Submisso
9 Capítulo 9 - Besouro Intrometido
Notas iniciais
(viu como eu sou legal???)
Ah, agradeço imensamente os comentários!!! AMO-OS!!! Fico mt feliz que a fic esteja agradando!!!
CONTINUEM LENDO! XD
O CASAMENTO DO ANO
Por RITA SKEETER
O Menino que Sobreviveu Cresceu... E se Casou!!!
Quando pensamos que Harry Potter, até pouco tempo apanhador do “Harpias de St. Paul”, desistiu de chamar a atenção, eis que surge a nova – e fenomenal – revelação: Potter se casou, numa cerimônia romântica e badalada nas Ilhas Canárias.
Segundo nossas fontes, o apanhador foi “agarrado” por ninguém menos que Draco Malfoy, líder da corporação bruxa “Malfoy’s C.O.”, desde os tempos de Hogwarts. Será que esses dois combinam? Vamos traçar o perfil do casal:
Harry Potter
–Inegável salvador do mundo bruxo
–Apanhador premiado como o “apanhador do século”, pelo Ministério dos Esportes Mágicos
–Apanhador de ouro do Harpias de St. Paul, com mais títulos em uma única Temporada.
Draco Malfoy
–Estudante de destaque na Universidade de Medimagia e Biologia Bruxa Inglesa
–Eleito “Jovem Empresário do Ano”, pela Associação internacional de Comércio Bruxa
–Líder da corporação bruxa “Malfoy’s C.O.”, atingindo no último ano o maior faturamento desde a sua fundação.
Fica claro que o os dois são como noite e dia, sol e lua, verão e inverno... Contudo, apuramos os fatos e esses... Ah, esses nos mostram que, de verdade, os opostos se atraem.
“Os dois eram uma coisa! Quando juntos, explosão na certa. Viviam brigando pelos corredores, mas às escondidas...”, relembra nosso fotógrafo júnior, Colin Creevey, amigo pessoal de Harry Potter, ou seria melhor, Harry Potter Malfoy?
Ao que tudo indica, a preocupação com a saúde do eleito (leia mais sobre o mal súbito sofrido por Potter na página 3) levou o empresário e futuro medimago a não mais adiar o namoro e consolidar o matrimônio (relembre o passado sombrio de Malfoy na página 3).
Potter inclusive ficou internado por alguns dias, mas já se encontra saudável e feliz, portanto, nada de preocupações desnecessárias. Ele agora se encontra bem e grávido de seu primeiro filho.
É, caros leitores... O menino-que-sobreviveu-para-nos-surpreender é um doncel (leia mais sobre doncelaria e os donceles mais famosos na página 4). E um dos bastante poderosos, afinal, trata-se do eleito!
Por que Potter nunca revelou tão informação? Bem, especula-se que nem o próprio salvador do mundo mágico conhecia a sua real condição. Os fãs de Harry Potter estão em êxtase e já começaram a comprar presentinhos para o bebê (maiores informações sobre grifes infantis na página 5).
Muitos estão apreensivos com esse casamento: o eleito e um ex-comensal? O ministério deve intervir? Afinal, nem todos se fiam do comportamento do Sr. Malfoy, ainda que tenha mantido suas generosas obras de caridade e auxílio aos desvalidos da guerra.
A comunidade bruxa está agitada e, em especial, os nobres magos varões que, ao serem questionados sobre a verdadeira natureza do “apanhador”, não tardaram em demonstrar desconfiança sobre a escolha de um ex-comensal para marido do eleito:
“Eu não acredito na inocência de Draco Malfoy! E por que, logo ele, se casou com Harry Potter? Sugiro uma investigação detalhada sobre esse casamento... Todos nós sabemos que os donceles são frágeis e requerem cuidados. E se Harry Potter foi confundido? Eu posso ser um marido muito melhor que Malfoy! Fomos muito próximos na escola”, declarou um sugestivo Cormac McLaggen, antigo colega de escola de Potter e atual membro do Comitê Esportivo Bruxo.
