Suicide Chain

11 Um fim não tão permanente.


Notas iniciais
Sim, ficou horrível, sim, ficou chato, sim, ficou péssimo. Mas eu preferi enquanto não me acho em estado de espírito de escrever um final pra fic deixar vocês com esse final provisório, espero que não se importem.

Eu não respondi, apenas afundei minha cabeça por sobre a falsa proteção do travesseiro e rezei para que ela fosse embora, enquanto refletia sobre minha conversa anterior com o Ceifeiro da Morte.

— Sabe Murilo, eu fiz tanto por nós. — Seus dedos meio espectrais e meio sólidos deslizaram pela base da minha coluna até o meio das minhas costas. Uma onda de energia cortante foi enviada à todo meu corpo, que se retraiu e ficou imóvel. — Você poderia por favor parar de temer a mim e me olhar?

Eu desenterrei minha cabeça do travesseiro e olhei para o lugar de onde sua voz vinha e ela realmente estava mais opaca, como se de fato tivesse se materializando.

— O que aconteceria com você se eu me matasse? Você desapareceria, ou continuaria levando todos para seu mundo? Aliás, o que é o seu mundo, Alice? — Em um único embalo de coragem eu disse as perguntas que apareceram na minha mente naquele momento, e mantive a postura esperando sua resposta.

— Eu não sei o que aconteceria, talvez ficássemos presos no meu mundo, sobre o qual eu não posso te falar até que você não pertença mais ao plano dos vivos, ou então talvez tudo desaparecesse, tudo simplesmente desmoronasse e todos que estão lá agora virassem vazio, quem sabe?

Ela me olhou de tal forma que eu sabia que ela falava sério.

— Mas quer saber, eu estou disposta a correr o risco, você apenas deve se matar pensando em mim, de forma descrita no site, como todos eles. — Algo naquela afirmação não parecia certo, mas eu não podia me demorar pensando.

— Por que não posso simplesmente atirar na minha cabeça, e acabar com isso de forma rápida. Eu não tenho que me submeter a tortura auto-infligida pra morrer, eu posso ser mais rápido e ter menos dor, não acha?

— Não. — Seu semblante me lembrava um pastor de uma igreja que tentava convencer seus fiéis, e isso me deixou curioso. — O meu mundo só se abre àqueles que estão dispostos a pagar o preço da entrada, e você deve fazer isso também, mas o mais importante de tudo é sempre pensar em mim, durante todo o processo.

Antes de pensar no que eu diria eu já estava falando, e não pude controlar. — Mas e se eu apenas me matar pensando em você, de qualquer forma?

— Eu nunca deixei alguém fazer isso Murilo, pode ser que funcione, pode ser que não, mas é melhor não deixar brechas. — Ela olhou para trás e rapidamente voltou a se virar. — Eu tenho que ir agora, pense no que eu disse para você.

Ela sumiu no ar e me deixou sozinho novamente, trancado no quarto em meio aos antigos pesadelos, mas dessa vez eu estava consciente.

Decidi por fim que eu não teria a coragem para me matar se ficasse muito tempo pensando nisso, e de uma forma ou de outra eu deveria colocar um fim nisso, fosse do modo a dar fim na Alice ou então ser parte de seu mundo.

Corri para a cozinha e tirei de lá uma faca com fio de navalha e um copo de água. Passei pelo banheiro e peguei dois tubos de remédios que tinham faixas pretas neles. Peguei o copo e tomei os comprimidos empurrando com água, logo então me joguei na cama, peguei a faca e fiz cortes verticais nos pulsos e nas artérias das pernas.

Cada corte queimava, e então era preenchido com sangue, em cada corte eu agonizava e me pedia pra parar, mas o impulso do momento misturado com a ânsia de acabar com tudo naquela hora era maior, e eu continuava a cortar. Eu cortava meu corpo como quem prepara uma refeição, sem dó, mas com precisão. Afundava a faca na medida certa e puxava. Em meio a isso meu estômago se contraiu em uma única pancada, me fazendo contorcer e cortar mais do que queria minha perna, deixando um corte desalinhado.

Minha barriga enviava fortes dores para todo meu corpo, e naquele momento eu não sabia se estava pensando em Alice, no Ceifeiro ou em como a minha vida tinha sido uma droga, mas um ponto no fundo da minha mente dizia que eu deveria escolher um deles para me apegar.

Enquanto tudo foi ficando escuro eu conseguia enxergar três luzes. Uma delas era um lindo sol azul que iluminava uma vegetação rasteira na qual várias crianças e adolescentes brincavam, todos supervisionados por Alice. A segunda luz era um caminho iluminado com portões de ouro, e seres como o ceifeiro ladeavam o caminho até os portões, sorrindo para mim. O terceiro era o mais esquisito de todos, era apenas um anel de luz cujo centro era negro, tão negro que você ficava tonto de olhar.

Era uma escolha, qual dos três eu deveria escolher, qual rumo tomar, para qual lugar partir. E deveria escolher agora entre deixar Alice viver, ir para o Céu, ou me tornar o vazio absoluto. Estiquei meu braço para escolher um deles, e antes que percebesse já tinha tocado naquele que meu subconsciente havia escolhido pra mim, aquele que eu sabia que seria feliz, e apenas me deleitei com minha escolha.

Notas finais
FIM ABERTO À INTERPRETAÇÕES.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.