe. — riu Piper e eu a acompanhei.

Dez minutos depois, estávamos parados em frente a uma placa de madeira velha em que se lia Summer Camp. Uma mulher de cabelos muito dourados presos num rabo de cavalo, e com a camisa verde do acampamento sorriu para nós.

– Bem vindas! Nomes?

– Julia May, Alice e Piper Cloud.

Ela procurou nossos nomes na lista e então pegou uma chave de dentro dos bolsos.

– Cabine 2. — ela sorriu novamente. — Desfaçam as malas e nos encontrem no coreto ás duas e meia da tarde!

Nos despedimos, e arrastamos nossas malas pelo caminho de pedras. Não muito longe, avistei as cabines em meio a algumas árvores.

Nossa cabine, a 2, era razoavelmente menor que as outras, notei. Mas talvez isso fosse bom. Talvez pudessemos ter a cabine toda só para nós.

Comecei a arrastar minha mala para subir a escadinha da cabine, mas me desequilibrei. Por sorte alguém me segurou, e segurou minha mala.

– Ei, cuidado, novata. — murmurou uma voz masculina e muito, muito sexy.

Virei-me e encontrei um par de olhos muito verdes me encarando divertidos. O par de olhos bonitos pertencia a um garoto. Bem, ele era velho demais pra ser um garoto. Mas não parecia velho o suficiente para ser um homem. Dezoito anos, talvez? Seus cabelos castanho escuros caiam um pouco em seus olhos. Notei que usava a camisa do acampamento.

– Obrigada. — murmurei, e me soltei de seus braços.

– Não foi nada. — ele sorriu. — Essa é uma mala bem grande. Tem certeza que só vai ficar um mês?

– Bem, talvez não precise de tudo isso, mas é melhor previnir do que remediar, certo? — parabéns, Julia, esse foi o comentário mais ridículo da história.

– Certo, certo. — ele continuou sorrindo. Seu sorriso era bonito. É. — Qual o seu nome?

– Julia May.

– Liam Price. É um prazer. É seu primeiro ano aqui, não?

– Como sabe?

– Bem, trabalho aqui a alguns anos, então...

– Trabalha?

Ele riu do meu tom surpreso.

– Sim. Para pagar a faculdade. Sou instrutor. — seu sorriso adquiriu um ar malicioso. — O seu instrutor, então é melhor não sair da linha.

Bufei.

– Certo. O que vai fazer comigo? Me prender?

– Você vai ver.

– Está me assustando.

Ele riu novamente e dessa vez, eu ri junto.

– Relaxe, Julia. E bem vinda ao acampamento.

Ele piscou tão rapidamente que eu mal teria notado, mas estava ali. Observei-o se afastar. Ele era atlético, de pele bronzeada. Um surfista, suspeitei. Um lindo, lindo surfista.

E meu instrutor.

– Julia, minha filha, você empacou por que? — ouvi Alice me chamar.

– Por nada. Já vou.

Esse acampamento vai ser ainda melhor do que eu esperava.

Notas finais
Gostaram? :)