Outras dúzias de...z
_Chega de reler isso, Harry!
O grifinório o fulminou com o olhar. Precisava ser tão mandão? Precisava fazer mais uma ceninha na frente dos amigos? Ah, Draco não tinha jeito.
_Só faltou leiloarem você publicamente! Ah, eu vou esfolar aquela víbora! Vou arrancar cada fio daquela juba loira com uma pinça!
_Draco, calma – pediu Remus.
A face de Draco ia ficando cada vez mais vermelha. Bom, pelo menos já dava para antecipar as reações. Os veelas eram muito amorosos e apaixonados, além de extremamente protetores com os parceiros. Contudo, como ficava cada vez mais evidente, havia neles um ciúme inumano, que beirava a doença.
_E o McLaggen?! Próximos?! Eu teria matado aquele imbecil, se ele tivesse sequer encostado em você!
Ronald e Gina apenas taparam os ouvidos.
_EU VOU ESMAGAR O CRÂNIO DAQUELE ESNOBE! MAS ANTES... ANTES EU VOU ARRANCAR A LÍNGUA DAQUELA VÍBORA SEM NENHUMA NOÇÃO DE MODA!
Molly sorria, embora ninguém mais ali o fizesse. Ah, ela tinha uma veela como nora, já estava acostumada com os rompantes de ciúme. Sentir a fúria de Draco Malfoy arrepiar-lhe os pelos assustava?! Ah... Uma experiência única não podia ser desperdiçada, não é? Para Molly, era como sentir, fisicamente, o tamanho do amor que o loiro nutria pelo seu filho do coração e da vida, enfim, por Harry.
A ruiva se aproximou de Draco e o abraçou, sem medo algum. Depois cochichou algo no ouvido dele, tão baixinho que ninguém mais além do loiro pôde ouvir. O sorriso meio demente vislumbrado pouco depois no rosto aristocrático foi um alerta: algo pouco agradável aconteceria, em breve.
Arthur acariciou os cabelos da esposa quando esta, ainda sorrindo, voltou a se acomodar ao lado dele. Não ouviram mais gritos de Draco depois disso... O que foi um alívio, visto que um veela descontrolado era tudo o que não desejavam no momento. Além do que, mais uma ceninha de ciúmes daquelas e talvez o próprio esposo o estuporasse.
O primeiro espetáculo começou assim que chegaram à Toca, quando, logo após aparatar, o moreno precisou correr até o banheiro mais próximo, chegando bem a tempo de esvaziar o estômago. Estava tão preocupado com Sirius, que seu corpo só podia estar recebendo os efeitos da angústia.
Evidentemente, o loiro “declamou” – de forma bastante “doce”, ou seja, beirando os gritos – um sermão de uns bons dez minutos sobre o fato de Harry não saber aparatar adequadamente e de como, por Melin, ele tinha conseguido a permissão para aparatar! Os olhos dos ruivos e de uma Hermione tensa lhe indicaram que era melhor ficar bem quietinho, afinal, ele mesmo tinha presenciado a explosão de fúria recente em Malfoy Manor e todos ali já tinham problemas demais com a febre que acometia Sirius.
Agora, estavam todos com os mesmos olhares apreensivos, ao assistir a nova cena do espetáculo “pobre esposo de um veela descontrolado”. Molly foi ágil e conseguiu, por um milagre, contê-lo. E novamente, ele, o Eleito, nada disse. Era estranho como algo dentro dele procurava agradar a Draco, mesmo quando o metidinho usava quatro ferraduras.
_Queime logo esse jornaleco de quinta, Harry! – concluiu Draco mordaz.
