Submisso
61 Capítulo 61- Fraternal
Notas iniciais
Capítulo 61- Fraternal
_Meu papai já acordou? – Perguntou o garotinho, ao invadir o espaço pessoal de Lucius e lhe puxar pelas vestes.
Papai? Ora, por que Teddy perguntaria a Lucius sobre Remus? Ah... A pergunta alertou a habilidosa serpente Pansy Parkinson. Nada lhe escapava.
_Teddy está inquieto, Lucius. Remus já vai descer?
_Edward – e Lucius se agachou para ficar na mesma altura do garoto. – Em mais algumas horas o seu papai estará aqui. Ele acordou agora mesmo e está tomando banho. Como eu expliquei mais cedo, Remus está um pouquinho diferente, portanto, vamos deixá-lo bastante confortável, certo?
_Então eu vou ter mesmo um irmãozinho?
Esther riu com gosto e Lucius sorriu cheio de malícia.
_Ah, não tenho dúvida alguma, Edward.
Teddy então o abraçou e o beijou na bochecha. Logo em seguida, o filho de Remus sorria feliz e usava dos seus próprios poderes para, sob o olhar atento e cheio de orgulho de Lucius Malfoy, alterar a cor e o tamanho dos próprios cabelos.
_Edward, você ficou muito bem. Seu papai adora os loiros – e subiu escada acima, deixando uma Esther ainda risonha, um Teddy saltitante e uma Pansy extremamente curiosa.
Com pressa chegou ao quarto, largando os pacotes sobre a cama. Devolveu-lhes o tamanho normal para, em seguida, verificar como aquelas vestes estavam perfeitas. Com pressa, trancou a porta do quarto e, caminhando em direção ao banheiro, foi retirando os nobres trajes que lhe cobriam o prórpio corpo.
_Hum... Não creio ser forte o suficiente para permitir que saia da alcova, meu Remus... – Disse sem vergonha alguma, assim que chegou ao destino desejado.
O lupino estava mergulhado na banheira, quase adormecido. O banho que Lucius preparara era profundamente relaxante. Começava a suspeitar que o loiro fazia tudo de caso pensado. Ora, começava a suspeitar? Por Merlin, estava lidando com um Malfoy! É claro que todas as ações daquele homem eram, sem dúvida alguma, meticulosamente planejadas.
_Já disse o quanto você é perfeito? – Começou o loiro, já dentro da banheira, os braços envolvendo o “noivo” de forma possessiva.
_Lucius... Agora não... Eu preciso...
_Você precisa? Não... Eu sim preciso. Preciso de você... Eu sou o necessitado aqui, Remus. Deveras necessitado da sua paixão, do seu corpo, de você inteiro...
Remus sentia as mãos de Lucius o acariciando de forma tão íntima. Era estranho... Os toques em sua pele o incendiavam e ele já não queria ir embora. Inverteu as posições e ficou de frente para o esnobe patriarca, sentando-se em suas coxas. Mostraria ao loiro o quanto poderia ser... Apaixonado.
Começou de leve, beijando-lhe no pescoço, exatamente na junção com o ombro... Foi recompensador ouvi-lo gemer. Então, seguiu com movimentos direcionados unicamente pelos seus instintos de ômega. O elo unindo os dois era composto por um sentimento primitivo e algo visceral, que os avassalava e os fazia perder toda e qualquer gota de racionalidade. Bem, não é que, realmente, fosse capaz de se negar à natureza dominante do veela, mas não entregaria os pontos assim tão facilmente. Mostraria que ele também era capaz de liderar uma boa sessão de sexo.
Lucius já tinha dois dedos dentro dele. Como? Não fazia a menor questão de descobrir, só queria aproveitar. Entravam e saíam com vigor, gerando em si mesmo mais e mais desejo. Talvez nunca mais fosse capaz de viver sozinho, como antes. Queria-o cada vez com maior intensidade.
Uma parte de Remus, a parcela responsável e comprometida, sabia que, eventualmente, ambos precisariam deixar a alcova... Precisariam de alimento... De convívio social, e puxa, ele tinha um filho! Ao mesmo tempo, a outra parte, talvez a mais dominante agora, se liquefazia, desejando apenas o parceiro. Foram tantos anos de negação de quem era verdadeiramente que, agora, não conseguia mais se controlar. Oh, isso seria deveras problemático.
_Lobinho... Levante essa bunda gostosa. Isso mesmo... Vou entrar em você, bem fundo!
O próprio Remus, nublado pelo desejo, conduziu todo o ritmo. Com movimentos de sobe e desce, lentos devido à água que os envolvia, sentia o falo intumescido de Lucius atiçar todas as suas terminações nervosas, preenchendo-o e alçando-o, novamente, ao prazer que tanto se negara. Por Merlin, como conseguiu viver uma existência inteira de negação? Como sobreviveu tantos anos sem Lucius?
As mãos do loiro o apertavam e o aproximavam, enquanto podia sentir os mamilos sendo sugados e mordidos. Todas as sensações estavam ali, pulsando frenéticas, juntas e misturadas. Desejo, luxúria, entrega, carinho, prazer, amor... Amor? Desde quando a ideia de “amar Lucius” rondava, sorrateira, em sua mente? Quando aconteceu tal feito? Supostamente, ele ainda deveria amar Nymphadora Tonks, não?
