Doze badaladas.

Sim, era meia noite, como toda história

Nostálgica e fatídica

Uma história comum, um filme qualquer

Tudo escuro a minha volta;

O chão tentava absorver minhas lágrimas,

Mas me afoguei nelas mesmo sem perceber

Meus olhos estavam fechados,

Mas...

Palavras vinham de algum lugar,

Penetravam em minha mente

Pensamentos deprimidos, tristes, paranóicos

Sentia dor, mas não conseguia alcançar lugar nenhum

Parecia que eu não fazia parte de mim

Doía, sangrava, mas eu não conseguia estancar aquele sangue

Minhas forças se esvaíam,

Aquele sangue continuava a jorrar dos meus pulsos,

Lágrimas saíam dos meus olhos sem que eu percebesse,

Sequei meus olhos, olhei-me no espelho

E percebi algo que ainda não havia me dado conta,

Aquilo não valia à pena,entretanto, era tarde demais para voltar atrás

Agora aquela lâmina ensangüentada em minhas mãos

Já havia dado rumo ao meu destino

Nada mais era, do que o destino de alguém fraco

Que não teve forças para enfrentar a vida.

De cabeça erguida, agora, pessoas chorariam por mim

Esqueceriam-me, lembrariam-se, manteriam-me

Em seus corações,

Mas seguiriam suas vidas sem mim,

Então continuei a olhar-me no espelho

Agora pálido e quase sem vida

Arrumei meus cabelos e preparei-me

Para morrer com o mínimo de dignidade

Deitada na imensidão dos lençóis brancos da minha cama.

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