Ah, o moreno engoliu os mil desaforos prontos, bem na ponta da língua, para serem proferidos contra o tratamento agressivo que recebia e respirou fundo, ainda que o estômago voltasse a reclamar. Encarando Draco, não revidou e, literalmente, queimou o jornal ao arremessá-lo na lareira. O tom imperativo do sonserino o irritou bastante. Precisou realmente se esforçar para conter a vontade de chorar feito uma donzela ofendida (benditos hormônios)... Deprimente.
_Draco, não adianta ficar tão irritado, não com aquela futriqueira – a voz de Hermione reverberou pela sala novamente silenciosa, mas seus olhos atentos se voltaram para Harry. – Você está bem, Harry? – E ao que o garoto apenas meneou os ombros, ela ficou de pé e o puxou pelo braço, conduzindo-o para fora longe da vista de todos, aproveitando para lançar um de seus olhares fulminantes ao sonserino. Será que ele não se tocava?
A cozinha tinha mudado um pouco. Aliás, toda a Toca estava mais organizada e espaçosa, móveis novos se destacando aqui e acolá com os maiores vencimentos de Arthur. Contudo, para a felicidade de Harry, o aconchego familiar continuava o mesmo. A Toca era sinônimo de carinho, disso não havia dúvida alguma.
Hermione balançou a varinha e um grande pote de biscoitos foi trazido à mesa, acompanhado por duas xícaras e saquinhos de chá. Não teve como fugir da amiga, não mesmo. Portanto, decidiu que era melhor aceitar o destino iminente e relaxar. Logo depois que estavam devidamente acomodados bem pertinho um do outro, água fumegante preencheu o vazio da bela porcelana e os saquinhos de chá nela mergulharam, tingindo a transparência aquosa em instantes.
_Fiquei muito orgulhosa de você, Harry.
O garoto piscou sem entender. Orgulhosa? Do que, se ele nada tinha feito?
_Orgulhosa? Por quê?
A sabe-tudo sorriu com um ar cheio de segundas intenções, que deixou Harry preocupado. O que estaria por vir daquele cérebro privilegiado?
_ Você e Draco estão irradiando magia, sabia? O que significa que o vínculo foi completado. Ah, e o seu gênio... Graças a Merlin está voltando ao normal! Fiquei muito orgulhosa da sua “não reação” aos ataques de fúria homicida de Draco – e ao que o moreno riu tristemente, continuou. – Não fique assim. Ele está muito preocupado... Debaixo daquela máscara de total frieza construída com muito esforço, há um veela passional e que fará de tudo para proteger o parceiro. Os veelas são assim. Quando você se sentiu mal hoje, veio um filme na nossa cabeça, Harry. Ninguém quer mais te ver doente. Pode imaginar o que ele sentiu? Acho que Draco só não conseguiu dizer isso...
_Não, não conseguiu mesmo. Ele só está gritando comigo desde que aquela vadia da Skeeter... Ah! Eu achei que fosse ficar livre disso, Hermione. Livre da perseguição dos outros, da imprensa sempre ficar atenta a tudo o que faço... Eu sou a pessoa que deveria estar esbravejando por aí! Você leu o que aquela escrota escreveu? – E quando deu permissão para que seus olhos começassem a brilhar com lágrimas contidas? – Cerimônia romântica nas Ilhas Canárias? Namoro desde a escola? Grávido do meu primeiro filho? E, porra, eu íntimo do McLaggen? – O volume da sua voz foi aumentando sem que se desse conta.
_Harry, shiii! Beba o chá, vamos... Beba. Vai ajudar a acalmar o seu estômago. Sabe, eu ainda não acredito que você está tão irritado com a Skeeter. Ela é uma vaca, sempre foi. Inventa um monte de absurdos sobre todos.
A garota passou a mão nas melenas negras, acariciando-as fraternalmente.
_Posso tentar segurar a Skeeter, mas ela abriu a caixa de pandora, você sabe. A notícia já se espalhou e mesmo com um monte de absurdos, algumas verdades foram reveladas. Casamento, doncelaria, gravidez...