Amor, amor, amor... Era tão difícil definir quando amava ou não alguém. Principalmente porque esse era um sentimento tão sublime, que não se podia determinar com exatidão: “comecei a amar Lucius Malfoy no dia 23 do atual mês, exatamente após a sobremesa”... Ora, isso seria ridículo! Talvez então, comparando o que sentira antes pela esposa e o que experimentava agora com o loiro, nunca tenha realmente amada a metamorfomaga.
Ah, ele não queria traçar comparações, mas era impossível não fazê-las. Como pôde viver anos com Tonks? Não foi justo consigo mesmo, tampouco com ela. Como pôde se negar a viver com um alfa? Bem, é claro que todo esse prazer e devoção tinham um alto preço.
Caso tudo o que Malfoy lhe dissera fora verdade, então parecia que a magia – ou o que quer que fosse – havia lhe dado uma verdadeira dádiva. Fora destinado a um parceiro que, apesar de voraz e exigente no sexo, todo um dominante, em todos os sentidos que a palavra tinha, não o trataria como lixo. Como podia afirmar isso? Ah, simples: Lucius era agressivo na cama, afinal, estava numa relação alfa x ômega, contudo, os pequenos detalhes denunciavam a natureza acolhedora e carinhosa do veela.
Lucius não ficava satisfeito se não o visse gozar... Lucius o beijava com entrega e necessidade... Lucius não o agrediu só para enaltecer seu papel de alfa... E agora mesmo, enquanto estava sendo fodido bem gostoso por ele, sentia as ondas de carinho que o veela emanava... Era envolvido pelo calor da magia veela que, ao invés de prejudica-lo, o recebia com zelo e desejo... Como não se apaixonar? Como não amar?
_Ah, Remus... Perfeito... Perfeito... Você é perfeito, lobinho – e o puxou pela nuca, usando apenas uma das mãos, a outra apertando possessivamente uma das nádegas.
Seguiu-se um ósculo lascivo e pornográfico, ritmado pelo som da água agitada. Lucius o agarrou e ficou de pé, prensando-o contra uma das paredes. O calor da pele em contato com o frio dos azulejos fez o Remus se contorcer. Não entendia como o loiro tinha forças de segurá-lo daquela maneira, mas não se importava. Estar naquela posição fazia o membro rijo de Lucius ir muito fundo dentro de si, atingindo sua próstata e o levando ao delírio.
_Isso, lobinho... Quero que uive bem alto, só pra mim.
As estocadas não eram mais lentas... Lucius o agarrava com força, apertando-o nas partes certas. Enlaçou as pernas ao redor dele, fazendo o mesmo com os braços ao redor do pescoço do esnobe patriarca.
As penetrações certeiras o tinham a beira do colapso... Não teve tempo nem de avisar, na verdade, mal conseguia dizer uma frase completa... Derramou-se entre o abdômen de ambos, melando-os com vigor. O veela prosseguiu em mais algumas estocadas firmes e o preencheu inteiro, pouco depois.
Remus amoleceu e se entregou aos cuidados de Lucius. Ah... Ele poderia se acostumar com esse tipo de zelo. Nem mesmo quando fora casado com Tonks sentiu-se tão importante e valorizado. Era palpável o modo carinhoso como o veela o tratava. Lucius o banhou mais uma vez e o levou para a cama. Depois o secou levemente, cada toque mais se assemelhando a uma nova carícia. E então o vestiu.
Estava mesmo sonolento, apesar de ter dormido tanto. Notou então que as vestes que usava não eram as dele, embora se ajustassem perfeitamente ao seu corpo atual. Foi capaz de identificar ainda que o loiro gostoso a de pé na sua frente trajava vestes novas. Como sabia disso? Bem, digamos que ele também não se descuidava de Lucius e conhecia cada uma das vestes que tinha no armário.
_Hum... Está tão lindo vestido como merece.
O lupino abriu os olhos preguiçosamente. Estava tão cansado... Teddy... Precisava ver o seu filho...
_É incrível – e o sentou na cama, acomodando-se ao seu lado. – Meu desejo por você cresce numa ascendente infinita, Remus... – E se dispôs a penteá-lo com cuidado. – Deveria deixar o cabelo crescer um pouco. Ficaria ainda mais fascinante.
_Hum... – Gemeu baixinho com os toques do loiro em sua nuca, a cabeça caindo para o lado, expondo para o veela o próprio pescoço.
_Não me convide dessa forma... Não me provoque lobinho. Foi todo um custo sair do banheiro... – E o beijou com calma, primeiro no pescoço, depois nos lábios volumosos, língua com língua, ambas se explorando numa carícia quase indecente.
_Lucius Malfoy, abra essa porta! – A voz de Severus quebrou a atmosfera sensual que se instalara novamente entre eles.
As batidas na porta foram se avolumando e clareando a mente de Remus. Percebeu que as vestes realmente não eram as dele, embora fossem feitas sob medida para si.
_Calma, Severus. Já vamos sair.
_Lucius, que roupas são essas?
A voz de Remus ficou ainda mais intimidante com o repentino silêncio. Severus dera um tempo no bate-bate na porta.
_São suas, Remus... Parkinson as trouxe agorinha, diretamente da Madame Malkin.
_Não preciso de vestes novas...
_Ah, precisa sim. E Edward também... Não tinha me ocorrido ainda, veja só. Fui relapso com meu enteado. Entrarei em contato com Pansy ainda hoje para solucionar esse pequeno contratempo.
_De forma alguma! Eu não preciso de vestes novas, tampouco o meu filho. Minhas vestes estão muito adequadas.
_Você é minha responsabilidade agora, assim como Edward.
