Suicidas Anônimos 1
1 Capítulo 1
Ela nunca foi o tipo de garota que chorava por garotos ou se importava com sua vestimenta, brincava e gostava de ver mortos, velórios e ficar no cemitério. Nunca ligou pro julgamento alheio, queria mais que todos morressem porque não faria falta num mundo tão terrível como aquele em que vivia. Mas nesses últimos meses tudo isso a estava incomodando, aqueles comentários ridículos daquelas pessoas hipócritas e aquelas risadas insuportáveis. Ser ela, isso a incomodava, respirar e sorrir como se nada nunca estivesse acontecendo.
Bom agora não fazia mais diferença mesmo, ela era uma garota de 16 anos deitada sobre seus pais, agora, mortos. Pois é, há uns 5 minutos atrás estavam indo viajar pra um cidadezinha do interior do qual eles diziam que ela amava ir quando pequena, parece-me que uma tia morava lá ou algo assim. Seus pais estavam falando e rindo alto enquanto ela ouvia musica no máximo em seu iPod. Quando de repente seu pai fez uma curva muito rápida pro meio do mato sem motivo algum, ela teria notado se fosse algo, o carro bateu num tronco de uma arvore velha e com um tronco grosso. Ela desmaiou e quando acordou estava fora do carro deitada sobre os corpos mortos de seus pai.
Tinha uma carta dentro da bolsa de sua mãe ela resolveu então lê-la. Só seu pai trabalhava, pois sua mãe tinha uma grave doença. O médico havia dado 1 mês de vida para sua mãe, por isso estavam indo “viver cada dia como se fosse o ultimo”, como dizia seu pai. Na carta dizia que seu pai havia sido demitido. Ela entendeu tudo, seus pais se suicidaram. Ouviu uns barulhos de sirene e saiu correndo, motivo? Também não sabia, só sabia que não queria que a encontrasse, a vida já estava uma merda suficiente pra quererem manda-la pra sua tia e sei lá mais o que. Assistiu a policia e os médicos chegando verificando tudo, enfim fazendo seu trabalho. E, sem querer ela pisou em falso caiu e saiu escorregando para floresta dentro. Quando acordou novamente estava no hospital, cheia de fios conectados a umas máquinas e tinha umas enfermeiras que a encaravam.
–Ah, você acordou. – disse a enfermeira ruiva.
–han... É o que parece né, há quanto tempo estou aqui? – disse Ella um pouco confusa ainda.
–Uns três dias, você foi encontrada perto de um riacho.
–É, eu sei, e meus pais estão mortos e blá blá blá.- revirou os olhos e olhou a janela.
–Sim, precisamos saber seu nome e ver se tem tia algum parente próximo algo assim.
De repente entraram dois policiais.
–Que bom que a senhorita já esta acordada, diga-nos, aqueles eram mesmo seus pais? Qual sua idade? E seu nome?
–Por favor, senhores podem sair? A garota acabou de acordar, precisamos ver como esta ainda.
–Não, relaxe, eram sim meus pais, eles queriam se matar e me matar junto para não sofrer, meu pai havia perdido o emprego e só ele trabalhava por causa que minha mãe tinha uma grave doença, estávamos indo ao interior porque ela só tinha mais 1 mês de vida. Como ontem eu fiz aniversário de 16 anos eles me deram um apartamento em Londres e eu estava indo para lá. Meu nome é Ella.
–Uau quanta informação mocinha...
–Aah e mais uma coisa, estou ótima, não quebrei nada, então receberei alta, certo?
Os policias e as enfermeiras se olharam e aceitaram o pedido dela.
–Mas antes você terá de nos acompanhar a delegacia para pegar seu dinheiro.
–Desculpe-me, dinheiro?
–Sim, seus pais não se suicidaram sem deixar nada para você, o carro foi arrumado e é seu, sua carteira esta lá e todo o resto.
Aceitou com a cabeça e, depois de pegar todo o resto, foi para seu carro.
“O que farei agora?” Decidiu então ir a um bar, beber todas e esquecer que já esteve viva. Parou em um barzinho que tinha perto de seu apartamento, sempre frequentava lá com seu namorado e suas supostas amigas e amigos. Tinha parado em casa e trocado de roupa, estava com um short e uma meia-calça preta rasgada, uma blusinha de manga comprida meio bordô com corte V e uma jaqueta de couro preta. Pediu para o garçom um copo de tequila. Estava se perguntando por que esse idiota desse garçom não parava de encará-la com aquele sorriso safado e aquela barba mal feita. A senhora de trás notou que ele e ela estavam se encarando então logo disse:
–Garoto lindo ein.
Ela apenas sorriu, mas não estava nem ai pra se ele era lindo ou não, era um idiota como todos que estavam lá dentro e ponto. Finalmente o garoto lhe trouxe a bebida.
–Não está meio tarde para uma garota estar em um bar, sozinha?