O garoto engasgou na mesma hora, a face avermelhando em instantes. Já a tosse demorou uns segundos para passar.
_Hermione! Dá um tempo! Nem que Draco fosse... – e calou a própria boca, agora ficando ainda mais vermelho devido à vergonha do que esteve prestes a dizer.
_Ha, ha, ha... Você realmente não prestou a menor atenção em mim no tempo em que fiquei na mansão, não é?
Harry balançou a cabeça negativamente, embora fosse perceptível o desagrado bem estampado naquele rosto lisinho.
_Aliás, você ainda se lembra de que, eventualmente, engravidará, não é?
_Ora, Hermione. Sim, sim... Claro que lembro! Eu não tenho nenhum retardo mental. Mas de eventualmente para imediatamente, é demais!
_Ha, ha, ha... Beba um pouco do chá, Harry. Já basta Sirius estar doente, não acha?
_Como ele está, Hermione? Eu fui tão...
_Trasgo com ele? – E riu novamente, tentando evitar mais preocupação desnecessária. – Cuidamos bem dele, assim como cuidamos de você, mas descobrimos – e parou de falar, lembrando que Harry nada sabia do selo.
_O que vocês descobriram? Hermione, o que você não quer me contar?
A garota lhe serviu uns biscoitos, não se importando nem um pouco se ele estava ou não com vontade de comer.
_Primeiro você come, aí eu conto.
Depois que colocou pra dentro, a contragosto, o décimo biscoito, a garota sorriu carinhosamente e o abraçou.
_Acho que é melhor contar a você e ao Draco de uma vez... Vamos para a sala?
Os Weasley continuavam sentados nos mesmos lugares. Havia apenas uma diferença: Remus fora substituído por Madame Pomfrey. A enfermeira parecia cansada, mas ainda assim lhe lançou um caloroso sorriso, ao qual Harry não pôde deixar de devolver.
Hermione sentou junto a Rony e Harry, por mais que tivesse cogitado a possibilidade de voltar para a cozinha puxando Hermione e exigido que lhe contasse logo o que quer que fosse que tinham descoberto, acabou sentando próximo ao marido, embora tenha descaradamente evitado sequer olhar para ele.
Claro que Draco percebeu. Bem sabia que o moreno tinha razões para isso e, num rompante, o beijou com paixão e o acariciou de leve, num mudo pedido de desculpas que fez Harry até se esquecer de pressionar a amiga sabe-tudo.
Molly, Gina e Arthur observavam as reações de Harry com um sorriso nos lábios. Viram o garoto tentar, sem sucesso, se afastar e pouco depois se render feliz ao beijo e se deixar acariciar sem nenhum inconveniente. Mais relaxado, o grifinório encarou a castanha e pediu:
_Hermione, conte agora, por favor. O que aconteceu com Sirius?
Molly e Arthur se entreolharam. Gina se afundou mais no sofá. Pomfrey suspirou pesadamente, pensando na evolução mais recente do caso. Rony acariciou as costas da namorada em sinal de apoio. É: aí vinha uma Bombarda Máxima, disso nem Draco duvidava.
O loiro estava tão furioso com Skeeter que não tinha percebido o clima pesado a sua volta, mas, procurou se tranquilizar de verdade ao ver Hermione literalmente tirar o esposo de perto de dele, sem nenhuma delicadeza, lançando-lhe um daqueles olhares que eriçavam os pelos da nuca.
A voz da amiga encheu a sala, sendo vez por outra acompanhada pela voz de Madame Pomfrey, Molly e Arthur. Ela explicou tudo, ao menos até onde sabia: que descobriram que Sirius era um doncel, que Snape ajudou a retirá-lo de um estado de choque e que Sirius desmaiara pouco depois. Além disso, nenhuma informação nova lhes foi dada e Pomfrey não se animou muito a contar nada além disso.