_Lucius... Eu não sou incapaz! Agradeço a atenção, mas eu posso vestir a mim mesmo e ao meu filho.
O loiro o acariciou a bochecha e sorriu malicioso. Já Remus parecia estar bastante... Irritado.
_Lucius Malfoy, eu estou falando sério. Não vou andar por aí com essas roupas caras. Eu não preciso disso, nem Teddy.
_Edward pode até não precisar, no momento, entretanto... Você sim, lobinho. A não ser que deseje andar nu pela propriedade – e o rosto confuso do lobinho o fez sorrir. – Eu queimei as suas antigas roupas. Queimei todas elas, inclusive as roupas de baixo...
_Você fez o quê?
As batidas voltaram a interromper a conversa, sendo seguidas pela voz de Severus.
_Lucius, já chega! Eu preciso conversar com Remus. Desfaça logo esse feitiço, ou eu mesmo o farei.
Depois do ultimato, Remus ficou de pé e tentou abrir a porta. Também não conseguiu. Sua magia não era muito eficaz contra os desejos do seu próprio alfa... O lobinho só saiu do quarto devido à intervenção mais incisiva de Severus.
Bem, na verdade, não chamaria realmente de “intervenção mais incisiva”, no máximo uma conversa bastante calorosa, pois o amigo apenas “relembrou docemente” – do lado de fora do quarto e ainda com a porta trancada – que tinham assuntos profissionais a tratar e que, caso Lucius não o liberasse e permitisse que retornasse ao convívio familiar, momento no qual poderia cumprir suas “responsabilidades laborais” – nas palavras secas do narigudo – teria que ser “mais enérgico”, ou seja, o “cruciaria até que aprendesse a controlar seus impulsos sexuais mais que excessivos”, pois já "beirava o donjuanismo". Ora, Snape era um habilidoso poeta, não?
Lucius abriu a porta do quarto espumando de raiva, mas abriu. Já Remus, mais vermelho que um tomate maduro, saiu depressinha dali, chegando à sala em instantes. Evidentemente, notou o sorrisinho maroto de Snape ao vê-lo bem de perto, mas optou por ignorar. Já na sala, encontrou o filho. Desde quando Teddy estava loiro? E pior: loiro platinado?
_Papai!
Remus conseguiu segurá-lo com agilidade, enquanto Severus e Lucius desciam a escada. O pocionista não estava nem de longe irritado por ter quase precisado derrubar a porta de um dos cômodos de Prince’s House, ao contrário, parecia estar se divertindo em demasia com a expressão de frustração que o amigo esnobe sustentava.
_Teddy, que saudade de você, meu amor – e o ergueu no ar, segurando-o no colo. – Por que está com esse cabelo, filho?
_Ora, Remus, não recrimine Edward por ter tamanho bom gosto – devolveu Lucius, cheio de orgulho.
O menininho retribuiu o carinho, abraçando-o com força. Depois o beijou na bochecha e então, realmente, observou o pai com atenção. E riu... Na verdade, gargalhou sem controle, os olhinhos inocentes ficando marejados em poucos segundos.
_Severus, vocês deram algo estranho para o Teddy comer ou beber?
Esther, que vinha da cozinha acompanhada por um elfo, o ouviu. A mulher mantinha os olhos atentos na criaturinha que levava uma bandeja nas mãos e nem levantou o rosto para responder.
_Não, Teddy não comeu nem bebeu nada inusual, apenas um pedaço de bolo. O almoço já está servido... – E finalmente levantou o rosto, encarando o lupino. Sorriu admirada. – Oh, vocês bruxos são realmente surpreendentes... Meu filho, case-se o mais rápido possível com Remus! – E sustentando o sorriso, subiu a escada, se dirigindo ao quarto de Sirius.
_Claro, mãe – anuiu Lucius, dando licença para que o elfo subisse a escada com a bandeja, tudo acompanhado pelo riso solto de Teddy.
O bondoso lupino reconheceu ali um padrão. Primeiro Severus, depois Teddy e agora Esther...
_Papai... Ha, ha, ha... Tá se parecendo um pouquinho com a Dinda agora... Ha, ha, ha... Quero ver a cara da mamãe quando ela te encontrar!
Severus se controlou para não acompanhar as risadas de Teddy, até porque não havia motivo algum para ir, mas a reação do menino foi bastante inusitada. Remus deixou o filho no chão, no rosto uma expressão indefinível.
_Edward, lembra-se do que conversamos mais cedo?
_Ah, tá... – Começou ele, já sem qualquer vestígio de graça na voz. – Não tem problema não, papai. Mesmo um pouquinho diferente, você é o meu papai. E eu te amo muito, muito, muito...
Remus sorriu feliz. Seu filho era mesmo um encanto. Teve vontade apertá-lo e nunca mais soltar. Ah, como Teddy conseguia ser tão fofo? Sentiu então as mãozinhas do filho tocando a sua barriga.
_Papai, é aqui que o meu irmãozinho vai crescer, né?
Severus só observava a reações dos dois amigos. Ah, nunca imaginou que ter a casa repleta de hóspedes pudesse ser tão gratificante e divertido.
_É aí mesmo, Edward – respondeu Lucius, antes mesmo que o noivo pudesse negar. Ele sabia, podia sentir. Remus estava sim grávido. – Seu irmão ou irmã já está crescendo no ventre de Remus.
_Ah, isso é bom, não é? Bem, então... Como é que o meu irmãozinho vai sair? – Perguntou o menino cheio de curiosidade, não dando tempo para Remus se recompor da emoção que o comentário anterior e a resposta de Lucius lhe causaram.
