Succubus : Esperança.
7 Irregulares
Notas iniciais

A sala aos poucos se transformou no lugar vazio e sufocante que era antes das elementais aparecerem. Kim se recompôs ligeiramente, e então olhou surpresa para Lís. A menina por sua vez, estava tão assustada quando a feiticeira. Novamente, mais informação do que ela podia digerir naquela momento. Sinky estava deitada no chão, acordada, mas imensamente cansada.
– Sua irmã, é uma irregular. Lís olhou piedosamente para sua irmã, e então para Kim.
– E não podemos fazer, nada a respeito disso ?
Kim balançou a cabeça negativamente, com lágrimas nos olhos.
– Eu ...Eu preciso de ajuda para levantar.
De volta a sala onde encontrar Kim primeiramente, onde tudo era muito mais claro e arejado. Um sala ampla com muitas plantas e vasos com água. Havia também muitos pássaros, que cantavam alegres com a fartura de alimentos e moradia. Ainda era cedo, e o sol aquecia perfeitamente os bichinhos.
– O que é um Irregular.
Perguntou Sinky, bebendo uma xícara de chá morno de gengibre.
– É um assunto complicado .
Respondeu Lís, na esperança de adiar por pelo menos mais dois dias a resposta.
– Eu preciso saber, o que eu sou. Vocês viram. Meu pai, minha mãe, minha mãe adotiva ... Morreram, e ontem, quase a minha irmã. Eu preciso saber o que está havendo comigo.
Kim, ainda com um olhar triste, se ajoelhou até a menina. E lhe tocou o rosto carinhosamente.
– Querida. Você conhece aquela antiga lenda grega, de demônios, em forma das mais lindas mulheres, que sugam a vida de suas vítimas ?
Sinky parou de beber por alguns segundos, e então recordou-se, balançando a cabeça positivamente.
– Succubus ...
– Sim ... Disse Kim com os olhos fechados.
– Você é uma Succubus, adaptada ... Digamos assim ...
– Adaptada ?!
As duas meninas se assustaram.
– Sim, a única diferença é que, Sinky não precisa ter relação alguma com o ser, para que lhe sugue a vida. Basta estar perto.
Naquele momento, em que Kim detalhou o que de fato ela era, Sinky lembrou de todos os detalhes de situações que passou durante a vida. As irmãs que as levavam para dormir, nunca era as que lhes acordavam, e sempre pareciam fracas e doente no segundo dia. Lís parecia imensamente mais saudável sozinha, assim como Leona, que por seu amor, estava sempre tão perto de Sinky, que ela mesmo, sem querer, sugou a via da sua mãe.
A xícara de chá caiu no chão. E sinky saiu correndo porta a fora. Seus olhos transbordavam a dor e a culpa que ela adquiriu em apenas poucos segundos de conversa. Lís levantou-se e tentou correr atrás da sua irmã. Mas Kim a impediu. — Deixe-a, ela precisa de um tempo sozinha. Pode ser o último da vida dela.
– Eu... Eu não entendo, porque essa sensação de que ela vai morrer a qualquer momento ? Porque esse seu pesar todo ?
Disse Lís, revoltada com o comportamento da feiticeira.
–Ora minha criança. Irregulares nasceram da união de um anjo e um demônio. E depois que essa união foi proibida, todos os irregulares morreram, ou pelo menos, grande parte deles. Assim que qualquer um dos dois lados, souber da existência de um irregular vivo, irão ceifar a vida dela, tanto física, quanto energética. Em poucas palavras Lís, sua irmã, vai desaparecer para sempre do universo.
Lís não soube o que dizer, sua irmã estava em surto de culpa. A morte de sua mãe ainda era muito recente, e não havia a quem pedir ajuda. Ela então sentou ao chão, e poe-se a chorar copiosamente ao lado de Kim, que lhe abraçou confortando-a como pôde.
As horas foram passando lentamente, e Sinky estava em um mundo que nunca havia visitado antes. Ainda chorosa, ela sentou em um banco de pedra, na beira de um pequeno lago, que achou durante a fuga. O lugar era lindo, lembrava vagamente um dos círculos de fadas que falam nas histórias para menina dormirem. Havia muitas flores de cores magníficas e um lindo e bem cuidado tapete verde de grama, indo até onde os olhos ja não podia mais alcançar. Haviam poucos bancos ali, as pessoas preferiam sentar na grama e admirar o céu, tanto de dia quanto anoite. E naquele exato momento, o céu parecia querer acalentar a menina. O pôr do sol, era exuberante, uma brisa leve e quente tocou-lhe o rosto, e então ela fechou os olhos e respirou fundo.
– Que pena vê-la chorar assim.
Sinky levou um susto imenso. Um garoto de óculos, e olhos avermelhados, sentou ao lado dela, sem emitir qualquer som.
– Vá embora por favor.
Ela queria que ele ficasse, mas futuramente, isso lhe custaria a vida.
– Eu não posso ir sem você.
Fale com o autor