Submissão
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Dizem que mulheres tem sexto sentido, certo?
Bem, minha mãe parecia ter oito.
Além de conseguir sentir o cheiro da maconha da garota que morava á mais de três andares acima do seu, ela percebeu de longe a tensão sexual que exalava de mim e de Dexter. O que era uma coisa impressionante, se contar o fato de que eu e ele nem nos tocamos desde que pusemos os pés para dentro do apartamento de minha mãe. Mas seu sétimo – e talvez o oitavo – sentido a alertaram de que havia algo.
“Então, você e Dexter se resolveram?”, ela perguntou enquanto lavávamos a louça. Dex estava na sala sentado no sofá e me dando privacidade com Maddy. Não que eu quisesse isso. Encarei-a. Ela sorria. “Não adianta negar.”
“Não sei do que você está falando.”, dei de ombros.
Tive que pressionar os lábios juntos para evitar o sorriso de surgir em meus lábios. Tinha uma parte de mim que possuía um humor negro e dizia que a maior prova do meu envolvimento com meu colega de apartamento, era o cheiro de sexo que saía de nossas peles. Afinal, eu e ele não tomamos banho para não correr o risco de nos atrasarmos ainda mais.
Parece que foi um erro.
“Você é uma péssima mentirosa, Morgan.”, minha mãe balançou a cabeça e riu. “O jeito que vocês se olham diz tudo. Quero dizer, antes vocês já se olhavam como se quisessem se beijar ali mesmo.”, ela me deu um olhar de canto. “Parece que esse beijo finalmente aconteceu.”
Minha mãe poderia estar certa em algumas coisas, mas estava redondamente errada em outras. Por exemplo, eu e Dex nos olhávamos como se quiséssemos arrancar a roupa um do outro, e com a boca. E era isso que tinha acontecido – bem, tirando a parte de ter sido com a boca. Mas isso poderia acontecer mais tarde, quem sabe?
Eu queria muito contar o que havia acontecido entre mim e Dexter, mas não sabia o que tinha acontecido. Tínhamos transado – duas vezes – mas e depois? Dexter era imprevisível. Seu número incontável de amantes era uma boa prova daquilo. Não queria criar esperança para mim mesma. Muito menos para a minha romântica mãe.
Por isso, apenas dei de ombros.
“Não estou muito ligada com o que acontece com Dexter.”, eu disse tentando soar indiferente. Madeleine me encarou, intrigada. “Tenho alguns assuntos para resolver.”
“O casamento de Alexander com outra seria um desses assuntos?”
Porra! O mundo inteiro estava sabendo desse casamento e que eu estava tentando impedir que ele acontecesse? Meus olhos se arregalaram. Minha mãe secou a mão e me passou o pano. Ficou em silêncio por alguns minutos, até que pegou o celular e me mostrou uma foto de Alexander e Rachel juntos. A legenda era: Contando os dias para poder te chamar de Senhora Phillips. Franzi o cenho.
“Não sabia que era tão ligada nas redes sociais.”, empurrei o celular de volta para ela. Não queria ver a felicidade dele. Não quando fazia a minha se despedaçar aos poucos. “E por que você acha que vou me envolver nesse assunto?”
Minha mãe riu.
“Eu te conheço á 22 anos, Morgan.”, ela riu por mais alguns segundos. “Sei que guarda muita raiva do passado e que não vai deixar essa oportunidade passar.”, então ela ficou séria. “Mas, minha filha, por favor.”, ela suspirou e olhou na direção onde Dexter estava sentado. Segui seu olhar e senti meu peito se esquentando. “Tome cuidado para não cometer os mesmos erros de novo.”
Eu suspirei, mantendo o olhar em Dexter e sabendo exatamente do que minha mãe falava. Era como se o passado estivesse me confrontando. E, infelizmente, era como se eu estivesse indo pela mesma direção de seis anos atrás.
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“Não acredito que você e Dexter transaram.”, Harper quase gritou no restaurante. Algumas pessoas ao nosso redor nos deram olhares rígidos que minha amiga fez questão de ignorar.
Eu ri.
“Foram duas vezes apenas, Taylor.”
“Duas vezes?”, ela gritou novamente.
Pensei em repreendê-la pelo comportamento exagerado, mas mudei de ideia. Longe da tensão de guardar o segredo de minha mãe e ter que me segurar para não agarrar Dexter a cada segundo, pude deixar que a alegria tomasse conta de mim. Era como se eu tivesse me libertado de um desejo traiçoeiro.