Severus não conseguiu mais se controlar. Até Sirius ouviu as suas gargalhadas.
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_Bom dia, senhorita Parkinson.
_Bom dia – respondeu com educação, assim que aparatou na empresa. Poderia ter usado a rede de flu mais uma vez, contudo, aproveitou para comprar um café no beco diagonal.
_Já tenho preparados os relatórios para que o senhor Malfoy assine.
_Ótimo, deixe-os separados. O senhor Draco Malfoy virá em breve para acertar essas pendências. Estarei na sala da presidência. Nem tive tempo de entrar lá hoje, não é?
_Sim senhorita. Envio o seu almoço mais tarde, como sempre?
_Sim, por favor. Obrigada.
A loira estava mais que curiosa. De onde, afinal, vinha aquela relação de intimidade dentre Lucius e Teddy. E, por Merlin, o garotinho se transformara numa cópia em miniatura de Lucius, bem diante de seus olhos. Ah, descobriria logo, logo o que estava acontecendo.
Bem, não era lá muito correto abusar da confiança do chefe, contudo, ela queria apenas cuidar do senhor Malfoy. Não poderia permitir que nada de grave lhe acontecesse, não é? Não, não mesmo...
_O senhor Lucius estava mesmo muito estranho... E ele mesmo arrumar o escritório? – E Pansy seguiu falando sozinha, enquanto se sentava e se preparava para trabalhar.
Contudo, antes que pudesse ler o primeiro dos muitos memorandos sobre a mesa, identificou um pisca-pisca incessante, oriundo da aparelhagem trouxa que o senhor Malfoy indicou que fosse instalada, servido para comunicação mais direta entre ambos os escritórios.
_Como é que isso funciona mesmo? – E começou a mexer em alguns botões, enquanto mirava com atenção a tela a sua frente.
O aparelho funcionou e não parecia acontecer nada demais. Chegou a ler alguns memorandos enquanto, tediosamente, as imagens seguiam na mesma monotonia.
“Bem, acho que já terminamos... Amanhã terei tempo de sobra para sugar de Pansy Parkinson toda a informação que desejo aprofundar.”
“Eu ainda não organizei todos os...”
“Agora quero falar sobre nós dois”
“Não há um “nós dois”, Lucius”
“Remus, será mais fácil se você apenas parar de atuar...”
“Ei! Solte-me!”
“Não...”
Demorou apenas mais alguns segundos para que Pansy, boquiaberta, começasse a tecer as ligações entre as estranhas atitudes do Lucius, de Teddy e de Esther. Com um rápido feitiço, a loira de infarto lacrou e insonorizou a sala, afinal, não poderia perder detalhe algum daquele excitante vídeo.
_Oh, por Merlin! Agora vejo de onde Draco tirou toda aquela técnica...
Perdeu-se no seu voyeurismo por mais alguns (longos) minutos... Por sorte, o seu almoço chegou, dando a deixa para que seu cérebro retornasse aos afazeres habituais. Foi interrompida pelo crepitar da lareira... Era o seu patrão, Lucius, solicitando que acrescesse mais vestes na encomenda feita à Madame Malkin.
Diligente, Pansy anotou todas as instruções e afirmou que enviaria naquele mesmo instante as novas solicitações. Em seu íntimo, vibrava de alegria. Ah, daquele jeito, logo, logo Draquinho teria um irmãozinho. Ah, bebês! Perdeu-se por mais alguns minutos em pensamentos acerca da nova geração bruxa que estava em pleno crescimento, quando deu por falta de uma pequena “coisinha”: Blaise Zabini que, felizmente para ela, de pequeno não tinha nada.
O belo homem negro, só dela, evidentemente, sempre entrava em contato após o almoço. Era um costume dele. Blaise era atencioso e gostava de marcar território dessa forma, ou seja, ele se mostrava presente e atento ao que ela precisasse. E hoje, simplesmente, nenhum contato. Bem, deixaria para verificar o motivo mais tarde, quando retornasse a Bristol.
_Com licença senhorita Parkinson, os relatórios...
A tarde transcorreu agitada como sempre e logo estava refazendo o caminho de retorno à nobre casa dos Nott. Estava tão tensa... Precisava desesperadamente do seu deus de ébano para fazer uma massagem precisa e deliciosa. Ah, que mãos tinha Zabini. Bem, não só mãos, por Merlin! Zabini tinha todos os atributos mais que adequados.
_Oh, senhorita Parkinson, que bom que retornou. Há alguma notícia do mestre?
_Notícia... De Theo?
Caso tivesse uma língua de verdade, o quadro a teria mordido.
_O que houve, Cantankerus?
O quadro então cantou toda a ópera, ou seja, contou, de forma realmente dramática, todos os fatos ali ocorridos, do jovem mestre Theodore gritando de dor, até as ações rápidas e vitais empreendidas por Blaise.
_Uma das senhoras Nott retornou, juntamente com a senhora Zabini, contudo já se foram e nada me disseram. Elas estavam bastante preocupadas. Cara senhorita Parkinson, seria muito abuso pedir a senhorita que me diga o estado do jovem senhor Theodore.
_Não, claro que não. Entro em contato – e correu de volta à lareira, chegando rapidamente ao hospital.
Já havia anoitecido e agora, além de tensa, estava extremamente preocupada. Na recepção, precisou se lembrar de como respirar, para que o solícito funcionário pudesse, de fato, ajudá-la. Pouco depois, já munida da informação que desejava, literalmente, correu até o local indicado.