O resultado de tal revelação? Bem, já era até óbvio... Um desesperado Harry ficou de pé em milésimos de segundos, a clara intenção de correr até o quarto no qual o padrinho estava. Draco precisou segurá-lo com força e puxá-lo de volta ao sofá, para que não subisse a escada e invadisse o quarto, onde Snape e Lupin conversavam sobre algum assunto, segundo a enfermeira.
_Solta o meu braço, Draco.
_Harry, é melhor ficar aqui. Eles já vão descer e...
_Se você não me soltar agora – e voltou a forcejar, sem sucesso, a mão livre já indo ao bolso das vestes e a ínfimos instantes de pegar a varinha – vou acabar te azarando!
O veela sorriu cheio de si, agarrou Harry com mais ímpeto, deliberadamente sem esmagá-lo, tomando muito cuidado para não machucá-lo. O rosto aristocrático sustentando a expressão eu-quero-ver-você-tentar serviu apenas para irritar o grifinório mais e mais. Até Arthur já pensava em intervir, quando Pomfrey falou.
_Não, Harry. Não suba! Sirius está... Com febre – a voz da enfermeira assustou até Hermione. – Ele está fraco.
_Oh, não... Febre? Mas isso é péssimo. Febre em bruxos é um sintoma de exaustão extrema... – E o conhecimento de Hermione foi a gota d’água para as lágrimas de Harry voltarem a se acumular em seus olhos, qualquer sinal da força empregada para sair do sofá desaparecendo.
Draco o rodeou com os braços carinhosamente.
_Você precisa esperar aqui, Harry. A febre em bruxos é realmente perigosa. Nossos organismos ficam muito vulneráveis e...
_Ok, ok... Eu já entendi, Draco! Mas é o meu padrinho... Ele é um doncel, como eu e... Ah, por Circe! Por que fizeram isso com ele?
_Porque os Black não tinham escrúpulo algum – respondeu Lupin, finalmente chegando a sala, Snape colado em seus calcanhares.
_Remus! Remus, como ele está? Ai, Draco, me solta... Eu não vou subir!
Molly correu até a cozinha e voltou de lá com uma ampla bandeja, trazendo um chá calmante para todos (a dose de Harry e Draco bem incrementada). Severus foi devidamente acomodado por Remus numa confortável poltrona. A pele do pocionista estava mais pálida que nunca e sua face demonstrava uma tensão profunda.
_Padrinho... O senhor está bem? Hermione contou que foi preciso usar de muita magia para tirar Sirius do choque. O senhor tem que descansar.
Bem, a preocupação de Draco era a mesma de todos, mas a teimosia do professor superava qualquer preocupação. A xícara de chá foi sorvida em instantes, sendo seguida de uma sensação boa e reconfortante. Seria o suficiente para contar o que realmente tinha descoberto? Bem, teria que ser. Não podia mais ignorar os olhos ávidos de Harry, nem a extrema ansiedade de Remus.
_Sim, eu tenho que descansar. Mas tenho outras prioridades agora, Draco, portanto, deixe-me falar, sim? – E o silêncio de todos foi a deixa para começar a contar o que vivenciou nas memórias de Sirius.
Evidentemente não contou tudo, ao menos não com a riqueza de detalhes que parecia ter sido gravada a fogo em sua mente. Explicou que pôde confirmar que os pais de Black realizaram o Signaveris Crescite, apesar de toda a crueldade envolvida.
A voz falhou um pouco ao se lembrar da dor do moreno, mas precisava prosseguir... Precisava extrair de si mesmo um pouco daquele veneno que o matava por dentro, contaminado seu bom-senso, fazendo-o se sentir responsável por tudo o que aconteceu, quando, de fato, ele mesmo era mais uma das vítimas.
_Como disse, foi pouco antes de Sirius completar a maioridade. Alguns dias antes, creio eu.
Lupin apenas confirmou lembrando que, naquela época, os pais de Sirius o levaram para casa sob uma alegação qualquer. A direção da escola nada pôde fazer além de aceitar.
