Notas iniciais
Não há acompanhamento melhor para essa One do que a canção do suicídio, por obséquio, abram e escutem o link nas notas finais, sim?

Boa Leitura!

S U I C I D A

Fanfiction por ~Delectra

"Essa obrigação de ser feliz, paradoxalmente, nos deixa cada vez mais infelizes."

Donde provém, de verdade, a tão almejada felicidade? Dos beijos e abraços de um namorado e pais compreensivos? De ser uma boa aluna e se enturmar na escola? Ou será que vem daquela promoção gordinha que se recebe numa empresa qualquer na qual você nem gosta de trabalhar e odeia seu chefe gordo?

Não, não existe um meio de encontrar e alcançar a felicidade. É uma coisa tão besta isso, deveria ser senso comum que seu cérebro não vai liberar eternamente endorfina ou mesmo serotonina para que você pense que encontrou a "felicidade".

É daí que vem sua alegria boba, esse seu sorriso idiota, a cantarola irritante pelos quatro cantos da casa, tudo vem do seu cérebro. E, infelizmente, o meu parece estar em escassez desses hormônios.

Tsc, que coisa idiota e colossalmente comum. Instabilidade emocional, problemas diários, pressão familiar e....minhas tendências suicidas.

Tão idiota, tão comum, tão rotineiro. A minha imagem refletida no espelho todas as manhãs com um sorriso falso previamente ensaiado já se tornou enjoativa e deveras repulsiva pra mim mesma.

Já ensaiei tanto esse protagonista, essa face, esses modos que eu me esqueci como esse personagem supostamente deveria se sentir conforme age. É uma merda estar vazio por dentro, cadê meu conteúdo?

Não sei, talvez tenha vazado por entre os dentes que confeitavam aquele sorriso falsamente esboçado na minha cara, estava costurado, preso aos meus lábios; exatamente como essa minha falsa simpatia e educação.

Que hilariante, me descrevendo assim eu me sinto como um pôster de filme antes da pré-estreia, admirado por todos pelo conteúdo que mostra, trazendo expectativas, ainda que na verdade seja só papel.

O peso daquela arma nas minhas mãos que a dias encontrei na gaveta do papai atraía por diversas vezes meu olhar àela. Eu queria reciclar o pedaço de papel que eu era, me tornar adubo pra terra. Quem sabe, deixando de existir eu me torne mais útil para esse hipócrita mundo?

Quero subtrair meu peso desse planeta, minha função — cujo a qual nunca foi realmente definida pela minha vontade senão a de outrem imposta — não será cumprida. Por quê? Porque não quero, não estou mais à fim de ficar aqui, nessa galáxia, nesse universo.

Quanto tempo vai demorar pra que meu dedo trêmulo e o medo da dor se dissipem e, finalmente façam peso no gatilho dessa arma gélida, já levemente umedecida pelo suor da minha mão? Só então a parede branca atrás de mim será pintada de vermelho'sangue'- literalmente — por aquele projétil que em milésimos de segundos atravessará meu crânio e explodirá meu cérebro?

Que sensação estranha ao me auto descrever a cena, se estivesse em estado ainda consciente depois que fizesse a bagunça — talvez por algum milagre -, gostaria de ver a cara da minha mãe ao me ver morta em meu quarto, a parede escorrendo, minha cabeça estraçalhada no chão.

Mas sabe, talvez eu não precise realmente morrer, deve ter algum jeito pra mim ainda ou mesmo algum modo de me sentir um pouquinho feliz.

Alguém força a entrada na porta, que baita susto! Ops, meu dedo escorrega no gatilho...

Notas finais
Trilha sonora: Rezső Seress - Gloomy Sunday
http://www.youtube.com/watch?v=ytTnBZ56QOE

Manifestem o que acharam, por obséquio.
Até.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!