Summer Camp
2 Acampamento Winchester
Notas iniciais
Atlanta, Geórgia
— Elenina, vamos. — meu pai reunia suas coisas do trabalho. — Estamos atrasados.
— Você que não deixou eu ir com o ônibus do acampamento, eu já estaria lá. — disse enquanto descia as escadas colocando o que restava dentro da minha mochila. — Tchau mãe. — dava um beijo e um abraço na minha mãe, enquanto meu pai buzinava freneticamente na frente de casa. — Eu já estou indo. — disse me apressando para entrar no carro.
— Até que um dia. — ele disse enquanto ligava o carro e dava a ré. — Você tem certeza de que quer ir a este acampamento?
— Claro que tenho. Ou você acha que eu prefiro gastar mais dois meses da minha vida vendo você e a mamãe brigarem feito loucos? E pelos motivos mais idiotas que eu já vi. — eu disse arrumando os fones na minha cabeça.
— Nós não brigamos mais tanto assim. — ele prestava atenção no trânsito.
— Ah, claro. — eu o encarava. — E a briga de ontem sobre quem levaria a Elenina foi o que? Um desentendimento? — ele se calou.
O fato era que meus pais brigavam demais e isso incomodaria até o ser humano mais calmo do planeta. Era por causa das contas, da hipoteca da casa, do cachorro. Os dois chegaram a um ponto em que se amar é piada, eles se odeiam, e eu não entendo porque não se separam.
— Por que vocês dois não se separam? — perguntei, tirando os fones e olhando para ele.
— Não é assim. — ele deu uma pausa na fala. — Fácil de se separar. Nós construímos uma vida juntos, nós tivemos você, criamos uma rotina.
— Não me bote como empecilho pra felicidade de vocês dois. E até para a minha felicidade, porque se é pra ver vocês brigando feito animais eu os prefiro separados. — Andrew me mandava uma mensagem perguntando aonde nós estávamos. Andrew era meu namorado.
— Você jura que não ficaria nem um pouquinho intimidada se eu arranjasse uma nova namorada e sua mãe um namorado? — ele começava a entrar no local do acampamento.
— Nem um pouco. — eu dizia já pegando minha mochila. — Mas só me jure, que enquanto eu estiver fora vocês não vão se matar e vão resolver os seus problemas juntos? — eu disse abrindo a porta, olhando pra ele. Andrew já caminhava em minha direção, e eu fiz um sinal pra ele pegar minha mala no porta-malas.
— Eu juro tentar. — ele me olhou com um olhar triste, não exibindo aquela felicidade que ele costumava ter. — Tchau, filha. Tenha um bom verão.
— Você também pai. — eu saí do carro e fechei a porta. Cumprimentei Andrew e saímos de perto do carro do meu pai, indo em direção aos nossos amigos.
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