Notas iniciais
Isso aqui está as moscas. Não sei porque ainda insisto. Fazer o que, a teimosia é uma característica bem marcante minha. Espero que gostem.

Depois de desinfetar e enfaixar o corte de Luis foi para casa como tinha prometido a ele, Miranda estava muito preocupada e a abraçou pouco se importando com suas roupas sujas. Depois disso emperiquitaram-na com todos os tipos de coisas que ela mal podia imaginar que existiam, pintaram seus lábios de vermelho, aplicaram uma pasta de amêndoas em suas sardas, e fizeram um penteado elaborado com os longos e cheios fios vermelhos.

Horas depois tinha chegado tudo estava pronto e vieram chamá-la. Pediu para ficar cinco minutos sozinha e foi o suficiente para tirar todas as jóias, pintura e o maldito vestido pesado que pinicava e ardia a pela como o próprio deus Fogo. Vestiu um vestido gasto preto que mostrava o luto que sentia por estar ali e respirou fundo antes de sair do quarto e antes de entrar no grande salão. O cheiro de carne assada e pães frescos a fizeram salivar.

A surpresa e indignação foram enormes, mas Gnoa não se importou. Se não podia se salvar dessa situação por enquanto ainda assim cairia lutando. Sua arma era uma cara pálida e sardenda, e o escudo um vestido velho e preto. Nunca se sentira mais desprotegida.

No centro do altar, decorado com flores vermelhas e amarelas, observou dois homens altos e morenos ao lado de Miranda e quase instintivamente soube que eram seu pai e irmão. Temia que um deles viria e a chicotearia em público para sanar aquela provocação, mas os dois mantiveram expressões impassíveis.

No degrau mais alto do altar, de frente da Taça Sagrada onde labaredas de fogo ardiam descontroladas, estava seu irmão mais velho e futuro marido, seu coração parou por alguns instantes quando o reconheceu.

Por todos os infernos! Seu irmão era o mesmo homem que estava no corredor!

Subiu os degraus desajeitada parando logo ao seu lado. Não houve tempo para uma respiração, sentiu a ardência da palma calosa em seu rosto, o impacto tanto físico quanto emocional a derrubou, e os murmúrios surpresos tomaram conta de todo recinto. Olhou para Miranda e essa mordia os lábios com os olhos cheios de lágrimas. Seu pai e seu irmão continuaram parados como duas estátuas de marfim. Com certeza concordavam com a atitude de Adrian. Gnoa quis morrer naquele instante, seu rosto ardia como brasa e mais do que nunca quis envenenar aquele infeliz. Matá-lo-ia nem que fosse a última coisa que fizesse na vida.

A surpresa tomou conta dela quando percebeu que seu noivo estava bem á frente dela com a mão estendida para ajudá-la a se levantar. A mesma mão que havia acabado de estapeá-la. Com o resto de força de tinha pregou as mãos nas laterais do vestido preto e se levantou sozinha. O ato de desprezo podia custar outro tapa, que Gnoa esperou, porque se esse viesse ela estaria pronta para cuspir na cara de Adrian nem que isso custasse todo couro de suas costas, mas esse não veio. Apenas subiram os degraus parando faltando apenas cinco, como mandava a tradição. Um dos anciãos fez sua benção e eles foram permetidos a terminar de subir a escadaria. Subiram os cinco degraus do compromisso. Para ela: A obediência. A fidelidade. A honra. A fertilidade. O compromisso para com o clã. Para ele: A Força. A voracidade. A invencibilidade. A astúcia. O dever para com o clã.

O olhar plácido dele lhe causava calafrios e as vozes alvoroçadas do povo mal chegavam às orelhas grandes de Gnoa, mas logo se aquietou quando Raul tocou o sino anunciando o início da cerimônia. Duas horas pareceram anos, quando o chefe decretou que agora Adrian era seu responsável não pode evitar algumas lágrimas. De qualquer modo ainda tinha dois anos até o casamento arranjaria um jeito de fugir para algum lugar.