–Se está ou não, não é da sua conta? Ou é?
–E eu disse que era? Não então...
–Então?
–Então você deveria ficar quietinha.
–hahaha, coitado, faça calar-me.
–Aah moça, você não quer realmente isso, quer?
–Isso por acaso foi um aviso de morte? Haha
Ele sorriu e disse:
–Posso sentar-me?
Ela fez um sinal de sim com a cabeça.
–E sim, foi praticamente um aviso de morte.
Ela se inclinou para ficar bem perto dele e disse:
–Mostre-me.
Ele não demorou muito, chegou perto e beijou-a. No começo estava louca para sair de perto daqueles lábios, mas depois não resistiu, nem ela sabia o que havia, só sabia que gostava. Só que de repente algo mudou uma dor lhe veio e ela começou a ficar fraca então se afastou do belo rapaz. Ele a encarou e...
–Agora crê em mim?
–O que que você fez em mim seu idiota?
–Um beijo mortal meu amor, um beijo do qual você jamais irá esquecer, um beijo do qual você procurará o dono até achar. Um beijo para você.
Depois disso ela adormeceu.
–Mas que merda é essa?
Acordou meio que num pulo, olhou para seus pés e estava na praia. Olhou para cima e viu um garoto muito bonito todo de preto com olhos verdes e um cabelo meio preto.
–Isso, é água meu anjo.
Ela deu uma risada irônica e disse:
–Aah não brinca. Quero saber o que faço aqui se ontem mesmo estava num belo bar com a minha tequila.
Ele riu...
–Aah relaxe princesa, você está numa linda praia, com uma linda vista e bom uma noticia a vir.
–Notícia? Af, que que foi?
–Não quer nem saber quem sou?
–E você ao menos sabe quem eu sou?
–Não, quer dizer não mais que quase tudo. – o belo moço deu um sorriso de lado.
–Ah e o que sabe?
–Sei que você perdeu seus pais faz uma semana e que você está morando sozinha porque mentiu para polícia, sua vida é uma merda, você tem 16 anos e se chama Ella. E, hmmm ontem ficou com um cara no bar que fez você passar mal e te trouxe para cá.
Ela o encarou de forma espantosa.
–Como tu sabe tudo isso de mim?
–Sabendo oras, aaah e sei que, como você tem 16 anos e não pode morar sozinha ainda, estou aqui para resolver seus problemas.
–Haha, diga-me então.
–Como eu tenho 18 anos e estou aqui precisando de um lar moro com você, assim fica mais fácil cuidar de ti...
–Cuidar de mim? Novo lar? Morar comigo? Você só pode estar louco.
–Ué você mesma não disse que não da diferença se eu for um estranho?
–Não eu não disse isso.
–Mas creio eu que pensou.
–É, está certo. Ok more em minha casa, tanto faz. Mas conheço muito bem gente como você, o que vai querer em troca?
–Você terá de me fazer favores sexuais.
Os dois começaram a rir então ela acabou aceitando com que ele morasse com ela, e em troca ela voltará a ir para o colégio.
–Desculpa, mas você sabe que dia é hoje?
–Nossa que moça perdida ein, hoje é sexta feira.
–Aah droga, terei de ir para o colégio segunda de manha? Tá falando serio?
–Ahn, estou sim.
Ela revira os olhos e começa a se levantar.
–Idiota, vamos, estou com fome.
Depois de comerem num restaurante perto da praia resolvem voltar a cidade e ver algumas roupas novas para ela. Ele mostrava cada coisa, uma mais hilária que a outra, o dois estavam mesmo se divertindo. E, por incrível que pareça ela estava mesmo começando a gostar mesmo de alguém. Depois de sair da milésima loja eles começaram a conversar sobre ele.
–Então acho que, pra começar você poderia me dizer seu nome ao menos certo?
Ella olhou para os lados e cadê o garoto? Ele havia sumido? Como havia sumido? Voltou á loja e perguntou se ele havia passado por ali, a moça disse que nada havia visto, onde ele estava afinal? Ela não podia negar que foi bom ele ter sumido, o único problema era.. ele não sabia onde ela morava como iria se mudar? Mas ela não queria pensar nisso, foi para casa e deixou suas roupas. Ligou o som no volume máximo e começou a ouvir Black Veil Brides, foi para seu quarto e tirou suas roupas, necessitava de um banho, encheu a banheira e tomou seu banho.
“BACK” um barulho estranho veio da sala, parecia que alguém estava abrindo a porta, como o som estava muito alto achou que era de algum vizinho, continuou então com seu banho. Mas logo em seguida vieram outros barulhos, parecia que havia mais alguém ali dentro, mas não podia, ela havia trancado a porta e ninguém mais sabia que ela estava ali.
