Suicidio
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Ela nunca me beijou, depois do dia em que falei pra ela que voltei a amá-la o assunto acabou, não sei se ela fez isso de propósito, não sei se ela é do tipo que gosta de um desafio, eu não sei, mas mesmo assim eu ainda a amo, como eu disse no começo dessa carta, eu sou burra.
Depois disso Jen terminou com Alisson, pois ele ia embora de nossa cidade durante as férias e não voltaria, e ela falou, muito burramente aliás, que não conseguiria namorar a distância sem traí-lo, eu não consigo acreditar que ela disse isso, e que eu realmente achei que ela pudesse traí-lo comigo.
Antes de ir embora, ele falou que gostava de mim. E que ele começará a odia-la. Entende agora Jen, porque eu não queria os dois juntos? Eu continuei a falar com ele por mensagem, porque no fundo, eu vivia num conflito dentro de mim de amor e ódio por ela. Até que as aulas voltaram (eram as férias de Julho deste ano) e olhe que irônico, ele não havia ido, ele ficou. E é claro que Jen queria voltar, mas ele não queria. Ele queria se vingar, e eu não soube como fazê-lo mudar de idéia, disse que ele devia ser frio, que não valeria a pena, e nossa vida foi bem durante todo o bimestre.
Até que veio o recesso escolar, uma semana sem aula, para ter reuniões. E eu larguei o celular toda essa semana, não queria falar com ninguém, queria limpar a mente e fiz planos, naquela semana, planejei dizer a Alisson que não poderíamos continuar conversando como se algo, algum dia pudesse acontecer entre nós, por carta é claro, e dizer para outro amigo meu que ele devia esquecer a paixão que ele tinha por mim, e olhe novamente a ironia, planejei mandar uma mensagem pra Jen, no primeiro ou no segundo dia de aula depois do recesso,pedir a ela pra ir no banheiro por mensagem e ai, simples como a vida deveria ser, a beijaria. É incrível como sua vida pode desmoronar com apenas algumas palavras.
No dia em que as aulas voltaram ela disse que precisava me falar uma coisa, eu sentei ao seu lado nas arquibancadas, e ela olhou nos meus olhos e falou:
–Terça feira o Alisson foi em casa. E minha irmã não estava, estavámos sozinhos.
–Oque você fez?- Eu perguntei tentando esconder o medo
–Eu continuo virgem- Ela deu um risinho.- Mas ai agente se beijou, e ele tirou minha camiseta, minha calça e ai ele tirou minha calcinha, e foi descendo os beijos…
Naquele momento eu não ouvi mais nada, eu não lembro oque falei, só sei que tudo ficou embaçado de lágrimas e eu as segurei nos olhos, me levantei, e fui ao banheiro, o sinal bateu, eu fui pra sala, e me sentei na ultima carteira, zonza, tremendo, me sentindo traída e sabendo que aquilo seria uma vingança dele, eu sabia que ele faria algo, mas isso era horrível de mais pra mim, porque por algum motivo estupido eu realmente achei que a teria comigo pra sempre, e que ninguém além de mim faria isso nela.
Eu fui pra casa atônita e aquela parte otimista de mim dizia que não passará de uma brincadeira de mal gosto. E no dia seguinte eu falei com ela, e era mesmo verdade, acho que ela percebeu pelo meu rosto que eu não estava bem e disse:
–Eu não devia ter falado isso pra você.
–Não devia mesmo! Não devia Mesmo!- Eu disse e me levantei, e então como se não bastasse Alisson apareceu. Como eu o odiava. Fui pro banheiro e fiquei lá por alguns minutos quando ela apareceu, olhando por cima da cabine.
–Júlia!- Ela disse olhando pra mim.
–Sai Daqui!
–Porque
–Eu te odeio!- As lágrimas brotaram e não as pude segurar.
–Me deixa entrar.
–Não! Você não teve a menor consideração por mim, pelo que eu sinto.
–Me deixa entrar.
E finalmente eu cedi. Ela entrou e eu a abracei forte, enterrando minha cabeça em seu peito chorando, sentindo o cheiro delicioso dela, chorando, molhando seu ombro e seu cabelo e pensando no que seria de mim sem ela.
–Eu nunca deveria ter falado isso pra você- Ela disse
–É só que... dói muito- Eu disse entre soluços- Eu te amo.
–Eu também te amo- Ela sussurrou- Mas não é como você gostaria.
–Eu sei, é que dói de mais.
–Está bem mas precisamos ir, vão nos trancar no banheiro.
Eu não queria ir, eu queria ficar ali chorando pra sempre, queria dar um ultimo abraço e não me desgrudar. Fico pensando se isso já deixou de ser amor e se tornou doença, afinal estou morrendo por ela certo.
Depois disso eu fui pra sala, chorei no colo de minha amiga e escutei o inevitável, que deveria me afastar, eu não queria me afastar, mas foi oque disseram. Então foi oque resolvi fazer, mandei uma mensagem pra Jen, e encontrei-a no banheiro.
–Não posso mais ser sua amiga.
–Mas -Eu ví as lágrimas nos olhos dela- Eu te amo, não consigo ver minha vida sem você.
Essa deveria ser a parte em que ela me beijava e dizia que sentia muito por ter ficado tanto tempo sem fazer isso, mas não foi oque aconteceu não é. Ela me amava como amiga e só. a conversa não mudou muito disso. Eu chorei, meu amigo tentou bater no Alisson, e os próximos dias foram os piores de minha vida. E ai quando nada mudou, eu percebi que sem ela nada seria bom, e que se eu tentasse me aproximar, não seria a mesma coisa de antes. Eu já havia morrido antes, minha alma já havia ido embora. E a única coisa que eu era, era só um grande saco de ossos ambulante. E ai eu tomei as pilulas e escrevi essa carta, a visão está ficando turva e está frio aqui. Minhas ultimas palavras são: Jen, não se culpe pela minha morte, a culpa não é sua, nunca foi. é minha culpa, de ser burra e ter te amado. Talvez, se eu não estivesse morrendo você me pediria desculpas, ou então eu não sei, me daria uma chance, mas eu vou morrer, e você não pode dar uma chance a meu tumulo, nem pedir desculpas a ele. E a minha família, não se envergonhem de mim, eu nunca lhes contei porque me achariam uma aberração, mas eu morri por amor e isso pode ser lindo. Aos meus amigos, eu gostaria de dizer que vocês foram ótimos, e a meus inimigos, vocês tornaram minha vida mais interessante. Adeus.
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