Notas iniciais
Oi gentem, um aviso pra vocês: coloquem a categoria de Suicide Chain, em "historias que acompanho", como publica, assim eu posso ver quem de vocês está lendo aqui. Além disso, continuem comentando, obrigado.

Helvet era um garoto simples, nasceu no Brasil, filho de dois imigrantes suecos, mas não conseguiram ajeitar a vida aqui, então se mudaram para o canadá, onde seu pai começou um trabalho como lenhador e sua mãe uma professora de artes.

Eles moravam em uma casa construída com madeira, como todas as outras na pequena vila dele, e contou como era sua vida por lá.

"Eu nunca consegui ajeitar minha existência por aqui, as escolas são muito puxadas, e exigem mais do que podemos dar, não fiz amigos, pois nenhum deles gostava das mesmas coisas que eu, e até hoje sou assim, uma pessoa sozinha, que passa horas no quarto com um fone de ouvido e alguma droga ilícita ao alcance, escutando músicas chapado pra esquecer minha mera existencia."

Ele pegou o computador nas mãos e começou a caminhar pela casa, até a porta de fora.

"Não sei o que esse mundo guarda pra mim no futuro, e não planejo descobrir, pois sei que não deve ser algo bom. Quero me juntar à Alice, ela tem falado comigo." As vozes começaram agora, mas dessa vez eles não tiraram o áudio do garoto, e também colocaram uma legenda para quem não conseguisse entender.

"Vivi por muito tempo sozinho, vivi sofrendo. Não quero fazer despedidas, ou nomear minha família e dizer que os amo, quero apenas dizer: estarei esperando, eu e todos os outros, estaremos esperando, queremos que vocês venham nos encontrar, queremos viver com vocês no mundo de Alice, venham."

Ele mostrou que, ao fundo de sua casa, um bosque de pinheiros fechava toda a visão que poderia ter, mesmo pelo computador eu sentia a obscuridão daquele lugar, era algo macabro, feito para destruir as pessoas, seus interiores.

Helvet caminhou até entrar no bosque, e lá, como se já tivesse feito o caminho, seguiu para uma pequena clareira, com espaço suficiente apenas para uma estrutura de madeira a dois metros do chão, com pilhas de madeira embaixo, e uma corda que estava amarrada em uma árvore e descia até o chão.

O computador foi deixado sobre uma tora baixa de madeira, e no vídeo só se via ele dando um nó na corda e jogando algum líquido sobre as lenhas que estavam abaixo da estrutura. Minha inocência preservava o meu não conhecimento sobre o que estava para acontecer, naquela época, mas acho que vocês já previram.

De toda forma, o garoto alto, forte e loiro pegou alguns fósforos, jogou-os acesos sobre a pira incendiária e. enquanto o fogo ainda estava baixo, passou a corda sobre seu pescoço e pulou em cima do fogo, que agora crescia rapidamente, chegando a lamber a sola de seus pés descalços.

Minha mente piscava com o coro de vozes que entravam nela, e por último, eu ri quando ele fez sua última piada, é claro que aquilo tinha que estar ali. Seu nome, Helvet, significava "inferno" em norueguês, e "foda-se" em sueco, a frase "é o inferno, foda-se" me fez gargalhar como nunca antes, eu era um maníaco descontrolado viciado em assistir suicídios alheios que tiveram um início pela minha clara inocência, que fora destruída completamente naquele dia.

Não consegui ver muito o que aconteceu até sobrar somente o resto carbonizado de seu antes belo corpo preso por uma corda também queimada, um símbolo que duraria eternamente entre as árvores escuras que formavam aquele bosque, e eu sentia os espíritos que ali residiam vindo buscar seu novo companheiro, afinal, era ali que residiria para sempre Helvet, no local de sua morte trágica.

Depois de Heitor, Marcelo e Tracy, que não merecem destaque agora, eu me levantei, como uma pessoa normal após um pequeno filme de terror e fui para a cozinha de minha casa comer a janta. Daquele momento e para sempre desde então, não existia mais a mim, e sim uma versão que não ligava para os sentimentos humanos, e uma das grandes razões disso era a minha tendência a não ter memórias, sobre nada! Eu era um saco vazio, sempre aberto para novas experiências, ou ao menos assim eu achava, até que num certo dia recuperei todas elas de uma vez, como um soco que te faz acordar para a realidade, mas isso não é algo para contar por enquanto.

Depois de uma janta leve, com minha nova "personalidade", fui tomar um banho e dormir. Devo dizer que pesadelos é uma palavra que não descreve nem um terço do que minha cabeça me fez experimentar naquela noite.

Enquanto eu relaxava na cama, a pequena suicida pioneira me fez uma visita. Uma presença inicialmente calma e distante relaxava nas beiradas da entrada de meus pensamentos, como uma visita que ainda não fora convidada. Conforme eu mergulhava cada vez mais em meus sonhos, a presença crescia, e crescia, e crescia, até que, quando eu já não podia acordar por mim mesmo, ela se revelou.

Ali, na minha frente, estava ela, a garota que iniciou tudo, e ela falou comigo. Sua voz doce me agradeceu por ter passado adiante a mensagem que ela dera ao mundo, me disse que logo eu a visitaria também, e que se eu não fosse, ela viria, a cada noite, para me atormentar. É claro que ela decidiu fazer uma demonstração, por isso me amarrou, em meu próprio sonho, à uma cadeira.

Ela passou toda uma noite me torturando, me cortando, me separando, me queimando e eu sempre reaparecia inteiro, afinal era tudo um sonho, ou ao menos parecia. Essa parte eu pude aguentar, mas o pior começou no momento em que Alice decidiu fazer jogos psicológicos comigo, ela riu sadicamente do meu novo "eu", me fez lembrar pequenas, e apenas pequenas, torturas que praticavam comigo na escola quando eu era criança.

Foi a mais longa noite de minha vida até então, pois eu me lembrava de tudo pela manhã, enquanto me encolhia encostado na parede, com medo até de abrir os olhos e vê-la na minha frente, pronta pra mais uma seção desenterrando de minhas entranhas memórias há muito perdidas.

E assim que começou o primeiro de muitos horríveis dias de minha pequena vida.

Notas finais
Ainda está de pé quem quiser enviar uma morte.