Resolveu então sair da banheira com calma, se enrolou numa toalha e foi ver o que estava acontecendo, foi até o quarto encostou a porta e olhou pela quina, como não viu nada saiu e foi na sala. Olhou para cozinha e gritou, pegou uma faca que estava em cima do balcão e apontou para o estranho. Ele a encarou e disse:
-Nossa que linda você, daria tudo para tirar essa toalha de você. Mas porque esta tão assustada?
-Viado, mas porque esta tão assustada? Do nada você entra no meu apartamento e começa a mexer em tudo fazer mó barulho e...
-Seu apartamento? Tínhamos um acordo, não? Eu moro aqui agora, e não fiz mó barulho, só trouxe as malas pra cima e queria algo para comer.
Pegou uma lata de refri e sentou no sofá, fez um sinal para ela ir sentar com ele, mas ela recusou.
-Bem dito, tínhamos um até você desaparecer misteriosamente e me deixar sozinha naquela rua, e fez barulho sim.
-Awn tadinho do bebe, foi deixado é? Vai chora pequena? Quer um colinho quer? Hahahahahahahahahahaha
-Aaah cala essa boca, idiota, vou me trocar.
-Nãaao, fica assim e vemk. Haha brincadeira gatinha vai la se arrumar que tenho uma surpresa pra você.
Ela deu um sorriso de lado depois virou-se passou maquiagem e colocou uma calça jeans rasgado, uma regata preta, uma touca cinza, seu moletom dos Muppets e calçou seu tênis toms. Saiu e apareceu na frente dele, ele sorriu de uma maneira safada e que estava começando a deixá-la louca já.
-Então, como estou?
-Preferiria se estivesse nua aqui comigo, mas issae serve né.. hahaha
-hahaha, muito engraçado você. Onde vamos?
-Se eu contar deixara de ser surpresa, não acha?
Ele caminhou e abriu a porta para ela e fez uma reverencia.
-Milady.
-Oh, obrigada meu senhor.
Os dois saíram rindo e ele não parava de falar, por incrível que parecia, era legal ouvi-lo, irritante, mas de uma maneira completamente boa.
-Estamos chegando perto da surpresa. Vamos, coloque isso.
Ele lhe entrega uma venda, depois que ela coloca tenta dar uma espiadela por baixo.
-Oh pode parar, se não vamos voltar pra casa e você vai ficar de castigo.
Os dois riram e, depois que desceram as escadas para a garagem ele mandou ela tirar a venda.
-Isso? Você queria me mostrar uma lona?
-Cara, como você é idiota, é o que esta de baixo da lona otária.
Ela deu um tapa nele, e depois ele tirou a lona.
-Ai meu deus, da onde você tirou essa moto?
-Eu roubei da loja aqui do lado sabe...
-Você o que?! Mas como...
-Nossa, você é muito burra mesmo. Meu deus. Meu pai me deixou de herança depois de eu ter fugido de casa.
Ela o encarou furiosa, mas depois meio interessada, resolveu não perguntar nada pois sabia que ele não iria contar. Subiram na moto e saíram noite adentro. Ele ia rápido demais, passava por todos os carros com a maior facilidade, sentiam que estavam voado, e cada vez ela o segurava com mais força. Ele fez uma parada perto de uma pizzaria e de um restaurante.
-Não sei se posso perguntar mas, onde estamos?
Ele deu uma risada sarcástica, pegou sua mãe e a levou para dentro de um beco. Era raro, mas ela estava começando a ficar meio assustada.
-Vamos, diga-me, onde estamos indo?
Ele a encarou de uma maneira perigosa e deu um sorriso meio maligno e safado. Depois virou em direção a uma porta escura com o número 59 escrito e a puxou de forma com que ela entrasse atrás dele. Foram entrando, era um quarto, meio que uma casa ou algo parecido. Ella estava com uma sensação estranha. Parecia que conhecia aquele lugar, mas como? Jamais teria ido há um lugar como aquele, o estranho foi mais adentro, ela ficou olhando as figuras velhas, parecia que estava num quarto mesmo, tinha um beliche com algumas cobertas em cima todo desarrumado, a luz não funcionava por isso estavam com lanternas, no lugar da TV havia apenas um livro, que chamou sua atenção. Ella resolveu pegá-lo, colocou as cobertas do lado e começou a folheá-lo.
-Aah você encontrou esse livro velho, é?
Ela deu um sorriso meio irônico e o chamou para sentar com ele, porém, ele recusou o pedido e tirou os livros da mão da moça de uma forma razoavelmente grosseira, se não tivesse sorrido daquela maneira tão linda e a feito esquecer o motivo, ela o teria xingado.
-Porque o tirou de minha mãos?
-O que? Ah, isso, não quero que você o veja, não ainda.
-E porque não?
-Venha, vamos para o café que tem aqui ao lado, lá poderemos conversar a vontade.
Ela assentiu e seguiu o estranho. Estava gostando dessa noite.
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