Notas iniciais
Quando o irreal, o real e o surreal se confundem...

Ainda olhava da faca afiada para o vidro de remédios. Podia ouvir a voz felina sussurrar em meu ouvido: "Vá lá, corte-se. Corte-se e deixe a dor sair. Sabe que é o que realmente deseja."

Balancei a cabeça negativamente. Expulsando abruptamente aqueles pensamentos de minha mente. Suspirei pesadamente. Peguei o objeto e olhei-o atentamente. Pressionei levemente contra minha pele, antes de chegar a me ferir desisti. Nunca teria coragem de provocar dor em mim mesma. Joguei a faca para longe de minhas vistas.

Fitei atentamente o vidro cheio de remédios. Nem sabia para que serviam. Apenas peguei escondido no armário do banheiro. Peguei o frasco e analisei o conteúdo. Estava quase cheio. O sussurro voltou a me assolar: "Porque não os toma? Tome todos de uma vez, não queres sentir dor. Se tomá-los nem sentirá quando tudo acabar". Cogitei virar tudo de uma vez, goela abaixo.

Lembrei do sorriso de meus amigos, do amor que eles tinha por mim, das risadas desafinadas. Parei no meio do caminho. O que eu estava fazendo? Aquilo acabaria com minha vida... Literal e metaforicamente.

"Não é o que mais deseja? Não há mais nada pelo que lutar. Não há mais nada pelo que viver. Desista. Ouça-me."

"Você não está louca para fazer algo como isso! Não precisa disso, amiga. Se dói, apenas escreva, como sempre faz." Sussurrou a voz de Cecília em meu subconsciente. Tampei o frasco e guardei para não vê-lo mais. Suspirei tentando controlar as lágrimas e pus-me a escrever.

Querida morte...

Hoje mais que nunca fui tentada a acabar de uma vez por todas com essa dor, com esse sofrimento. Maldito dia qual eu conheci aqueles olhos, aquela voz, maldito seja o dia no qual tudo isso começou.

Medo de morrer? Isso não me assola mais. A morte é a minha companheira mais constante, sempre está ao meu lado para avisar-me que um dia, quando minhas forças se esgotarem, ela me levará para tão longe, entretanto também para perto...

A angústia, tristeza e a solidão, sim a solidão, também me são companheiras de dia-a-dia, costumeiras colegas que só fortalecem a morte. Ah! Minha querida e obscura morte, você tem inimigos e como os tem. São pessoas de carne e osso. Mesmo humanos, me impedem de tomar medidas drásticas quanto recorrê-la.

O que seria de minha manhã, tarde e noite sem os seres humanos mais compreensíveis, incríveis e amáveis que Deus criou? Pessoas paradoxais, simples e complexas, luz e trevas, para alguns desconhecidos ou ainda desprezíveis, todavia são a minha forma mais sincera de sorrir.

Pessoas capazes de amar e compreender um ser tão tolo quanto eu. Ser querida por esses paradoxos é a coisa mais segura que tenho, que levo em meu coração machucado. Um coração inseguro, uma mente confusa que nem ao menos sabe distinguir o lindo e encantado sonho do tão sombrio e temido pesadelo...

Emilly Mary Shurtz.

Notas finais
É isso gente. Quando tudo parecer perdido, escreva, ria, distraia-se NUNCA escute a voz que leve-o no caminho do suicídio. Me façam feliz com seus reviews :3Beijos, Mi-chan.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!