Notas iniciais
Obrigada por vir ler ! Aproveitem a aventura ! Ela começa aqui !!

Sinky nem respondeu a sua irmã, chegou o mais próximo que pode da porta e começou a bater com toda a força que tinha.

–Por favor, abram a porta !

Lís andou a poucos passos mais longe, de onde sua irmã estava, tudo ao redor do convento estava quebrado , ou ainda em chamas, ao fundo pequenas sombras corriam hora por cima e hora por entre os escombros. Não pareciam nada além de sombras, nem mesmo som emitiam.

O fogo e o calor não pareciam afetá-las, e então Lís ficou ali, quieta observando as pequenas sombras, brincarem no meio do caos. E então uma delas percebeu a visita de alguém. A garota não se mexeu, nem mesmo pensou em fugir, espero que a sombra fosse uma criança, e realmente era, mas não uma criança comum, era uma das crianças morta na tragédia, que por algum motivo, sua alma, ainda estava presa lá. Ela segurou a mão de Lís e a levou até onde ela estava correndo com outras como ela.

– O que aconteceu aqui ? -Disse Lís surpresa com toda a cena e quantidade de sombras que apareciam com o tempo.

– Não sei, eu estava dormindo, e quando acordei eu já estava assim.

Lís então entendeu então que, todos haviam morrido por algum motivo, e de surpresa. Crianças, idosos, adultos, todos varridos daqui por algum motivo.

Ao lado, ainda em uma das paredes laterais do convento, havia uma porta, entre aberta.

– Achei uma entrada ! — Gritou ela, para que a irmã parasse de bater em vão na porta frontal.
Sinky foi até ela, sem perceber a presença das almas infantis.

– Você as viu também ? — Disse Lís curiosa e assustada.

– Elas quem ?

Lís resolve não perguntar mais nada, eram obvio que Sinky não tinha a sensibilidade necessária para ver qualquer coisa que foi morta.

– Está vazio aqui ...

As duas procuraram por qualquer ajuda que podiam ter. Mas nada, além de muitas pedras e cinzas. Quando pensaram em desistir, na escada, velha e quebrada, desceu um senhor com barbas brancas e longas, assim como seus cabelos. Ele usava óculos de alquimista, um grande avental de couro sujo e gasto. Ele desceu as escadas com pressa, surpreso por ver alguém vivo em Nonehill.

– Ora, ora de onde essas duas jovens vieram ? — Disse ele, ainda nas escadas.

– Nós ... Acabamos de chegar um viagem e encontramos a cidade assim.

– Que triste história meninas, que triste história. — Ele desceu finalmente o ultimo degrau, e foi vagarosamente de encontro a elas.

– Quem é o senhor ? — As duas deram pequenos passos para trás.

– Eu costumava ser o padre dessa igreja, há alguns anos atrás. E isso onde estamos, era o convento para meninas abandonadas.

Sinky sentiu seu corpo aquecer como quando alguém descobre um mentira que sustentamos por anos.

– Padre Sorin ? — Gritou Sinky, ao reconhecê-lo.

– Sim, sim, me chamavam assim, todas elas.
Ele parecia perturbado. E não era surpresa, não sabemos o que este senhor viu, até que Nonehill decaisse.

– Padre, sou eu, Sinky !!!

O senhor chegou bem perto dela, tirou os oculos e a olhou diretamente nos olhos. Suas mãos sujas de um pó escuro deixaram a marca exata no rosto dela.

– Ora, minha pequena Sinky, há anos, não lhe vejo !!! Bom saber que sobreviveu ! Bem dita seja a sua viagem ! — Ele riu alegremente.

– Essa é minha irmã mais velha, Lís, filha da Senhora Leona.

Lís estava sentada em uma pedra qualquer ao lado de Sinky.

– Muito bonita a sua irmã, e ah .... Senhora Leona, que Deus a ponha no paraíso.

Lís sorriu em agradecimento as condolencias do Padre. E então indagou :

– Padre, o que aconteceu aqui ?
Sorin olhou para o chão, e seus olhos encheram-se rapidamente com lágrimas, suas mãos fracas e trêmulas, limparam as que caiam, deixando um rastro de pó e lágrimas no seu rosto.

– Muitas coisas aconteceram pequeninas, e em tão pouco tempo. Estávamos todos como sempre, Nonehill estava pacata, até que o céu tomou uma cor medonha. As estrelas se apagaram e o céu ficou encarnado, por dias, vivemos na penumbra rubra da lua e do céu. Foi quando então o céu rachou, exatamente como a casca de um ovo quando o filhote nasce. E criaturas horrendas e imensas entraram por elas, mataram, comeram e levaram tudo que encontravam pelo caminho. Tive sorte de estar naquela noite, exatamente naquela hora, fazendo contagem de alimentos no porão. Não pude ver, nem ouvir nada, e muito menos ajudar. Quando subi as escadas, tudo havia acabado, e era tudo chamas.

Sinky e Lís ouviam tudo com muita atenção e surpresa. Não conseguiam imaginar ao menos, o que foi aquela noite, ou o que os atacou.

– Vi apenas, os monstros que resolveram ficar, e caçar até o ultimo homem. Eram enormes, com asas imensas e cuspiam fogo.

– Eram Dragões ? — Perguntou Lís, como se naquele momento alguma peça do quebra cabeça fosse encontrada.

– Sim, sim, agora que você disse, faz todo o sentido ! Venham comigo ... Venham ...

Ele subiu as escadas com rapidez, embora estivesse mancando da perna esquerda. A escada de concreto estava frágil, e a cada pisada derrubava pequenas pedrinhas que se desprendiam dos degraus.

No andar de cima, havia apenas o chão, muito esburacado. Nenhum teto e nenhuma parede, apenas o chão, e alguns esqueletos do que antes eram prateleiras. No final do salão arruinado. Uma enorme estante levemente queimada, e alguns livros, igualmente queimados.

– Esses são livros que forasteiros traziam consigo, mas a igreja não permitia que ficassem. — Disse o padre fechados os olhos em negação as atitudes tomadas.

– Vejam ! — Ele abre um livro e o folheia até achar a figura de um dragão enorme com escamas vermelhas e patas espinhosas. -Este foi o primeiro que eu vi ao subir novamente.
As meninas olharam a foto e mal puderam acreditar que dragões existiam e que eles causaram tudo isso.

– Posso ficar com ele ? — Disse Lís, maravilhada com as coisas escritas sobre ele.

Notas finais
Obrigada por ler até o final !