A dor e frustração da ruiva rechonchuda só passaram quando Miranda no outro dia de manhã anunciou toda chorosa a primeira decisão de Adrian. Gnoa voltaria para o clã do Fogo do Sul e permaneceria ali até chegasse a hora do casamento. A atitude de claro rechaço e desprezo era uma das ações que mais poderia humilhar uma fêmea, mas Guiny aceitou com grande prazer, longe da família principal seria muito mais fácil sumir no mundo.

Não havia visto e nem conversado com seu pai e irmão mais novo, não conhecia muito deles e depois de conhecer Adrian definitivamente não queria conhecer melhor nenhum Antunes e Ávila.

O único pesar era deixar Miranda. A mulher realmente parecia gostar muito dela, nem ao menos comentou o espetáculo que fez ao aparecer vestida daquela maneira na própria cerimônia de noivado. Apenas a abraçou forte e pediu desculpas por algo que nem ela própria havia cometido. Queria passar mais tempo com ela, saber se tinham coisas em comum, saber se algum dia a veria como mãe. Contudo o norte não era seu lugar, todas as regras e restrições a irritavam. Não sabia o que queria, mas com certeza não era passar o resto de seus dias infeliz e casada com o seu irmão tirano.

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Raul entrou bruscamente no quarto desarrumado e mal cheiroso, as duas mulheres que estavam nuas na cama com seu filho se sobressaltaram.

—Saiam! — Raul ordenou raivoso e as mulheres sairam correndo fugindo da fúria do chefe. Raul se aproximou do jarro de vinho e despejou o conteúdo sobre Adrian que acordou assustado.

—Por todos os demônios... — Adrian levantou para logo após cair quando o jarro de barro atingiu sua cabeça.

—Qual é o primeiro ensinamento de um filho do fogo? — A voz furiosa de Raul se fez presente.

—Pai? — Adrian perguntou incerto ainda meio tonto ainda pelo efeito do alcool e da pancada— sentiu seu pescoço sendo agarrado e seu pai lhe levantou.

— Qual é o primeiro ensinamento de um filho do fogo? — Raul fez menção de socar Adrian que segurou seu punho.

—Um filho do fogo nasce primeiro guerreiro para depois se tornar um herdeiro do fogo, virar um verdadeiro homem. — sua cabeça latejava e parecia que iria explodir a qualquer momento. Raul se desvencilhou dele e o olhou com repulsa.

—Alguma vez bati em sua mãe? — Adrian suspirou, sabia que o tapa que deu em Gnoa iria dar problema, mas o que poderia fazer ela o havia rechaçado na frente de todo o clã, clã um dia que iria liderar.

—Ela me envergonhou, pai, na frente de todos. — Raul lhe desfeiriu um soco no estômago fazendo Adrian perder o folego.

—Alguma vez bati em sua mãe? — repetiu.

—Nunca. — disse retraído.

—Gnoa é apenas um criança! Tem medo e não sabe o que vai acontecer, e mesmo assim mostra ser mais resoluta que você. Não se esqueça que antes de ser sua prometida, ela é minha cria, cria do atual chefe do clã.

—Eu já entendi. Não vai se repetir. Já mandei que lhe levassem embora, não gosta de mim tanto quanto não gosto dela, vou adiar a dor dela enquanto posso.

—Não entendeu, Adrian, se entedesse teria se arrependido do que fez, um líder forte e impiedoso não significa nada. Espero que seja um herdeiro do fogo quando assumir a chefia do clã, por que se não, estarei aliviado de não estar aqui para ver a sua ruína.

—Eu sou um guerreiro. — Adrian disse convicto. —Sou um herdeiro do fogo.

—Sim, percebo, é um guerreio. — Raul nada mais disse e saiu deixando seu filho angustiado e envergonhado por ter decepcionado não só o chefe de seu clã, como também seu pai.



Notas finais
Sim, o capítulo foi curtinho. Porque? Porque estou triste, desiludida e magoada. Ninguém tem nada a ver com isso, é apenas a verdade. Mesmo assim espero que tenham apreciado e que compartilhem suas teorias e expectativas comigo. Até o próximo Kissus2
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.