Enquanto avançava feito velocista pelo hospital, a mente extravasava uma sequência de imagens de Theo em situações difíceis e sofridas. Não... Não com ele... Ele não merecia passar por mais dor. Theodore merecia apenas a felicidade completa, nada mesmo do que ela.
Por pura sorte, viu a mãe de Blaise sentada num pequeno sofá. Sophie a identificou imediatamente. Com batidinhas no assento, fez um convite mudo para que ela se sentasse ao seu lado. Pansy mal soube dizer quando havia começado a tremer. Caminhou tão lentamente pelo corredor... Era como se as suas pernas não quisessem se mover.
_Theo... Theozinho...
_Sente-se aqui, minha querida. Isso, muito bem. Agora, respire fundo. Você está a ponto de desmaiar, Pansy.
_Como... Como ele está?
_Agora está tudo bem. Theo e o bebê estão bem. Blaise está no quarto com ele e Gabrielle, contudo, deve sair em breve. Temos que evitar muitas influências mágicas sobre ele no momento.
A loira se permitiu respirar aliviada. E chorou. Não era comum ter esse tipo de reação, mas não admitia que nada ferisse o seu irmãozinho. Para tanto, era extremamente protetora e presente. Cuidava dele com verdadeiro amor.
_Calma, Pansy... Agora está tudo sob controle.
_O que... O que ele teve? Hoje mais cedo estava tudo bem, não é?
_Sim, estava sim, mas a gravidez é cheia de surpresas. Infelizmente, algumas surpresas não são nada agradáveis. Theo teve um princípio de aborto.
_Oh, por Merlin!
_E felizmente não se concretizou. Ele está bem agora. Desculpe-nos por não termos entrado em contato, mas aconteceu tudo tão depressa...
O som de passos se aproximando fez Pansy desviar o olhar de Sophie. E lá estava ele: Blaise, seu porto seguro. O homem alto e forte sorriu cansado para as duas e abriu os braços, chamando-a mudamente.
Já a loira, vendo-o ali parado, voltou a ganhar o pleno controle das pernas. Chegou até ele em segundos, abraçando-o em seguida, afundando o rosto em seu peito másculo e, ao mesmo tempo, aconchegante.
_Blaise, o Theo...
_Calma, Pans. Ele está bem agora. Não se preocupe.
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O loiro arfava em seu ouvido, já sem capacidade alguma para conectar frases inteiras. Chupou e mordeu seu pescoço com voracidade animal... Certamente, ficaria uma bela marca ali. Na verdade, parou de contar as marcas que o marido deixava nele. Draco tinha um prazer desmedido em registrar na pele dele os momentos quentes que passavam juntos.
Estariam já por horas naquela dança enlouquecedora? Não saberia dizer...
_Draco, amor... Por favor... Por favor...
Então o loiro não mais aguentou manter as estocadas, explodindo dentro dele, preenchendo-o até o limite, enquanto sentia Harry fazer o mesmo, em sua mão. Abraçou-o ainda dentro dele, sem ter a menor intenção de deixá-lo se afastar, nunca... Jamais.
O grifinório apenas se deixou levar, pedido nas sensações que Draco lhe gerava. Mas então as suas filhas reclamaram, quer dizer, o estômago reclamou, bem alto por sinal. Draco riu alto e alguns minutos depois já estavam, juntos, na sala de jantar, degustando da maravilhosa refeição preparada com carinho por Dobby.
Passaram um agradável momento juntos. Draco contou sobre o seu dia, reclamando bastante das aulas e de Hermione que, segundo ele, estava obcecada com os livros escritos pelo professor Voronin.
_Eu não entendo muito bem o motivo dessa insistência da Hermione – e já estavam na sobremesa, mas Draco permanecia comentando acerca da amiga de ambos. – Ela passou os dois intervalos de hoje dissertando sobre os avanços do tal Voronin na área da elaboração de feitiços. Eu sei que deveria até mostrar alguma empolgação com isso, afinal, foi o livro dele que encontrei naquela choupana, quando da busca pela relíquia dos Malfoy...
_Ele ainda está mal, não é, em St Mungus?
A pergunta de Harry fez o coração de Draco apertar. Severus foi bem claro quanto ao que havia acontecido em St Mungus, no dia em que confirmaram as suspeitas de Hermione acerca do que acometia o casal lá internado. Entretanto, acertaram entre si que não contariam nada a Harry e a Sirius, ou seja, os donceles não saberiam, naquele momento, nada sobre a transformação ocorrida no homem que supunham ser o pai de Madeleine.
_Madeleine continua sem os pais, Harry – bem, não era uma mentira, era? – Ivan Voronin é um dos professores mais renomados da Universidade de Letras Mágicas. É especialista doutorado em Feitiços Complexos, com ênfase na Elaboração de Feitiços. Hermione disse que os aurores não aprofundaram as investigações nesse sentido, mas que ela o faria... Bem, se os aurores não viram uma linha investigativa frutífera, por que Hermione se dá ao trabalho? Não acredito muito, mas talvez seja coincidência mesmo, como aquela auror disse...
_Coincidência? Também acho pouco provável... E Hermione tem um bom faro. Ela se sente desafiada, sabe? Pessoalmente desafiada... Nada vai pará-la, Draco.
_É, eu sei. Ela está bastante familiarizada com as teses e propostas do professor Voronin. Segundo as pesquisas dela, o trabalho do pai de Madeleine é fantástico. Disse que ele é um ícone na área de criação de feitiços. Eu confesso que não conheço muito da doutrina da área na qual ele é especialista.
