Sugar
3 Video Game
Notas iniciais
A vida de C-ta era como um video game. Era como se ele sempre estivesse ali, tentando superar algum estágio, salvar seu príncipe e coletar moedas. Os estágios sendo os dias, o príncipe sendo Aya, e as moedas, seu sustento, é claro. Mas, às vezes, quando ele parava para fazer essa comparação sobre a própria vida, chegava a imaginar que suas moedas não fossem o clichê de dinheiro, mas o que lhe mantinha em pé. E o que lhe mantinha em pé, dia após dia, era saber que A-ya o estaria aguardando todas as tardes na cafeteria.
Provavelmente com a cara emburrada e reclamando por ter sido deixado esperando.
Mas não era esse seu charme?
C-ta lembrava-se de quando era pequeno, quando ele e A-ya brincavam de super herói e super vilão. A-ya era o herói — ou anti-herói, talvez —, o incrível Dark Hero cujos métodos de combate ao crime eram, no mínimo, questionáveis. C-ta, portanto, era o vilão, o tal do Demônio Azul, com sua cara sorridente de monstro, antenas e tridente para aterrorizar suas vítimas. Eram muito divertidas as brincadeiras que eles tinham, um próprio video game: correndo para lá e para cá, pulando em formigueiros e fugindo dos monstrinhos que eram as formigas enfurecidas, pausando para descanso e reiniciando a brincadeira quando lhes era oportuno. Bem que C-ta não se surpreenderia se fizessem algum jogo baseado em sua infância e na de A-ya. Fora divertidíssima!
Mas mesmo com pulos, obstáculos e aumento na experiência e pontos de vida, os níveis sempre vão aumentando. E as crianças devem crescer e se tornar meninos grandes. No final, o Dark Hero tornou-se um príncipe, em todo seu charme e elegância, e o Demônio Azul tornou-se o herói. Irônica a vida, não? Não foi algo ruim, contudo. C-ta amava ser o grande herói da vida de A-ya. Havia assumido esse papel logo que os dois passaram a se sentir velhos demais para brincar. Foi quando A-ya começou a necessitar de ajuda, tão sem jeito ele era, e C-ta a alegremente oferecer-lhe seus esforços. Eram melhores amigos, afinal, fosse no lado das trevas ou no lado da luz.
E agora, ambos dois garotos crescidos, C-ta continuava a ser o fiel guerreiro que protegia o indefeso A-ya de todos os perigos. Era um jogo um tanto diferente agora. A-ya, em seu trono de escuridão, sobre o qual ele se escondia nas trevas, controlava seu pequeno reinado de rumores e superstições. C-ta, armado de sua, modéstia à parte, admirável habilidade com relações sociais, cuidava para que seu querido príncipe — oh!, às vezes tão descuidado... — não se colocasse em confusões desnecessárias, tirando-o dos holofotes e garantindo seu lugarzinho nas sombras. A-ya não tinha jeito, afinal; quem era C-ta para negar-se servi-lo?
Não era como se C-ta fosse um tolo na armadura, porém. A-ya era muito grato pela ajuda que recebia e fazia questão de agradecer C-ta com todas as palavras. Só o fizera uma vez, tantos anos atrás, mas fora o suficiente para que C-ta se mantivesse determindo em apoiá-lo para o que desse e viesse.
É claro, como em todo bom video game, C-ta precisava de algum tipo de onisciência para que pudesse jogar propriamente. E, como a vida não lhe dá nas mãos esse tipo de habilidade, o moreno teve de desbloqueá-la. Conseguiu, fazendo muito bom uso desse seu novo... poder. A-ya precisava de supervisão integral, ora bolas, era apenas uma necessidade estar com ele a todo momento. Como todo bom video game, C-ta jogava muito ao observar uma tela. A tela, no caso, dava para vários ângulos do quarto de A-ya.
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