_Sirius não queria ir, mas não teve opção. Se soubéssemos disso... Se sequer imaginássemos...
_Os Black usaram uma terceira pessoa, cuja assinatura mágica era compatível com a de Sirius – revelou por fim Snape, o olhar perdido em suas próprias lembranças.
_Quem foi? – Grunhiu Harry, a raiva se intensificando mais e mais.
_Realmente importa, Harry? – perguntou Draco. – Isso foi há quase 20 anos e estamos com um problema maior: Sirius está com febre.
_Há mais um problema, senhor Malfoy – começou Pomfrey, encarando Severus e ao que o professor assentiu, revelou. – Sirius está em coma mágico e menstruando.
Draco gelou. Não era apenas “mais um problema”, era o caos completo! Se Sirius estava em coma mágico e menstruando, a única maneira de salvá-lo, de retirá-lo desse estado... Oh, Santo Merlin!
Harry não entendia o porquê de tantos rostos aterrorizados. Parecia que uma sentença de morte fora lançada sobre o padrinho! Ok, entendeu que a situação era delicada, mas um medimago competente poderia reverter o quadro, não?
_Então vamos levá-lo para St. Mungus. Rápido!
Hermione tinha lágrimas nos olhos quando Ronald a abraçou. A garota murmurava algo como: "de novo não”.
_Por que não estamos levando Sirius ao hospital? – Perguntou o Eleito, furioso com a inércia dos demais.
_Harry, querido... St. Mungus não vai ajudar – explicou Molly que, em segundos, deixou o tom carinhoso de lado, a voz doce desaparecendo por completo. – Foi possível identificar o mago, Severus?
Draco abraçou Harry e cochichou em seu ouvido, explicando o porquê da pergunta da matriarca Weasley agora ser tão pertinente. O loiro sentiu o corpo do esposo estremecer a seu lado. É, ele sabia: era demais. Era demais para Harry imaginar que havia apenas uma maneira de salvar Sirius. “Não... Não pode ser”... Foi o que murmurou bem baixinho, tanto que apenas o sonserino ouviu.
_Nas memórias de Sirius, bem... Ficou claro que o mago que o estuprou também foi uma vítima de Orion e Walburga Black. O próprio Sirius identificou que o seu algoz estava sob o domínio de uma imperius.
Molly apertou o braço do marido, de tão surpresa que ficou. Como era possível tamanha brutalidade?
_Responda a minha pergunta, Severus. Você conseguiu identificar esse mago? Ele é a única chance que temos para trazer Sirius de volta!
_Sim, foi possível identificar. Era um garoto, colega de escola de Sirius.
Arthur se preocupou, pois muitos colegas de escola de Sirius e Lupin estavam mortos. A guerra ceifou muitos daquela geração.
_Precisamos procurar por ele... Saber se ainda está vivo.
Gina se espantou com o nervosismo do pai. O bondoso Arthur raramente se exasperava daquela maneira.
_Professor – começou a única filha dos Weasley – quem foi?
Snape respirou fundo e mal notou a mão de Lupin em seu ombro, apoiando-o incondicionalmente. Algo inesperado, de fato, mas nem de longe desagradável. Então aquilo era o que os amigos faziam? Apoio, carinho, auxílio... É, ele poderia se acostumar com esse tipo de relação.
_Severus... – Começou Lupin, tentando visivelmente impedi-lo e prosseguir. Ah, seria um caos.
_Está tudo bem, Remus...
Remus? Desde quando o padrinho chamava Lupin pelo primeiro nome... Oh, oh... Boa coisa não viria dali.
_Os Black descobriram que um certo sonserino, do mesmo ano de Sirius, tinha assinatura mágica compatível com a dele. Como o fizeram, não foi possível descobrir. Esse mago está vivo... – E respirou fundo antes de concluir. – Os Black utilizaram a mim, Severus Prince Snape, para realizar o Signaveris Crescite.
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