_Criação de feitiços... Sabe, nunca pensei muito sobre a origem dos feitiços – e se serviu de mais uma porção de frutas, sob o olhar atento do marido.
Evidentemente, Draco o observava para ter certeza de que não se confundiria, afinal, as frutas poderiam ser facilmente confundidas com o proibidíssimo pudim de chocolate era um pulo.
_Quem cria os feitiços, afinal?
_Ora, nós mesmos, os bruxos... É claro que não é uma tarefa fácil. Um bruxo ordinário jamais conseguiria criar um feitiço realmente poderoso ou eficaz. Entretanto, todo bruxo tem a magia dentro de si, Harry. Nosso núcleo mágico nos dota da capacidade de manipular a magia. Alguns de nós, os mais perseverantes, estudiosos e poderosos são capazes de criar novos modos de manipular a magia, ou seja, criar feitiços.
A mente de Harry vagou para muito longe no tempo. Lembrou-se de Hogwarts, do livro do príncipe mestiço e da água se avermelhando com o sangue do atual marido. Arfou só de ter aquela cena grotesca na mente, mais uma vez.
_Amor, o que foi? Enjoo novamente?
Os olhos verdes se fixaram nos cinzas. Ah, como os amava. E como se arrependia por ter, um dia, o ferido daquela forma.
_Snape pode criar feitiços.
_Sim, o meu padrinho pode – disse secamente, já imaginando o que se passava por detrás dasuelas esmeraldas. – O seu padrinho também, Harry, afinal, ele é um animago, o que por si só demonstra o quão habilidoso, poderoso e perseverante ele é. Contudo, não creio que Sirius o tenha feito algum dia. Elaborar feitiços é por demais complexo, amor – e se manteve atento a esposo, cuja pele voltava a cor habitual. – Sirius sempre me pareceu mais voltado para ação. Não o vejo enfurnado numa sala estudando com afinco, não por mais do que cinco segundos – e sorriu, sendo acompanhado pro Harry.
_É verdade. Sirius é por demais agitado. Draco, estou com saudade de Sirius. Rony me levará mesmo lá, não é?
_Sim, ele vai, já que você não pode, simplesmente, aguardar mais alguns dias para que eu mesmo possa levá-lo – e fez uma falsa expressão de indignação, o que levou Harry às gargalhadas.
Ah, era assim que gostava de vê-lo: rindo, feliz e cheio de energia. Precisava conversar com Ronald acerca das investigações... Estava mais que na hora de se ver livre daquela guarda avançada em sua propriedade, assim como queria o pai ali, junto dele e do esposo. E pesava ainda sobre os seus ombros as informações trazidas pelo embaixador russo. Não, não permitiria que mais nada prejudicasse Harry Potter.
_Solte isso, Harry!
_Ah, Draco... É só uma colherada!
_Nem meia colherada, Harry – devolveu o loiro, fazendo o pudim desaparecer da mesa.
_Você é um horror! – rugiu o leão indignado, deixando a sala de jantar de forma dramática, enquanto Draco permanecia sentado, perdido em pensamentos.
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Os fios vermelhos o hipnotizavam, ao mesmo tempo em que lhe lembravam do que precisava fazer: vingança! Teria a sua vingança, nem que precisasse aguardar mais tempo. Os longos anos nos quais fora enterrado vivo lhe ensinaram muito, em especial a aguardar. Paciência era, de fato, uma virtude.
O retorno àquelas paredes frias não era nada prazeroso, entretanto se mostrou necessário. A hora chegara. O feitiço estava praticamente finalizado, graças à agudeza de raciocínio do renomado professor. Já aquelas antas do ministério não faziam a menor ideia do nível de corrupção que os consumia.
Por anos, galeões compravam tudo o que precisava, inclusive a própria morte poderia ser comparada. Fizeram isso. A morte foi muito bem-vinda, assim como o doce limbo do desconhecimento. Ter o paradeiro não sabido era ainda mais excitante do que estar morto. Pôde vagar com segurança pelos mundos Bruxo e Trouxa como se, vejam só, não devesse nada a ninguém... Como se a lei nunca fosse capaz de alcançá-lo.
Não imaginou voltar tão cedo, mas foi necessário. Felizmente, não havia mais um acordo com aquelas criaturas ignóbeis, então seria mais fácil retirá-los de lá. Apesar do seu antigo senhor não menosprezá-las, ele mesmo nunca as aceitou. Passou anos sob o jugo daqueles seres que, sem vergonha alguma, faziam muito mais do que apenas vigiá-los. Sentia-se ser sugado por completo naquele medonho preâmbulo do inferno. Não havia pudor ou limite na fome assassina daqueles seres... E a sociedade bruxa tampouco se importava com o destino que lhes fora imposto.
Precisou planejar tudo com muito cuidado, pois muitos de seus contatos foram perecendo. Com Malfoy fora mais fácil, quase uma bagatela. Já com o seu parceiro de brincadeiras infantis, por quem nutria um natural vínculo fraternal, ah, por ele só agora pôde agir. E por ela também. Afinal, ela tinha sido de ambos.