“Foi...”, respirei fundo pensando na palavra que poderia resumir tudo o que eu havia sentindo á poucas horas atrás. “Excitante. Maravilhoso. Cacete, tinha esquecido o quanto Dexter era bom de cama. Minha bunda ainda está dolorida de tanto que ele bateu.”
Harper riu com o meu relato. Discretamente, acariciei minha bunda no lugar exato em que ele tinha batido. Fechei os olhos por um segundo, deixando as memórias me atingirem como em um raio. O jeito como ele dizia que eu era dele e só dele fez com que todos os meus pelos se arrepiassem.
“Então aquele plano doido de acabar com o casamento de Alex está encerrado, certo?”
Isso me fez abrir os olhos.
“Não.”
Harper balançou a cabeça.
“O que você tem de inteligente, tem de cabeça dura, Morgan.”, bufei diante daquela afirmação. Se eu ganhasse um dólar a cada vez que diziam isso, nem precisaria mais frequentar a faculdade. “Já tem Dexter aos seus pés. O que mais você quer com Alexander e Rachel?”
Respondi prontamente.
“Vingança.”
Isso a fez estreitar os olhos castanhos.
“Deveria esquecer o passado, minha amiga.”, ela pegou em minha mão e me olhou com... Pena? “Está parecendo com Emily Thorne de Revenge.”
“Não irei me casar com Alex por vingança.”, garanti. “Só quero que Rachel sofra um pouco por tudo o que ela me fez no passado.”
“Você deveria esquecer e aproveitar a chance que Deus está te dando de recomeçar.”
“E eu vou aproveitar.”, assenti comigo mesma. “Depois que destruir esse maldito casamento e... Hey, Anthony!”
Minhas palavras foram cortadas com a visão de Anthony entrando no restaurante. Arrumado e vestindo roupas de marca, como sempre, ele sorriu e acenou para mim. Disse alguma coisa para o garçom e apontou para a nossa mesa, vindo em nossa direção. Agradeci mentalmente. Aquele seria um bom motivo para encerrar aquele assunto de novela mexicana.
Anthony nos cumprimentou e se sentou do meu lado. Antes que eu pensasse em puxar um assunto qualquer, percebi que as bochechas de Harper começando a se avermelhar lentamente. E um meio sorriso estava nos lábios de Anthony. Um sorriso que se espelhou no meu assim que percebeu a leve atração que surgia entre os dois.
Uma mulher totalmente neurótica daria uma crise de ciúmes. Afinal, eu tinha ido para a cama com Anthony na semana passada e ele estava de olho na minha melhor amiga? Mas, tudo o que eu fiz foi garantir que eles teriam uma boa conversa e deixar uma nota de vinte em cima da mesa.
“Te ligo mais tarde, Taylor.”, disse passando a mão nas suas costas. Ela nem me deu atenção. “Até outro dia, Anthony.”
“Até, Morgan.”, ele respondeu sem me olhar. Pegou na mão de Harper. “Então, você faz faculdade de que?”
“Administração.”, ela sorriu. Passou os dedos pelos cabelos loiros, nervosa. “Acho muito intrigante o jeito que as coisas funcionam nas empresas e queria participar disso.”
“Eu acho muito intrigante as coisas que funcionam em qualquer lugar, mas principalmente na cama.”, Anthony Mead, sempre direto.
Percebi que aquele era o exato momento para deixa-los sozinhos, antes que Harper começasse a gaguejar e recorresse a mim. Por Deus, ela tinha que transar. Olhei para cima e esperei algum táxi se aproximar de mim para poder me levar para casa.
Espero que Você esteja vendo tudo, Deus. Vendo o quanto estou sendo boazinha.
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Cheguei encontrando uma cena que já era típica para mim. Dexter estava deitando no sofá vendo o jogo, sem camisa e com uma cerveja em sua mão. Assim que me viu, seus olhos dourados brilharam e deu um sorriso, passando a mão pelos cabelos desarrumados. Joguei a bolsa em algum canto qualquer e me sentei ao seu lado. Ele se ajeitou e tirou os meus saltos, acariciando minhas pernas.
“E como foi com Harper?”
