Summer Camp, Summer Love
2 Capítulo 2
– Mas onde é a merda de acampamento? — murmurei.
– É, mãe, onde é a merda do acampamento? — resmungou Piper, babando em seu travesseiro.
– Piper, olha a boca!
– Qual é, mãe, é como qualquer outra palavra, e a Julia pode falar!
– Ela não é minha filha, agora, fiquem quietas.
– Mas quando vamos chegar? — repeti, impaciente, observando com tédio as ovelhas no pastos do lado de fora.
– Deixem de serem ansiosas.
– Mãe, mas que merda, quando vamos chegar? — reclamou Alice.
– Alice, controle essa boca!
– ALGUÉM ME DIZ QUANDO A GENTE VAI CHEGAR? — gritamos eu e Piper.
– CALEM A BOCA AS DUAS! Puta merda, em dez minutos a gente chega lá.
– Que boca suja, mamãe. — riu Piper e eu a acompanhei.
Dez minutos depois, estávamos parados em frente a uma placa de madeira velha em que se lia Summer Camp. Uma mulher de cabelos muito dourados presos num rabo de cavalo, e com a camisa verde do acampamento sorriu para nós.
– Bem vindas! Nomes?
– Julia May, Alice e Piper Cloud.
Ela procurou nossos nomes na lista e então pegou uma chave de dentro dos bolsos.
– Cabine 2. — ela sorriu novamente. — Desfaçam as malas e nos encontrem no coreto ás duas e meia da tarde!
Nos despedimos, e arrastamos nossas malas pelo caminho de pedras. Não muito longe, avistei as cabines em meio a algumas árvores.
Nossa cabine, a 2, era razoavelmente menor que as outras, notei. Mas talvez isso fosse bom. Talvez pudessemos ter a cabine toda só para nós.
Comecei a arrastar minha mala para subir a escadinha da cabine, mas me desequilibrei. Por sorte alguém me segurou, e segurou minha mala.
– Ei, cuidado, novata. — murmurou uma voz masculina e muito, muito sexy.
Virei-me e encontrei um par de olhos muito verdes me encarando divertidos. O par de olhos bonitos pertencia a um garoto. Bem, ele era velho demais pra ser um garoto. Mas não parecia velho o suficiente para ser um homem. Dezoito anos, talvez? Seus cabelos castanho escuros caiam um pouco em seus olhos. Notei que usava a camisa do acampamento.
– Obrigada. — murmurei, e me soltei de seus braços.
– Não foi nada. — ele sorriu. — Essa é uma mala bem grande. Tem certeza que só vai ficar um mês?
– Bem, talvez não precise de tudo isso, mas é melhor previnir do que remediar, certo? — parabéns, Julia, esse foi o comentário mais ridículo da história.
– Certo, certo. — ele continuou sorrindo. Seu sorriso era bonito. É. — Qual o seu nome?
– Julia May.
– Liam Price. É um prazer. É seu primeiro ano aqui, não?
– Como sabe?
– Bem, trabalho aqui a alguns anos, então...
– Trabalha?
Ele riu do meu tom surpreso.
– Sim. Para pagar a faculdade. Sou instrutor. — seu sorriso adquiriu um ar malicioso. — O seu instrutor, então é melhor não sair da linha.
Bufei.
– Certo. O que vai fazer comigo? Me prender?
– Você vai ver.
– Está me assustando.
Ele riu novamente e dessa vez, eu ri junto.
– Relaxe, Julia. E bem vinda ao acampamento.
Ele piscou tão rapidamente que eu mal teria notado, mas estava ali. Observei-o se afastar. Ele era atlético, de pele bronzeada. Um surfista, suspeitei. Um lindo, lindo surfista.
E meu instrutor.
– Julia, minha filha, você empacou por que? — ouvi Alice me chamar.
– Por nada. Já vou.
Esse acampamento vai ser ainda melhor do que eu esperava.
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