A maresia irrompia pelas narinas, preenchendo-o da única coisa agradável da qual podia se lembrar do horror ali passado: o Mar do Norte, a única boa lembrança dos anos de reclusão forçada. Não teve contato com mais nenhum outro ser vivo que valesse a pena e então, quando os rumores sobre o retorno dele se avolumaram, ele soube, simplesmente soube que era apenas uma questão e tempo até readquirir a liberdade. E assim se fez... Contudo, seu senhor, a despeito de todo o poder que tinha, não foi vitorioso. E ele... Ele precisou procurar meios de sobreviver. Para tanto, a morte foi muito bem-vinda.
O som dos gritos era, de verdade, renovador. Dar fim àquela corja de traidores apenas o deixava mais vivo, com o sangue pulsando veloz, a excitação crescendo dentro em cada célula de eu organismo. Ah, os cretinos do Ministério teriam uma desagradável surpresa. As informações privilegiadas das quais dispunham os levaram às selas certas, aos caminhos seguros, às rotas de entrada mais desprotegidas. Foi tão fácil que, incrivelmente, sentiu até pena. Certo, certo... Não sabia o que era o sentimento de pena, mas teve um vislumbre dele, talvez...
Ah, era mesmo uma tristeza que tivesse perecido na Batalha de Hogwarts. Sabia que, caso estivesse com vida agora, estaria ali, ao seu lado e do lado dele, enfim, com ambos, como sempre fora. Eles dois, mais ela, a encarnação da loucura e do prazer... Letal e leal. Ondas de ódio o sacudiam ao lembrar-se da sua perda. Ah, mas eles a vingariam. E seria bastante dolorido.
_Mestre, já os soltamos. Já os retiramos daqui, como pediu.
Havia sangue nas vestes, na pele... Ah, era um belo cenário. Havia sangue para todo o lado.
_Há algum auror vivo? – E a encarou com cara de poucos amigos.
Era um teste? Talvez...
_Responda: estão todos mortos? – Exigiu com rispidez. Sabia que, apesar de tudo o que sofrera, ela vacilava.
_Sim, mestre... Estão... Estão todos mortos. Na verdade, não restou viva alma, literalmente.
_E os registros dele.
_Alterados. E os feitiços também foram lançados. Eles terão trabalho para entrar.
_Perfeito. Vamos embora. Hoje a glória é toda nossa.
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Azkaban... Antes, quando era apenas um estudante em Hogwarts, enregelava só de imaginar o que seria estar dentro dela. Agora, bem... Digamos que já tinha vivenciado horrores tão ruins ou piores do que estar naquela prisão.
A maioria massacrante dos bruxos, felizmente, nunca chegará a conhecer a Fortaleza de Azkaban, que jaz eterna numa ilha cercada pelas águas congelantes do Mar do Norte. É uma prisão de segurança máxima, evidentemente. Antes, no auge da guerra contra Voldemort, foi praticamente impossível mantê-la guarnecida, pois os dementadores se insurgiram. Dumbledore sempre esteve certo: o Ministério nunca deveria ter se aliado a essas criaturas.
Os criminosos de alta periculosidade ainda eram cumpriam pena no Centro Prisional de Alta Periculosidade de Azkaban, contudo, já não havia dementador algum entre aquelas muralhas de pedra. A prisão em si é composta de inúmeras salas. “Sombrio”, “tenebroso”, “horror”, “preâmbulo do Inferno”... Todas eram maneiras gentis pelas quais os prisioneiros e aurores a classificavam.
Quando os dementadores eram os guardiões, só havia frio, infelicidade, desespero, falta de fé e vontade de morrer. Poucos conseguiam cumprir mais que poucos anos de pena... No geral, morriam em questão de semanas. O cemitério anexo à fortaleza era, sem dúvida, bastante populoso.
Sempre que adentrava o local, imaginava como Sirius Black fora forte por ter sobrevivido. Segundo ele, só não enlouqueceu e morreu na prisão por ser um animago, o que lhe permitiu viver a maioria dos longos anos de cárcere como um cachorro. O fato de saber-se inocente auxiliou a manter a mente fortalecida, disso ninguém duvidava. Enfim, eram águas passadas... Agora Sirius estava devidamente grávido e casado com Snape. E, segundo soube, tinha um novo “carcereiro”, pois estava para nascer mago mais dominador e ciumento que Severus. Bem, talvez Draco... Oh, Harry estava mesmo em apuros.
Não gostava da prisão. Não gostava de ter que lidar com aqueles criminosos irrecuperáveis, os únicos prisioneiros verdadeiramente permanentes. Não gostava do que Azkaban representava: o fato de que, mesmo sem Voldemort, a maldade extrema persistia.
_Novato, faça uma varredura. Veja se há algum perigo. Não confio em mais ninguém.
Apesar de ver aurores para todos os lados, ele já havia feito sim uma varredura. Aprendera no Quartel que deveria sempre priorizar a segurança da equipe acima de tudo. Ah, precisou respirar fundo antes de responder.
_Drake, não há ninguém lá dentro...
Nulan arregalou os olhos, encarando os imensos portões, que separavam a entrada comum para as alas das selas.
_Como assim não há ninguém? Saímos daqui deixando aurores e dezenas de prisioneiros!
_Não há ninguém... Vivo.
_Por Merlin... O que aconteceu aqui? – Questionou David Nulan, apesar de ninguém ser capaz, naquele momento, de responder.
Instantes depois viram Tonks correr até eles. A mulher estava mesmo usando uma camisola por baixo da capa?
