Successors
6 Vl
Notas iniciais
Eu certamente esperava mais do plano de Christian. Quer dizer, ele sempre aparecia em situações complicadas e dava uma de fodão. Então, eu esperava mais.
O plano era no mínimo medíocre. Eu precisava apenas tentar tampar meus machucados enquanto Christian iria se apresentar como meu parente na recepção discursando que minha irmã tinha dado a luz e que eu precisava pegar o avião mais próximo para New Orlens. A recepcionista não estava nem um pouco inclinada em engolir essa.
– Então, o nome da sua irmã é Jude Lennon? – Ela ergueu uma sobrancelha loira.
–Isso mesmo – sorri tentando parecer sincera.
Sem querer, eu havia dado um nome falso meio... Improvável. Christian queria me estrangular, eu sei. O olhar dele era de pura raiva.
–O que ela quiser dizer, é que o nome da irmã dela é Judett, Jude é apenas um apelido. – A convicção de Christian estava perfeita. Ele parecia calmo e impaciente ao mesmo tempo.
– Certo — Ela voltou a mexer nos papéis. – Lamento, mas Alysson Blue Carter só está autorizada a sair com alta ou com autorização de, ah sim, Loren Carter.
Troquei um olhar nervoso com Christian.
–Loren Carter também é irmã de Judett Lennon. – Christian falou antes que eu pensasse em sequer abrir a boca. – Ela viajou na frente, para ajudar com os preparativos.
A recepcionista parou de franzir as sobrancelhas e relaxou como se fosse ceder. Mas aí a pergunta veio.
– Por que os sobrenomes são diferentes? – Sua voz irritou meus ouvidos.
–Receio que isso não seja da sua conta! – Quase gritei. – Será que pode me liberar agora ou eu vou perder o nascimento do meu sobrinho?
Ela olhou o hospital, apreensiva, com medo que eu fizesse algum escândalo.
–Tudo bem – disse. – Se alguém perguntar, ela estava com a irmã.
Evitei suspirar de alívio.
– Obrigado – Cristian agradeceu de má vontade, enquanto pegava meu braço e me guiava até a porta. Estávamos a um passo de sair do hospital, quando um grito nos fez parar imediatamente.
–Alysson! – Mason corria para me alcançar. – Para onde você está indo? – Seu olhar passou por Cristian, que permanecia impaciente ao meu lado. – Quem é ele?
–Mason, eu posso explicar tudinho para você, mas eu preciso ir agora – tentei sorrir.
–Com esse sujeito? – Ele riu pelo nariz e apontou para Christian. – Até parece, Aly.
–Isso quem decide não é você. – Sussurrei, sem raiva, apenas tentando convencê-lo.
–Você tem quinze anos! – Exclamou um pouco mais alto. Revirei os olhos.
Quando escutou essas palavras, Cristian enrijeceu ao meu lado. Seu olhar ficou indescritível.
–Quinze? – ele arfou.
Nem tive tempo de ficar surpresa com a sua reação.
–O que foi? – Mason ironizou. – Quando for tentar achar uma prostituta tente perguntar a idade dela primeiro!
Meus dedos até que ficaram bonitinhos na cara de Mason. Sério, acho que eu vou começar a estampar meu dedos na cara dos outros.
Mas voltando, eu não acredito que Mason falou isso!
Isso arruinou quaisquer chances de explicação que eu poderia dar a Mason.
–Vamos embora Cristian – agarrei o braço do garoto sob a jaqueta de coro e fui o guiando para fora do hospital. A enfermeira já caminha para perto de nós e seu salto estava fazendo uma barulho irritante enquanto ela andava.
–Já disse que daqui você não sai — Mason agarrou meu braço.
Ótimo, tá tudo fodido.
–Solta – Cristian praticamente rosnou apontando para o meu braço.
Mason olhou em seus olhos e depois me soltou. A enfermeira se aproximava mais.
Cristian pegou meu braço de um rude e praticamente me empurrou para fora do hospital rapidamente. Como mágica(ou não) um táxi amarelo apareceu na nossa frente e eu fui praticamente jogada dentro dele. O motorista não pareceu ligar muito para isso. Cristian pulou para o banco da frente. Eu não sabia para onde estava indo e isso era com certeza muito assustador.
–Onde estamos indo?- perguntei rápido demais.
Christian não me respondeu. Sei que ele escutou, mas mesmo assim não respondeu.
Um plano se formava na minha fértil mente de quinze anos.
–Christian – chamei, fingindo uma voz dolorida. – Eu acho que eu vou vomitar. Você tem que parar o carro.
–Vomite no chão – ele praticamente não me escutou.
O taxista olhou para Christian, debochado.
–No meu carro? – falou. – Nada disso. Tire a mocinha daqui.
Christian bufou enquanto me dirigia um olhar mortal.
–Olha, só dirija até aquele bar ali na frente, tá certo? – Ele tentou negociar com o taxista.
Vendo que o mesmo iria protestar, emendou:
–Eu te pago o dobro.
Isso pareceu o suficiente, pois ele calou a boca.
Claro que como eu supostamente estava passando mal, tive que fingir uns gemidos e reclamações, mas por sorte, eu sei mentir bem.
Assim que chegamos ao bar que Christian tinha falado, não hesitei em pular para fora rapidamente.
– Você pode esperar a gente aqui? Nós não vamos de... – mas já era tarde, o taxi saiu catando pneus deixando um Christian irritado para trás.
Eu já ia entrar no bar quase correndo, quando ele agarrou meu braço.
–Você – ele praticamente rosnou. – Não saia de perto.
Quando entramos, a impressão que eu tive do bar era que era no mínimo nojento, mas eu não estava em condições de avaliar uma coisa como esta.
–Eu vou ao banheiro para jogar uma água no rosto. – Sussurrei para Christian, enquanto o mesmo observava o local. – Me espere aqui.
Quando entrei no banheiro, me achei a pessoa mais estúpida por pedir para ele esperar na porta de onde eu supostamente teria de fugir. Mas qual é, eu estava com muita coisa para lidar.
E depois, se eu conseguisse mesmo escapar, para onde eu iria?
Aproximei-me da pia e joguei uma quantidade razoável de água no rosto. Estava novamente avaliando minhas opções quando eu ouvi aquele barulho inconfundível de novo. Ele estava mais baixo dessa vez, porém. Não machucava, causava um desconforto mediano, mas não chegava a machucar.
Eu pude analisar com mais clareza o som. E... nada. Era diferente de tudo o que eu tinha ouvido. Não tinha que se assemelhasse com o som.
Ouvi duas batidinhas na porta.
–Vai demorar ai? – Era a voz de Christian.
Não respondi. Eu ainda estava pensando.
–Quer que eu entre aí? – Sua voz continuava levemente irritada, mas agora tinha um tom de preocupação.
Foi ai que eu decidi tentar pular a janela do banheiro.
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