Ri e contei para ele do encontro com Anthony. No caminho para casa, tinha recebido uma mensagem dela dizendo o quanto ele era direto e engraçado. Tradução: Eles iriam transar como loucos durante a noite toda. E me lembrava muito bem que Anthony tinha energia o suficiente para acabar com toda a vontade acumulada de Harper. Coitado dos vizinhos.
“Caramba, você estava escondendo o jogo esse tempo todo, Night.”, Dexter disse rindo. “Por trás de uma destruidora de casamentos, existe uma pessoa com coração.”
“Cala a boca, Moore.”
“Ok, vou fazer isso de um jeito mais... delicioso.”
Quando percebi, estava sentada em seu colo com as pernas envolta de sua cintura. Ele deu um leve beijo em cada um de meus seios que estavam na direção de seu rosto. Mordi o lábio e me mexi, sentindo sua ereção embaixo de mim. Nossos olhos se encontraram quase que ao mesmo tempo de nossas bocas e eu senti todo o meu corpo se esquentando.
Minhas mãos se prenderam em seus cabelos – já bagunçados – e puxou seu rosto para mais perto do meu. Suas mãos apertaram minha cintura, fazendo com que nossos peitos se encostassem e eu pude sentir a batida acelerada de seu coração. Estava quase rivalizando com a batida do meu. Meus pulmões queimavam, implorando por ar. Mas meu corpo só clamava Dexter, Dexter, Dexter.
“Vamos no cinema?”, ele perguntou subitamente.
“O quê?”
Ele riu e me tirou de seu colo, se levantando em seguida.
“Não quero ficar transando o domingo inteiro.”, ele disse tentando ajeitar o cabelo e desistindo quase que imediatamente. “Amanhã temos que ir trabalhar e eu quero garantir que você vai andar.”
Dei um tapa em seu braço.
“E aquela história de Vou foder com você até o café da manhã?”
Ele estreitou os olhos.
“Minha voz não é assim.”
“Não é mesmo. É mais gay.”
Ele ficou sério por alguns segundos e começou a me estudar de cima á baixo. Dei um passo para trás, assustada com a intensidade. Engoli a seco e respirei fundo enquanto Dexter se aproximava e me puxava em direção ao seu corpo. Apenas para me dar um beijo tão selvagem que me deixou sem ar.
“Isso pareceu gay para você?”, ele perguntou. Neguei, recebendo um sorriso em troca. “Que bom, vai se vestir. Te encontro daqui a vinte minutos. Ah, use o vestido vermelho de alças finas. Quando voltarmos, quero arrancá-lo com a boca.”
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“Puta que pariu!”, Dexter exclamou saindo do filme. Eu estava á alguns passos dele, segurando o riso. “Eu juro, Morgan!”, ele se virou para mim com a expressão indignada. Sorri. “Na próxima vez que escolher um filme tão ruim quanto esse, saio e vou para a casa de William até você me pedir desculpas.”
Soltei um riso. As pessoas passavam por nós e nos olhavam como se fôssemos loucos. Não poderia negar aquilo. Mas, eu estava me sentindo feliz. Aquilo era um avanço com Dexter. Era quase como se fosse um encontro. E a julgar pelo jeito que ele me olhava com aquele vestido vermelho, já poderia imaginar como aquela noite acabaria.
Meu corpo se esquentou com esse pensamento.
“Pare de dar chilique.”, reclamei passando o braço pelo dele e o puxando em direção a sua moto. Fiz uma careta. Aquela porcaria acabaria com o meu cabelo. “Na semana que vem, nós vamos jantar fora, tudo bem? Assim não terá do que você reclamar.”
Isso o fez para de falar e me encarar. Corei ao ser pega na minha própria armadilha.
Dex sorriu, tirando uma mecha do meu cabelo do rosto.
“Se queria que eu te convidasse para jantar, era só me falar.”, ele disse em um tom carinhoso, então pressionou os lábios nos meus, casto. Desviei o olhar por um segundo. “Desse jeito você fere a minha masculinidade.”
“Você e esse papo de masculinidade de novo...”
Minha frase ficou inacabada, porque meus olhos encararam um casal vindo em nossa direção. A loira ria de alguma coisa que seu companheiro de olhos azuis contava. Encarei Dex que via a mesma cena que eu, em silêncio. Em sua mente deveria estar passando a mesma coisa que na minha.
O mundo era realmente muito pequeno.
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