_Nulan, Drake, Weasley... Que bom que receberam o alarme. Ainda não consegui contatar a todos os disponíveis. Não pude encontrar Mumford, Cabot, nem Baden. Devem estar em missões... Mantive apenas os que estavam em guarda avançada. Todos os demais estão aqui ou a caminho, inclusive os novatos. Mal tive tempo de passar pelo Departamento. A equipe de plantão não conseguiu estabelecer contato com Azkaban. Realizaram o procedimento de emergência e, novamente, nenhum contato. Quando tentaram chegar aqui pelas lareiras, perceberam que foram bloqueadas. Estamos tentando entrar ainda... Temos feitiços potentes para todo lado e, por Morgana, temo que tenha havido um genocídio. As varreduras não indicam vida alguma.
A movimentação ficou maior, pois, enquanto conversavam, mais e mais aurores chegavam. Alguns, Ronald notou, ainda estavam vestidos como Tonks... Alarmes sacudiram a todos os aurores e aspirantes a auror naquela madrugada, pois viu todos os seus colegas de quartel chegaram numa grande massa compacta e temerosa, conduzidos pelos instrutores. E então, a voz que mais temiam ouvir os acordou de vez.
_NULAN, DRAKE, WEASLEY! POR MERLIN, O QUE ACONTECEU AQUI?
Podmore. Por Merlin, aquela seria uma longa noite, ou melhor, um longo dia… O que estava acontecendo? Precisava de uma coruja! Precisava alertar Hermione!
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Molly Weasley era uma mulher de fibra, disso ninguém duvidava. Arthur se apaixonara por ela ainda na escola e, desde então, nunca ais a soltara. Tiveram seus altos e baixos, como todo e qualquer casal, mas sempre conseguiram superar as adversidades. Depois de perder tantos familiares devido ao avanço dos bruxos das trevas, ambos decidiram que teriam uma família numerosa. E assim o fizeram. Os filhos nunca foram vistos por ambos como um problema, ao contrário: amavam a todos igualmente e viviam para eles.
Enquanto assava um bolo de caldeirão, observava Madeleine. A menina desenhava descontraída, sentadinha numa das cadeiras dispostas em torno da mesa da cozinha. Lápis de várias cores eram trocados freneticamente, os cachos balançando com o movimento veloz das mãos. Ah, sentiria falta daquela doce criança, quando a mesma fosse embora.
Tendo acabado de preparar o bolo, lançou alguns feitiços e rapidamente havia organizado a mesa para o lanche da tarde. Teddy já tinha voltado para casa depois da breve temporada na Toca e, estranhamente, sentia a casa vazia demais. Imaginando que deveria convidar Fleur e a neta para passar a tarde seguinte com ela, aproximou-se de Madeleine.
_Fiz um bolo caprichado para o nosso lanche, Madeleine – e se sentou, já servindo a menina e a si mesma.
_Oba! – E sorriu, rabiscando com total domínio do lápis um dos desenhos.
Madeleine pegou então um dos pergaminhos no qual havia desenhado e o avaliou criticamente, os olhos profundos refletindo muito mais do que a sua vivacidade infantil.
_Falta mais um lugar, tia Molly.
_Não, meu amor – e sorveu um golinho de chocolate quente. – Ronald saiu tão cedo que eu nem ao menos o vi... Conferi o relógio: ele está no trabalho. Ah, aqueles aurores devem tê-lo tirado da cama de madrugada! Já Arthur avisou que não vinha almoçar em casa hoje... Creio que algo está acontecendo no Ministério, pois Arthur estava agitado. Os gêmeos tampouco virão aqui hoje. E Gina deve estar tão envolvida pelas maravilhas do casamento que... Enfim, somos só nós duas, mas amanhã convidarei Fleur e Victoire, aí nós...
_Não tia – e já tinha se levantado, indo direto ao local no qual Molly guardava a louça. A garotinha voltou para a mesa munida de mais uma xícara, mais um pires e mais talheres. – A tia Hermione virá hoje ainda para ficar comigo, pois a senhora precisará viajar. Ah, esse é seu – e passou a Molly um dos pergaminhos desenhados.
A ruiva pousou a xícara sobre a mesa e pegou o pergaminho que a menina lhe estendera. Uma lareira, muitos sofás e tapetes, muitas espadas e escudos com brasões nas paredes, muitos objetos sobre os móveis requintados... Esse era o desenho. E aquela estranha fala... Como assim “viajaria”?
_E a tia Gina virá, pois a vi chegar logo depois que o bolo estivesse pronto – e já estava novamente em seu lugar, degustando do delicioso bolo de caldeirão.
_Madeleine, do que está falando? E por que me deu esse desenho, meu bem?
_É para onde a senhora vai, tia... Mas não se preocupe, pois ele está bem.
_Ele está bem? Ele quem?
_Tia Molly, eu tenho mais para dizer, mas não agora – e se calou, enquanto encarava de soslaio os demais desenhos. – Coisas ruins aconteceram a noite, tia.
Molly seguiu o olhar de Madeleine, mas o que ela poderia saber acerca dos desenhos? Nunca faria a mesma leitura que a enigmática criança, pois não compartilhava do mesmo dom. Teve um vislumbre do que julgava ser uma mulher ruiva ao lado de um homem, um homem de cabelos com cachos escuros e olhar mais frio que o gelo do ártico. Não tinha certeza se os conhecia. As fisionomias estavam indefinidas...
_Ah, tia... Eu não sei quem ele é. Sei apenas que ele não gosta da senhora nem um pouquinho – e guardou os pergaminhos, antes que Molly fizesse perguntas que ela mesma não sabia responder.
_Mamãe!
A voz de Gina encheu a sala, ao que Madeleine apenas sorriu ante uma Molly deveras surpresa.
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